postado por Matheus em 15 junho 2014

Resenha | The 100 - Os Escolhidos

Autor: Kass Morgan
Editora: Galera Record
Páginas: 288
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Sinopse
Desde a terrível guerra nuclear que assolou a Terra, a humanidade passou a viver em espaçonaves a milhares de quilômetros de seu planeta natal. Mas com uma população em crescimento e recursos se tornando escassos, governantes sabem que devem encontrar uma solução. Cem delinquentes juvenis — considerados gastos inúteis para a sociedade restrita — serão mandados em uma missão extremamente perigosa: recolonizar a Terra. Essa poderá ser a segunda chance da vida deles... ou uma missão suicida.




Resenha

Romances distópicos já estão se tornando, em certo ponto, cansativos. Não é difícil encontrar um novo livro com a mesma história “batida”: num mundo futuro as pessoas vivem em uma situação difícil, e a partir disso surge um casal “impossível” e uma história cheia de tensão e aventura. Isso não desmerece nenhum livro do tipo! É certo que cada um deles, mesmo sem uma história inovadora, tem uma boa dose de emoção para passar ao leitor. Com isso, é difícil encontrar um livro distópico que consiga mesclar a base “mais do mesmo” com um quê a mais, tornando-o assim realmente ótimo. Mesmo que The 100 - Os Escolhidos não seja genial, ele consegue cativar enormemente o leitor com sua ótima história, que consegue ministrar os clichês do gênero muito bem, não o tornando nem previsível nem cansativo.


A Terra já não é a mesma depois da terrível Guerra Nuclear, que acabou com tudo e todos. Melhor dizendo, com quase todos. Alguns conseguiram se safar, tendo que viver agora em espaçonaves alojadas a milhares e milhares de quilômetros de distância do planeta. Poucos pensaram nisso, mas era óbvio que a vida lá não seria possível para todo sempre. Começaram a racionar alimentos e água, mas nem isso poderá salvá-los do futuro iminente.
Para que a ordem se estabeleça na Colônia (nome dado à grandiosa espaçonave) uma espécie de democracia foi estabelecida. Segundo suas regras, aqueles que cometessem uma grave infração seriam mandados a julgamento, e lá poderiam ser perdoados ou mortos. Uma exceção era aberta para menores de idade, onde eles eram Confinados (mantidos presos) e, quando então completassem 18 anos, seriam levados a julgamento como qualquer um. No momento, há 100 Confinados na Colônia, entre eles Clarke (uma aprendiz de médica), Wells (filho do Chanceler, que é o “presidente” da Colônia), Glass (a típica menina apaixonada) e Octavia (irmã de Bellamy, sendo ela a única humana na Colônia a ter um irmão).
Quando o Chanceler e companhia começam a ter noção do futuro estado de calamidade em que estará a Colônia percebem que é necessário tomar uma decisão para salvar a vida da humanidade. Eles sabem que não é possível reverter o estado em que se encontra a espaçonave, e então eles começam a ter a Terra como uma opção plausível. Mas como saber se ela está apta a suportar a vida? Como saber se sumiram os resquícios de radiação?
A resposta para essas perguntas? Mandar os 100 detentos para lá, como cobaias! Com algumas reviravoltas, enfim todos eles são mandados a Terra, sem ter a mínima ideia do que encontrarão lá. A partir da chegada dos 100 na Terra pequenos desentendimentos surgem, romances afloram e manter a ordem não parece ser tão fácil. A partir daí uma grande aventura começa, mostrando-nos que não é tão fácil se manter a salvo quando não se sabe nada sobre onde você está.
Como ele tinha aprendido ainda jovem, se você quisesse que algo fosse feito, tinha que fazer por conta própria.
Pág. 106

