postado por Funs Hunter em 31 março 2014

Resenha | Adeus à Inocência

Autora: Drusilla Campbell
Editora: Novo Conceito
Páginas: 272
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Sinopse: Madora tinha 17 anos quando Willis a “resgatou”. Distante da família e dos amigos, eles fugiram juntos e, por cinco anos, viveram sozinhos, em quase total isolamento, no meio do deserto da Califórnia. Até que ele sequestrou e aprisionou uma adolescente, não muito diferente do que Madora mesmo era, há alguns anos... Então, quando todas as crenças e esperanças de Madora pareciam sem sentido — e o pavor de estar vivendo ao lado de um maníaco começava a fazê-la acordar —, Django, um garoto solitário, que não tinha mais nada a perder depois da morte trágica de seus pais, entrou em sua vida para trazê-la de volta à realidade. Quem sabe, juntos, Django, Madora e seu cachorro Foo consigam vislumbrar alguma cor por trás do vasto deserto que ajudou a apagar suas vidas?


“O que a vida espera da gente é um pouco de coragem...” Esse subtítulo de Adeus à Inocência pode até ser clichê, mas é uma verdade inegável! Sem coragem é bem provável que nossas vidas fiquem atracadas num presente que nem sempre é o que se almeja. A coragem é a responsável por fazer com que nós queiramos ir atrás de nossos objetivos, alçando voos perigosos, mas que são necessários para nossa realização pessoal. Sem coragem nossa vida continuará seguindo, mas lentamente, arrastada e sem grandes emoções. Esse livro, mesmo que trate da coragem, se desenvolve da mesma forma que uma vida sem coragem: de forma lenta e arrastada. Passa um capítulo, passa dois, passa 30 capítulos e nos parece que o livro termina assim como começou...


Madora é uma jovem de 17 anos que mora em Yuma, no Arizona. Sua vida não era das melhores, e tudo piora quando seu pai comete suicídio, deixando-a sozinha com sua mãe, que não lhe dá grande atenção. Não tendo um sentido em sua vida, Madora logo começa a entrar no mundo das bebidas e das drogas. Mesmo tendo noção do estado em que se encontrava ela não se preocupava em encontrar um caminho a seguir. Mas inesperadamente, durante uma festa, ela encontra Willis, aquele que pode ser o grande “salvador” de sua vida. Willis é um homem boa pinta: cabelo longo e liso, ele tinha um charme que chamava atenção de Madora. Aos poucos os dois vão desenvolvendo um relacionamento, e então um dia Madora decide abandonar sua mãe (que sabia de seu relacionamento com Willis) e ir morar com o seu possível amor. Morando no meio do nada, a casa dos dois era nada mais que um pequeno ponto encontrado num deserto completamente isolado de tudo. Com o passar do tempo, Madora começa a perceber que Willis não é aquilo que ela imaginava a princípio, e sua vida volta a mesmice que um dia já foi.
A situação do “casal” se degrada ainda mais quando Willis traz Linda à sua casa. Linda era uma adolescente grávida precocemente, que não sabia muito bem que rumos tomar, e devido a tudo isso Madora não tinha ideia do porque de Willis traze-la a casa. Willis sempre dizia a Madora que estava apenas ajudando Linda, isso porque ela precisava de alguém que cuidasse dela e de seu futuro filho. Mas mantê-la em cativeiro num trailer completamente fechado, não é a melhor forma de cuidar de alguém, mas Madora se sentia tão persuadida por Willis que não conseguia enxergar isso. Madora não sabia quem era o Willis que se escondia por trás de toda aquela máscara de bom moço...

Paralelamente, é contada a história de Django. Mesmo com 12 anos de idade, ele vê sua vida virar de cabeça para baixo quando seus pais morrem num trágico acidente. Seus pais eram músicos, grandes astros do rock, e como Django estava acostumado com a mordomia e com a vida fácil que levava ele sofreu um grande choque quando teve que ir morar junto com sua tia Robin em Yuma. Os fantasmas de seus pais atormentam Django continuamente, e dificilmente ele se vê em paz e feliz com sua nova vida em Yuma. Numa de suas pedaladas de bicicleta com direção à lugar nenhum ele chega a distante casa de Madora. Como dificilmente faz contato com o mundo lá fora, Madora se assusta quando vê aquele adolescente perto de sua casa. Mesmo sem o consentimento de Madora, Django começa a conversar com ela, e então visita sua casa cada vez mais vezes. Madora, por mais que achasse tudo aquilo perigoso demais, até gostava da amizade de Django, e as histórias que ele contava sobre sua família incitavam-na a sair e descobrir o mundo. Mas na frente de tudo havia Willis, e Madora mantinha sua crença de que ele era sua vida; era justamente isso que a impedia de conseguir a coragem necessária para mudar sua vida.    

