postado por Matheus em 21 agosto 2013

Resenha | Lolita

Autor: Vladimir Nabokov
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 356
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Sinopse
Irreverente e refinado, este é um dos romances mais célebres de todos os tempos. É também uma aventura intelectual que não deixa ninguém indiferente, um relato apaixonado de uma sensualidade alucinada, uma autópsia implacável do modo de vida americano. De um lado, um homem de meia-idade, obsessivo e cínico. De outro, uma garota de doze anos, perversamente ingênua. A química se faz e dá origem a uma obra-prima da literatura do nosso século. 'Lolita' é chocante, desafia tabus, escandaliza. O livro foi incorporado ao imaginário coletivo da modernidade, e até o nome da personagem tornou-se um substantivo corrente, provas do alcance e da genialidade do autor. 



Resenha

Romances eróticos cativam dois tipos distintos de leitores. Há aqueles que leem para apreciar a obra em si, levando em conta suas características mais “artísticas”, por assim dizer (mas é óbvio que são pouquíssimos os livros eróticos com maior teor artísticos e cultural). Também há aqueles leitores (a bela maioria) que lê diversos livros do tipo apenas pelo prazer que se sente lendo as passagens sexuais. Hoje em dia, com livros como Cinquenta Tons de Cinza e O Inferno de Gabriel, transbordando erotismo, o atraente teor sensual de Lolita chega a ser leve e por vezes ingênuo. Mesmo assim, na época de seu lançamento, ele causou críticas pesadas em relação à forma que ele trata o relacionamento de um meia-idade com uma ninfa de 12 anos, algo que já não soa tão pesado nos dias atuais.

Tudo começa com uma descrição minuciosa de como era a vida de Humbert, desde sua infância até o seu casamento fracassado. Isso tudo é contado de uma forma leve, desprovida de grandes emoções, mas ainda assim de uma forma cativante. E então começa a história central de todo o livro...
Depois de chegar da Europa (onde ele morava) aos Estados Unidos ele vai morar em New Hampshire, uma pequena cidade do interior. Sem ter muitas opções para se instalar, ele opta por alugar o quarto da Charlotte Haze. Humbert não se contenta muito com ela, com seu estilo “quero ser culta”, e muito menos com sua casa, cheia de peças de decoração cafonas e sem nenhum estilo. Humbert estava prestes a sair da casa até que encontra Dolores Haze, filha de Charlotte, a então chamada de Lolita. Com seus 12 anos ela tinha um corpo admirável e belo, além de ser uma autêntica ninfeta, algo que sempre mexeu com o Humbert. Não demora para que Humbert se sinta atraído pela nem tão ingênua Lolita, e igualmente cresce a atração de Charlotte por Humbert. Depois de mandar Dolores (Lolita) para um acampamento de férias, Charlotte acha que esse seria o momento oportuno para ter uma intimidade à mais com Humbert. No final das contas, eles acabam se casando, mas mesmo casados Humbert não consegue diminuir sua atração por Lolita, e depois de tensas reviravoltas ele poderá ter o seu amor por Lolita correspondido, mas até quando um romance entre um professor de meia-idade e uma adolescente com os hormônios a flor da pele perdurará?
Há coisas que a gente não deve abandonar. É preciso ter persistência.
Pág. 238

Boa parte desse conturbado romance acontece de uma forma serena, extremamente sentimental devido à narração do Humbert e as partes mais “quentes” são descritas de forma singela e altamente culta. Nunca vemos palavras chulas no decorrer do livro, e isso ajuda muito, pois é impossível ficar constrangido lendo as poucas (e incríveis) passagens sexuais do livro.
Essas passagens sexuais não estão lá apenas para que o leitor sinta prazer em lê-las. Com a escrita incrível do Vladimir Nabokov elas servem também para reforçar o amor que o incompreendido Humbert sente pela sua “inalcançável” Lolita, amor esse que pode causar as mais diversas reações entre um mero leitor.
Essas reações adversas são totalmente justificáveis por inúmeros motivos. “Um homem com tendências pedófilas? Um padrasto se sentindo atraído pela própria enteada? Um marido com planos homicidas para alcançar o seu amor? Que pouca vergonha é essa?”. Isso é o que muitos podem pensar quando se trata de Lolita, mas nenhuma delas é completamente justificada ao decorrer da história.
Fica bem explicado que Humbert não era um pedófilo, ele apenas sentia atração por pré-adolescentes bonitas. Isso não quer dizer que ele abusava dessas crianças, ele apenas sentia prazer com elas, nada mais! Sim, ele se sentia atraído por sua enteada, mas em nenhum momento estava em seus planos tornar-se padrasto dela, essa foi apenas uma das desventuras desse romance. E em relação aos planos homicidas de Humbert, ele descreveu planos do tipo algumas vezes , mas com um tom cômico risível, e sempre ressaltando que ele nunca teria a capacidade de realizar tal façanha. Tudo isso e muito mais sobre os sentimentos do pobre Humbert mostram que ele não passava de um ser humano como qualquer um!
Mesmo que agrade a pouco com seu romance corrosivo, Lolita pode se mostrar um grande livro de outras incontáveis maneiras. No decorrer de toda a (longa) história o Nabokov não fica apenas no romance entre Humbert e Dolores-Lolita. Há também diversas críticas ao modo de vida americano, seus pontos de vista em relação ao amor, o excesso do consumismo  e a satisfação que a realização de seus sonhos causa. Isso tudo é regado à um detalhismo que se renova a cada página, se tornando cansativo em poucas partes, isso sem contar com o humor satírico atraente presente em diversas passagens.

