postado por Matheus em 03 março 2014

Resenha | O Exorcista

Autor: William Peter Blatty
Editora: Agir
Páginas: 336
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Sinopse

Nos Estados Unidos da América, algo muito estranho acontece. Atingida por uma doença que os melhores especialistas não conseguem descobrir, uma criança caminha para a morte, semeando a destruição à sua volta, ao mesmo tempo que se vai apagando numa agonia atroz.





Resenha

Certa vez li em algum lugar que apreciar obras de terror é como sentir prazer no próprio sofrimento. Pensando nessa afirmação ignorante mais a fundo podemos notar que ela não está de toda errada. Obras de terror são consideradas boas quando conseguem nos apavorar, aterrorizar ou, até mesmo, nos traumatizar. E isso, de certa forma, é um sofrimento. Mas para aqueles que gostam de obras de horror esse “sofrimento” é necessário para que a obra se torne boa, para que ela passe medo. Vendo desse ponto de vista, O Exorcista é a melhor obra para sofrer ao extremo, mas ainda assim se sentir extasiado com esse sofrimento.
“Porque eu acho que a crença em Deus não é uma questão de razão; acredito que é, no fundo, uma questão de amor: de aceitarmos a possibilidade de que Deus possa nos amar.”
Pág. 304


Chris MacNeil é uma bem sucedida atriz, agora trabalhando no seu mais novo filme, dirigido pelo seu amigo Burke Dennings. Ela levava uma vida feliz em Georgetown, junto com sua adorável filha Regan MacNeil. Divorciada, decidiu não casar novamente, focando assim mais no seu trabalho e na sua filha. Tudo corria bem em sua vida, mas não ficou assim para sempre. Aos poucos Chris começa a notar o comportamento estranho de sua filha: primeiro amigos imaginários; depois acontecimentos estranhos em seu quarto; em pouco tempo depois palavrões e um jeito de falar extremamente chulo. Como aquilo não era de costume de sua filha, Chris logo decide levá-la a médicos especializados para saber o que realmente está acontecendo com ela. À medida que o tempo passa a condição de sua filha vai piorando, chegando ao ponto de se tornar assustador!
Com isso, Chris vê uma reviravolta em sua vida. O grande tempo que dedicava ao trabalho não existia mais, dedicando assim todo o seu tempo à sua filha. As condições pioram quando o diretor do filme em que atuava, Dennings, morre misteriosamente perto à casa de Chris. Procurando os médicos mais especializados para tratar de sua filha, nenhum deles consegue formular uma tese para o que está acontecendo com Regan. Na sua maioria, dizem que são transtornos psicológicos, de dupla personalidade ou algo do tipo. A causa poderia muito facilmente ser o sentimento de culpa em relação ao divórcio dos pais. Com um forte tratamento à base de altas doses de remédio, Chris percebe que o estado de sua filha não aparenta melhorias. Pelo contrário, cada vez mais as coisas pioram, com acontecimentos sobrenaturais cada vez mais frequentes e com uma personalidade que cada vez mais se distancia do que Regan realmente era. Apavorada com o estado de sua filha e preocupada em relação com a sua saúde, Chris decide tomar uma atitude extrema. Procurar um exorcista.
Não muito longe de sua casa morava Damien Karras, um padre professor na universidade da cidade. Chris achou que ele seria uma boa escolha para realizar o exorcismo, e por isso decide procura-lo para contar o caso. Karras logo diz que a possessão é algo impossível, inexistente, mas a medida que vai estudando Regan, tentando achar uma explicação médica para sua situação, ele percebe que a possessão é a explicação mais aparente. Decidido a convencer a Igreja Católica a realizar o exorcismo Karras segue por uma jornada dolorosa e assustadora, mostrando assim até onde pode ir sua fé e a de Chris MacNeil. 

