postado por Matheus em 20 junho 2014

Resenha | O Último Ponto

Autor: Edson Monteiro
Editora: Novo Século
Páginas: 144
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Sinopse
UMA SÁBIA COMPETIÇÃO, MUITO ALÉM DAS CARTAS Orquestras, bailes, danças, jogos. Este ciclo já faz parte da incrível jornada do brasileiro Juan Carlo, e da do argentino Jean Lucka. Ainda mais quando os dois, após terem ganhado um bom dinheiro em um cassino de Buenos Aires, acabam parando em um transatlântico que parte da capital portenha em direção à Barcelona. Porém, durante esta tumultuada viagem, que parece ter surgido por força do destino, acabam descobrindo que amam a mesma mulher. É o que faltava para protagonizarem um duelo entre razão (Jean) e a emoção (Juan)! E eis que essas duas naturezas opostas resolvem travar uma disputa inteligente, que poderá marcar a vida deles para sempre. Quem sairá vencedor deste triângulo amoroso? E a quem Katharine entregará seu legítimo amor?


Resenha

Qual é o mais importante na vida: a razão ou a emoção? Há quem defenda que a razão é o mais importante, sendo que é pela razão que sabemos o que é certo e o que realmente deve ser feito em nossas vidas. Mas há aqueles que dizem que o importante mesmo é agir pela emoção, pois somente assim aproveitaremos a vida por completo. Esse era o dilema enfrentado por Juan e Jean, dois amigos que ganhavam a vida em jogos de cassino. Rapidamente a história de O Último Ponto se desenvolve, e mesmo que o livro não seja memorável ele consegue ser agradável, não decepcionando ninguém ao final. Isso porque ele nunca faz com que criemos grandes expectativas, sendo esse o grande trunfo do livro.


Juan Carlo é um brasileiro movido pela ideia de que para viver tudo o que se precisa é de emoção e de amor. Já Jean Lucka, um grande amigo argentino de Juan, é convicto com sua ideia de que o certo é levar a vida pelo lado racional, nunca deixando o lado emocional falar mais alto. Mesmo com essa grande discordância no pensamento dos dois, eles são grandes amigos, e ganham suas vidas formando o par perfeito em cassinos. Depois de ganharem uma grande bolada em dinheiro os dois tem uma briga, o que dificilmente ocorria. O lado emocional de Juan e o racional de Jean se contradizem e a briga acaba com a amizade dos dois.
Pouco tempo depois, Juan decide embarcar num luxuoso cruzeiro, mas mal sabia ele que seu ex-amigo Jean trabalhava nesse cruzeiro, contratado pelo Sr. Manzon, um homem marcado por sua tirania e ambição. Durante a longa viagem, Juan se vê apaixonado pela bela Katharine, uma linda mulher que também se sente atraída por Juan. O relacionamento entre os dois vai aumentando, mas então quando isso chega aos ouvidos do pai de Katharine, que é ninguém mais ninguém menos que Manzon, ele fica furioso com isso. Mantendo a ideia de que sua família sempre foi de classe, Manzon não aceita que sua filha se envolva com um pé rapado do nível de Juan. O relacionamento entre os dois piora quando Jean também se vê atraído por Katharine, criando assim um tenso triângulo amoroso. Nesse caso, será a razão ou a emoção capaz de conquistar o verdadeiro amor de Katharine?
“[...] não importa em que contexto você, meu filho, esteja inserido, procure sempre o caminho que lhe traga paz e felicidade. Isso, sim, importa.”
Pág. 14

