postado por Matheus em 21 fevereiro 2014

Review | Gravidade

Direção: Alfonso Cuarón
Duração: 1h 30min
Lançamento: 2013
Gênero: Ficção Científica


Sinopse

Matt Kowalski (George Clooney) é um astronauta experiente que está em missão de conserto ao telescópio Hubble juntamente com a doutora Ryan Stone (Sandra Bullock). Ambos são surpreendidos por uma chuva de destroços decorrente da destruição de um satélite por um míssil russo, que faz com que sejam jogados no espaço sideral. Sem qualquer apoio da base terrestre da NASA, eles precisam encontrar um meio de sobreviver em meio a um ambiente completamente inóspito para a vida humana.


Crítica

“A 600 km do planeta Terra a temperatura oscila entre 126° e -100°. Não há nada para transmitir o som. Não há pressão atmosférica. Não há oxigênio. A vida no espaço é impossível.” É com essas duras e fortes informações que se começa Gravidade. O tom de perigo e tensão com que essas frases aparecem na tela é alarmante, e se torna ainda mais impactante com a trilha-sonora pulsante e extremamente tensa! Ainda assim, essas simples cinco frases apenas nos preparam para os magníficos noventa minutos no qual se passa essa obra-prima.


O enredo do filme é, aparentemente, simples. Ryan Stone (Sandra Bullock) é uma doutora em sua primeira missão no espaço, juntamente com Matt Kowalski (George Clooney) e Shariff. A missão deles é consertar o telescópio Hubbie. Tudo corria bem, até que eles são avisados de que destroços vindos de um satélite destruído por um míssil russo estão prestes a se chocarem com a nave em que estão. O medo entre eles aumenta gradativamente, e então a chuva de destroços os atinge. O estrago na nave é irreparável, Shariff morreu e o medo de Ryan e de Matt aumenta ainda mais quando eles se soltam no espaço, sozinhos. Por ser sua primeira missão, Ryan logo fica angustiada, mas Matt, astronauta já experiente, não se alarma tanto. Mas talvez devesse, visto o ambiente completamente inóspito que estão. E assim continua a história, cada vez mais tensa, mais surpreendente, mostrando com perfeição a luta dos dois pela sobrevivência.

Mesmo com esse enredo aparentemente simples há muito que se pensar sobre essa história. Qual a nossa importância num universo infindável em que praticamente não há vida fora da Terra? Existe a necessidade da luta pela vida quando ela não tem mais sentido? Mesmo que você não esteja mais por perto, haverá alguém pensando em você? Esses e outros pensamentos praticamente filosóficos pipocam na mente do espectador enquanto ele se deixa ser extasiado por todo um visual brilhantemente criado.
Tudo começa pelos efeitos visuais. E digo logo se cara: é difícil descrever algo tão perfeito! A magnificência com que é mostrada a Terra de cima é arrepiante. Arrepiante pelo fato de vermos toda a vastidão desse planeta de forma tão realista. E os efeitos especiais não param por aí! Todas as naves mostradas durante o filme são perfeitamente construídas. E tudo fica ainda mais perfeito quando os destroços aparecem, destruindo tudo com voracidade e, acima de tudo, com extrema realidade. A fotografia magnífica também merece toda atenção. Enquanto os destroços voam pelo espaço câmeras rotatórias e precisas, juntamente com ângulos inesperados, nos mostra tudo com ainda mais magnificência. É impossível não ficar de boca aberta em boa parte do filme!
Mas o que seria de todos esses efeitos especiais se eles não fossem acompanhados de bons sons? E é por isso que o trabalho de som de Gravidade também se mostra impressionante. Cada destroço que se choca resulta numa explosão de sons extasiante em nossos ouvidos. Também é bem interessante a estratégia de extinguirem o som por completo quando ele, naquela cena, não poderia ser propagado. Uma trilha-sonora pulsante, tensa e magistralmente criada só multiplica nossas emoções!
Para um simples blockbuster tudo isso seria mais do que o necessário. Mas Gravidade não é apenas um blockbuster, ele é uma obra de arte que deve ser considerada como tal. E por isso há as atuações bombásticas do elenco, isso se apenas dois atores em cena pode ser considerado como um “elenco”. Mas enfim, o personagem de George Clooney não exige muita complexidade emocional, e por isso suas piadinhas sem graça, seu sorrisinho amarelo e seu tom otimista deixam a sua atuação bem satisfatória. Mas quem rouba a cena é a Sandra Bullock. Já premiada com o Oscar de Melhor Atriz por Um Sonho Possível, em Gravidade ela se mostra impecável! Impecável por dois quesitos. O primeiro é a dificuldade em atuar em um filme construído praticamente sob efeitos especiais, fato esse que a Sandra domina, se saindo bem e agindo como deveria ser. E o segundo quesito é sua carga emocional. Sempre que seu medo aumenta podemos ver o terror em sua expressão, mesmo que essa expressão esteja debaixo de seu capacete de astronauta. E quando Ryan faz uma “revelação” pessoal ao Matt (revelação essa que, pelo visto, causa bastante dor a ela) conseguimos ver o sofrimento estampado em sua face. Esse sofrimento acompanha-a fielmente em tantas outras cenas com grande carga emocional. Nas cenas finais, é impossível não vibrar com sua personagem, que mostra sua redenção à morte ou à vida (é claro que eu não poderia contar o final).
No final das contas, toda essa perfeição, todas as emoções que pipocam da tela toda a magnificência com a qual o filme é construído se devem à direção do Alfonso Cuarón. Não há muito que dizer sobre sua direção, ela é apenas fantástica, conseguindo criar toda uma ode de emoções sobre uma história aparentemente simples. (Também merecem destaque dois simbolismos bem visíveis postos no filme pelo Cuarón: a posição fetal em que a Sandra Bullock fica em determinada cena e a ironia com a qual um simples boneco do Marvin o Marciano, personagem dos Looney Tunes que vive no espaço, escapa da nave já destruída, flutuando no vácuo).

