postado por Matheus em 17 fevereiro 2013

Review | Django Livre

Direção: Quentin Tarantino
Lançamento: 2013
Duração: 2h 45min
Gênero: Faroeste
Sinopse

Django (Jamie Foxx) é um escravo liberto cujo passado brutal com seus antigos proprietários leva-o ao encontro do caçador de recompensas alemão Dr. King Schultz (Christoph Waltz). Schultz está em busca dos irmãos assassinos Brittle, e somente Django pode levá-lo a eles. O pouco ortodoxo Schultz compra Django com a promessa de libertá-lo quando tiver capturado os irmãos Brittle, vivos ou mortos.

Ao realizar seu plano, Schultz libera Django, embora os dois homens decidam continuar juntos. Desta vez, Schultz busca os criminosos mais perigosos do sul dos Estados Unidos com a ajuda de Django. Dotado de um notável talento de caçador, Django tem como objetivo principal encontrar e resgatar Broomhilda (Kerry Washington), sua esposa, que ele não vê desde que ela foi adquirida por outros proprietários, há muitos anos.

A busca de Django e Schultz leva-os a Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), o dono de "Candyland", uma plantação famosa pelo treinador Ace Woody, que treina os escravos locais para a luta. Ao explorarem o local com identidades falsas, Django e Schultz chamam a atenção de Stephen (Samuel L. Jackson), o escravo de confiança de Candie. Os movimentos dos dois começam a ser traçados, e logo uma perigosa organização fecha o cerco em torno de ambos. Para Django e Schultz conseguirem escapar com Broomhilda, eles terão que escolher entre independência e solidariedade, sacrifício e sobrevivência.



OBS: Esse filme é o terceiro da minha maratona pré-Oscar, na qual eu vou tentar assistir todos os filmes indicados nas principais categorias da premiação (coisa de cinéfilo louco rsrs). Eu vou disponibilizar a resenha aqui no blog apenas dos filmes indicados na categoria "melhor filme" (isso porque senão eu não teria tempo para assistir todos). Se você ainda não participou da promoção "Bolão do Oscar" aqui do blog aproveite e participe agora clicando aqui!



Crítica

Quais são os limites para mostrar a crueldade humana nas telonas do cinema? Seja lá qual forem diversos diretores já a ultrapassaram, mais pouquíssimos deles causaram um impacto tão profundo na cultura pop e na sociedade artística quanto Quentin Tarantino. Sua mistura estilosa de violência estilizada, diálogos de impacto e roteiro muito bem estruturado fazem com que todos os seus filmes se tornem, no mínimo, perfeitos. E essa sua receita continuou no seu mais novo (e talvez mais aclamado) filme: Django Livre!

“O ‘d’ é mudo, mas a vingança não será!” Essa frase de impacto mostrada em alguns cartazes do filme é perfeita para descrever em um todo o filme. Com uma música marcante e créditos em extrema evidência o filme começa mostrando o transporte de alguns escravos, entre eles Django (Jamie Foxx). Tudo ocorria como o normal, até que aparece o Dr. King Schultz (Chritoph Waltz) à procura de algum escravo que já trabalhou em certa fazenda (não me lembro do nome correto). Django já havia estado lá, então ele se propôs a ajudar o Dr. Schultz, mas o seu dono fica contra isso. Não demora muito para o Dr. Schultz matar seus donos, libertar o restante dos escravos e ficar com Django para ajuda-lo. Um ótimo início para um filme que continua no mesmo estilo: cheio de humor negro (literalmente) e muito, muito sangue.
Depois dessa sequência de abertura maravilhosa nós ficamos a par da história central do filme. O Dr. King Schultz é um “caçador de recompensas”: ele procura pessoas foragidas da justiça, mata-as e ainda recebe uma recompensa em dinheiro. Ele está à procura dos irmãos Brittle, mas não tem a mínima de como são. Mas Django sabe, e decide ajuda-lo a procura-lo, e em troca ele será um homem livre depois de encontrados e matados os irmãos Brittle. Não demora muito para eles os matarem, mas Schultz e Django decidem continuar com sua parceria devido à “química assassina” dos dois. Eles logo vão à procura dos bandidos mais temidos dos EUA, que irão render a eles a grande quantia de 12 mil dólares. Mas o que Django mais queria era encontra e libertar a sua antiga esposa Broomhilda (Kerry Washington), que foi separada dele na fazenda onde serviam. Schultz decide ajudar seu amigo, e logo eles descobrem que Broomhilda está na fazenda de Candyland, propriedade do inescrupuloso Calvin Candie (Leonardo DiCaprio). Com um plano bem bolado eles tentam libertar Broomhilda, mas há mais obstáculos nos seus caminhos do que eles pensam.

