postado por Matheus em 02 setembro 2013

Resenha | Liberta-me

Autor: Tahereh Mafi
Editora: Novo Conceito
Páginas: 448
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Sinopse 
Liberta-me é o segundo livro da trilogia de Tahereh Mafi. Se no primeiro, Estilhaça-me, importava garantir a sobrevivência e fugir das atrocidades do Restabelecimento, em Liberta-me é possível sentir toda a sensibilidade e tristeza que emanam do coração da heroína, Juliette. Abandonada à própria sorte, impossibilitada de tocar qualquer ser humano, Juliette vai procurar entender os movimentos de seu coração, a maneira como seus sentimentos se confundem e até onde ela pode realmente ir para ter o controle de sua própria vida. Uma metáfora para a vida de jovens de todas as idades que também enfrentam uma espécie de distopia moderna, em que dúvidas e medos caminham lado a lado com a esperança, o desejo e o amor. A bela escrita de Tahereh Mafi está de volta ainda mais vigorosa e extasiante.


Resenha

Continuações de sagas, trilogias e afins são uma tarefa difícil. É difícil porque não é fácil para o autor conseguir manter seu tom de escrita que conquistou inúmeros fãs no livro anterior e ainda assim ter o poder de agradar àqueles que não eram familiarizados com a saga. Alguns autores, quando veem que o primeiro livro fez sucesso, escrevem suas respectivas continuações no mesmo modo, sem nada de novo a mostrar para agradar novos leitores. Já há outros que tentam se aventurar buscando meios de sua escrita se tornar ainda mais cativante. Caso da Tahereh Mafi em Liberta-me.

Cuidado! Aqui há spoilers sobre Estilhaça-me!
A continuação do bem-sucedido Estilhaça-me retorna com a história de Juliette, a garota com o “dom” sobrenatural de matar pessoas com o simples toque. Após os acontecimentos do primeiro livro, agora ela já se vê instalada no Ponto Ômega, mas ainda não se sente familiarizada com todos aqueles rostos estranhos; alguns amigáveis e outros nem tanto. A guerra entre os rebeldes do Ponto Ômega e o Restabelecimento não está muito distante, e no fundo todos sabem disso. Até mesmo Juliette, que não parece se contentar com sua vida de maneira alguma.
A solidão é uma coisa estranha. [...] É uma companhia constante, enganchando a mão para puxá-lo para baixo enquanto você luta para ficar em pé.

Pág. 111
Enquanto está no Ponto Ômega sobre os cuidados de Castle (o mais importante integrante de lá) Juliette treina os seus poderes, para poder ver do que ela realmente é capaz, e a descoberta de que seu poder não se restringe apenas ao seu toque deixa-a receosa, com medo covarde. Juliette não estava nem um pouco disposta em entrar na causa de um mundo justo com o Ponto Ômega, mas dois homens podem fazer com que seus pensamentos sejam confundidos e reorganizados, dando-a um pouco de coragem, mas também muito medo. O primeiro deles é Adam, seu grande amor em Estilhaça-me. Pesquisas comprovaram que sua imunidade ao toque de Juliette não era uma feliz coincidência, e essa descoberta pode atrapalhar todo o relacionamento entre eles. Ainda assim, Juliette não consegue esquecer o quanto seu toque é especial, o quanto sua presença é indescritível, o quanto ele é tão necessário a ela.
Quero ficar com você e não ligo a mínima se for difícil. Não me importo se der um pouco mais de trabalho, porque é assim que um relacionamento é, Juliette. Dá trabalho. Dá trabalho todo santo dia. E, sim, é uma droga, uma droga muito, muito grande e vai ser difícil pra caramba, mas não me importo. Eu quero mesmo assim. Eu a quero mesmo assim.

Pág. 100
O segundo desses “homens” é Warner. Isso mesmo, o grande vilão ou nem tanto assim do livro anterior. Infelizes acontecimentos levam Juliette a repensar seus julgamentos para com Warner, e isso a deixa louca. Esse emaranhado de sentimentos mal explicados e ainda mais mal entendidos deixa-a numa zona entre a sanidade e a loucura, sem nunca saber em quem confiar, duvidando até de si mesma...
Aqui terminam os spoilers!

Com todo esse turbilhão de sentimentos uma boa escrita é essencial para que a leitura não se torne confusa e cansativa. Nesse quesito a Tahereh se sai muito bem novamente, administrando todos os pensamentos de Juliette e colocando-os no papel em uma ótima maneira. Pelo menos em boa parte do livro.
Liberta-me segue uma linha bem diferente de seu antecessor. Enquanto Estilhaça-me começava com uma introdução psicológica fantástica e ia se desenvolvendo até chegar a um desfecho no melhor estilo “esperava mais” Liberta-me se inicia de uma forma extremamente entediante e cansativa. E o motivo é novamente os sentimentos de Juliette. No começo do livro ela soa sempre tão desentendida, confusa e mal compreendida que isso soa exagerado, nos deixando um tanto entediados em boa parte que seus sentimentos exageradamente emotivos são descritos com um melodrama incrível.
A verdade [...] é um lembrete doloroso do motivo de eu preferir viver entre mentiras.