Com uma história que transcorre em curtas e rápidas 140 páginas, O Último Ponto se desenvolve admitindo ser um livro simples, sem nenhuma história mirabolante nem nada. Com isso em mente Edson Monteiro escreve sua história de forma sincera. Ele não exagera em passagens de ação com tiroteios, mortes e sangues; muito pelo contrário, o grande destaque de sua história são os diálogos, todos muito bem introduzidos na história e sempre que possível passando lições de moral.
Esses diálogos são sempre muito bem escritos. Quando ditos por Juan eles costumeiramente dizem sobre a importância de aproveitar o agora, seguindo aquilo que suas emoções dizem. Já quando a fala vem de Jean sempre há algo relacionado à sua forma racional de pensar, dizendo que não importa o momento, sempre é necessário agir seguindo a razão. Com isso, sempre há alguns bons debates sobre qual é o mais importante na vida.
Ainda assim, para muitos leitores, o tom “lição de moral” que muitos desses diálogos passam pode soar cansativo. De fato, há passagens em que aparecem tantos diálogos nesse estilo que se tornam cansativas. Mas, na grande maioria das vezes, essas lições de vida aparecem moderadamente, não se tornando assim um grande empecilho na leitura.
Um pequeno (e bobo) detalhe que pode se tornar um problema na leitura é a confusão que pode ser feita com os nomes dos personagens. Como o nome dos dois protagonistas são excessivamente semelhantes é bem provável que, durante a leitura, seja necessário voltar à contracapa do livro para poder diferenciar qual é o Juan e qual é o Jean. Ressalto a ideia de que é um problema bobo, mas que pode afetar diversos leitores.

Fisicamente, em nenhum quesito o livro torna a leitura cansativa. A fonte é de bom tamanho, as margens também são boas e os capítulos sempre bem medidos. A capa, por mais simplória que seja, é bem feita e condiz com a história (essa qualidade eu já pude observar em O Advogado da Vida, outro livro da coleção Novos Talentos da Literatura Brasileira, da editora Novo Século). Resumindo, o livro é muito bom no quesito visual.

No final das contas, é bom reafirmar, O Último Ponto se mostra um livro agradável, mas não memorável. Se ele acerta em desenvolver sua história sempre na mesma linha simples, sem grandiosas aventuras, ele peca por não conseguir passar ao leitor grandes emoções. O final do livro mostra esse pró e contra muito bem. Não há nada de impactante, mas alguém esperava por um final de arrepiar sendo que a história do livro em momento algum dava indícios de mostrar uma grande aventura?
“Temos a capacidade de magoar as pessoas que amamos mesmo sem querer, pois esperamos que as pessoas se comportem como gostaríamos e nem sempre isso é possível. Temos que respeitar as diferenças. É a primeira forma de amor.”
Pág. 58


Avaliação:







Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


7 comentários:

  1. A ideia de colocar os protagonistas amigos, com estilos de vida completamente opostos, é muito boa. Pena que, em alguns momentos, ele se torne cansativo devido ao tom "lição de moral" nesse diálogos mais "cabeça". Confesso que não foi um livro que me chamou tanta atenção, mas se ele aparecer nas minhas mão, eu o leio.

    @_Dom_Dom

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  2. hum. não é um livro que eu correira para ler, mesmo com ingredientes que eu gosto, não me veio nenhum carisma. achei a capa legal, esse lance de ser uma carta do baralho, ficou bacana. como eu disse, não seria um livro que eu leria agora, mas quem sabe, aparecendo oportunidade eu leio.

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  3. Eu gostei da história, gostei dos comentários positivos, gostei da capa, achei super interessante mesmo. Mas não sei. Alguma coisa me deixa com o pé atrás sobre esse livro. Eu leria, mesmo, para se chegasse até mim, eu não correria atrás da obra. Mas não sei.

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  4. Eu não conhecia o livro, muito menos o autor. Mas não faz muita diferença porque eu não gostei da premissa do livro. Algumas coisas nesse livro me deixaram receosa para lê-lo. Essa leitura eu passo.

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  5. Oie Matheus,
    Não sou amante de cartas e detesto "lições de moral" então não gostei do livro, embora pareça interessante para quem deseja descontrair e tolera as lições haha.
    Beijocas ^^

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  6. O livro em si não chama minha atenção, pois não curto jogos do genero, mas entendo o apelo que tem.
    Um livro que quer passar uma liçao de moral tem que ser bem escrito, não quye este não seja, mas a leitura tem que ser leve..se não fica chato.
    Eu passo, não me chama a tenção
    beijos.

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  7. Gostei muito da resenha, o enredo deste livro parece bom. Gostei de saber que a leitura não foi cansativa, apesar dos pontos negativos. Os personagens também parecem bem construídos.

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