postado por Funs Hunter em 21 abril 2014

Resenha | Segunda Sombria

Autor: Nicci French
Editora: Record
Páginas: 336
Skoob
Compre

Sinopse: Quando o pequeno Matthew Faraday é raptado e sua foto estampa as páginas dos jornais, Frieda Klein se vê diante de um dilema: as fotografias na imprensa correspondem perfeitamente ao menino que, há algum tempo, habita os sonhos de um de seus pacientes. Hesitante, ela procura o investigador Karlsson, que não leva suas suspeitas a sério. Porém, ao encontrar uma ligação com um sequestro ocorrido há vinte anos, Frieda se vê no meio de uma corrida contra o tempo para salvar Matthew, uma busca em que desvendar os labirintos da mente torna-se mais importante do que encontrar evidências concretas.





A mente humana é algo que beira o insano! A todo instante estamos pensando em algo, bom ou ruim, saudável ou perigoso: é infinito o número de situações que nossa mente pode imaginar! Por mais que esse grande labirinto que é a mente humana seja algo tão fantástico, para se falar em um livro ficcional são poucas as vezes que conseguimos encontrar um livro que dá a devida atenção a esse aspecto da história. Em suspenses policiais muitas vezes a psique humana é abertamente esclarecida; e isso é algo mais que necessário, já que em um livro do gênero é preciso ter a descrição dessa psique para que a história não soe artificial. Ainda assim, poucos livros do tipo utilizam tão genialmente da mente humana quanto Segunda Sombria, um thriller eletrizante e inteligente, que não desperdiça nenhuma de suas 336 páginas enquanto conta a tensa história de Frieda Klein.

-A confusão dentro da mente de uma pessoa não é algo muito seguro [...]

Pág. 133


Psicóloga renomada e um tanto “odiada” por seus colegas de trabalho, Frieda leva uma vida solitária e sem grandes esperanças e planos para o futuro. Ela apenas vai deixando passar cada momento, cada paciente, cada minuto de sua vida... Aos poucos essa sua rotina monótona muda, e isso começa com o desaparecimento de Matthew Faraday, uma indefesa criança que desapareceu depois que saiu da escola. Frieda se vê enredada nesse desaparecimento a partir do momento que nota que a aparência do jovem Matthew é praticamente idêntica à aparência da criança que ronda os constantes sonhos de um de seus pacientes, Alan Dekker.
Alan é um adulto perturbado por sua própria mente. Devido a problemas psicólogos ele duvida que esteja vivendo sua própria vida, isso sem contar no seu medo em falar da própria família. Ainda assim, ele guarda consigo e com sua esposa o desejo de ter um filho, mas um filho biológico, e não adotivo. Aos poucos ele vai abrindo sua mente à Frieda, e inclusive conta sobre seus sonhos com o filho ideal. Seria algo normal de uma psicóloga ouvir, isso se a descrição desse “filho ideal” não se comparasse com as fotografias do desaparecido Matthew.
Mesmo com receios, Frieda se vê obrigada a ir à polícia e contar a eles os sonhos de seu paciente. À primeira vista, o investigador Karlsson enxerga a opinião de Frieda como algo surreal, impossível. Mas aos poucos ela consegue convencê-lo de que há algo de real em tudo isso. Frieda e Karlsson começam a desconfiar ainda mais desses sonhos de Alan ao ligar o caso de Matthew com o de Joanna, desaparecida há 20 anos, na época também criança; um caso nunca resolvido. Assim, Frieda se vê no meio de toda essa investigação como a única que pode desvendar tudo aquilo que se passa na mente do suspeito Alan, podendo descobrir seus segredos e seus medos, podendo levá-la assim a provas concretas sobre o caso. Mas será que Frieda está preparada para desvendar tudo o que se passava na mente de Alan? Será que ela está preparada para a verdade?

