postado por Matheus em 25 junho 2014

O Que Passou Por Meus Fones #41

Para o desespero da nação venho lhes informar que não, a coluna "O Que Passou Por Meus Fones" não acabou! Haha.
Depois de longos meses sem atualizá-la por aqui (e motivos para isso não faltaram) aqui estou eu para continuar lhes mostrando aquilo que passou e que ainda passa por meus fones. Ah, e sobre a data eu sei que o dia correto para essa postagem seria um domingo, mas como estou com muitas críticas de discos à postar não posso perder tempo. 
Quer ver um disco que você gosta aqui na coluna? Sugira-o nos comentários! Regrinhas gerais para sugestão aqui.
Não viu o post anterior? Veja aqui!



Ultraviolence | Lana Del Rey

Quando Lana Del Rey surgiu para o grande público em 2012 com seu “Born To Die” muitos foram aqueles que se tornaram fãs, mas a crítica e boa parcela do público achavam que ela não passava de uma cantora pop comum, com músicas cansativamente melancólicas e um estilo musical que remetia a épocas distantes. Quatro anos se passaram e “Ultraviolence” acaba de ser lançado, agradando os antigos fãs e comprovando àqueles que a esnobavam que ela é uma ótima artista. Isso porque ninguém pôde negar, “Ultraviolence” é um disco magnífico!
No princípio temos o ritmo calmo de “Cruel World”, que conta com uma ótima composição e que explode num refrão viciante. É bom se acostumar com esse estilo calmo e introspectivo, pois boa parte do disco segue nesse mesmo padrão. E talvez esse seja o grande trunfo do disco: mesmo sendo conduzido num estilo semelhante, “Ultraviolence” nunca se mostra cansativo. A faixa-título comprova isso com sua letra magnífica e seu ritmo enérgico; tratando do amor de forma “cruel” e realista (especialidade da Lana), a letra consegue ser memorável. Logo após vem a calmaria de “Shades Of Cool”, que alcança um nível de excelência impressionante com os vocais icônicos de Lana; destaque também para o instrumental presente quase ao final da faixa. Outra música incrível aparece logo após: “Brooklyn Baby”; embalada por uma melodia que conta com um ótimo riff de guitarra ao fundo, a composição homenageia a geração beat, inclusive dando uma ótima referência ao Lou Reed, falecido integrante da banda The Velvet Underground.
Então aparece aquela que, provavelmente, é a faixa mais diferente de “Ultraviolence”: “West Coast”. Mesmo que conte com um ritmo hipnotizante (agora com uma ótima percussão) na sua essência ela não difere do restante do álbum: o ritmo melódico está lá, a composição romântica a um novo modo está lá e o refrão magnífico também está lá. Um pouco mais sombria está “Money Power Glory”, mas não menos esplêndida. Toda a inspiração de Lana Del Rey no jazz transborda nas duas últimas faixas: “Old Money” e “The Other Woman”. A primeira conta com uma sensibilidade ímpar, que aumenta ainda mais com os vocais emocionais de Lana; a composição se mostra como uma das mais sentimentais do disco (“E se você ligar para mim, você sabe que eu vou correr”). Já a segunda é quase um jazz propriamente dito. Com uma instrumentação típica e um ritmo excessivamente melódico, a faixa se completa com os vocais da Lana, que contribui para criar um estilo completamente jazzístico. A versão deluxe do álbum conta com outras três ótimas músicas: a belamente melódica “Black Beauty”, a sinceramente romântica “Guns And Roses” e a deliciosamente animada “Florida Kilos”.
“Ultraviolence” é um daqueles discos que quando acabam todo mundo quer um pouco mais. Mesmo com o estilo melancólico constante, em momento algum o álbum se torna parado ou monótono. Isso se deve às composições magníficas, à ótima produção e, é claro, aos vocais memoráveis da Lana Del Rey. 

Assista abaixo o belo videoclipe de "West Coast". 



