postado por Matheus em 23 fevereiro 2014

Review | Ela

Direção: Spike Jonze
Duração: 2h 6min
Lançamento: 2014
Gênero: Drama, Romance


Sinopse


Theodore (Joaquin Phoenix) é um escritor solitário, que acaba de comprar um novo sistema operacional para seu computador. Para a sua surpresa, ele acaba se apaixonando pela voz deste programa informático, dando início a uma relação amorosa entre ambos. Esta história de amor incomum explora a relação entre o homem contemporâneo e a tecnologia.




Crítica

O mundo está em constante evolução. Pessoas evoluem, lugares evoluem, a definição de “correto” estipulada pela sociedade evolui, e, é claro, a tecnologia evolui. Quem é que pensaria, há 10 anos, que seria possível conversar com qualquer pessoa ao redor do mundo sabendo apenas seu nome de usuário? Quem é que pensaria, há uns 10 anos atrás, que os celulares aumentariam novamente de tamanho, contendo funcionalidades inimagináveis? E quem é que pensa, nos dias atuais, que daqui a alguns anos haverá algum sistema operacional que contém uma inteligência artificial, podendo estabelecer uma relação quase humana com o consumidor? Se você nunca chegou a pensar nisso acho bom começar a pensar, porque daqui a alguns anos histórias inusitadas como a de Ela estão muito propensas a acontecer.




Assim que começa o filme nos deparamos com o monólogo de Theodore (Joaquin Phoenix). “Não consigo dizer o quanto você significa pra mim” é uma das primeiras frases de Theodore e poderia descrever todo o seu tom romântico para com alguém especial, mas não. Quando disse isso, Theodore estava apenas escrevendo uma carta encomendada por Loretta. Isso porque nesse futuro é comum pessoas encomendarem cartas a empresas do ramo para poder dá-las a pessoas especiais. E esse é o trabalho de Theodore, escrever cartas para pessoas que nem sequer conhece.
Melancólico e tristonho, Theodore começou a levar uma vida extremamente melancólica depois de seu divórcio. Depois de muita alegria vieram as brigas e desentendimentos com sua esposa, Catherine (Rooney Mara), e consequentemente veio o divórcio. Então transbordado com uma imensa tristeza, Theodore começa a desacreditar do amor, e isso o leva a uma vida cada vez mais antissocial, mais dependente da extrema tecnologia presente ao seu redor. Em mais um de seus monótonos dias algo lhe chama a atenção: a venda de um novo sistema operacional com inteligência artificial. Como grande dependente da tecnologia, Theodore compra esse SO, e então o próprio SO se nomeia: Samantha (Scarlett Johansson). Mas a relação de Theodore com esse software vai crescendo incontrolavelmente. Sua vida antissocial contribui para que essa relação vá crescendo ainda mais, se transformando num amor inusitado, mas ainda assim verdadeiro, capaz de nos fazer refletir infinitamente com essa história magnífica.