Pág. 390
Mas, para o bem de todos, o livro não segue esse tom até o final. Não demora para que Juliette se concilie com si mesma e para que o livro como um todo se mostre melhor. Além das incontáveis passagens românticas incrivelmente poéticas e bem desenvolvidas há também emocionantes passagens de ação, com uma descrição minuciosa de cenas de batalha cruéis e repulsivas.  Tanto as passagens românticas como as de batalha são dotadas de um senso humano fantástico, que transborda do subconsciente de Juliette em descrições emocionalmente profundas.
Muitos dos estratagemas usados pela Tahereh Mafi para escrever são escassos no segundo livro. Não há mais aquele excesso de palavras tachadas, a repetição de palavras também diminuiu, e o uso de parágrafos continuamente ainda aparecem, mas em menores quantidades. Para aqueles que adoraram esse estilo único de Estilhaça-me pode sentir que Liberta-me perdeu um pouco sua beleza, mas isso também pode ajudar aqueles que não estão acostumados com sua escrita, fazendo com que eles possam apreciar a história sem grandes desafios.
Porém, o tempo está além de nossa compreensão finita. [...] não podemos ficar sem ele nem o perder de vista nem achar uma maneira de segurá-lo. O tempo continua mesmo quando não continuamos.

Pág. 19

Depois de ver a capa incrível de seu antecessor é impossível não sentir um pouco de decepção ao ver a simplória capa desse livro. Enquanto a capa de Estilhaça-me brilhava elegantemente na capa icônica, nesse livro a capa se esconde entre um tom preto neutro e cacos de vidro (ainda não entendi a obsessão da saga com cacos), isso sem contar com a face dos protagonistas meramente expostos. Já no seu interior ele continua igual, com capítulos pequenos, letras de tamanho agradável e espaçamento bom, tudo contribuindo para uma boa leitura.

No final de tudo, Liberta-me se mostra um livro muito bom, assim como seu antecessor. É claramente notável passagens desnecessárias e outras sem o mínimo teor emocional, mas quando isso realmente tem que ser usado a Mafi utiliza-o com maestria, criando assim partes memoráveis capazes de emocionar tanto os mais românticos como aqueles ávidos por uma boa aventura. 
Eu queria conseguir amá-lo menos.

Pág. 158


Avaliação:




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20 comentários:

  1. Já ouvi falar do primeiro(Estilhaça-me confesso que não me senti nem um pouco atraída)mas esse segundo dá a impressão de ser melhor a sinopse como no primeiro não ajuda muito mas pelas resenhas que li parece ser bom e to interessada nele vilão que todos elogiam

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  2. no fundo, achei Liberta-me melhor que Estilhaça-me.
    Em relação ao vilão, mesmo depois de terminar de ler o livro ainda não consegui manter uma opinião formada sobre ele... O detalhismo psicológico da Mafi é tão grande que é difícil saber em quem acreditar. =D

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  3. Oi Matheus, realmente a Mafi escreve muito bem. Seu enredo chega a ser poético. Em relação ao vilão, tenho para mim que no final ele não será tão vilão assim...
    Bjs, Rose.

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  4. Ainda não li Estilhaça-me e ganhei Liberta-me aqui no blog, pretendo ler. Fiquei mais curiosa para conhecer Mafi, que deve dosar bem romance e aventura como você disse.
    Um beijo

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  5. Achei a sua resenha muito boa e esclarecedora para mim que ainda não leu Estilhaça-me e se você deu 4 ESTRELAS é porque a continuação é muito boa, algo até raro pois geralmente alguns autores decaem um pouco na continuação do livro e pelo que você mencionou a leitura desse livro deve ser daquele tipo que você fica lendo tão rápido para saber o que irá acontecer no próximo capítulo.

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  6. são poucos os autores que conseguem escrever boas continuações para seus livros, e a Mafi é uma dessas.
    No começo do livro a leitura é bem arrastada, mas depois ela se torna viciante, daquelas que vc não consegue parar de ler!

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  7. tbm tenho minhas dúvidas sobre o final do Warner, ñ sei se ele continuará tão vilão assim...

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  8. A participação dele no final será decisiva para os "rebeldes", Acho que ele mesmo se tornará um rebelde.
    Bjs, Rose.