Fire Within | Birdy

Já em seu primeiro álbum autointitulado a Birdy já mostrou à que veio ao mercado musical. Suas músicas, em sua grande maioria covers, consistiam em um ritmo melancólico, que se completavam com os vocais incríveis da jovem cantora. Em seu segundo disco pode-se notar facilmente que ela buscou uma vertente mais pop que em seu disco anterior, mas felizmente as melodias bem desenvolvidas e seus vocais deslumbrantes continuaram.
“Fire Within” se inicia com um dos maiores destaques do disco, “Wings”. Com sua bela melodia romântica, a música se engrandece num refrão magnífico, tudo acompanhado pelos vocais naturalmente emocionais da Birdy e por sua composição melancólica e lindamente romântica. “Heart Of Gold” continua com o romantismo de antes, mas agora com uma composição mais forte e também com uma melodia mais simplória e, consequentemente, menos incrível. A primeira imersão mais profunda ao pop da parte da Birdy pode ser observada em “Light Me Up”. A música transcorre com uma melodia sem nenhum pingo de melancolia, pelo contrário, ela é bem animadora, algo que combina inteiramente com a composição novamente romântica, mas dessa vez mais “melosa”. Um pequeno problema na música é a inserção de backing vocals estilo “coro de igreja” no refrão, algo que não combina com a doce voz de Birdy. Mas a animação para por aí, sendo que “Words As Weapons” volta à melancolia romântica de antes, mais uma vez bem utilizada e dessa vez munida de um ótimo violino. Com um ritmo mais forte e vocais igualmente fortes, “Strange Birds” foge um pouco do romantismo melancólico presente no restante do álbum, dando espaço a um estilo romântico sútil e obscuro, mas ainda assim belo. O disco volta novamente a um doce pop em “Maybe”, mas dessa vez não tão atraente quanto em “Light Me Up”, algo que talvez se deva à composição melosa.
Após esta música, o disco não dá mais indícios de animação; a dramática “No Angel” demonstra isso muito bem (destaque para o piano ao fundo, magnificamente tocado pela Birdy). “All About You” nos delicia com seu ritmo acústico muito bem produzido, dando um grande destaque ao violão, tudo combinando com a letra romântica, mas de forma forte. Um pouco daquela magnificência da primeira música do disco tenta ser retomada em “Standing In The Way Of Light”, que conta com um ritmo semelhante e com vocais tão lindos e profundos quanto antes. Por fim temos novamente o deleite de ouvir o belo piano da Birdy em “Shine”, uma das músicas mais simplórias e calmas do disco, mas ainda assim não menos incrível. A composição cheia de autoestima merece uma boa pensada.
Se em algumas faixas o disco tende a ficar ocioso e parado na mesmice, em outras ele consegue dar uma ótima guinada para a magnificência. “Fire Within” é um daqueles discos que pecam pela falta de originalidade, mas que se mostra incrível por certas faixas. De uma forma ou de outra, Birdy merece um grande parabéns!

Confira o videoclipe da bela "Wings".



O impacto que “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not” causou no mundo musical quando foi lançado em 2006 foi grande. Pouquíssimos são os discos de estreia de uma banda de rock indie que conseguem obter o #1 lugar nas paradas de sucesso, mas o impacto deste disco vai além disso. Seu som cru, mas ainda assim bem desenvolvido, animou incontáveis admiradores e influenciou os rumos de futuras bandas de rock alternativo. Nada de se espantar depois de ouvi-lo.
“The View From The Afternoon” nos prepara para tudo aquilo que escutaremos logo à frente: composições irônicas e bem humoradas, vocais persistentes do líder e vocalista Alex Tunner e, acima de tudo, batidas que simbolizam o melhor estado do rock alternativo. Logo após, o hit #1 no Reino Unido “I Bet You Look Good On The Dancefloor” aparece para animar ainda mais o disco com sua melodia contagiante (destaque para a bateria do Matt Helders) e seu refrão alucinante. A incrível introdução de “Dancing Shoes” se mistura com perfeição ao ritmo normal da banda, que alcança seu ápice no poderoso solo de guitarra aos 1:22. Depois de mais algumas canções animadas “Riot Van” aparece para dar uma amenizada em toda essa energia. Calma, mas ainda assim com uma ótima melodia, a música poderia ser uma linda balada romântica caso não tivesse a letra tão irônica e “rebelde” quanto a que tem; a voz camaleônica do Alex também merece destaque, mostrando que ele se sai bem tanto nas músicas agitadas quanto nas amenas. “Mardy Bum” também continua com uma pitada da calmaria de “Riot Van”, mas com uma ótima utilização do baixo e da guitarra ela não se torna tão calma, mas a letra, com uma pequena pitada romântica, combina tão bem com essa melodia que é impossível imaginar uma combinação melhor. Não demora a aparecer o outro single do disco (o primeiro foi “I Bet You Look Good On The Dancefloor”), que é “When The Sun Goes Down”, uma música que consegue ser adorável a animada ao mesmo tempo, algo que se deve a rápida mudança no ritmo, que acontece de forma brusca, mas muito bem realizada. O disco se acaba com “A Certain Romance”, que resume em uma só música aquilo que fez deste disco um grande disco. A faixa se inicia com uma batida de puro rock (como de costume), mas quando entra em cena os vocais do Alex o ritmo se torna ameno e delicioso como em “Mardy Bum”.
Por mais que, quando lançado este disco, a banda Arctic Monkey já tenha desfrutado de grande sucesso, no ano passado eles conseguiram aumentar ainda mais sua fama com o lançamento de “AM". Pode até ser que o sucesso da banda esteja em constante aumento, mas a inovação e a animação deles está presente desde o lançamento desse disco icônico. 