Com uma capa reveladora e simplória o interior do livro é ainda mais simples: com sua fonte comum e de tamanho agradável, suas margens estreitas e sem nenhum grande atrativo. Algo que ressalta ainda mais o conteúdo de suas preciosas linhas, e não o seu visual.

Com uma história tão controversa e com um ritmo difícil é difícil agradar a todos. É necessário deixar de lado todos os nossos velhos preconceitos para poder apreciar essa obra incrível, que desafia qualquer mero leitor à repensar suas morais sobre temas tão complicados; temas esses escondidos pela mídia geral, mas que se mostram nesse livro devido a coragem e à determinação de Vladimir Nabokov.


Presumo que haja leitores que se excitem com o vocabulário chulo daqueles romances enormes e irremediavelmente banais, datilografados por autores medíocres com os polegares mas caracterizados como “vigorosos” e “intensos” pelos críticos de plantão.[...] Muitas pessoas inteligentes, sensíveis e resolutas compreenderam meu livro muito melhor do que eu poderia aqui explica-lo.
Vladimir Nabokov sobre Lolita, Pág.353

Avaliação:





Top Comentarista
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24 comentários:

  1. livro interessante de você resenhar. rsrs como você bem disse, não choca tanto hoje em dia, mas não deixa de ser incômodo ver uma garota de 12 anos com um cara de meia idade. assisti ao remake da adaptação, nunca li o livro. aparecendo a oportunidade, quem sabe?

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  2. Eu sabia da existência do filme, apesar de não ter visto, mas não sabia do livro. Apesar de tudo é um tema que me incomoda um pouco, não o teor erótico mas a questão da adolescente. Talvez por eu ser mãe, não sei, mas me dá uma pontinha de incômodo, sim e talvez por isso eu não me aventurasse nesse livro. Mas sua resenha foi bem esclarecedora e acho que destacou todos os pontos importantes da história.

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  3. Concordo com a Vanilda que o tema me perturba, sim. Não ficaria à vontade lendo algo que me incomoda.
    Em tempos de pedofilia, como julgar o desejo do homem por pré-adolescentes diferente e sensual? Acho que falta maturidade ao homem que só se satisfaz com meninas, não consegue estabelecer uma relação com uma mulher madura, da sua idade ou, pelo menos, adulta e experiente.
    Não leria.

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  4. Achei a resenha extremamente bem escrita, organizada, e gostei mto dos pontos ressaltados.
    Embora já tenha ouvido falar de Lolita, depois de ler a renha foi quando tive realmente vontade de ler o livro ;)


    Add na listinha do skoob hehe

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  5. Não sei se teria a capacidade de me abster de valores para ler este livro. Pode parecer meio "cabeça fechada", mas simplesmente não vejo bons motivos para fazer isto. Simplesmente não me interesso pela história, nem pelo tema. Desta vez, eu passo! rs
    bjs

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  6. Eu li o livro por isso msm: ver se seria ou não incômodo ler a história de amor de uma adolescente com um adulto. No final, ñ fiquei tão chocado quanto pensava, mas nem por isso deixou de ser bom!

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  7. Realmente, ler uma história de amor de uma adolescente é p/ poucos. Msm ñ sendo chula, a história em si já causa um tanto de controvérsia...

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  8. Não vou mentir p/ vc, isso era a msm coisa que pensava.
    Depois de acabar de ler ñ achei que Humbert estava errado, mas tbm ñ considerei-o o mocinho da história. O final devastador serve para aumentar ainda mais a dúvida de quem ñ consegue classificar corretamente os personagens...

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  9. pra quem ñ se interessa pela premissa ñ tem jeito: melhor passar longe desse livro... rsrs

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  10. Michelli Santos Prado23 de agosto de 2013 15:28

    Eu quero me aventurar, acho que vou gostar bastante. Já está na minha listinha já faz algum tempo... adoro desafios o/
    beijos

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  11. "Lolita" é realmente um clássico. Ainda não consegui ler, nem assisti. Confesso que ainda sou um pouco "quadradinho e careta" para esse tipo de história. Gosto até de algo polêmico, mas esse extrapola um pouco.

    @_Dom_Dom

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  12. Concordo com o pessoal aí que acha incômodo, estranho até inaceitável essa relação de praticamente um senhor e uma novinha. Mas depois da sua resenha,eu leria Lolita pela linguagem diferenciada e por ser um tema complexo e que poucos abordam. Me faz lembrar de Presença de Anita.
    Um beijo

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  13. Lolita é uma ótima pedida p/ qm quer se aventurar...

