postado por Matheus em 04 novembro 2013

Resenha | Dois Rios

Autor: T. Greenwood
Editora: Novo Conceito
Páginas: 448
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Sinopse
Harper Montgomery vive ofuscado pela tristeza. Desde a morte de sua mulher, há 12 anos, ele aprisionou-se em uma pequena cidade, Dois Rios, onde todo mundo se conhece, porque ali — justifica-se — poderia criar melhor sua única filha. Atormentado pelo desgosto, Harper prefere esconder-se. Mas a verdade é que a morte de sua mulher é somente um dos motivos de sua dor. Além de sofrer por sua perda, ele se sente culpado por um ato abominável: quando mais jovem foi cúmplice de um crime brutal e sem sentido. Há muito sentimento em jogo quando se trata de sua vida cheia de remorsos... Então, um acidente de trem oferece a Harper a chance de redenção: uma das sobreviventes, uma menina de 15 anos, grávida, precisa de um lugar para ficar, e ele se oferece para levá-la para casa. No entanto, a aparição dessa menina, Maggie, não tem nada de simples acaso, talvez, ela tenha alguma coisa a ver com o crime do qual ele participou um dia...


Resenha

A vida não é sempre a mesma maravilha. Há sim pontos altos e baixos na vida de qualquer um, e passar por cima dos pontos baixos é essencial para que os pontos altos realmente sejam bons. Mas o que fazer quando se percebe que sua vida está te levando à beira da infelicidade? E pior, o que fazer quando ainda se sente remorso por algo de ruim que se fez há muito tempo? Perguntas assim rondavam pela cabeça de Harper Montgomery, mas para tudo há uma salvação, só é preciso saber usufruir dela. Talvez Harper consiga usufruir dessa “salvação”, algo que não ocorreu com T. Greenwood.
Você vê, as coisas que nos apavoram, as coisas que nos assustam, são, às vezes, as melhores coisas para nós.
Pág. 182

A morte da mulher deixou a vida de Montgomery uma extrema bagunça. Ele não tinha nenhuma experiência com bebês, e assim não sabia como cuidar de sua filha Shelly. Depois de enfim colocar sua vida nos eixos ela (a vida) já não era a mesma. Harper sempre se sentia triste e sua vida nunca lhe trazia nada de novo: sempre os mesmo deveres, os mesmo lugares e as mesmas pessoas. Mas então acontece um acidente de trem em Dois Rios. Pessoas morreram e muitas ficaram feridas, mas Maggie, uma moça negra gravida, sobreviveu e procurou em Harper sua salvação. Ele aceita ajuda-la, e então ele a leva a sua casa, onde ela o ajuda nos deveres de casa e com Shelly em troca de morada. Mas nada continua fácil...
O aparecimento dessa moça causa estranhamento em boa parte da população da pequena cidade, algo que deve tanto a sua cor quanto à sua gravidez precoce. Enquanto a população especula sobre o porquê dela aparecer por ali Montgomery se pergunta: a aparição de Maggie para ele foi uma simples coincidência ou teve um sentido maior, relacionado diretamente com um erro dele no passado?

Com uma sinopse dessas é fácil imaginar um livro daqueles que, depois e durante a leitura, deixa o leitor pensativo e até mesmo que mude sua vida. Infelizmente não é isso o que acontece, tudo devido a escrita quase que inteiramente descritiva e não emocional de T. Greenwood.  
No decorrer de todas as longas 448 páginas o livro é desprovido de emoções que possam tocar profundamente o leitor. Há sim passagens com um teor (um pouco) mais alto de emoção, mas ainda assim essas passagens são tão superficiais que é difícil se sentir atraído por elas. Isso porque a escrita de Greenwood exagera na descrição das cenas e no senso humano e esquece de dar aquele “toque” necessário para que haja a emoção.
Outro problema do livro é a forma como a história é contada. Entre a história principal há flashbacks sobre o passado de Harper, desde sua infância até a morte de Betsy (sua mulher). Isso poderia até complementar a leitura e deixa-la mais cativante, mas esses flashbacks aparecem com tanta intensidade que a única coisa que eles conseguem é deixar a leitura mais arrastada. Mesmo que boa parte desses flashbacks seja importante para o entendimento geral do livro e dos sentimentos de Montgomery alguns deles são desnecessários, não tendo praticamente nada de importante a acrescentar.  
O livro acha sua “salvação” nas questões sociais retratadas, principalmente o racismo. Mesmo que não seja tratado de forma que nos faça ter devaneios filosóficos essas questões podem nos deixar um tanto pensativos. Mas até mesmo aqui há um problema. No caso, o problema é que para que possamos enfim pensar mais a respeito dessas questões é necessário um pouco de esforço, pois essas questões não tão declaradas no livro, elas estão escondidas por trás da história central, que não é capaz de deixar o leitor pensativo.

