postado por Matheus em 04 novembro 2013

O Que Passou por Meus Fones #37

Depois de longas semanas sem atualizar a coluna aqui estou eu (com um dia de atraso) para lhes mostrar os discos que ando ouvindo. Essas últimas semanas foram bem diversificadas, com alguns lançamentos mais recentes e também clássicos. Espero que gostem e até a próxima semana!
Quer ver um disco que você gosta aqui na coluna? Sugira-o nos comentários! Regrinhas gerais para sugestão aqui.
Não viu o post da semana passada? Veja aqui!



In Rolling Waves | The Naked And Famous

Bandas com pouco reconhecimento sempre encontram um grande problema quando o assunto é o segundo disco. Se o seu primeiro disco não conseguiu leva-los ao estrelato, mas ainda assim os possibilitou alguns fãs, o segundo tem que manter esses antigos fãs e ainda angariar mais. Para que isso seja possível a banda precisa manter boa parte do estilo anterior, mas ainda conseguir trazer algo de novo que chame mais atenção. A banda The Naked And Famous, que admirou a muitos com o incrível “Passive Me, Aggressive You”, se perdeu um pouco com o seu último disco, “In Rolling Waves”, que aposta bem mais em um tom experimental e esqueceu das batidas synthpop-rock que tanto agradavam no disco anterior.   
O começo com a misteriosa “A Stillness” já mostra que a banda não continua a mesma. Sua melodia, quase extinta de synthpop, está repleta de elementos experimentais, bons, mas não contagiantes; a voz da Alisa Xayalith (vocalista da banda) continua boa, e isso salva a música. Logo após vem ”Hearts Like Ours”, que resgata o estilo anterior da banda para transformar essa música numa das melhores do disco. Seu estilo melódico, com tons pops contagiantes e com um leve estilo rock, completa a composição, tão poética e adorável como antes. Mais à frente a faixa título aparece, acompanhada de um estilo tão experimental que ofusca os elementos de rock que a banda utiliza. “The Mess”, assim como “Hearts Like Ours”, resgata o antigo estilo da banda; o seu tom melancólico é extremamente bom, e para engrandecer ainda mais a música conta com aquela mistura de bateria, guitarra e sintetizadores que sempre caiu como uma luva para as músicas da banda. “Grow Old” extrapola num tom melancólico nem um pouco emocionante e tão experimental que, quando se junta com os vocais do Thom Powers, faz com que a música beire a chatice. Quando enfim a Alisa se junta aos vocais (depois de quatro minutos) a música engrandece completamente, sendo que os vocais dela aqui são um dos mais emocionantes vistos até agora. O synthpop, que sumiu quase que completamente do disco, pode ser visto com força total em “I Kill Giants”, mas ainda há algo que faltou na música para que ela se tornasse boa, pois ela se perde em uma melodia eletrônica que soa muito exagerada para a banda. Depois de outras experimentações típicas de “In Rolling Waves”, o disco acaba com a perfeitamente melódica “A Small Reunion”. Vocais calmos e profundos, tanto da Alisa quanto do Thom, se intercalam perfeitamente com a melodia, tipicamente calma no início, mas que vai tomando um tom mais épico e emocionante enquanto caminha para o seu final, onde então explode com uma potente mistura de rock com violinos chorosos e vocais emocionantes.
Num geral, pode se considerar “In Rolling Waves” um disco mediano. Ele passou longe da magnificência de “Passive Me, Aggressive You”, e por isso pode não ser um bom cartão de visita para os “desconhecidos” da banda. Nada que o impeça de se aventurar entre tons experimentais com fortes batidas de rock sempre acompanhadas de bons vocais.  

Veja abaixo "Hearts Like Ours", um dos grandes destaques do álbum.