Para aqueles mais acostumados com o cinema de Spike Jonze, nome por trás do surreal Quero Ser John Malkovich e do amável Onde Vivem os Monstros, Ela mostra ter uma premissa interessantíssima e, como de costume, bem inusitada. Isso já é mais do que o suficiente para que qualquer admirador do Jonze se interessasse à ver o filme. Mas tudo que diz respeito a esse filme, desde os simplórios pôsteres até os trailers melancólicos, transpira uma sensibilidade única capaz de acertar em cheio àqueles que derem o mínimo de atenção ao filme. Algo incrível para uma produção pequena que está ganhando mais e mais fãs pelo mundo.
Para aqueles que se interessaram por esse estilo transpassado pelos trailers e pôsteres não há o que se reclamar depois que se assiste Ela. Pelo contrário, o filme ultrapassa as mais altas expectativas. Não há como não se deixar levar por todo esse romance inusitado. E é aí que está o maior trunfo do filme, a facilidade com que ele desenvolve um romance que, em mãos erradas, poderia resultar numa loucura sem tamanhos.
O romance transpassado por Ela é de todo inexplicável. Ele possui traços de um romantismo nato (frases como “nunca amei ninguém como amo você” aparecem no filme para nunca mais saírem de nossas mentes), mas também contém um humor genuíno, não hilário, mas contido e agradabilíssimo. Mas talvez o melhor de tudo que envolve esse romance é a humanização dele. No decorrer de todo o filme não é difícil se esquecer de que Samantha é um software, isso porque a relação entre ela e Theodore é tão magnificamente desenvolvida que pensamos estar diante de um amor verdadeiro e humano, com toda a sua paixão e todos os seus desentendimentos.
Quem merece os parabéns por esse desenvolvimento tão natural e emocional são inúmeras pessoas. Tem o Spike Jonze, que dirige o filme com um sentimentalismo simples, mas tocante, e que também é o responsável pelo roteiro, que dispensa comentários. Tem o Arcade Fire, responsável pela trilha-sonora melancólica (típico da banda) e extremamente encaixante (a trilha-sonora cai como uma luva para todas as cenas em que aparece). Mas é bem provável que nada disso desse certo se não houvesse todas as atuações magníficas.
Amy Adams mostra seu brilho em poucas cenas, esbanjando carisma por sua personagem tão adorável. A Olivia Wilde dá um banho de sensualidade em uma única passagem do filme, que, mesmo sendo curta, é de extrema importância para o desenrolar do longa. Também não podemos esquecer a Rooney Mara, que deixa de lado toda a caracterização gótica de sua personagem em Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres para dar vida a ex-mulher de Theodore, uma mulher misteriosa e nem tão emocional quanto aparentava ser. Mas é óbvio que quem brilha no filme é o casal interpretado pelo Joaquin Phoenix e pela Scarlett Johansson. O Joaquin está aqui em um de seus melhores papéis, nada exagerado, tudo muito simples, mas é aí que se esconde sua magnificência. Ele consegue demonstrar uma ode de sentimentos que vai da tristeza à pura felicidade romântica de uma forma impressionantemente convincente, e sem nenhum exagero. E o que dizer da Scarlett, que brilha num filme no qual nem mesmo aparece? Sua dublagem da Samantha é magnífica, conseguindo transmitir emoções extremamente distintas apenas com sua voz. Em Ela, mesmo não aparecendo em cena, Scarlett Johansson conseguiu transmitir emoções que muitas atrizes não conseguem transmitir em cena.

Frases altamente poéticas - daquelas de nos deixar pensando durante horas e horas e que não saem de nossas cabeças – e uma ótima metáfora para ilustrar e relação do homem moderno com a tecnologia e o mundo à sua volta servem como a cereja do bolo. Esses quesitos engrandecem ainda mais Ela, tornando-o não um filme romântico fútil, mas sim um filme romântico cheio de significados e poesia. Um trabalho ímpar nas mais diversas formas, além de ser um romance avassalador que alcança patamares dificilmente alcançados. O mundo cinematográfico demorará a ganhar uma obra-prima romântica tão profunda do nível de Ela. 


Avaliação:











Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


5 comentários:

  1. Interessante. Diferente do que esperava, Gostei dos comentários sobre ele e me pareceu bom. Vou tentar ver, Quem sabe eu o aprecie? beijos.

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  2. pra mim não funcionou =( queria muito mesmo ter gostado mais do filme, mas só vi frustação no personagem principal. pra mim o que segura o filme é Joaquin Phoenix. queria muito mesmo ter gostado mais do filme, tô cogitando assistir de novo pra vê se não deixei passar algo....

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  3. Bem diferente o filme, nunca assisti mas parece ser muito interessante para quem gosta do gênero no meu caso não sei se gostaria taaanto do filme, mas vou assistir pra ver no que vai dar ^^

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  4. Achei bem legal que o filme aborda essa relação tão atual entre o homem e a tecnologia. Realmente nos faz refletir sobre muitas coisas, principalmente sobre as relações interpessoais e sobre a influência (cada vez maior) que a tecnologia está tendo em nós.

    @_Dom_Dom

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  5. Não gostei do filme, não me identifiquei com o gênero, e achei que a capa do filme expressa uma coisa diferente do que o filme realmente é!

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