postado por Matheus em 22 fevereiro 2014

Review | O Lobo de Wall Street

Direção: Martin Scorsese
Duração: 2h 59min
Lançamento: 2014
Gênero: Biografia, Comédia, Drama
Sinopse
Durante seis meses, Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) trabalhou duro em uma corretora de Wall Street, seguindo os ensinamentos de seu mentor Mark Hanna (Matthew McConaughey). Quando finalmente consegue ser contratado como corretor da firma, acontece o Black Monday, que faz com que as bolsas de vários países caiam repentinamente. Sem emprego e bastante ambicioso, ele acaba trabalhando para uma empresa de fundo de quintal que lida com papéis de baixo valor, que não estão na bolsa de valores. É lá que Belfort tem a ideia de montar uma empresa focada neste tipo de negócio, cujas vendas são de valores mais baixos mas, em compensação, o retorno para o corretor é bem mais vantajoso. Ao lado de Donnie (Jonah Hill) e outros amigos dos velhos tempos, ele cria a Stratton Oakmont, uma empresa que faz com que todos enriqueçam rapidamente e, também, levem uma vida dedicada ao prazer.


Crítica

Martin Scorsese já se tornou um diretor de renome no cinema. Com filmes clássicos como Taxi Driver e Touro Indomável no currículo, Scorsese, faça o que fizer, sempre será lembrado como o grande diretor que é. Talvez ele saiba disso, e então por isso volta e meia se aventure em gêneros diversificados em alguns de seus filmes, fugindo assim do estilo violento que a maioria de seus filmes tem. Seus três últimos filmes foram bem “aventureiros” em relação ao gênero. O primeiro deles foi Ilha do Medo, um suspense muito bom e que teve uma boa recepção do público. Logo após veio a perfeição aventureira e “infantil” de A Invenção de Hugo Cabret, filme aclamado pela crítica que, mesmo sendo considerado um filme infantil, não deixa de demonstrar a maestria do Scorsese. E agora chega O Lobo de Wall Street, biografia feita de uma poderosa comédia politicamente incorreta, e que ainda deixa espaço para um bom estilo policial e também um bom drama. Resumindo, é Scorsese da melhor maneira possível!


A história segue a vida de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio), um famoso corretor de bolsa. O início de sua carreira, ao lado de seu mentor Mark Hanna (Matthew McConaughey), já começa a lhe mostrar como funciona a Wall Street, e sua ambição só vai aumentando... Quando tudo corria bem houve a Black Monday, onde bolsas de todo mundo caíram, e então ele perdeu seu emprego. Sempre encorajado pela sua esposa Teresa (Cristin Milioti) ele não desiste de suas ambições, e então aceita a proposta de uma pequena empresa em trabalhar como “corretor” da Bolsa de Centavos. Logo ele desiste dessa pequena empresa e então abre sua própria corretora com seu mais novo amigo Donnie (Jonan Hill): a Stratton Oakmont! Começando como uma minúscula corretora da Bolsa de Centavos sua corretora aos poucos vai crescendo. Juntamente com sua corretora, seus vícios por drogas, sexo e festas também vai crescendo. Devido ao seu talento nato para o mundo dos negócios a Stratton Oakmont se torna uma grande e respeitada empresa. Mas nada é perfeito para sempre e com a vida completamente desregrada que levava aos poucos ele vai caindo na decadência. Todos os negócios ilegais de sua empresa também não o deixam com bons olhos frente à polícia americana, que fará de tudo para que Jordan e o resto de sua turma paguem pelas ilegalidades cometidas.