Com uma bela fonte utilizada no título e com uma ótima fotografia a capa do livro é bem convidativa, assim como suas páginas. A fotografia da capa é praticamente perfeita, capaz de dar uma leve ideia de como Dois Rios (a cidade) é; serve para reforçar minha tese de que, em boa parte dos livros, a capa fica melhor tendo uma bela fotografia de fundo. Por dentro, o livro também é agradável, tendo capítulos muito bem medidos e com espaçamentos e margens na medida certa. A fonte pode ser um pouco pequena demais, mas não é ela a causadora de uma leitura cansativa.

No final de Dois Rios é fácil ficar com aquela sensação de “foi só isso?”. Do começo ao fim o livro não conseguiu criar um vínculo com o leitor para assim deixa-lo com expectativas e esperanças. Ainda assim ele é capaz de deixar o leitor um pouco pensativo, mas para isso o leitor também terá que se esforçar um pouco, pois esses pensamentos não virão de maneira fácil. Será fácil considerar Dois Rios como um passatempo (tudo bem, um passatempo de LONGAS 448 páginas), o difícil mesmo é lê-lo e sentir que está diante de um livro capaz de mudar sua vida. 
- Você está aqui por algum motivo especial? [...] - Você quer dizer aqui, na Terra?
Pág. 298
Avaliação:







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Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


20 comentários:

  1. A Novo Conceito nunca decepciona no quesito físico, não é mesmo? Mais uma capa excepcional, e não tenho duvidas de que o livro tem uma edição incrivel. Apesar disso, já há um histórico de livros decepcionantes que li dessa editora, infelizmente, e, pelo que li na resenha, esse parece ser mais um. O titulo já é excepcional (o mesmo de uma música do Skank) e a capa também me foi atrativa, mas narrações descritivas sempre atrapalham muito e acabam cansando a leitura. Uma pena.

    Samuel Rodrigues
    http://coupleliterario.blogspot.com.br/

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  2. Essa é a primeira resenhas que vejo sobre esse livro. primeiramente eu achei a capa extremamente linda, como sempre a novo conceito anda acertando no que lançar, ela agora só precisa trabalhar um pouco mais em certas capas para chamar mais a atenção do leitor.
    Sobre a resenha... Você me passou que a estória tem um Q de drama e eu amo isso. Adoro também quando envolve crianças e mulheres gravidas, acho que o livro sempre fica mais sentimentalista. É a primeira vez que vejo um livro onde um dos personagens principais é uma negra, só falta com que Harper se envolva com ela ai sim será tudo diferente do que já li.

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  3. A capa do livro é linda, a Novo Conceito capricha em quase todos os livros. A história é até interessante, mas depois que terminei de ler sua resenha, conclui que é um tanto maçante devido ao excesso de informações. Não gosto muito de flashbacks no meio da história, se o autor não explícita bem o que é presente ou passado, acaba confundindo o leitor. Cansei de ler livros assim e me vi obrigada a voltar páginas para um melhor entendimento daquilo que li. Há enredos que não há nada a refletir ou levar como bagagem, são aqueles que costumo dizer que são para passar a tarde ou como passatempos, como foi dito ali no final, mas não sei se conseguiria levar mais de 400 página adiante. Ainda mais com uma lista cheia de livros a espera, como a minha. rs

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  4. Realmente, com a sinopse a gente consegue imaginar que seja um excelente livro, eu tava louca de vontade de ler por parecer ser ótimo.
    Ainda assim não perdi a vontade, mas com certeza irei com muito menos sede ao pote! hahaha