Rio | Duran Duran

Os new romantics duraram pouco tempo. Esse movimento musical proveniente da new wave era conhecido por misturar batidas mais dance (cheias de sintetizadores), formando assim batidas atraentes, não necessariamente românticas. Por mais que esse movimento musical tenha durado pouco tempo saíram de lá bandas e álbuns que merecem o status de clássico, como “Rio”, do Duran Duran.
“Rio” começa com a faixa-título, uma deliciosa mistura de rock despretensioso (vide a composição) com sintetizadores facilmente datados dos anos 80, capazes de cativar e contagiar aqueles mais nostálgicos. “My Own Way” começa com uma batida mais rock, mas não demora em aparecer novamente as batidas mais dance. Um pouco a frente aparece “Hold Back The Rain”, que tem uma batida ainda mais marcante, com os sintetizadores novamente presentes e com uma bateria no refrão que é capaz de deixar a música ainda mais animada. Mesmo com toda essa animação permeando todo o álbum há sim faixas um tanto mais sérias, caso da misteriosa “New Religion”, que aposta certeiramente em riffs de guitarra ao fundo de algumas partes apenas para aumentar ainda mais seu estilo misterioso. Mas logo que essa música acaba aparece “Last Chance On The Stairway”, voltando novamente repleta de sintetizadores e vocais melódicos.
Por fim, as duas últimas músicas do álbum contam com aquele estilo melodicamente misterioso que acompanhava “New Religion”. A 8ª faixa, “Save A Player”, traz consigo uma composição misteriosa e atraente, algo que combina com a melodia, bem mais enxuta que o restante e com toques penetrantes. Já a 9ª e última faixa, “The Chauffeur”, se mostra ainda mais experimental e misteriosa, com uma melodia que beira o místico e com vocais capazes de ressaltar ainda mais o estilo que a música tem.
O estilo sofisticado e por vezes exótico que o Duran Duran ostentava foi, talvez, o causador da ótima recepção de “Rio”. O disco fez sucesso quando foi lançado (com o passar do tempo ele foi ganhando mais notoriedade), e também resultou em bons singles, sempre acompanhados de videoclipes que retratavam muito bem a banda. Não demorou muito para que o new romantic saísse do gosto popular, mas “Rio” ainda se mantém como um grande disco.  

Logo abaixo você pode conferir o videoclipe da icônica "Rio".


This Is... Icona Pop | Icona Pop

A dupla sueca Icona Pop teve um bom motivo para lançar um disco com faixas de seu último disco, o homônimo “Icona Pop”. Mesmo que apenas três músicas do seu trabalho anterior tenham sido incluídas nesse disco isso seria algo extremamente inaceitável se não fosse nesse caso. O disco “Icona Pop” foi lançado apenas na Suécia, recebendo certa notoriedade em outros países, mas não sendo oficialmente lançado internacionalmente. Já o “This Is... Icona Pop” teve um lançamento mais divulgado, sendo oficialmente lançado em alguns outros países (incluindo EUA e Reino Unido). Sendo assim, é aceitável o fato de incluírem três das melhores faixas de “Icona Pop” nesse disco para que mais pessoas a conheçam. Mas, mesmo que esse disco não tivesse essas três músicas já conhecidas, ele ainda seria incrível, pois as músicas inéditas apostam no mesmo estilo que fez com que o Icona Pop fosse mais conhecido.
Para começar com tudo aparece a já conhecida “I Love It (feat. Charli XCX)”. Dispensa comentários! Depois podemos ouvir a primeira faixa inédita do disco: “All Night”. A música traz de volta tudo aquilo que encantou os ouvintes de “Icona Pop”: uma batida eletrônica muito bem medida e contagiante, vocais cativantes e sem nenhuma grande modificação digital e com uma composição no melhor estilo “aproveite a vida enquanto pode”. Depois aparece, consecutivamente, “We Got The World” e “Ready For The Weekend”, ambas presentes no disco anterior. Logo após podemos ouvir “Girlfriend”, novamente com uma melodia simples e gostosa e com vocais que ressaltam ainda mais a qualidade da música. A composição também é boa, mas um pouco confusa devido ao tema, facilmente caracterizado como lésbico, mas nunca explícito. “On A Roll” começa com um som divertido somente para preparar a melodia que vem a frente, muito bem produzida e, como sempre, atraente e contagiante. “Just Another Night” traz consigo um tom melódico nunca visto antes no Icona Pop, mas que cai incrivelmente bem. A melodia que beira o melancólico deixa espaço até mesmo para um doce e tristonho violão ao fundo; tudo isso se torna ainda mais grandioso com os vocais da Caroline e da Aino, que, diga se de passagem, estão magníficos. O disco se fecha com “Then We Kiss”, que conta com uma melodia simples que poderia ser melhor. Boa mas sem nada de espetacular.
Esse disco foi o responsável por mostrar o Icona Pop àqueles que ainda não conheciam a banda. Talvez ele não tenha a mesma qualidade e animação na sua produção quanto “Icona Pop”, mas esse disco pôde enfim coloca-las no grande mercado musical internacional. Só nos resta esperar para ver se elas vão triunfar...

Confira abaixo o videoclipe de "All Night", o primeiro single do disco.