Por mais longa que fosse essa crítica, ela não seria capaz de lhes dizer todas as qualidades técnicas e artísticas e todas as emoções que o filme transmite. Gravidade é um filme ímpar, um marco na história do cinema e, pode-se sim dizer, inovador. Ainda assim consegue se mostrar acessível a todos. Só assistindo para entender do que estou falando.


Avaliação: 











Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


10 comentários:

  1. Realmente, achei esse filme demais. As imagens e as cenas são divinas. Numa hora você pensa que é a coisa mais bela pra se ver e na outra você imagina como deve ser desesperador viver o que a personagem viveu. Não sei se aguentaria a pressão que ela viveu., mas que é belo o nosso planeta... Isso é. Demais.

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  2. to mto a fim de ver esse filme,minha irmã viu e adorou

    bjs

    http://torporniilista.blogspot.com.br/

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  3. Nunca assisti e assim acho meio dificil falar né..gosto de assistir e depois comentar com vc mesmo disse só assistindo para entender o que vc esta falando e é bem isso Matheus, mas prometo que vou assistir rsrs pois me chamou a atenção e parece ser um filme maravilhoso

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  4. olha Matheus, concordo, o filme é tenso, brilhante do começo ao fim. super recomendo pra quem tem claustrofobia e medo de altura que nem eu. quase tive um AVC mas ok. rs sério, o medo da personagem passa pra quem assiste, eu não relaxei nenhum momento e admito que saiu umas lágrimas também. apesar de achar que o filme não vai ganhar tanto Oscar assim, merecidíssimo as indicações.

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  5. Assista sim q é maravilhoso!

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  6. É praticamente impossível não gostar de Gravidade! Até msm aqueles não-fãs de ficção se entregam à esse filme fantástico!

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  7. Não tenho tanta claustrofobia e nem medo de altura, mas todos os meus donhos de ser astronauta quando eu era criança acabaram rapidamente hahaha
    E eu pensei q era o único que tinha chorado no filme rs
    Mas enfim, acho q Gravidade vai ganhar sim diversos Oscars, principalmente os prêmios mais técnicos! É esperar pra ver!

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  8. Sou fã da Sandra Bullock de carteirinha, e tento assistir todos os filmes em que ela está no elenco. Só acho uma pena que provavelmente ela não ganhará o Oscar de melhor atriz esse ano, pois acho que ficará com a Cate Blanchet (merecidamente, por sinal).
    As imagens não mentem, a qualidade dos efeitos visuais é inigualável. Creio que as estatuetas dessas categorias já são desse filme. E a parte sonora também.

    @_Dom_Dom

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  9. Matheus me interesso bastante pelo filme, e confesso que quando o vi fiquei com um ouco de receio, mas logo após vários comentários em postagens, achei o filme bem bacana!

    Abraços,

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  10. Vi muitas indicações desse filme e não conheço um pessoa que viu e não gostou. Creio que é um filme bacana ao qual vou assistir.
    Beijocas ^^

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