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  9. Eu li o primeiro livro e AMEI! Comecei agora a ler Destrua-me e por
    enquanto está apenas legal. Ainda acho o Warner um doido de pedra kkk
    Desde o lançamento estou ansiosa por essa leitura. Quero muito saber o
    que vai acontecer com a Juliette e o Adam *-* Estou torcendo por eles ^^

    Bjs
    @tibiux

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  10. Ainda não li essa série, amei a capa de Estilhaça-me. Já a capa de Liberta-me está simples demais. Mas pela resenha, pude ver que não se julga um livro pela capa, o segundo está melhor que o primeiro e é bom saber que o livro começa entediante e depois melhora. Embora eu não desista de nenhum livro (não importa o quão entediante estejam), é melhor já estar preparada, dá mais ânimo de continuar.

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  11. eu tbm gostei bastante de Estilhaça-me. Li Destrua-me e tbm gostei bastante.
    Para mim, todos os livros estão no mesmo nível, todos muito bons! =D

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  12. A capa de Estilhaça-me eu acho perfeita, criativa e mt linda!
    Tbm nunca desisti de nenhum livro; aguento a leitura chata, mas ñ desisto. Mas o bom é quando o livro começa chato e termina emocionante, vc fica com uma incrível sensação de surpresa!

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  13. admito que não li a resenha pra ter spoilers porque Liberta-me vai ser minha próxima leitura. eu gostei muito do primeiro livro, achei não muito original, mas foi uma leitura legal. tenho certeza que Tahereh Mafi, continuou a saga de Juliette com todo aquele toque de altos e baixos, comum em continuações, mas com igual qualidade. quanto capa, nem digo nada, foi uma das coisas mais cabimento que vi a NC fazer em uma capa. uma pena.

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  14. Estilhaça-me é um ótimo livro, mas peca pela falta de originalidade...
    sua continuação tbm ñ tem mt originalidade, mas ele é bem mais emocionante. Em relação à capa, achei essa mt tola, sem nada de especial e mil vezes inferior do que Estilhaça-me... u.u

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  15. Ana Carolina Lopes9 de setembro de 2013 14:17

    Nossa a sua resenha foi simplesmente imensa e super bem construída assim como você fala do livro . Há muito tempo eu quero iniciar essa trilogia , mas infelizmente até agora não consegui , mas a sua resenha me deixou ainda mais curiosa , quero lê-lo muito em breve .
    Quanto as capas , eu acho elas super lindas , lindas mesmo , tanto que mesmo se a história por detrás delas não fossem tão boa eu compraria o livro mesmo assim.
    Bem , acho que chega por aqui né , se eu fosse comentar todos os pontos bons tanto do livro quanto da sua resenha , ficaria aqui até amanhã . Mas vou resumir em "Perfeita"


    Theloverbook.blogspot.com

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  16. Pode ter certeza que é sempre bom saber que tem mais pessoas que gostam das minhas resenhas! =D
    Eu só iniciei a leitura da trilogia por ter ganho Estilhaça-me em uma promoção. Gostei, mas não foi tão grandioso quanto esperava. O segundo livro é bem melhor em diversos quesitos; menos na capa, que é mt inferior à incrível capa de Estilhaça-me.

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  17. Pulei a primeira parte, porque ainda não li Estilhaça-me. Não imaginei que o início da história fosse tão maçante assim, pelo menos pelo que li em outras resenhas. Pode ser questão de opinião, não sei.
    Mas de qualquer forma, o mais bacana é ver esta evolução na escrita da autora se transportando, de alguma forma, para a história.
    Espero ler em breve.
    bjs

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  18. Eu achei maçante pq em boa parte do começo os sentimentos da Juliette são escrachados exageradamente. Ela não pode sentir o mínimo de simpatia por alguém q isso já está detalhado no livro...
    Como eu praticamente não admiro melosidade em livros (em filmes cai bem... rsrs) ñ gostei do começo. Mas se vc gosta de passagens BEM mais emocionais esse começo pode te agradar! ;)

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  19. Ainda não li nenhum dos dois livros, mas já os tenho aqui. Estou esperando o lançamento ter todos os volumes em mãos pra depois começar a ler. Em relação a capa, concordo com você. Eles erraram feio com essa. Ficou bem aquém da primeira. Já na questão narrativa, esse começo pode me prejudicar um pouco, mas nada que com o decorrer a coisa melhore.


    @_Dom_Dom

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  20. Confesso não li a resenha, pois ainda não li ao primeiro livro, e não curto muito spoilers, mas gosto de dar pode uma coisa dessas, vejo todo mundo falando bem da trilogia espero poder ler logo, pois estou super curiosa, e concordo com você a capa do primeiro livro é muito mais bonita do que essa é uma pena que não tenham caprichado tanto nela.
    Beijos

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