Toys In The Attic | Aerosmith

Antes de fazer sucesso com baladas românticas atraentes, como “Cryin’” e “Crazy”, a banda Aerosmith já foi conhecida devido a seu estilo hard rock com grandes traços de heavy metal. E é isso que predomina em “Toys In The Attic”, o disco mais clássico da banda.
Contando com os vocais marcantes do Steven Tyler e com batidas sempre muito bem feitas esse disco esbanja uma força própria do começo ao fim. A começar pela faixa-título, que se inicia com um riff de guitarra marcante que permeia toda a música, aumentando ainda mais a agitação que se sente quando a ouve. Logo a frente aparece “Adam’s Apple”, com um tom tão despretensioso quanto a faixa anterior, mas aqui há uma composição bem mais “difícil”: sem grandes proporções, mas se tratando do Jardim do Éden é fácil esperar algo mais polêmico. Então aparece uma das faixas mais clássicas da banda: “Walk This Way”. Tendo uma batida potente e riffs de guitarra inesquecíveis a música é capaz de animar qualquer um, isso sem contar no seu solo de guitarra que aparece quase ao fim, completando a música. Há também a composição, politicamente incorreta e deliciosamente “suja”. Outra inspiração do Aerosmith, o blues, pode ser notado mais claramente em “Big Ten Inch Record”, não tão agitada quanto as faixas anteriores, mas com a mesma despretensão na composição, cheia de frases de duplo sentido que a tornam um tanto engraçada.  Os vocais arrastados do Tyler no início de “Sweet Emotion” servem apenas para nos desorientar à respeito do que virá a frente: uma melodia poderosa que conta com um riff inesquecível aos 1:45. Muito de um heavy metal meio Led Zeppelin pode ser notado em “Round And Round”, uma das faixas mais sérias do disco, tanto pela sua batida bem mais heavy quanto pelos vocais do Tyler, que já não soam tão despreocupados. Como um sinal do rumo que a banda tomaria mais à frente a última faixa, “You See Me Crying” é uma balada romântica deliciosa, nem um pouco exagerada e que consegue misturar o leve tom romântico com a melodia mais hard.
O fato de o Aerosmith ter uma imagem bem mais romântica nos dias atuais não é capaz de fazer-nos esquecer dessa antiga época da banda, onde o mais importante para eles eram fazer músicas que divertiam e animavam àqueles dispostos a ouvir um bom rock, “sujo” ou não. 

Ouça abaixo a clássica "Walk This Way"!


Every Kingdom | Ben Howard
(sugestão de aninha)

Ben Howard saiu da mesma safra de folk-rock de onde saiu outros artistas, como Jake Bugg. Tendo seu disco classificado como folk-rock é difícil esperar músicas excessivamente produzidas e cheias de apetrechos musicais, mas àqueles que estão à procura de músicas leves, cativantes e gostosas de ouvir “Every Kingdom” pode ser a escolha certa.
Seu som é difícil de classificar, mas ao mesmo tempo temos a impressão de que já ouvimos algo parecido. É uma mistura homogênea de um folk simplório, rock acústico e indie melancólico. Essa mistura é facilmente notada no início do disco com “Old Pine”, que se inicia com um violão dedilhado incrível e vocais agridoces do Howard. Esses vocais não são lá incríveis, mas é nessa simplicidade vocal que as melodias encontram seu porto seguro, formando assim a combinação perfeita. Quase ao fim dessa música entra em cena uma melodia um tanto mais animada, mas sem nada de contagiante. “The Wolves” traz junto dela uma composição poeticamente romântica acompanhando assim a melodia, uma mistura alternativa e suave de folk e indie, ritmos esses que permeiam todo o disco. Logo à frente “Everything” aposta novamente num delicioso e melancólico violão acústico usado como plano de fundo à voz do Howard, uma ótima combinação, diga-se de passagem, capaz de cativar profundamente aqueles adoradores de uma boa música melancólica. “Keep Your Head Up” tem um estilo um tanto praieiro, mas ainda acompanhado do folk de praxe. Com isso, a música conseguiu ser mais animada, mas podemos perceber que o Ben se sai melhor com as músicas melancólicas, pois a impressão que temos é a de que seu doce violão não cai bem com melodias mais rápidas e animadas. Essa tese de que o talento do artista é melhor quando utilizado em músicas calmas é reforçada pela próxima faixa: “Black Flies”. A música, que beira a monotonia, se engrandece devido ao simplório violão do Howard, que se junta com uma grande melodia para criar uma parte instrumental magnífica da música. Esse estilo folk adorável de se ouvir se vai com “Promise”, uma longa música com uma bela composição e com uma melodia incrivelmente simples.
“Every Kingdom” pode não ser o disco mais bem produzido dentro do cenário folk atual, mas ainda assim ele merece destaque. Suas melodias, na maioria das vezes simples e melódicas, combinam perfeitamente com os bons vocais do Ben Howard. E é isso que faz com que o disco mereça atenção: o encaixe quase perfeito entre a melodia e a voz. 