É fácil notar a normalidade da trama. Nada escapa dos clichês já ditos de um romance distópico. Sendo assim, a escolha de Kass Morgan de não tentar fugir desses clichês é certeira. Ela faz justamente o contrário, assumindo os clichês da história, mas amenizando-os com uma ótima forma de narrativa.
Cada capítulo é contado a partir do ponto de vista de um dos quatro personagens principais (Clarke, Wells, Bellamy e Glass) e isso exclui qualquer chance do livro se tornar cansativo. Isso porque, nessa forma de narrativa, não ficamos presos em um único ponto de vista. Pelo contrário, ficamos cada vez mais extasiados com tudo o que acontece com os personagens, cada um vivendo uma aventura particular simultaneamente a grande aventura da sobrevivência.
Outro ponto positivo na escrita de Morgan é a forma como ela inclui os diversos flashbacks na história. Demarcados com uma fonte diferente, eles formam uma história de certo ponto “separada” do que está realmente acontecendo; uma história “bônus”. Todos os flashbacks são destinados a contar o que aconteceu a cada personagem para então serem Confinados, mostrando suas histórias de vidas de forma rápida e concisa, narrando apenas o necessário para saciar a curiosidade dos leitores em saber o que levou cada um deles ao Confinamento. 
No princípio, essa ótima forma de narração pode provocar alguns emaranhados na mente do leitor. São personagens demais, pontos de vistas diferentes demais, flashbacks demais: tudo conspirando para que o leitor possa se sentir confuso e em certo ponto até mesmo perdido na história. Mas isso não dura muito tempo, visto que não demora a se acostumarmos com esse tipo de escrita e então podermos desfrutar enormemente de todas as emoções que o livro transmite. E quantas emoções!
Para os românticos e românticas de plantão há duas histórias de amor distintas no livro, sendo um deles um triângulo amoroso (nada de anormal). Mas ainda assim eles são bem desenvolvidos, conseguindo mostrar os sentimentos dos personagens de forma bem humana e não dramática. Mas para aqueles que não estão à procura de beijos e abraços cheios de amor é óbvio que há uma enorme aventura à espera, esbanjando emoções distintas e extremas! O final é realmente inimaginável e fantástico, narrado de forma amena e não sensacionalista, mas ainda assim liberando um êxtase único ao leitor! Não é desnecessário dizer que uma ótima brecha foi deixada para a futura continuação (Day 21).

Num acabamento impecável, a única coisa a se reclamar no livro físico são alguns erros de digitação. Mesmo que não apareçam com frequência eles estão lá, não para atrapalhar a leitura, mas talvez para estorvar um possível leitor. O tamanho da fonte é ótimo e as margens são bem espaçadas, excluindo qualquer chance de cansaço; a capa completa perfeitamente o livro, com seu designer simples e suas imagens que dão uma ótima ideia da história que está por vir. (Também chama a atenção o detalhe fosco dado às partes coloridas da capa. Um detalhe bobo, mas interessante).

A sinopse de The 100 - Os Escolhidos não demonstra nenhuma história genial ou extremamente filosófica. Por isso, aqueles que o lerem esperando isso certamente se decepcionarão. Mas a qualquer um que esteja à procura de uma nova série literária emocionante e bem escrita este livro pode ser uma escolha magnífica. Sem nos deixar cansados, ele consegue mostrar uma história convincente e cheia de humanismo e emoção. Precisa de mais motivos para lê-lo?
-Pessoas boas podem cometer erros. [...] Isso não quer dizer que você deixa de se importar com elas.
Pág. 230-231

(Não sei se sabem ou não, mas há uma série baseada no livro, e pelo visto ela conseguiu levar todo o espírito do livro às telinhas. Em breve começarei a assisti-la; quem sabe não posto uma resenha dela por aqui...)


Avaliação:






Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


16 comentários:

  1. então Matheus, eu nunca fui muito fã de distopia, consegui ler mais livros com temas assim depois que li Divergente. a história de The 100 não me traz muita aquela vontade de sair correndo para ler, achei a sinopse interessante, no meio de uma concorrência grande, a autora soube dá um certo tom de novidade no enredo, jogar 100 adolescentes em mundo abandonado, sem um líder, sem nada?! confesso que fiquei curiosa. a capa é ok. aparecendo oportunidade, eu leio com certeza =)

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  2. Depois que eu li algumas resenhas sobre esse livro, fiquei super empolgada para ler. Adoro distopias e acredito que esse livro não irá me decepcionar. Mas, antes de começar a leitura, vou assistir um episódio da série só para me torturar mesmo e ficar com mais vontade de lê-lo rs

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  3. A história parece ser interessante, como a maioria das distopias que ando lendo. E por ser esse gênero, ele tem ganhado mais pontos comigo, porque ainda não me decepcionei com o gênero. Além de tudo, a autora deu uma inovada, por mais que seja pequena, mas deu. E a forma de usar flashbacks é interessante, mas espero que não confunda a leitura.


    Adorei o geral, espero poder ler em breve.