Podendo sim ser considerada uma obra macabra a verdadeira intenção de O Exorcista não é apenas polemizar, é mostrar o que a falta de fé de alguém pode causar. E isso não é só demonstrado através da apavorante possessão de Regan, mas também de outros poderosos fatores. É fácil perceber a decadência na fé do padre Karras depois da morte de sua mãe, a qual ele “abandonou” para poder seguir com sua carreira de padre. A falta de um sentido na vida de Chris também lhe trás grandes problemas, e o fato de ser ateia agrava em mais transtornos quando percebe que sua filha está possuída.
Todos esses fatores capazes de nos fazer pensar são magistralmente construídos pelo William Peter Blatty. Há certas passagens com tom de sermão que são capazes de nos arrepiar! Não pelo medo, mas pela magnificência de suas palavras. Mas é óbvio, o que chama toda atenção no livro são as passagens assustadoras. E põe assustadoras nisso!
Antes de tudo, é bom avisar que, antes de todo o terror aparecer, há toda uma explicação para aquilo, todo um desenvolvimento minuciosamente descrito, algo que impede de que as partes de terror soem supérfluas ou desnecessárias. Além de não serem nem um pouco desnecessárias essas partes tem um poder imenso em nossas mentes. A forma com que Blatty escreve faz com que nada fique completamente explícito, todo o terror extremo que sentimos vem principalmente de nosso subconsciente, fazendo nossa imaginação voar longe pensando em todas as formas possíveis de aquelas profanações acontecerem. O longo clímax final, onde enfim o exorcismo é realizado, é de apavorar qualquer um e também é capaz de fazer até mesmo nossas almas arrepiarem com o desfecho tomado!
É fato que todo mundo tem conhecimento do filme homônimo, aquele antigo, de 1973. Roteirizado pelo próprio William Peter Blatty (algo que fez com que o filme ficasse bem fiel ao livro) o filme é, sem sombra de dúvida, fantástico. Mas àqueles que já assistiram ao filme (e também àqueles que querem distância do mesmo) o livro traz bons motivos para lê-lo. Por mais que o terror transpassado pelo filme seja estupendo e que ele também aborde fielmente a falta de fé dos personagens, no livro tudo isso é mais elevado! A falta de fé é o ponto central do livro, enquanto as passagens assustadoras servem como um contraponto para que a emoção apareça. Além disso, o filme excluiu uma “sub-história” muito interessante do livro: a morte de Dennings. Algo que pode ser explicado quando se leva em consideração a complexidade com que o filme seria desenvolvido, podendo resultar num filme lento e muito complexo. Enfim, esse é apenas outro motivo para se ler O Exorcista o quanto antes!

Lançado no ano de 1972 aqui pelo Brasil, no ano passado a editora Agir teve a bondade de lançar uma edição especial pelo 40º aniversário do filme. E melhor: essa edição conta com um capítulo inédito! Mudando também de capa (as edições anteriores focavam em imagens um tanto satânicas) essa capa é, no mínimo, perfeita! Retirada de uma das cenas do filme, essa fotografia é capaz de nos incitar e de aguçar os mais profundos medos de nosso subconsciente! Internamente o livro também continua muito bem, com um bom tamanho da fonte e boas margens. Talvez o livro só peque pelo tamanho dos capítulos, todos bem grandes. Isso não se torna um empecilho à leitura quando estamos tão absolvidos pela história.

Um devido clássico do gênero O Exorcista é um livro divisor de águas. Se ele choca por todas as profanações que podem ser lidas, ele também causa grandes pensamentos com a ótima ideia central da perda da fé. Antes de se aventurar pelas angustiantes e aterrorizantes páginas de O Exorcista é necessário se soltar de todos os seus medos e também não lê-lo como algo verdadeiramente profano à sua religião. É só assim que é possível aproveitar ao máximo essa obra-prima aterrorizante da literatura de horror.
“[...] costumo ver a possessão nas coisas pequenas, Damien. Nas picuinhas e nos desentendimentos; na palavra cruel e cortante que salta livre à língua entre amigos. Entre namorados. Entre marido e mulher. Temos muito disso e não precisamos de Satanás para criar nossas guerras. Conseguimos criá-las sozinhos... Sozinhos.”
Pág. 305


Avaliação:






Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


12 comentários:

  1. Matheus como vc foi cruel comigo, fazer resenha de O Exorcista?!! esse foi livro/filme responsável por me fazer covarde em livros e filmes com esse tema, li ainda no colégio e passei um mês sem dormir direito, fui pagar de corajosa e ver o filme, aí me lasquei todinha. rsrs é tenso, impressiona e mete medo mesmo. como encarar o demônio dentro do corpo da sua filhinha? eu enm vou falar muito, pq nesse exato momento que escrevo, estou sozinha em casa e estou começando a ficar com medo kkkkkk! bj!

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  2. Oi Matheus, olha ver o filme já me impressionou e muito, não sei se conseguiria ler o livro, pelo menos neste momento.
    Bjs, Rose.

