postado por Matheus em 18 julho 2013

Resenha | Estilhaça-me

Autor: Tahereh Mafi
Editora: Novo Conceito
Páginas: 304
Skoob: Adicione!
Compre: Encontre o melhor preço!
Sinopse
Juliette não toca alguém a exatamente 264 dias. A última vez que ela o fez, que foi por acidente, foi presa por assassinato. Ninguém sabe por que o toque de Juliette é fatal. Enquanto ela não fere ninguém, ninguém realmente se importa. O mundo está ocupado demais se desmoronando para se importar com uma menina de 17 anos de idade. Doenças estão acabando com a população, a comida é difícil de encontrar, os pássaros não voam mais, e as nuvens são da cor errada. O Restabelecimento disse que seu caminho era a única maneira de consertar as coisas, então eles jogaram Juliette em uma célula. Agora muitas pessoas estão mortas, os sobreviventes estão sussurrando guerra – e o Restabelecimento mudou sua mente. Talvez Juliette é mais do que uma alma torturada de pelúcia em um corpo venenoso. Talvez ela seja exatamente o que precisamos agora. Juliette tem que fazer uma escolha: ser uma arma. Ou ser um guerreiro.



Resenha

De um tempo para cá parece que livros distópicos estão tomando cada vez mais espaço nas listas de best-sellers. Alguns veem isso com bons olhos, achando que leituras desse jeito podem abrir nossas mentes sobre o que está bem a nossa frente. Outros já acham que esse “movimento literário” só se aproveita de leitores jovens que procuram romances melosos e histórias mirabolantes. No meio de tudo isso aparece alguns escritores que, mesmo não investindo numa história tão complexa, tem o devido respeito por seu talento. Caso da Suzanne Collins e seu modo de escrita vibrante e extremamente emocional na saga Jogos Vorazes, e também de Tahereh Mafi com sua escrita criativa e fascinante em Estilhaça-me.

No começo de tudo é apenas Juliette. Juliette vive presa numa espécie de manicômio, sem ter contato com ninguém em nenhum momento de sua vida nos últimos anos (isso criou uma ótima introdução psicológica!). Mas há um motivo para ela estar assim, presa, ela tem um dom, ou uma maldição, classifique como quiser. O seu toque pode matar pessoas, e por isso ela sempre viveu reclusa, sozinha, pois ela sabia que o simples contato com alguém poderia resultar em algo mortal que ela nunca quis para ninguém.
O estado atual do mundo em que ela vive é deplorável! A poluição tomou conta de tudo, não há mais árvores verdes, animais foram extintos e os alimentos são quase todos artificiais. Mas ainda assim há O Restabelecimento, que acredita que o mundo só voltará a ser como antes se ele começar do zero. Para isso eles usam dos meios mais violentos possíveis para cuidar daqueles poucos rebeldes que acreditam que o mundo ainda pode ser concertado. O Restabelecimento abriga inúmeros soldados, treinados ferozmente para cumprirem as suas tarefas muito bem. O Restabelecimento é dividido em setores, e o setor 45 é comandado por Warner, um cruel e obstinado líder que não está nem aí pelo mundo, ele só quer conseguir respeito e admiração. Juliette mal sabe que está sob os olhos dele...
O colapso da sociedade humana não deve vir como uma surpresa, Nós o causamos a nós mesmos.
Pág. 273
Voltando a vida de Juliette, ela continua nessa entediante rotina até que aparece Adam na sua cela. Ela sente que algo diferente aconteceu quando se encontraram e o contato com ele, mesmo que tenha ocorrido por diálogos vazios, mexeu com ela de um jeito que nunca aconteceu. Depois disso não demora para que Juliette seja retirada da sua cela e então possa reconhecer o que realmente a espera. Warner a mantinha sobre cativeiro enquanto estudava o que realmente ela era, e, depois de acabadas as suas pesquisas, ele pode tirá-la da sua prisão para conhecê-lo e todo o resto do setor 45. Então Juliette descobre que Warner quer possuí-la apenas para usá-la como uma arma no seu plano para acabar com o mundo. Juliette discorda completamente disso, e faz de tudo para que Warner desista dela; mas Warner ficou obcecado por Juliette, e nada o fará desistir dela. Na sua nova “morada” Juliette descobre que Adam na verdade era um soldado, mandado no seu cativeiro apenas para descobrir se ela estava possibilitada de sair de lá. Mas ainda assim Juliette não conseguiu esquecer o que ele causou nela... Reviravoltas acontecem e Juliette descobre que pode haver grandes e seguros alojamentos rebeldes, e com isso seu coração cativa o mínimo de esperança possível. Mas como escapar daquele império que era o setor 45? E pior, como escapar do repugnante Warner? Não seria muito mais fácil cooperar com ele? Não, não era isso que Juliette queria para si, mas ainda assim as esperanças de Juliette numa vida normal nunca existiram, e ainda estavam longe de existir ou nem tão longes assim.

