postado por Matheus em 16 fevereiro 2013

Review | Lincoln

Direção: Stephen Spielberg
Lançamento: 2013
Duração:  2h 30min
Gênero: Biografia, Drama 


Sinopse

Baseado no livro “Team of Rivals: The Genius of Abraham Lincoln”, de Doris Kearns Goodwin, o filme se passa durante a Guerra Civil norte-americana, que acabou com a vitória do Norte. Ao mesmo tempo em que se preocupava com o conflito, o o 16º presidente norte-americano, Abraham Lincoln (Daniel Day-Lewis), travava uma batalha ainda mais difícil em Washington. Ao lado de seus colegas de partido, ele tentava passar uma emenda à Constituição dos Estados Unidos que acabava com a escravidão.






OBS: Esse filme é o segundo da minha maratona pré-Oscar, na qual eu vou tentar assistir todos os filmes indicados nas principais categorias da premiação (coisa de cinéfilo louco rsrs). Eu vou disponibilizar a resenha aqui no blog apenas dos filmes indicados na categoria "melhor filme" (isso porque senão eu não teria tempo para assistir todos). Se você ainda não participou da promoção "Bolão do Oscar" aqui do blog aproveite e participe agora clicando aqui!


Crítica

Uma estranha aura sempre seguiu e continuará seguindo o diretor Stephen Spielberg. Ele não tem um estilo próprio, nem uma linha de modelos a seguir nos seus filmes, mas tudo quanto é filme que ele dirige se mostra perfeito, sendo do gênero que for. Em Lincoln, uma simples história sobre um dos maiores presidentes dos EUA, ele continua com essa mesma mágica que só ele tem, mostrando na tela um filme muito bem produzido, com momentos meio parados mas com outras partes cheias de sentimentalismo.

O roteiro, incrivelmente simples e muito bem estruturado, narra em um todo a difícil luta de Abraham Lincoln (Daniel Day-Lewis) para abolir a escravidão nos EUA. Sua emenda para proibir a escravidão é tomada com desconfiança pela grande parte do Congresso. Apenas os congressistas de seu partido aprovam a ideia. O motivo de toda essa desconfiança era o medo de que a Guerra Civil que os EUA estavam enfrentando ficasse ainda maior, causando mais estragos e matando cada vez mais pessoas, fato esse que estava tirando a confiança no presidente de muitos americanos. No meio de toda essa luta ainda é mostrado no filme os diversos problemas familiares de Lincoln: um filho rebelde (Joseph Gordon-Levitt) disposto a ir à guerra de qualquer modo além de uma esposa (Sally Field) muitas vezes “desregulada” e extremamente sentimental.  Pode parecer um enredo simplesinho e sem muita graça, mas no desenrolar do filme ele se mostra uma história impactante e muitas vezes comovente.

Como eu já disse no início da resenha, o motivo maior de o filme ficar perfeito do jeito que ficou é a direção ágil, detalhista e sentimental ao ponto certo do Spielberg. Em todas as cenas que a emoção não está presente o Stephen deixa sua marca com o excesso de detalhes, tanto históricos como visuais (os cenários e os figurinos são extremamente perfeitos). Para quem vai assistir à esse filme pensando que não há excesso de patriotismo pode ir tirando seu cavalinho da chuva, pois patriotismo é uma coisa que não falta! Mas, diferente do patriotismo mostrado em diversos outros filmes, aqui ele não é indesejável nem desprezível, apenas verdadeiro. Outra artimanha do Stephen Spielberg!
Para o filme se tornar tão convincente e marcante não foi necessário apenas um roteiro bem estruturado e uma direção ágil, um fator importantíssimo para isso são as atuações. A começar pelo Daniel Day-Lewis, que esbanja na tela uma atuação inesquecível devido a diversos motivos. Mais o grande trunfo de sua atuação é a emoção. Diferente de tantos outros atores, para causar a emoção no espectador ele não precisa cair em lágrimas ou agir extremamente sentimental, apenas sua fisionomia clássica, sua voz diferenciada e seus discursos altamente persuasivos são capazes de causar ao espectador as mais diversas emoções. Se antes eu tinha certeza que o Hugh Jackman iria ganhar o prêmio de melhor ator no Oscar agora eu já tenho minhas dúvidas... Dentre os diversos coadjuvantes que se mostram perfeitos dois chamam muita atenção: Tommy Lee Jones e Sally Field. O primeiro está num dos melhores papéis de sua carreira, e isso não é nenhum exagero. Seus trejeitos marcantes, sua cara enfezada contínua e seus atos importantes para a história americana já são extremamente perfeitos, mas como se não bastasse o Tommy ainda se mostra um dos atores mais emocionantes do filme, sem contar que sua atuação é altamente convincente. Já a Sally Field deixa sua marca nas poucas cenas que aparece, interpretando a esposa de Lincoln com desenvoltura e com o mesmo nível de convicção de seu colega Tommy. Mesmo que por vezes ela pareça exageradamente emocional era esse mesmo o seu papel, uma mulher “quase” desregulada e de sentimentos extremos.
O clima de época é perfeitamente mostrado no filme. Cada detalhe foi minuciosamente pensado para ficar o mais perfeito possível (mais uma vez está aqui a marca do Spielberg). O figurino está completamente deslumbrante, sem exageros e nem simplicidade, extravagantes e visualmente magníficos à medida certa. A maquiagem, mesmo que seja fraca e não tão marcante, também é perfeita, mantendo a fisionomia diferenciada dos personagens até o fim. Mas para capturar toda essa beleza é de extrema importância a fotografia perfeita do filme, usando diversos jogos de câmeras para obter as cenas dos melhores e mais diferenciados ângulos. E, como se não bastasse, para acompanhar as imagens ótimas entra em cena a trilha-sonora do mestre John Williams (um velho colaborador do Spielberg), que mistura com perfeição estilos de época com algumas melodias mais melosas e emocionais, mais nunca de sentimentalismo barato.

A primeira vista o filme pode parecer mais um dos diversos filmes patrióticos americanos. Mas como vocês devem ter percebido, o filme é muito mais que isso. Ele é um filme emocionante, muito bem desenvolvido e executado e de uma aura artística grandiosa. Sem contar que depois que você assisti-lo você vai saber coisas que você nunca imaginou sobre o presidente americano Lincoln (como o seu nível de humor estranho sem igual e os diversos problemas familiares que enfrentava). Perfeito em todos os quesitos e ainda extremamente sentimental e emocionante: um filme de extrema importância para todos aqueles que procuram altas doses de educação misturadas com maestria com partes emocionais e regadas a muita perfeição artística.

Avaliação:






2 comentários:

  1. concordo com tudo,a resenha está perfeita! Lincoln é um filme fantástico,Daniel Day-Lewis assombra com a entrega ao papel.a fotografia é perfeita,o figurino então... Tommy Lee só não não leva esse ano porque Christoph Walts está magnífico em Django.

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  2. Eu tbm achei o filme fascinante, o Daniel tá fantástico (tava torcendo para o Hugh Jackmnan levar o Oscar, mas agr tenho minhas dúvidas). O Tomy tbm esta perfeito, mas como vc msm disse o Christoph Waltz tá ainda melhor.
    Esse Oscar promete...

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