Essa grande história seria mais que necessária para desenvolver um daqueles livros altamente profundos, que nos fazem ficar pensando incansavelmente sobre as vidas dos personagens e sobre as nossas próprias. Mas não! Em vez de seguir esse caminho mais profundo e introspectivo Adeus à Inocência prefere seguir a simples linha da descrição, sem se aprofundar em nada. O plano de fundo, que mostra como é um sociopata, muitas vezes se sobressai à história de Madora, tomando conta do livro e o desfocando da sua história central.
A escritora Drusilla Campbell também erra ao não moldar bem seus personagens, colocando-os como pessoas inconsistentes demais, receosas demais, sem personalidades. Por mais que seja bem descrito que Madora fazia o que fazia por sua devoção à Willis, ela erra tantas vezes que fica difícil acreditar que é a mesma Madora do começo ao fim do livro. São tantas as vezes que a vemos revendo seus erros e planejando uma melhoria em seus atos que isso se torna até cansativo, principalmente levando em consideração que não demora muito a ela voltar atrás e continuar como estava antes.
Outro ponto negativo da escrita de Campbell é sua falta de emoção ao escrever. Por mais que o lado psicológico de cada personagem não seja tão bem explicado há certas passagens que muito facilmente renderiam partes bem emocionantes. Mas a excessiva descrição de detalhes atrapalha essas passagens; isso porque a escritora fica mais preocupada em contar todos os detalhes da cena do que colocar um tom mais emocional no ato dos personagens, que parecem ser calculados milimetricamente para que tudo aquilo ocorra. Ou seja, essas passagens ocorrem sem a naturalidade de que precisavam para emocionar.
No final de tudo, topamos com um desfecho que, na melhor das hipóteses, se mostra decepcionante. Por mais que não consigamos criar um vínculo com a personagem de Madora nós continuamos torcendo para que no final tudo dê certo. Mas os rumos que Madora toma em sua vida nos deixam num estado que beira a revolta, e nas últimas páginas isso é descrito de forma tão clichê e previsível que isso só aumenta nossa frustração.


Mesmo com o ótimo acabamento interno (com uma letra de tamanho agradável e com bons espaçamentos e margens) o livro não encoraja o leitor para lê-lo rapidamente. Pelo contrário, enquanto o lemos temos a impressão de que, quanto mais demorada for a leitura, melhor será, pois assim não nos decepcionaremos tantas vezes seguidas com os rumos tomados pela história. Adeus à Inocência, que a princípio parecia ser um ótimo drama de superação, se desenvolve se tornando um livro excessivamente cansativo e monótono, daqueles que dificilmente atrairão o leitor para uma leitura do começo ao fim.  








Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


14 comentários:

  1. Pelo enredo, temos essa ideia de que é mesmo um livro para reflexão e pareceu bem interessante. Acho muito ruim não haver aprofundação na personalidade dos personagens e na estória, como você comentou. Esse livro não me interessou por enquanto, principalmente por ser bem monótono, mas quem sabe eu mude de ideia rsrs

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  2. Oi Matheus, tudo bem?


    Essa, por incrível que pareça, é a primeira resenha que vi comentando sobre defeitos na obra. Normalmente as pessoas gostaram dela. Mas cada um com o seu ponto de vista, e respeito profundamente o seu, tanto que contou para a minha vontade de ler a obra. Ela diminuiu uns 10%, mas ainda sinto muita vontade de ler, para que eu possa fazer um julgamento ideal sobre. Mas adorei a sua resenha, e ela me serviu para não criar tanta expectativa.


    Abr.