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  3. Definitivamente esse livro é um clássico do terror, assim como alguns livros do Stephen King, só assisti a adaptação, nunca li o livro, não sabia da história de Dennings, que a mãe da Regan havia se mudado para trabalhar com ele.

    O mais curioso é que mesmo depois de tantos anos essa obra continua atual, capaz de nos apavorar, mexer de verdade com nossas crenças, isso que torna um livro memorável a qualidade e O Exorcista tem de sobra, além é claro de um enredo bem desenvolvido, personagens marcantes e pelo que li na sua resenha um final digno!

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  4. Eu não sou muito fã de livros e filmes de terror, então esse não foi uma das melhores resenhas que já li. Você escreveu muito bem, e convenceria qualquer leitor que gosta desse gênero na terceira linha... Mas não foi o meu caso. Por mais que seja um clássico, não me agrada. Mas de qualquer forma, parabéns pela resenha.

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  5. adriana wolf bastos11 de março de 2014 11:24

    Adoro filmes e livros com essa temática! Adorei o filme quando vi...realmente assutador..
    imagino ler esse livro...quantas coisas passam pelo nossa cabeça...ainda mais lendo antes de dormir!rsrsrs
    Adorei sua resenha...muito bem escrita e nos deixa com mais vontade de ler esse livro...
    sem falar na capa né...maravilhosa!

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  6. Concordo que os melhores filmes/livros de terror são aqueles que conseguem assustar bastante e gostei e saber que este causa este efeito. Está na minha lista e pretendo ler em breve, acho o enredo bem interessante, por abordar esse assunto que pode ser considerado polêmico. Achei interessante você ter comentado que o livro possui o tema ainda mais elevado, parece ser melhor ainda que o filme! :)

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  7. Sempre imaginei que o filme não era baseado no livro. Aliás, não imaginava que existia esse livro, mas agora que sei, quero lê-lo muito em breve. Lembro-me que assisti o filme no início da minha adolescência, e passei várias semanas com medo de tudo. kkkkkkk
    Essa capa está perfeita, e tenho certeza que a história deve ser bem melhor do que o filme. Afinal, ele é bem mais detalhado e embasado. Já o coloquei na minha lista de próximas aquisições.

    @_Dom_Dom

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  8. Nunca tive coragem de assistir o filme (sim, sou muito medrosa) e não fazia ideia que tinha o livro O.o
    A introdução foi maravilhosa, muito criativa, mas a temática do livro não desperta interesses.
    Beijocas ^^

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  9. Um clássico, vi o filme, não me lembro se todo ele ou na sua maioria. Mas confesso que não leria o livro, pois como vc disse o filme é fiel ao livro, mas o livro é mais impactante e me faz fixar mais a história. Morro de medo. Muito boa a resenha.
    Um beijo

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  10. Acho que sou uma das poucas pessoas que ainda não assistiu esse filme, e nem sabia que era baseado em um livro. Essa história parece ser bem polêmica e assustadora, o que me fizeram ficar bastante curiosa para conhecê-la. Meu pai nunca me deixou assistir o filme pois sempre disse ser assustador demais para minha idade, mas agora que cresci sempre esqueço de assisti-lo.
    Não gosto de livros que são profanos à minha religião, mas se essa é uma obra que trata de fé de uma maneira diferente, sem o objetivo de "atacar" os meus princípios e a minha fé, acho que é uma leitura super válida.
    Vou confessar que fiquei com muita vontade de ler esse livro, e que ele entrou para minha lista de desejados.
    Beijos!

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  11. Eu morro de medo dessas coisas, só de começar a ler a sinopse já fiquei arrepiada, hahah. Eu nunca tive coragem de assistir ao filme, e não sabia da existência do livro, que provavelmente não vou ter coragem de ler também. Não gosto de ver pessoas sofrendo a este ponto, extremo como você colocou, simplesmente não consigo sentir este "prazer" em ver algo ou alguém ser destruído tanto por fora quanto por dentro. Mas cada um cada um e respeito. =)

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  12. Giovanna Territsen26 de março de 2014 04:10

    claaasico que adoro no cinema, mas ainda não tive a oportunidade de poder ler o livro. Sensacional sua frase introdutoria e mais sensacional ainda para mim é a questão de nos fazer refletir quanto a tantos dogmas impostos.

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