Com essa base um tanto previsível e por vezes forçadamente emocional a escritora de nome estranho que eu não sei pronunciar Tahereh Mafi conseguiu criar uma boa história. Poucas são as vezes que a história por si fica espetacular ou extremamente emocionante, pois em grande parte a história se mostra bem morna, sem grandes progressos que cativem o leitor.
Mas há outro quesito de extrema importância nesse livro: o estilo de escrita da Mafi. Sua escrita é, no mínimo, algo fantástico e inovador, e isso se deve a muitas coisas... Uma delas é o excesso de “jogo de palavras” que a Mafi usa para desenrolar a história. Há palavras tachadas como essas que eu estou usando banalmente na resenha que servem para mostrar o que se passa na mente de Juliette, mas que de certa forma ela não quer aceitar ou precisa ser descartado. Há também a repetição de palavras para engrandecer a ideia do que está sendo escrito. E também há os parágrafos pulados regularmente de palavra em palavra, ou de frase em frase, dando uma ideia de tensão ao que se descreve. E para engrandecer todos esses modos de escritas algumas vezes desnecessários a escrita da Tahereh é extremamente poética, fazendo comparações lindas e fantásticas, principalmente quando se trata do amor de Juliette.
Voltando a história central, ela, mesmo não contendo algo de inovador, ainda tem os seus momentos de grandeza aparente. Há diversas passagens cheias de ação, algo que pode agradar a muitos de vocês, e o clímax da história também é algo muito bom. Por ser muito longo ele se torna um tanto cansativo, mas o desfecho foi muito bem bolado e escrito, e, mesmo que esse clímax preceda uma finalização longa que pode facilmente nos fazer esquecer o clímax, ele ainda é bem satisfatório. No final de tudo ficamos com o gostinho de quero mais, mesmo percebendo que o final soou artificial demais. Por esse e outros motivos ainda acho que as maiores passagens do livro são aquelas em que Juliette nos conta o que se passa no seu psicológico, “psicológico” esse assustador fascinante!
Nunca é uma boa ideia acreditar em tudo que se escuta.
Pág. 275

Mais uma vez a Novo Conceito está de parabéns pelo livro físico, por assim dizer. Desde a capa até a contracapa tudo é magnífico! A começar pela capa, que tem um ótimo design, uma foto deslumbrante e um efeito brilhante fantástico. O tamanho da fonte é altamente agradável, e para amenizar ainda mais a leitura todos os inícios de capítulos são marcados com um toque artístico simples e atraente. A contracapa deixa o leitor ansioso pela leitura: ela não mostra aqueles breves resumos como de costume, ele apenas traz consigo frases misteriosas saídas do subconsciente de Juliette.


Uma leitura perfeita para aqueles fãs de ficções distópicas com um bom toque romântico e também uma ótima forma de aventura para aqueles não tão fãs desse estilo literário. A história de Estilhaça-me pode ter seus momentos de grandiosidade, mas é realmente a escrita de Tahereh Mafi que ganha todo destaque, algo criativo e extremamente cativante. 
-Eu não sou louco [...]
-É o que todos nós dizemos.

Pág. 30


Avaliação:





Top Comentarista
Se ainda não está participando, faca sua inscrição AQUI através do aplicativo e leia as regras para não ser desclassificado!





17 comentários:

  1. Eu gostei muito deste livro e do conto que vem em seguida. Não vejo a hora de ler a continuação.
    Bjs, Rose.

    ResponderExcluir
  2. então,eu não sou fã de distopia,mas eis que li a sinopse de Estilhaça-me e a capa que achei f*** e não me decepcionei. Tahereh Mafi,que é um amor de pessoa,soube mesclar bem distopia,suspense,romance e aquela coisa que faz a gente ficar "vou só terminar esse cap" e quando viu terminou o livro.rsrs eu li ele em uma noite,toda a história me lembrou muito x-men(que adoro!!)Juliette é uma personagem que cresce aos nossos olhos e mesmo com vários obstáculos,é muito bom acompanhar a saga dela em busca da própria aceitação e de lutar contra esse mundo louco criado pela autora.Adam é outro personagem A+ o livro todo é muito bom!