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  3. senti que a autora quis fazer uma história de escolhas erradas e
    renascimento e acabou se perdendo no próprio enredo. fiquei um pouco sem
    entender o x da questão livro. tipo, passividade assim em uma
    personagem? não senti vontade de correr e ler logo que ó
    maravilha. não me atraiu =/ a capa é muito bonita, uma pena a autora não
    ter segurado uma história que tinha tudo pra ser boa.

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  4. Essa é uma daquelas histórias que a gente lê e pensa, poxa poderia ser melhor aproveitada, melhor escrita; pois o assunto abordado é bem complexo e que daria para fazer os leitores se emocionarem, envolverem, se sentirem iguais aos personagens.
    Gosto de ler resenhas sinceras assim.
    Um beijo

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  5. Já li outras resenhas do livro e que concordam com o que você escreveu, eu ainda não li o livro e não posso dar minha sincera opinião, mas posso dizer o que sinto superficialmente, quando eu vi o livro quis lê-lo, achei que seria uma mega história, que envolveria muitos momentos de reflexão, que envolveria o leitor e deixaria aquele gostinho de história que acrescentou algo em sua vida, na verdade, acho que "todo mundo" que quis ler este livro pensou assim, mas não custa ressaltar a minha decepção, pois agora já não sinto vontade de ler o livro. =(

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  6. Esse livro sempre me chamou a atenção, e sempre acabei desistindo, uma história que tinha tudo para ser um livro perfeito acabou se tornando mediana, a autora abordou temas interessantes só não desenvolveu bem o que é o mais comum, talvez a sequência de erros de Madora seja por ela estar apaixonada demais, cega demais.
    Enfim tomará que a Drusilla amadureça a escrita e os personagens dos próximos livros para que possamos mergulhar e nos identificar com cada um deles.

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  7. Comecei a ler a resenha achando que o livro seria ótimo, porque a história em si parece ser muito boa, mas quando cheguei na metade percebi que estava enganada, fiquei triste em saber que uma história que poderia ser tão boa não foi tão bem construída. Quando eu vi que o final foi decepcionante, morguei totalmente com a leitura, pois o final geralmente me faz decidir o que eu achei da leitura, e se o final não é bom, é capaz de eu detestar o livro todinho só por causa das últimas páginas.
    Desejo sorte à autora, que ela consiga aprender com seus erros e melhore nos próximos projetos e livros.
    Beijos!

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  8. Giovanna Territsen1 de abril de 2014 01:29

    Realmente uma pena, pois quando li pela primeira vez a sinopse achei que seria muito bom. Não esperava que fosse tão rasa a descrição das personagens e que o final seria frustrante :(

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  9. matheus_spereira6 de abril de 2014 00:04

    Olha, se você se sentir interessada em ler o livro, vá em frente! Essa resenha só serviu para eu mostrar minha opinião, e não para desencorajar futuros leitores huehue
    Mas não criar grandes expectativas sobre o livro pode te ajudar hahaha

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  10. matheus_spereira6 de abril de 2014 00:08

    Sim! A capa é bonita, mas a história em si não é tão boa quanto... :/

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  11. sidnei luis fermino30 de abril de 2014 06:08

    Oi adorei sua resenha!.. muito obrigado, me fez se interessar pelo livro....mas vc já leu o livro reverso escrito pelo autor Darlei... se trata de um livro arrebatador...ele coloca em cheque os maiores dogmas religiosos de todos os tempos.....e ainda inverte de forma brutal as teorias cientificas usando dilemas fantásticos; Além de revelar verdades sobre Jesus jamais mencionados na história.....acesse o link da livraria cultura e digite reverso...a capa do livro é linda ela traz o universo de fundo..abraços. www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?

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  12. Também espero ler próximos (e bons) livros da Drusilla... :/

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  13. Quando vi a resenha do livro pensei justamente isso: um livro para refletir. Mas como você pode perceber, não foi bem isso que encontrei no livro... :|

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  14. Olha, eu nunca passei por essa de odiar um livro todo só pelo final. Na maioria das vezes avalio o livro como um todo, e mesmo que o final me decepcione sempre penso sobre as outras partes boas que li...
    Mas enfim, em Adeus à Inocência não foi só o final que me fez desgostar do livro, a história inteira fez com que eu desgostasse dele. :/

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