Confira a animada "I Bet You Look Good On The Dancefloor" logo abaixo.


Going To Hell | The Pretty Reckless

Ninguém poderia botar fé quando a fofa atriz de Gossip Girl, Taylor Momsen, começou sua carreira musical numa banda de rock. Superando expectativas, o The Pretty Reckless, banda da qual a Taylor é líder e vocalista, nasceu firme e forte, e se alguém duvidou do potencial da banda com o ótimo “Light Me Up” é recomendável ouvir “Going To Hell” e mudar seus conceitos.
O rock aqui presente pode até não ser dos mais lapidados, mas a voracidade com que cada música aparece aumenta o nível de qualidade do álbum para um nível quase estratosférico. Cada música é feita do mais puro rock, com direito à riffs de guitarra estridentes, vocais gritantes, baterias arrasadoras e tudo mais. O que dizer da introdução da primeira música do disco, “Follow Me Down”, onde gemidos e sirenes sugestivas aparecem sem nenhum pudor? Para alguns, propositalmente polêmico, mas vamos pensar: num mercado musical onde uma música eletrônica-mas-com-guitarra-e-bateria-ao-fundo é considerada “rock” o que pode ser mais rock que isso? Logo depois dessa forte inicialização se deparamos com a faixa-título, que esbanja autoconfiança numa composição muito bem escrita, mas não menos forte e “pecaminosa”, aumentando ainda mais de qualidade com uma ótima batida, que não economiza em passagens completamente instrumentais (passagens essas que estão transbordando rock). Então vem “Heaven Knows” e os vocais da Monsem, que estão em seu melhor estado, comparáveis a antigas vocalistas como a Joan Jett. A melodia, com sua ótima referência à “We Will Rock You” do Queen, cumpre muito bem seu papel de acompanhar os adolescentes desgarrados da letra. Por mais que o tom minimalista do começo de “House On A Hill” (contando apenas com os vocais e um simplório violão) demonstre que o disco deu uma amenizada essa foi apenas uma preparação para o refrão ameaçador composto de vocais sem exageros e batidas misteriosas. “Dear Sister” é um pequeno interlúdio do álbum, e com sua melodia calma, quase uma balada, consegue mostrar que a banda já não se sai tão bem quanto antes em baladas. Mas isso não atrapalha o disco, que logo encontra seu devido lugar em faixas como “Blame Me”, mais amenas, mas que ainda assim guardam consigo o rock visto nas outras faixas. “Why’d You Bring A Shotgun To The Party” traz de volta a animação de antes, munida também de poderosos vocais e de uma composição bem bolada. Se em “Light Me Up” tínhamos a belíssima balada “You” para nos deliciar ao fim do disco aqui temos “Waiting For A Friend”, que mesmo não sendo do mesmo nível de excelência de “You” consegue finalizar bem o disco, mesmo com seu ritmo arrastado não tão atraente.
Divertido e hard no melhor sentido da palavra, “Going To Hell” não pode ser considerado memorável ou inovador, tudo o que vemos aqui já foi feito antes. Mas ele ganha destaque por sua coragem e audácia, se destacando imensamente num mercado musical carecido de boas bandas do bom e velho rock!

Assista ao videoclipe de "Heaven Knows", disponível logo abaixo.