-Todo mundo precisa ter segredos. Mesmo nos relacionamentos mais íntimos. As pessoas precisam de seu próprio espaço.
Pág. 274

Nicci French é o pseudônimo de Nicci Gerrard e Sean French, um casal de jornalistas que moram na Inglaterra. Está aí outro grande mérito de Segunda Sombria. Mesmo com uma história tão tensa e com tantos detalhes, a dupla de escritores nunca perde a mão, conseguindo criar uma história magistralmente desenvolvida e cheia de tensão. Exceto pelo final, não há pontas soltas, não existem detalhes mal explicados, tudo é fielmente descrito. Cabe ao leitor decifrar tudo o que é descrito no livro, pois nada é completamente explícito.
Isso também é algo muito bom para um livro policial! É decepcionante ler um livro do gênero em que tudo é altamente explicativo, detalhe por detalhe. Com isso, o livro não deixa espaço para o leitor pensar e raciocinar sobre a história; e ler um livro de suspense em que não é necessário pensar é algo de muito fútil. Até mesmo o final (e que final!) não é completamente explicado. É tudo contado, mas os pontos mais importantes são deixados em branco para que o próprio leitor tire suas conclusões.

Esse final se mostra ainda melhor sabendo que o livro é o primeiro de uma série (série essa que ainda não possui continuação publicada no Brasil). Sendo assim, esse final não explicativo soa perfeito para uma futura continuação, onde então tudo pode ser futuramente explicado. Mas não pensem que só porque o final deixa pontas soltas ele é decepcionante. Pelo contrário, algumas revelações feitas nas páginas finais (depois que tudo parece ter sido contado) são de arrepiar!
Segunda Sombria é um magnífico exemplo de como as últimas 10 páginas de um livro podem mudar drasticamente todo o rumo da história!

Seria um pecado imperdoável fazer uma resenha desse livro sem dar a devida atenção à grande descrição psíquica que é feita dos personagens. A dupla de escritores consegue descrever os mais profundos segredos da mente de cada personagem de forma altamente atraente, captando nossa atenção a cada palavra que sai de suas bocas. Ainda é mais incrível perceber que, por mais estranhos que sejam os pensamentos dos personagens, todos eles tem muito a nos contar sobre o desenvolvimento da história em si.

-Somos uma bela coleção de pessoas abandonadas e desajustadas.

Pág. 326

Com uma capa de dar inveja a qualquer outro livro (é praticamente perfeita a fotografia desfocada e sombria da capa) o interior do livro pode nos desagradar um pouco com sua fonte de tamanho pequeno. Mas isso não se torna um empecilho quando estamos tão vidrados com a história em si! Até mesmo a contracapa do livro é perfeita, mostrando uma belíssima fotografia de uma sombria e atraente Londres. Tudo conspira para uma leitura próxima.

O mundo é um lugar desorganizado e imprevisível.

Pág. 83

São pouquíssimas as passagens desinteressantes do livro. E mesmo quando elas aparecem é fácil passar por elas, pois sabemos que logo à frente haverá mais e mais emoção e suspense. Com tudo isso em mente, é difícil esperar algo ruim de Segunda Sombria! E é ainda mais difícil se decepcionar depois da leitura, pois a genialidade observada na escrita de Nicci French torna isso praticamente impossível.

É incrível como uma pessoa pode fingir que tudo está normal quando não está.

Pág. 162









Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


13 comentários:

  1. Gente, que resenha!! Nunca me senti tão incitada a ler uma obra como me senti agora. Não sei se foi a forma como o Matheus falou sobre ele ou se é o meu amor por livros de suspendes policiais. Simplesmente amei. Fiquei muito apaixonada para ler esse livro.

    Espero ter a oportunidade em breve.

    ResponderExcluir
  2. que livro é esse!!! fiquei tensa só lendo a resenha! é um intrincado de suspense psicológico muito bem feito, esse lance da criança, é demais! a personagem me pareceu inteligente e focada, é um alívio saber que o livro não tem brecha pra ser cansativo. fiquei empolgada em ler o livro! adorei a resenha Matheus!