    ResponderExcluir
  3. tbm me lembrei mt d x-men na história, principalmente no finalzinho. só ñ falei na resenha pra ñ deixar spoiler... rsrs
    eu li em uns 4 dias (nunca consegui ler um livro em um só dia), mas eu tbm era assim: "só mais esse capítulo e vou dormir", aí depois eu via q tinha lido uns 5 capítulos... hahahaha

    ResponderExcluir
  4. Acredito que sua resenha teve um pouco de spoiler rs

    Eu li "Estilhaça-me" por pura curiosidade, queria saber se todos aqueles defeitos que os resenhistas colocavam no livro eram realdade e , calro, se o livro merecia todo este desafeto, por parte dos leitores. Olha eu li e não acreditei que um livro bom daqueles pudesse ter tantas críticas negativas. Logo nas primeiras páginas ele se tornou me favorito.

    Há também muitas comparações do livro com um filme aí que eu esqueci o nome..rs Mas, por se o primeiro livro de uma trilogia, o livro está de parabéns.

    Não seu se todo o encanto do livro est´na escrita fantástica e inovadora da escritora ou no enredo, mas ele se tornou um dos meus favoritos.

    Li ele através da tela do meu computador (#Pdfvergonha rs) e a leitura em nenhum momento foi cansativa. eu também achei que o encanto do livro, em grande parte, está no eu e no subconsciente de Juliete, teve momentos que me senti tão perdida quanto juliete, tão sozinha quanto ela, tudo isto graças a escrita de Tahereh (Também não consigo pronunciar nome da escritora e achei bem estranho rs).

    Amo livros, filmes, mangás distópicos, por que eles oa dão meio que uma previsão sobre aonde nossas atitudes nos levarão e nos fazem repensar sobre nosso egoísmo para com o nosso planeta.

    Ganhei o segundo livro da trilogia do skoob (bom, na realidade foi a minha irmã que ganhou e ela me deu rs) e não vejo a hora dele chegar para mim devorar cada página. Estou ávida para saber o desfecho de tudo.

    eueminhacultura.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  5. Samuel Lima Moreira23 de julho de 2013 11:25

    Tenho certeza que não vou me arrepender de ler esse livro, parece ter de tudo que não me decepcione.


    Gostei da resenha.

    ResponderExcluir
  6. Ana Carolina Lopes23 de julho de 2013 12:22

    Esse livro me fisgou logo que o vi , foi amor a primeira vista , e depois de tantas resenhas positivas não tem como não querer ;)

    ResponderExcluir
  7. Eu sou apaixonada por distopias e Estilhaça-me já estar na minha listinha a muito tempo mas eu ainda não me sentir atraída pelo livro.

    ResponderExcluir
  8. achei quase impossível não botar alguns pequenos spoilers na resenha rsrs
    mas enfim, não procurei outras resenhas para ver se as críticas eram positivas ou negativas, mas depois de ler gostei muito do livro, achei ele muito bom e com uma boa história.

    ResponderExcluir
  9. Apesar de ainda não ter lido esse livro ainda, ele é um dos que mais tenho interesse em ler esse ano!! Ele parece ser excelente!!

    ResponderExcluir
  10. Bela resenha! Pra quem (eu, eu!) não entende nada de distopia nem de estilo literário, vc me deu uma aula! Acho que esses elementos usados pela autora passariam por mim sem que eu compreendesse a razão deles - mas sentiria seu peso na leitura - como, por exemplo, esses parágrafos pulados, criando uma tensão que chega ao leitor. A gente absorve, mas não 'destrincha' a ideia (pelo menos uma leiga, como eu)... obrigada por fazer isso.

    ResponderExcluir
  11. Já ouvi falar muito desse livro, agora só falta eu ler!

    ResponderExcluir
  12. Esse é um livro que tenho vontade de ler. Sua resenha só aumentou minhas expectativas! Gostei dos quotes.

    ResponderExcluir
  13. q bom q vc gostou da resenha!! :D

    ResponderExcluir
  14. Sou fã de distopias, e quando vi que essa trilogia tinha um "Q" de X-Men, já coloquei na minha listinha de aquisições. O legal é saber que a autora conseguiu mostrar sua narrativa diferencial, e conquistar seus fãs. Estou bem curioso pra ler.


    @_Dom_Dom

    ResponderExcluir
  15. Nossa adorei a resenha, a escrita da Autora Tahereh Mafi é envolvente,conquista o leitor,na expectativa para ler Estilhaça-me.

    ResponderExcluir
  16. Michelli Santos Prado29 de julho de 2013 17:45

    Eu tenho curiosidade por esse livro (acho que tenho por todos, hahaha), e eu estou esperando uma promoção para comprar os dois da série, o conto eu já tenho.
    Normalmente o primeiro livro de uma série é sempre introdutório, ainda bem que esse parece ser bem mais maduro.

    ResponderExcluir
  17. Série em segundo plano depois de A Mediadora para mim ler. Faz um tempo que desejo esses livros!

    ResponderExcluir