postado por Matheus em 24 fevereiro 2013

Reviews | Amor; O Lado Bom da Vida; Indomável Sonhadora

OBS: Acaba aqui minha maratona pré-Oscar. Devido a diversos motivos pessoais, por vários dias eu não pude postar as resenhas dos filmes, mas aqui estou eu mostrando a resenha de mais 3 filmes que estão concorrendo à "melhor filme". A promoção do Bolão do Oscar já acabou, então se você participou torça para os seus candidatos ganharem. Espero que tenham gostado das minhas críticas e até mais hunters!!! 


Amor
Direção: Michael Haneke
Duração: 2h 06min
Lançamento: 2013
Gênero: Drama 
Sinopse

Georges (Jean-Louis Trintignant) e Anne (Emmanuelle Riva) são um casal de aposentados, que costumava dar aulas de música. Eles têm uma filha musicista que vive com a família em um país estrangeiro. Certo dia, Anne sofre um derrame e fica com um lado do corpo paralisado. O casal de idosos passa por graves obstáculos, que colocarão o seu amor em teste.









Crítica
Por melhor cinéfilo que eu sou, filmes de drama minimalistas no estilo de Amor nunca despertaram o meu interesse. Mas, como todo bom cinéfilo, sempre há exceções para mim. Mas nesse caso, Amor não é uma exceção, se mostrando pra mim um ótimo filme, mas em momento algum me passando alguma emoção.

O filme narra a vida de Anne (Emanuelle Riva) e do seu marido Georges (Jean-Louis Trintignant), um casal de idosos aposentados grandes admiradores de música clássica e ex-professores de música. Depois de um derrame da Anne ela fica impossibilitada de mexer o lado direito do corpo, precisando assim de alguém para ajuda-la todas as horas. Georges está decidido a não contratar ninguém para cuidar dela, e também não quer fazer como sua filha diz, coloca-la num asilo. Então ele passa a cuidar dela sozinho, apenas com a ajuda de uma cuidadora de idosos. Assim, eles passarão por diversos momentos difíceis, momentos esses que os mostrarão qual é o limite de seu amor.

Deu pra perceber a simplicidade do roteiro, né? Então, o filme é inteiramente assim, minimalista em todos os sentidos. Essa simplicidade vem por diversos motivos, uma direção boa (não excelente) do Michael Haneke, atuações normais e excelentes de todos os atores e um estilo visualmente normal, sem nada de mais.
A direção do Michael Haneke, famoso por dirigir diversos filmes brutais e desconcertantes, leva o filme cada vez mais para um nível mais tenso, com cenas terríveis (visualmente falando) e, é claro, sempre com o mesmo minimalismo. O Michael também consegue arrancar atuações primorosas de todo o elenco, mas o casal de idosos está fantástico. Jean-Louis Trintignant se sai muito bem na pele do Georges, misturando muito bem seu senso de paixão para com Anne com a sua revolta que ele sente por diversos personagens. Mas quem rouba a cena é a Emanuelle Riva, interpretando com maestria a Anne de uma forma fantástica! Os sofrimentos passados por Anne podem ser notados facilmente nas expressões faciais de Riva, e atuar na pele de um personagem com metade do corpo paralisado não é pra qualquer um, e se torna ainda mais difícil para uma atriz de 85 anos!

Resumindo tudo, Amor é um filme para poucos. Em momento algum fortes emoções são transmitidas na tela, mas há poucas cenas que causam sentimentos confusos na nossa psique. Mas se você for um bom apreciador de cinema você vai perceber a grande qualidade artística do filme, que muitas vezes fica ofuscada pelo tédio presente na maioria das longas 2 horas de reprodução.     
Avaliação:



O Lado Bom da Vida
Direção: David O. Russel
Duração: 2h 02min
Lançamento: 2013
Gênero: Comédia dramática
Sinopse
Por conta de algumas atitudes erradas que deixaram as pessoas de seu trabalho assustadas, Pat Solitano Jr. (Bradley Cooper) perdeu quase tudo na vida: sua casa, o emprego e o casamento. Depois de passar um tempo internado em um sanatório, ele acaba saindo de lá para voltar a morar com os pais. Decidido a reconstruir sua vida, ele acredita ser possível passar por cima de todos os problemas do passado recente e até reconquistar a ex-esposa. Embora seu temperamento ainda inspire cuidados, um casal amigo o convida para jantar e nesta noite ele conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), uma mulher também problemática que poderá provocar mudanças significativas em seus planos futuros.