    ResponderExcluir
  3. O Matheus, muito boa resenha, deu pra ver que gostou do livro e me cativou a ler. Gosto de um suspense bem escrito com personagens inteligentes e envolventes, igual a Frieda. Já anotei aqui na minha listinha de desejados.
    Um beijo

    ResponderExcluir
  4. mirelle soares gomes24 de abril de 2014 12:50

    Wool que livro é esse... amo livros com tipo literário de suspense <3 são minhas paixões, ainda não conhecia este livro adorei a resenha.... simplesmente quero le-lo agora e desvendar tudo... saber cada detalhe é pretendo mi surpreender com o livro *--*

    ResponderExcluir
  5. Ainda não conhecia este livro mas achei bem interessante, adoro policiais e este parece ser cheio de mistério e suspense. Nunca li nada onde a personagem principal é uma psicóloga e gostei muito de saber que é traçado um perfil para cada personagem, isso deve nos permitir entrar totalmente na estória e conhecer cada um bem. Fiquei curiosa para saber como será desvendado este mistério! :)

    ResponderExcluir
  6. Primeira vez que leio algo a respeito desse livro. E gostei muito do que li aqui. Uma trama bem elaborada e cheia de mistério é uma boa pedida pra aqueles momentos de friozinho à noite. quero ler este logo. Obrigada pela dica e resenha. Beijos.

    ResponderExcluir
  7. Tua resenha conseguiu me fazer querer desesperadamente ler esse livro. Gosto de thrillers policiais, e sempre fico imaginando um enredo cinematográfico para eles. A história do livro me cativou, e só a sinopse dele conseguiu me deixar sem fôlego. Com certeza entrará pra minha wishlit.

    ResponderExcluir
  8. Matheus!
    Livros policiais já são bons por natureza e quando envolvem psicologia, mistério e uma trama bem escrita, nos torna curiosos pela leitura e por desvendar tudo que tem por trás das palavras do livro.
    cheirinhos
    Rudy

    ResponderExcluir
  9. Ainda não conhecia este livro mas achei bem interessante, adoro policiais e este parece ser cheio de mistério e suspense.

    ResponderExcluir
  10. Amo uma boa história policial, o livro parece ser ótimo, fiquei bastante interessada em ler!

    ResponderExcluir
  11. Caramba adorei a resenha.
    Quando vi o tamanho desanimei, mas assim comecei a ler cara, não consegui parar. Se o livro for da mesma forma vai ser incrível ler algo assim.
    Eu acho sensacional quando o livro é escrito a duas mentes, acho invejável a forma como conseguem formar uma linha de pensamento único e interligado.
    E adoro ainda mais quando esse livro é sobre a psique humana, já li livros deste tipo e sempre me apaixono pelos personagens, acho que uma história policial bem escrita deixa um pouquinho de cada personagem no leitor. Sou meio do contra e sempre acabo torcendo pelo criminoso, (risos) não que seja a favor do crime, simplesmente entendo que a mente perturbada do mesmo o redime dos atos cruéis.
    Agora sobre a capa, sempre que leio o titulo sai Segunda Sombra, e até imaginava um enredo para esse titulo, nunca havia notado que era sombria e não sombra. (risos)
    Parabéns pela excelente resenha.

    ResponderExcluir
  12. Letícia Rodrigues24 de agosto de 2014 18:19

    Não curto muito livros assim, mas esse me despertou interesse.

    ResponderExcluir
  13. Acho que o livro é o formato perfeito para suspenses psicológicos, porque os filmes muitas vezes se tornam confusos na tentativa de estruturar uma narrativa tensa e intrincada de detalhes. Adorei a proposta desse livro, é bem instigante e um pouco assustadora. kk

    Abraços, Mallú Ferreira
    semclichesporfavor.blogspot.com

    ResponderExcluir