Como vocês podem ter percebido o filme tem uma proporção quase épica no seu roteiro: tramas demais, personagens demais, reviravoltas demais, sangue demais, tudo é demais no filme, menos a piedade. Então para conduzir um filme tão complicado são necessárias as mãos ágeis de um diretor fantástico, esse é Quentin Tarantino! Ele conduz o filme inteiro com o mesmo ritmo frenético e bem humorado, mas também dando lugar a cenas mais sérias de grande teor emocional. A ação que aparece em Django Livre é diferenciada daquela vista em todos os filmes comuns do gênero, ela é mais rápida, mais sangrenta, mais extasiante, dando assim ainda mais estilo ao filme.
Mas mesmo com todo esse dom de direção do Tarantino o filme desandaria e não se mostraria tão divertido se não obtivesse o máximo possível de seus atores. E nesse quesito o filme também está de parabéns, sendo que muitos dos atores do filme estão nos seus melhores papéis de suas carreiras. Jamie Foxx, que interpreta o Django do título, joga na tela uma atuação fantasticamente visceral e convincente. Nas cenas onde Django tinha que interpretar um comerciante de escravos o Jamie se mostra ótimo, equilibrando muito bem as personalidades diferentes do “Django escravo” e do “Django comerciante de escravos” em cenas que se mostravam repugnantes para o “Django escravo”. Mas ainda assim quem rouba a cena é o elenco coadjuvante, que se mostra completamente perfeito, mas que ganha ainda mais destaque em três atores. O mais evidente deles é o Christoph Waltz, que vem abocanhando diversos prêmios por sua atuação e está na disputa do Oscar. E não é pra menos, seu personagem era difícil e conflitante, mas o Waltz interpreta o sádico e inescrupuloso Dr. King Schultz com extrema desenvoltura, fluindo do seu lado sanguinolento para seu lado mais emocional e descontraído em poucos instantes e de forma extremamente convincente. Leonardo DiCaprio também é outro que divide toda a atenção nas cenas em que aparece como o repugnante e sem sentimentos Calvin Candie, que pode até parecer divertido e racional de primeira vista, mas que logo mostra seus instintos assassinos.
Mas mesmo sendo tão irracional e detestável o personagem mais repugnante e odiável do filme é o escravo Stephen, interpretado brilhantemente por um Samuel L. Jackson visualmente mais velho que o normal e detestavelmente mais irracional. O que faz com que seu personagem seja tão detestável é o fato de ele ser um escravo, mas ainda assim admirar e dar razão a todos os atos de seu dono, o Calvin, mesmo que esses atos façam com que pessoas como ele (escravos negros) sejam prejudicadas. A fidelidade dele para com Calvin é digna de nojo, mas se não fosse as atuações perfeitas dos dois o personagem não teria tanto impacto ao espectador.
Tratar de um assunto tão delicado e impactante como a escravidão nos EUA faz com que seja necessária uma introdução delicada do tema às telas. Num conjunto inteiro da obra, essa introdução ao tema em Django Livre foi feita perfeitamente, graças à direção compromissada do Tarantino, ao roteiro que mostra o preconceito e o racismo na medida do suportável (também da autoria do Tarantino) e às atuações perfeitas de todos, que conseguem transmitir na tela tudo o que sentem pela escravidão com os mais diversos atos (como a matança sanguinolenta de diversos racistas).

Depois que acaba as longas 2 horas e 45 minutos de reprodução nós falamos consigo mesmos: porque o filme não durou mais? Seu estilo angustiante, repugnante, extasiante se mostra divertido e extremamente emocional nas cenas corretas. Um trabalho que não seria o mesmo sem as mãos talentosíssimas do mestre Quentin Tarantino.

Avaliação:





2 comentários:

  1. tem que ter estômago forte pra assitir os filmes do Tarantino.ele disse uma vez em uma entrevista "o que você chama de violência,eu chamo de ação." rsrs então tá né. o legal é que,como você bem disse na resenha, ele consegue misturar perfeitamente essa "ação" com um roteiro simples mas impactante,atuações primorosas e uma trilha A+. quem não viu,tem que ver já!

    ResponderExcluir
  2. concordo com td q vc disse. O primeiro filme do Tarantino q eu vi foi Kill Bill vol. 1 e eu fiquei tipo extasiado, achei perfeito!!! depois disso eu fiquei fã dele, e simplesmente amei esse novo filme dele.

    ResponderExcluir