Sinta toda a melancolia do Ben Howard em "The Wolves".





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Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


20 comentários:

  1. Cara, simplesmente amei Ben Howard! Não conhecia, mas é o estilo de música que mais gosto.
    *O*

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  2. amo amo amo Ben Howard!! sou suspeitíssima pra falar sobre o trabalho dele! rs Icona Pop é outra dupla que amei conhecer, a música é chiclete e o som é bom pra cair na festa!

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  3. Adoro Aerosmith e Duran Duran. São bandas mais clássicas, mas não importa quanto tempo passe, não há como negar que são ótimas! Os outros artistas, não conhecia, escutei algumas músicas e não me atraiu muito. :T

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  4. ouvindo Icona Pop a vontade q tenho é de sair dançando por aí tbm!! hahaha
    é mt contagiante! :D

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  5. Aero ♥♥
    To viciada em IC. Pop adoro as musicas!




    xx

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  6. O segundo disco é realmente sempre um grande problema, como você citou no primeiro disco. Comecei a acompanhar o blog há pouco tempo e achei muit oboa essa iniciativa de fazer esse tipo de resenhas para os discos mesmo em um blog literário. Penso em fazer isso no meu também!

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  7. Gente amo Duran Duran, Muito bom esse pessoal. Algumas músicas que você colocou aqui já conheço e até gosto. Outras vou experimentar ouvir. Obrigada pelas dicas.

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  8. bandas clássicas nunca são esquecidas! Aerosmith e Duran Duran mostram isso!

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  9. q bom q vc achou a ideia de O Que Passou Por Meus Fones boa! :)

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  10. "O Que passou por meus Fones nº37" - 5 discos bem diferentes e ao mesmo tempo muito iguais por serem muito bons!E como já mencionei em outro post acho o som do The Naked And Famous legal e esse álbum apenas manteve o tom do trabalho feito pela banda anteriormente.Adorei o resgate dos disco do Duran Duran e do Aerosmith, afinal eles representam um período muito bacana e são referência em se tratando de música. Icona Pop lembra muito a dupla T.A.T.U. e a capa desse disco comprova o que tinha dito num post anterior.Já o Ben Howard foi uma sugestão muito boa Aninha, uma grata surpresa, o som dele realmente é melancólico com uma pitada a la Jeff Buckley.
    E a minha sugestão da vez é o disco Pure Heroine (2013) da Lorde!!!:)

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  11. Muito legal ver o "Icona Pop" por aqui mais uma vez. O "Aerosmith" e "Duran Duran" também são muito bem-vindos... sempre! Em relação aos outros dois (o primeiro e o último do post), não me interessei muito.

    @_Dom_Dom

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  12. Thaynan Lira Galhardo12 de novembro de 2013 15:38

    Adorei o post.

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  13. Duran Duran e Aerosmith são verdadeiros clássicos!
    Já ouvi várias pessoas falando que o Icona Pop lembra a T.A.T.U. pessoalmente, acho q a semelhança musical é pouca, mas o estilo delas é bem lembrável...
    Mesmo gostando de músicas melancólicas Ben Howard foi demais para mim... rsrs Realmente, o som dele é mt bom, mas não faz meu estilo. Já ouvi Jeff Buckley e AMO Hallelujah e Last Goodbye... depressão define... hahaha
    Anotei essa sua nova sugestão! ;) (Pure Heroine já estava na fila para ouvi-lo... rs)

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  14. Nunca tinha ouvido nenhumas mas me apaixonei por The Wolves e Hearts Like Ours!

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  15. Como estou num momento de ouvir músicas calmas, a que mais curti foi 'The Wolves'! :)

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  16. Desses todos aí, o único que eu conhecia é o Aerosmith. Eu já disse que você é muito eclético? rsrsrsrs Acho que sim...

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  17. Amo Duran Duran! <3
    Não conhecia Icona Pop, mas ouvi e acabei gostando!

    Gosto bastante da coluna! Estou sempre procurando por uma boa música! ^^

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  18. karolyne kazakeviche30 de novembro de 2013 19:19

    Bem eclético teu gosto, rs. Enfim, gostei de algumas... outras não fazem meu estilo e não conhecia, mas como quero conhecer novos cantores, anotarei os nomes.

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  19. Adoro Icona pop, é muito bom o som delas!


    xx

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  20. De todos que você colocou ai a única banda que eu escuto é Aerosmith e nem é com frenquencia, mas eu curto legal

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