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  14. realmente, acho que Lolita soa tão polêmico por tratar de um tema pouquíssimo utilizado pela mídia. Duvido que ninguém acharia 50 Tons de Cinza polêmico se ele fosse um dos únicos livros eróticos atualmente...

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  15. Oi,li o livro mas também assisti o filme!
    Alguns blogs comentam que o livro foi recusado várias vezes,principalmente devido ao teor polêmico do livro,segundo Vladimir Nabokov, várias Editoras nem chegaram a ler o livro todo e algumas alegavam que se publicassem o livro responderiam a processos ou seriam presos. Mesmo depois de ser publicado e tornar-se um clássico foi banido em vários países.
    A escrita de Nabokov é interessante a começar por sua descrição – tanto de gestos quanto de pessoas ou paisagens – é bastante detalhada e desenvolvida com muito cuidado, mesmo que ao longo da leitura do livro algumas partes possam ser fortes mas a maneira como Nabokov escreve torna tudo diferente.

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  16. acho que foi a escrita do Nabokov que salvou o livro, pois nas mãos de qualquer outro escritor o livro poderia se tornar chulo e desprezível.


    E, realmente, o livro foi recusado por incontáveis editoras, mas ainda bem que uma delas decidiu publicar o livro para podermos lê-lo.

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  17. Apesar dos seus argumentos não consigo me imaginar lendo esse livro.
    Não gosto de romances eróticos e duvido que conseguiria deixar meus velhos preconceitos para poder apreciar essa obra!
    Ótima resenha a sua, mas não me convenceu...

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  18. romances eróticos nunca me atraem, mas abri uma exceção para o polêmico Lolita e acabei não me arrependendo.
    Mas realmente é um livro para poucos...

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  19. Sinceramente, livros eróticos não me chamam tanta atenção. Mas venho ouvindo falar de Lolita há algum tempo e dizem ser um "clássico da literatura", apesar de ouvir isso nunca me interessei em pesquisar mais sobre a partir da sinopse. Li sua resenha e não parece ser tão "tenso" quanto ao tema que propõe. Como você disse se o autor compensa na escrita e mostra seu estilo não vulgarizando tanto o livro, garanto que ruim não chega nem perto! Eu leria.

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  20. Ana Carolina Lopes30 de agosto de 2013 10:11

    Achei bem interessante sua resenha , mas que é estranho é , isso é fato . Por mais que eu veja isso acontecendo do meu lado o tempo inteiro , não consigo me acostumar . Tipo ainda quando se diz uma garota de 12 anos e um rapaz de 16 , 17 , 18 , tá ainda vai , mas um adulto , idoso praticamente , é bem difícil de não ser visto como pedofilia . É a minha opinião .

    http://theloverbook.blogspot.com.br/

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  21. Ketelin Natieli Wochner31 de agosto de 2013 11:00

    Assim como a Gisele Bomfim, eu tbm não consigo me imaginar lendo esse livro.
    Nunca li um livro erótico, pois nunca senti vontade de ler algum. O diferencial desse é que o relacionamento entre uma adolescente e um homem de meia-idade é algo mais polêmico, mas ainda assim não me interessei pela leitura.

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  22. o livro, mesmo sendo chamado de "porcaria" por aqueles que só sabem to tema central, passa longe de ser ruim.

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  23. acho que é uma coisa natural do ser humano achar que esse caso é uma coisa estranha. Não vou mentir, tbm pensava assim. Por isso me aventurei ao ler o livro. O livro é tão desafiador que não consegui manter uma opinião formada sobre Humbert (se ele era ou não um pedófilo). Por isso ele vale a pena ler!

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  24. Lolita... o que dizer desse romance tão amado por mim? Primeiramente, gostaria de esclarecer o seguinte: "Pedófilo" é a palavra que designa aquele que possui desejo por crianças/jovens. Atualmente, uma garota pode namorar um maior de 18 anos se possuir mais de 14 anos e autorização dos responsáveis. Caso contrário, tal ato é considerado crime. Ser um pedófilo, portanto, não é necessariamente um crime, é algo que depende das circunstâncias. Eu sou o que a maioria das pessoas estão acostumadas a chamar de "Lolita", o que não me incomoda. Sinto atração por homens muito mais velhos que eu (com idade para ser meu pai ou até mesmo meu avô!). Sei que isso não é bem visto por nossa sociedade, mas eu não escolhi isso, era assim desde muito mais nova (lembro de ter 12 anos e ver minhas colegas de classe comentando o quanto o garoto tal de 13/14 anos era bonito. Eu discordava, apontava para o homem que aparentava ter cerca de 30 anos passando pela rua e ninguém entendia. Além disso, os mais velhos achavam um escândalo). Tenho 16 anos e me relaciono com homens de 18 a 25 anos, por exemplo, mas também já me relacionei com homens muito mais velhos. Não é agradável sair pelas ruas e ver os olhares de indignação, mas acabei me acostumando. Oras, sei bem o que faço e o peso de minhas atitudes, não precisam me encarar como se eu estivesse saindo com fulano porque fui comprada com algo. Pode ser estranho para a maioria das pessoas, mas eu o acho extremamente atraente, divertido, interessante, ao contrário das jovens da minha idade.

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