Crítica
Dirigir comédias dramáticas é um trabalho para poucos. Juntar cenas dramáticas com outras mais divertidas pode render uma completa confusão se cair nas mãos erradas. Então o papel do diretor em filmes do gênero é mais do que importante, pois se não houver alguém com o dom de juntar esse dois lados com perfeição o filme poderá parecer sem sentido e fora de sincronia. Dizer que o David O. Russel desempenhou o seu papel de diretor com perfeição seria exagero, mas ele conseguiu alcançar o necessário para que O Lado Bom da Vida ficasse tão cativante e motivador.

Pat Jr. (Bradley Cooper) sofreu há um tempo a traição de sua mulher, e ainda por cima bateu no amante dela, quase o matando. Não demorou muito para que descobrissem que ele tinha bipolaridade, e como isso estava num nível alto a única opção era leva-lo para um hospital psiquiátrico com algum tempo.  Depois de 8 meses lá, sua mãe Dolores (Jacki Weaver) tira-o de lá e o leva de volta a casa. Lá os problemas começam a aumentar, já que ele ainda não se esqueceu de sua ex-mulher e está um tanto obcecado em conquistá-la novamente. Ele também vive entrando em conflito com a sua família, principalmente com o seu pai, Pat (Robert deNiro), que nem sempre da o devido apoio ao filho. Indo à casa de um amigo para jantar, Pat conhece inesperadamente Tiffany (Jennifer Lawrence), que logo se torna sua amiga (em partes). Essa amizade diferente e conflitante pode mudar a vida dos dois, mas há diversos obstáculos na vida de ambos, mostrando que nem sempre a vida é como desejam.

Esse roteiro conflitante e muito inspirador poderia render um filme totalmente sem sentido e fraco. Não foi o que aconteceu com O Lado Bom da Vida. Isso se deve a 2 fatores muito importantes...
O primeiro deles é a direção do David O. Russel. Ele não está incrivelmente perfeito, mas em suas mãos o roteiro (de sua própria autoria) cria uma história extremamente humanista, capaz de nos prender ao filme e nos deixar torcendo pelos protagonistas em todas as jornadas de suas vidas. Mas por outro lado o Russel peca (e feio) em não conseguir misturar com maestria as cenas de forte teor dramático com aquelas mais engraçadas, criando assim diversas cenas fora do ritmo no decorrer do filme.
O segundo fator é as atuações, que por parte de muitos está perfeita! A dupla protagonista tem uma química incrível, e as atuações dos dois separadamente também estão incríveis. O Bradley Cooper se desvencilha facilmente do seu papel marcante no filme Se Beber Não Case para dar vida ao Pat Jr. de uma maneira incrível. Ele consegue seguir muito bem a sua dupla bipolaridade, dando as devidas emoções ao seu personagem na medida certa. Já a Jennifer Lawrence dispensa comentários... Não é novidade que ela é uma ótima atriz, mas nesse filme ela se sai ainda melhor, mostrando com perfeição os seus “ataques de desregulamento” e também suas cenas mais sérias e dramáticas. Mas o que chama mais atenção na sua atuação é a sua desenvoltura para com a personagem, encarnando a Tiffany com maestria. Na parte dos coadjuvantes estão todos de parabéns (principalmente a Jacki Weaver como a mãe emotiva de Pat), mas ainda assim eu não me convenci com o papel do Robert De Niro. Ele se sai bem no seu papel? Sim. Mas ele não se mostra convincente para o público, mostrando atos e falas que ficam flutuando no ar e não atingindo ninguém.

O Lado Bom da Vida também tem o mérito de agradar diversos gostos. Suas cenas divertidas agradarão a todo bom admirador de comédias minimalistas, e suas partes mais dramáticas deixarão saciados os adoradores de dramas familiares. Sem contar que há cenas memoráveis no decorrer do filme (é impossível se esquecer da sequência de dança no final) e ele também nos motiva muito, mostrando que a vida nem sempre é como a gente pensa. 