Unknown Pleasures | Joy Division

A capa desse disco é quase tão conhecida quanto o disco em si. Seu design minimalista causou certo impacto na produção visual dos discos, mostrando que nem sempre um design cheio de detalhes pode ser a escolha certa. O significado da ilustração também continua sendo uma incógnita, mas segundo o próprio Peter Saville (responsável pelo projeto gráfico do disco) a ilustração mostra “ondas de rádio emitidas por uma estrela”. De uma forma ou de outra não é necessária nenhuma explicação sobre esta capa para que se possa desfrutar das músicas únicas que “Unknown Pleasures” abriga.
Com suas músicas peculiares e, digamos, não tão animadas, o Joy Division tinha a sua disposição algumas gravadoras bem grandes que queriam lançar seu disco de estreia, mas ainda assim eles optaram pela gravadora independente Factory. O motivo? O próprio Ian Curtis (vocalista) disse: “Na Factory ninguém nos restringe, nem na música nem no projeto gráfico”. Ou seja, nessa gravadora eles tinham a liberdade de fazerem suas músicas da maneira que quisessem, sendo elas inusitadas ou não, sem ter a necessidade de fazer músicas meramente para vender. E essa liberdade artística é facilmente notada em todas as músicas do álbum; a começar por “Disorder”, a primeira música do disco e uma das mais memoráveis. Assim como na maioria das outras composições, aqui o Curtis narra suas experiências como epiléptico, sendo que essa composição é acompanhada pela ótima batida: melancólica, mas atraente, algo alcançado pela utilização de alguns instrumentos eletrônicos inovadores para a época e também da ótima guitarra do Bernard Sumner. Na próxima faixa, “Day Of The Lords”, o disco já começa a mostrar seus lados mais obscuros e deprimentes, aqui acompanhado dos vocais marcantes do Curtis e de uma melodia sombria, quase tenebrosa, mas muito bem desenvolvida. “Insight” alcança seu ápice em certo momento da melodia onde sons extremamente eletrônicos ditam o ritmo num tom rápido e sagaz. Ainda mais sombria se encontra “New Dawn Fades”, um hino à morte com direito a vocais esplêndidos do Curtis, o que torna a música algo que beira o “suicida”. O ponto mais alto alcançado nas letras pessoais do Ian Curtis se encontra em “She’s Lost Control”, uma ótima e inusitada música, com sua percussão marcante e sua ótima composição, que parafraseia muito bem a situação do próprio Curtis como epiléptico. “Interzone” é o que chega mais próximo do pós-punk padrão da época, com seus vocais ferozes e sua guitarra afiada. Ainda assim, o estilo próprio do Joy Division está lá.
Mesmo trinta e cinco anos depois de ser lançado, “Unknown Pleasures” continua sendo o mesmo disco fantástico e enigmático que foi à épocas atrás. Muitas vezes rotulado de suicida, depressivo ou até estranho não há nenhum adjetivo que possa demonstrar o que é “Unknown Pleasures”.

Ouça a magnífica "Disorder" abaixo.






Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


7 comentários:

  1. Acho que estava em um mundo paralelo, pois desses citados, só conhecia a Lana Del Rey e, mesmo assim, só por nome. kkkkkkkk
    Mas, vendo esses vídeos, acho que "Arctic Monkeys" e "Joy Division" fazem mais o meu estilo. Vou dar uma conferida maior em seus trabalhos.

    @_Dom_Dom

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  2. Se existe uma pessoa mais desatualizada no quesito musical eu desconheço. De toda essa lista só conhecia Artic Monkeys.
    Beijocas ^^

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  3. Acho que concordo com a Larissa e o Nardonio: sou super desatualizada no ramo da música. Só sei as mais novas de forró porque não tem como fugir dos carrinhos de musica da cidade. Então da sua lista, só conheço Artic Monkeys e Lana Del Rey. kkkkkkk Que triste.


    Adorei essa sessão, não tinha visto (então quer dizer que faz uns bons meses...)

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  4. não gosto muito dos artistas citados, escuto uma música aqui outra uma vez perdida, mas tenho que dá o braço a torcer e admitir que esse cd da Lana Del Rey está destruidor. muito bom mesmo, ela tá mais marcante, Brooklyn Baby pra mim é a melhor!

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  5. Essa é a primeira música que eu ouço do Arctic Monkeys e eu não achei tudo isso que o pessoal fala não. Assim, eles são bons, mas só. E a Birdy é <3 Adoro suas músicas.

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  6. òtimos musicos que você postou, eu curto todos, mas meu queridinho deles é o Arctic Monkey, adoro suas musicas. E não tinha visto ainda o clip de Disorder..
    beijos.

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  7. Adoro The Pretty Reckless, essa música é mesmo ótima! Vou ouvir as outras também, adoro conhecer novidades.

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