postado por Matheus em 25 fevereiro 2014

Review | Trapaça

Direção: David O. Russel
Duração: 2h 18min
Lançamento: 2014
Gênero: Comédia dramática, Policial


Sinopse


Irving Rosenfeld (Christian Bale) é um grande trapaceiro, que trabalha junto da sócia e amante Sydney Prosser (Amy Adams). Os dois são forçados a colaborar com um agente do FBI (Bradley Cooper), infiltrando o perigoso e sedutor mundo da máfia. Ao mesmo tempo, o trio se envolve na política do país, através do candidato Carmine Polito (Jeremy Renner). Os planos parecem dar certo, até a esposa de Irving, Rosalyn (Jennifer Lawrence), aparecer e mudar as regras do jogo.


Crítica

O cinema de David O. Russel é algo que pode muito facilmente ser considerado “inrotulável”. Tomando como base seus últimos três filmes (O Vencedor, O Lado Bom da Vida e Trapaça) podemos ver histórias bem desenvolvidas (e com diversas reviravoltas), um tom de humor que sempre se esconde atrás do drama, um estilo que procura mostrar a realidade da vida (mas que por vezes não cola muito bem) e é claro que podemos ver grandes atuações. Se existe algo que sempre está presente em seus filmes são as grandes atuações (por vezes superestimadas), que nos dão a impressão de que são o centro de todo o filme. Talvez seja por isso que Trapaça não se sai tão bem quanto poderia: ele dá todo o destaque possível ao elenco e se esquece de conduzir o filme por um caminho que consiga cativar o espectador.


O enredo, aparentemente simples, conta a história de Irving Rosenfeld (Christian Bale) e sua amante e cúmplice Sydney Prosser (Amy Adams), dois grandes vigaristas que encontram as maneiras mais persuasivas para se ganhar dinheiro fácil de qualquer um que caia em suas lábias. Mas então os dois caem no golpe de Richie (Bradley Cooper), um agente do FBI que arma uma cilada para que eles então sejam obrigados a ajuda-lo com todas as suas experiências e conhecimentos em trapacear. A intenção de Richie é se infiltrar na máfia para que possa desmascarar mafiosos e políticos corruptos, onde então entra o prefeito de Camden, Carmine Polito (Jeremy Renner). Rosalyn (Jennifer Lawrence), esposa de Irving, também se vê envolvida entre esse jogo de trapaças, podendo mudar o rumo da história com sua loucura e com sua relação com um dos golpistas envolvidos no esquema. Aos poucos a trama vai se desenrolando, mostrando minuciosamente todos os jogos sujos por trás dessa operação do FBI.