Avaliação:




Indomável Sonhadora
Direção: Benh Zeitrin 
Duração: 1h 32min
Lançamento: 2013
Gênero: Drama, Fantasia 
Sinopse
Hushpuppy (Quvenzhané Wallis) é uma menina de apenas 6 anos de idade que vive em uma comunidade miserável isolada às margens de um rio. Ela está correndo o risco de ficar órfã, pois seu pai (Dwight Henry) está muito doente. Ele, por sua vez, se recusa a procurar ajuda médica. Um dia, pai e filha precisam lidar com as consequências trazidas por uma forte tempestade, que inunda toda a comunidade. Vivendo em um barco, eles encontram alguns amigos que os ajudam. Entretanto, o pai vê como única saída explodir a barragem de uma represa próxima, o que faria com que a água baixasse rapidamente e a situação voltasse a ser como era antes.





Crítica
É incrível o poder que certas premiações têm de elevar o status de diversos filmes com apenas algumas indicações. Esse é o caso de Indomável Sonhadora, um filme completamente esquecido do público em geral mas que se elevou para um alto nível de fama depois de 4 importantes indicações ao Oscar, sendo essas 4 algumas das principais (melhor filme, diretor, atriz e roteiro adaptado).

Esse filme encantador é protagonizado por Hushpuppy (Quvenzhané Wallis), uma menina que vive em extrema pobreza num lugar chamado por ela de “banheira”, isso devido as enchentes que lá acontecem quando chove muito. Ela nunca conheceu sua mãe, e seu pai, Wink (Dwight Henry), corre grave risco de morrer devido à alguns problemas de saúde. Hushpuppy é  uma menina determinada, forte e que não tem medo de nada, mas acima de tudo ela é uma sonhadora, nunca perdendo a esperança em sua vida mas também em momento algum reclamando da vida que leva. Pelo contrário, ela vive constantemente, aproveitando cada minuto de sua vida, seja junto com os seus colegas ou com os outros moradores da região.

Mas se engana quem acha que o filme inteiro tem esse mesmo estilo de draminha convencional até o fim, pois há no roteiro um nível de fantasia mágico. Essa fantasia vem de violentos animais pré-históricos, que, segundo a professora da escolinha de Hushpuppy, correm o risco de serem novamente vivos devido ao descongelamento do polo sul (detalhe: eles estavam congelados no meio das geleiras). Volta e meia aparecem cenas fantásticas com esses seres, e o encontro deles com Hushpuppy é no mínimo mágica!
É nesse quesito que a direção do Beinh Zeitlin se mostra ótima, na sua facilidade de mostrar a dura realidade daquele povo intercalada com a presença desses seres fantasiosos. O detalhismo dos cenários da “banheira” impressionam, mostrando de uma forma nua e crua a vida daquele povo pobre, mas feliz. As atuações estão incríveis por parte de todos. Mas quem ganhou extremo reconhecimento internacional é a adorável Quvenzhané Wallis, de apenas 9 anos, mas que gravou o filme quando tinha 6. Ela conseguiu a proeza de ser a mais jovem atriz a ser indicada ao Oscar, mas não é pra menos. Sua atuação no filme é fantástica. Ela se sai incrivelmente bem em cenas difíceis e que exigem muito do ator, e a sua carga dramática fica muito bem escondida por trás daquela personalidade durona que ela teve que obter devido a sua difícil vida, mas há uma cena nas partes finais onde podemos prestigiar toda a emoção que a doce Quvenzhané tem a oferecer.

Indomável Sonhadora é um dos filmes mais inexplicáveis que eu já vi nos últimos tempos. As emoções passadas por ele podem ser as mais distintas dependendo do espectador, mas seja lá como ele for uma coisa fica na cara: esse é um dos filmes mais cativantes já feitos nos últimos anos.
Avaliação:






2 comentários:

  1. Dos filmes que você citou, só vi O Lado Bom da Vida é gostei muito, pretendo ler o livro tbm.
    Pretendo vê Amor, tenho para mim que vou gostar muito do filme.
    Já Indomável Sonhadora tenho e não tenho vontade de assistir. Vi alguns comentários sobre o filme mais ainda não tenho aquela vontade grande de vê, apesar de ter achado a história bem interessante.
    Bjos....

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  2. Eu gosto muito de filmes!! Ainda não assisti nenhum desses filmes, mas pelas suas criticas fiquei curiosa por todos eles.
    Parabéns pelas críticas!!
    Vamos ver quem leva a melhor no Oscar hoje.



    Gabby Figueiredo
    Conversa de Livro

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