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  5. ñ tenho nada contra narrações descritivas (em O Senhor dos Anéis isso caiu mt bem), mas aqui nesse livro a escritora, além de ser descritiva, não consegue cativar o leitor. Esse é o problema... '-'

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  6. tbm acho grande parte das capas da Novo Conceito boas, mas algumas são terríveis (como aquela de Liberta-me u.u)


    Realmente, a história central é bem diferente (algo que me impediu de dar uma avaliação mais negativa para o livro), mas achei q a escritora ñ soube utilizar mt bem o q ela tinha em mãos...


    e em relação ao Harper, vc terá q ler p/ ver se ele se relacionara com a Maggie ou ñ hahahahaha

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  7. então, a primeira experiência que tive com a escrita de T. Greenwood não
    foi lá muito bom, eu odiei o personagem de Um Mundo Brilhante, um cara
    patético que no meio da auto piedade magoou as pessoas que o amavam, e não gostei . em Dois Rios, to achando que o problema agora é que a autora falou muito e deixou os personagens um pouco "frios". olha não sei se leio não, pode ser um dia, mas pra agora não.

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  8. tbm odeio a capa de Liberta-me. Dá até vergonha colocar ele do lado de Estilhaça-me, q tem uma capa magnífica! *-*


    o relacionamento de Maggie com Harper: ta aí outro motivo p/ vc ler o livro! hahaha

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  9. Os flashbacks do livro são bem explícitos. Tanto q o passado e o presente é dividido em capítulos...
    Eu achei a história extremamente maçante, e no final apenas um pouco de reflexões aparecem... só lendo pra ver o q vc acha! ;)

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  10. no final de Dois Rios tem o primeiro capítulo de Um Mundo Brilhante. Não vou mentir, fiquei com preguiça de ler... rsrss
    Não sei se gostaria da história, mas se tiver o msm estilo de escrita de Dois Rios deixo pra depois... hahahaha

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  11. Já pensava em ler esse livro e agora lendo a resenha fiquei mais confiante em ler. Mesmo sendo tantas páginas, vou tentar acompanhar a história e conhecer um pouco mais esse personagem tão problemático. Gosto de livros que tenham algo a mais a nos dizer. E vou experimentar lê-lo. Beijos.

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  12. Desde que vi esse livro, não me interessei muito, pois me dava a impressão de ser uma daquelas histórias cheias de romances melosos, banhados a muito drama. Depois de ler essa resenha, me convenci de que não seria um livro que gostaria de ler. Então, esse eu passo!


    @_Dom_Dom

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  13. Thaynan Lira Galhardo12 de novembro de 2013 15:36

    A resenha ficou ótima.

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  14. Nunca tinha ouvido falar desse livro,mas como se trata da Novo Conceito acredito que seja bom,e com a resenhas estou muito mais animada pra ler ele,e justamente o tipo de livro que eu gosto.

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  15. Pela resenha parece ser um livro emocionante,gostei de ter flashbacks,deve ser tocante acompanhar Harper Montgomery em sua jornada e a capa está bonita!
    Tenho Um Mundo Brilhante mas ainda não comecei a ler.

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  16. Não me interessei por este livro. Mesmo a sua resenha não conseguiu me convencer a adquirir este livro...=(

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  17. É a mesma autora de Um Mundo Brilhante, né? Pelo visto esse lançamento segue o mesmo estilo e eu não gostei de jeito nenhum da escrita dela. Fiquei logo desinteressada. Esse é um livro que não leria.

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  18. karolyne kazakeviche30 de novembro de 2013 19:46

    Eu tenho o livro mas ainda não o li =/
    Não estou no momento certo para lê-lo, pois ainda não tive vontade, mas acredito que logo lerei.... vamos ver né.
    O personagem parece ser interessante né... espero que me cative, não custo quando os principais não me agradam.

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  19. Ainda nao li nenhum livro desse autor, porem ele parece ter e uma narrativa boa,.Mas esse livro no momento passo.




    xx

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  20. Vixi, nem me fala daquela capa, que coisa sem criatividade, eu detestei mortalmente.
    Agora você me deixou curiosa quanto ao relacionamento da Maggie e do Harper u.u auhsuahsu

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