É difícil pensar em outro diretor senão o Martin Scorsese para guiar essa história totalmente imoral. Aquela sua coragem utilizada para filmar filmes um tanto pesados como Taxi Driver está aqui com força total, e isso é extremamente necessário para que a trama flua da forma como deveria ser. Seria possível mostrar a vida de um viciado em sexo e drogas sem mostrar cenas de sexo e de uso de drogas? Se a intenção é fazer um filme fiel à realidade a resposta certamente será não. E aí está o Scorsese, mostrando tudo como deveria ser, sendo para nos chocar, nos fazer rir ou para nos deixar desconcertados. Mas, acima de tudo, ele mostra todas essas cenas para nos fazer pensar. Cenas de sexo, nudez frontal feminina, uso explícito de drogas e até mesmo uma cena de masturbação em público (sim, em público!) aparecem naturalmente durante o filme; para alguém que assistir ao filme por mera diversão achará tudo isso desnecessário, mas ressalto novamente, tudo isso aparece com o intuito de nos fazer pensar.
Mas pensar sobre o que, necessariamente? Há muito que se refletir em O Lobo de Wall Street, mas a reflexão maior do filme é sobre as consequências de tudo aquilo que Belfort faz! No final das contas, tudo o que se passa nas longas três horas de filme nos faz pensar, e muito, sobre os rumos que sua vida tomou. Tudo isso posto num roteiro incrível, muito bem finalizado, que não deixa nada passar em branco, sabendo intercalar muito bem todas as imoralidades de Belfort e o lado mais dramático de tudo isso; isso sem contar no lado policial da história, que também transcorre muito bem no meio de tudo isso.
Ainda que a coragem da direção do filme seja de extrema importância é difícil saber o quanto dela seria aproveitada sem atores que se jogassem de cabeça em seus papéis, mesmo que isso exigisse cenas “complicadas” de se fazer. Pensando nisso, é difícil achar alguém que se encaixasse melhor no personagem de Jordan Belfort que Leonardo DiCaprio! O mais novo queridinho do Scorsese frente às câmeras (já trabalhando com ele em cinco filmes) tem uma atuação forte e de coragem em O Lobo de Wall Street. Se nas cenas no microfone de sua empresa (diga-se de passagem, essas cenas são uma loucura total) ele dá tudo de si para encarnar um corretor verdadeiramente ambicioso nas cenas mais sacanas ele também se sai espantosamente bem! Ele consegue se transformar num drogado com perfeição, e suas cenas de sexo também são bem convincentes. Comparável a ele em termos de loucura está o Jonan Hill num papel extremamente cômico e igualmente imoral; mesmo que também dê tudo de si nas cenas mais fortes talvez sua atuação não tenha tido tanto reconhecimento pois são poucas as cenas que tem que demonstrar seu lado mais dramático, cenas essas que não faltam para o DiCaprio. Outro integrante do elenco que merece certo destaque é a desconhecida Cristin Milioti, que interpreta muito bem a primeira esposa de Belfort; bancando a esposa tipicamente feia do garanhão ela se sai extremamente nas poucas cenas em que aparece, mostrando uma carga dramática que merece destaque.

Mesmo que em algum ponto das três horas de duração a história perca um pouco do divertimento que quase sempre está em cena é óbvio que isso é necessário para que a decadência de Jordan Belfort seja mostrada. Ainda assim O Lobo de Wall Street continua sendo um filme divertido, engraçado, forte e até chocante. Tudo isso e muito mais faz com que ele mereça certa posição de respeito no cinema atual.


Avaliação:










Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


9 comentários:

  1. O filme até que parece ser interessante, mas três horas de filme é muita coisa. Não iria aguentar ficar tanto tempo sentada assistindo. Vou ver depois quando tiver o dvd dele.

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  2. Três horas?? 'o' gente
    Olha eu adoro filmes, engraçados, divertidos me prendem mesmo, mas três horas é muita coisa e estou tão sem tempo :(
    Mas quem sabe algum dia quando estiver com paciência e com tempo bem livre rsrs

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  3. meu problema com esse filme é o tempo. 3 hrs caramba! Leonardo tá um show como sempre e Scorcese podia fazer até o atirei o pau no gato que ficaria perfeito! todas as cenas sempre dentro do contexto do filme, nada gratuito, um filme ótimo. mas acho que mais uma vez Leo não leva a estatueta, culpem Matthew
    McConaughey por isso. rs

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  4. Para quem ñ é acostumado 3 hrs é mt tempo msm! Mas eu, como bom cinéfilo, já acostumei, tanto é que uma das minhas sagas preferidas dos cinemas (O Senhor dos Anéis) tem mais de 3 hrs cada um huehuehue
    Mas enfim, se um dia criar coragem assista O Lobo de Wall Street q é mt bom, principalmente se vc gosta de um humor negro!

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  5. Se sobrar um tempinho na sua agenda assista sim! Se vc gosta de uma comédia divertida esse é mais um bom motivo para vc assistir!

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  6. Concordo com vc em relação ao q vc disse do Leonardo e do Scorsese. Os dois estão de parabéns!
    E tbm concordo com o Oscar. Sorry Leonardo, mas o Matthew McConaughey leva dessa vez... rs

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  7. Não imaginava que o filme era tão longo assim. Mas, acho que com toda essa construção do Scorsese, essas três horinhas devem passar voando. Uma coisa que me impressiona é o quão o Leonardo DiCaprio consegue se superar a cada trabalho.


    @_Dom_Dom

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  8. Confesso que me interessei pelo livro, mas achei um tempo muito longo o que pode tirar a atenção do filme se não tiver várias coisas legais dentro do mesmo!

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  9. Apesar de ser um filme que parece ser realmente muito bom, eu não gostei, porque eu curto comédia ou animações.
    Beijocas ^^

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