E é assim, sem grandes introspecções nos personagens, sem uma história para se pensar, que se desenrola Trapaça. Pensando nisso, talvez o grande mérito do roteiro seja a forma com que é desenvolvida toda essa operação, mostrando seus detalhes de forma satisfatória e juntando os fatos para que no final tudo se encaixe. Isso sem contar nos flashbacks que costumeiramente aparecem pelo filme, sendo eles expostos sem superficialidade.
A direção do David O. Russel também não se mostra lá com grandes atrativos. Assim como em seus dois filmes anteriores, ele tenta possuir um estilo mais realista e cru, mas em muitas vezes isso se perde, mostrando na tela passagens neutras de qualquer estilo. Ainda assim é notável a qualidade de sua direção quando o quesito é atuação.
Para muitos, David O. Russel é um diretor de elenco. Trapaça confirma isso por todo o seu elenco de peso. O quarteto principal é formado por figurinhas muito conhecidas do grande público (e que já trabalharam em outros filmes do diretor). Há o Christian Bale, eterno Batman, mas que já brilhou em O Vencedor. Há a Amy Adams, carismática atriz que deu um show de atuação também em O Vencedor. Há o Bradley Cooper, muito conhecido por suas comédias e que mostrou uma atuação bem mais consistente em O Lado Bom da Vida. E há a Jennifer Lawrence, atual queridinha dos EUA, que já demonstrou seu talento em O Lado Bom da Vida. Em Trapaça, todos eles mostram grandes atuações, e o motivo pelo qual talvez elas não sejam mais magníficas é que não há grande complexidade em seus personagens.
Ainda assim, todos eles se saem muito bem. Bale e Adams interpretam o “casal” golpista de forma satisfatória, demonstrando na tela as emoções que tinham que passar no momento certo; o fato de Bale engordar para viver Irving não é de todo espantoso, pois quem não se lembra de seu porte esquelético em O Operário, e então de seu físico musculoso na trilogia do Batman e então novamente de sua magreza em O Vencedor? Bradley Cooper segue o mesmo caminho, interpretando muito bem o típico agente do FBI certinho, mas que tem seu lado mais sacana. Talvez quem mais se destaque seja a Jennifer Lawrence. Sua personagem, talvez a mais complexa do filme, se resume a uma mulher sem expectativas, louca e com fortes tendências depressivas (sim, isso é muito comparável à sua personagem em O Lado Bom da Vida!). Mas nesse filme sua atuação se mostra ainda mais firme e consistente. Se no filme anterior do Russel ela esbravejava e gritava sem convencer a todos aqui ela não precisa de muito disso para nos deliciar com sua personagem adoravelmente louca. Também merece nota a atuação de Jeremy Renner, que não despontou nas premiações, mas que se mostra tão boa e com uma carga emocional tão grande quanto o restante do elenco.
Com um designer de produção cheio de estilo e com um figurino fantástico, no quesito visual Trapaça se sai extremamente bem. Tudo remete facilmente a um estilo vintage notavelmente dos anos 70, desde os cenários cheios de detalhes de época até o figurino espalhafatoso, mas necessário, que nos deixa deslumbrados com diversas peças originais de marcas de renome. Destaque para os decotes altamente provocantes utilizados pela personagem de Amy Adams, algo que realçou ainda mais a sua sensualidade. Todo esse estilo de época é realçado pela trilha-sonora, repleta de músicas de rock animadas e algumas de disco típicas da época.


Ainda assim, é difícil Trapaça envolver o espectador nessa grande viagem ao mundo do crime de 1970. Talvez isso se deva à direção morna do Russel ou então ao roteiro bem desenvolvido, mas em certa parte superficial. Mas qualquer um que se aventure em assistir Trapaça pode facilmente se cativar com um visual bem desenvolvido ou com atuações fantásticas. Por que isso ninguém pode negar: Trapaça possui um elenco icônico e memorável!


Avaliação:






Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


5 comentários:

  1. Doida pra assistir este filme. As cenas que vi no trailler me deixaram muito curiosa e as imagens achei lindas e caprichadas. Merece ser assistido e curtido. Beijos.

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  2. Adoro uma comédia e filmes policiais.
    Filmes com grandes atuações com certeza deve ser assistidos e prestigiados e esse filme com certeza deixa qualquer um que goste do gênero com muita vontade de vê-lo.

    Beijos

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  3. ta aí um filme que não me interesa em assitir. pra falar a verdade eu comecei a vê-lo mas poxa vida que chatisse! =/ a ambientação tá massa, a gente pensa que tá mesmo nos 70, mas eu não consegui simpatizar com a história do filme. achei tudo muito bobo sem ter o porque daquilo. tudo muito ralo. talvez porque não faça o gênero de filme que eu goste sei lá. com certeza vai levar algum prêmio pra casa( Amy Adams com certeza), já que ganhou Globo de Ouro e outros prêmios.

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  4. Uma coisa não se pode negar, o David O. Russel é um diretor de elenco, como você disse. Afinal, os quatro atores foram indicados na categoria de melhores atores. Se algum irá vencer, ainda não sabemos, mas que é um feito, é! Outra coisa legal é a parte visual do filme. Realmente a ambientação e caracterização estão ótimas. Uma pena que o retante não acompanhou.

    @_Dom_Dom

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  5. Já tive a oportunidade de assistir o filme. E minha opinião sobre ele é que, resumidamente, é um filme ótimo, apesar de não ser um dos melhores é bem legal toda a história envolvida nesta trama!

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