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  4. O fato de usarem clichês é que eles dão certo né? rsrs, eu não me interessei por esse livro, não apenas por ser distópico (não é meu gênero favorito), mas pelo fato de ter muitos personagens e o começo causar um certo emaranhado, minhas células cinzentas já estão embaralhadas por si só rsrs.
    Beijocas ^^

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  5. Eu adoro distopias. Atualmente são tantas por aí, que fica bem difícil não rolarem esses clichês do gênero. O legal é que a autora não tentou mascará-los e conseguiu através de uma narrativa interessante, construir uma bela história. Essa ideia de narrar através de quatro personagens também foi uma ideia certeira. Só sei que é mais uma distopia que entrou pra minha listinha de futuras leituras.

    @_Dom_Dom

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  6. Gosto muito de distopias e concordo que muitas tem a mesma fórmula. Gostei de saber que este conseguiu inovar um pouco, cativando o leitor. O enredo me pareceu bem interessante, fiquei curiosa e acho que leria também.

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  7. Distopias sempre são um prato cheio para novas histórias. E fico feliz por este ser uma boa opção de leitura. Gostei de conhecer o livro e espero conseguir ler logo. Beijos.

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  8. Sou apaixonada por distopias, é meu gênero preferido. Já ouvi falar muito sobre esse livro, e os comentários são sempre positivos. Não sei porque, mas a história do livro me lembra um pouco Brilho, talvez porque os dois se passem em espaçonaves. Nunca tive mesmo intenção de ler esse livro, talvez porque Brilho não me agradou muito e eu acabei associando os dois.

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  9. Matheus!
    Ficção é um dos meus gêneros favoritos e distopia ainda mais.
    Desde a primeira resenha que li desse livro, fiquei encantada com a história, espaço naves, outra realidade para terra e uma possibilidade da continuidade da raça humana é bem atraente.
    cheirinhos
    Rudy

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  10. Gosto muito de distopias e concordo que muitas tem a mesma fórmula. Gostei de saber que este conseguiu inovar um pouco, cativando o leitor.

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  11. Amo distopias, e essa não poderia faltar na minha estante. Conheci o livro através da série de tv. A série é muito boa, totalmente viciante, logo descobri que tinha o livro corri pra pesquisar e descobri que a história do livro e da série tem algumas diferenças. Mas como geralmente o livro é bem melhor que a adaptação, corri e comprei o livro, mas ainda não comecei a leitura estou dando um tempo pra não misturar as histórias. Acabei de assistir o fim da primeira temporada. Espero não me decepcionar com alguns pontos negativos que vi na resenha, pois tenho altas expectativas com esse livro, criados pela série, que é uma das melhores que tenho visto ultimamente. Recomendo!

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  12. Gosto muito de distopia, o livro parece ser ótimo, fiquei bastante interessada em ler!

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  13. Esse é um dos livros que mais desejo ler atualmente. Acompanho a série e já sou fã de carteirinha. Acho incrível quando vejo uma adaptação tão bem feita, mesmo com suas diferenças.
    Sobre o que disse sobre ser personagens e flashbacks demais acredito que isso enriquece a história, acho que Kass acertou em cheio com esse livro, pois, isso de apocalipse, sociedades destruídas e luta pela sobrevivência é o que os leitores atuais buscam, e quando você mescla diversos personagens e histórias diversas a narrativa permite que se aborde qualquer tema e qualquer situação.

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  14. Letícia Rodrigues21 de agosto de 2014 11:50

    Vejo muito falar neste livro, mas nunca tive vontade de ler. Mas um dia quem sabe, gostei da sua resenha.

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  15. Estava meio sem esperanças quando você começou dizendo que a autora utilizou-se dos clichês dos romances distópicos para caracterizar a narrativa. Não que os repudie, mas porque acredito que fazendo assim, o autor precisa dar um quê diferencial para tornar a obra atrativa. Mas ao ler que os capítulos são divididos pelos pontos de vista dos diferentes protagonistas levantou meu ânimo. Tá aí o diferencial! Alternar os pontos de vista de uma narrativa deixa ela bem mais rica, e até enriquece também a estratégia da autora de trabalhar em cima dos clichês.
    Apesar de parecer mais do mesmo, gostei muito da sinopse, quero muito ler The 100. Acredito que é porque curto muito distopias. Mas vou sentir falta do trabalho filosófico nessa leitura. Sou dessas que procura grandes morais nos livros. kk

    Abraços, Mallú Ferreira
    semclichesporfavor.blogspot.com

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  16. O livro em si não chama minha atenção..isso sempre acontece quando assisti um filme/serie que tenho livro, se comecei pelo filme/serie não consigo ler o livro, tenho que começar do livro rs.
    Mas apesar de ser cheio de cliches acho uma historia boa, nada surpreendente, mas bom, eu não vou ler o livro mas vou continuar acompanhando a serie.
    beijos.

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