postado por Matheus em 19 junho 2014

Review | A Culpa é das Estrelas

Direção: Josh Boone
Duração: 2h 5min
Lançamento: 2014
Gênero: Drama, Romance
Sinopse
Diagnosticada com câncer, a adolescente Hazel Grace Lancaster (Shailene Woodley) se mantém viva graças a uma droga experimental. Após passar anos lutando com a doença, ela é forçada pelos pais a participar de um grupo de apoio cristão. Lá, conhece Augustus Waters (Ansel Elgort), um rapaz que também sofre com câncer. Os dois possuem visões muito diferentes de suas doenças: Hazel preocupa-se apenas com a dor que poderá causar aos outros, já Augustus sonha em deixar a sua própria marca no mundo. Apesar das diferenças, eles se apaixonam. Juntos, atravessam os principais conflitos da adolescência e do primeiro amor, enquanto lutam para se manter otimistas e fortes um para o outro.



Crítica

É difícil esperar algo realmente bom de um filme que tem ilustrado no pôster a frase “doentes de amor”. Isso dá um tom extremamente meloso para o filme, ilustrando um daqueles romances adolescentes bobos e forçadamente lacrimejantes. Felizmente A Culpa é das Estrelas foge completamente desse melodrama, se mostrando um ótimo romance adolescente como poucos conseguem ser.


A história não tão complexa gira em torno de Hazel Grace (Shailene Woodley), uma adolescente que já sofreu com o câncer e hoje sobrevive com um pulmão e com um aparelho para poder respirar. Ela sabe que é diferente de todas as outras adolescentes de sua idade, mas seus pais fazem de tudo para que ela se torne uma jovem normal. Contudo, a única coisa que faz para se socializar é participar de um grupo de apoio cristão a jovens que já sofreram algum problema de saúde. Por mais que não queira, sua mãe (Laura Dern) insiste em que ela participe desse grupo, e Hazel acaba em participar. É lá que conhece Augustus Waters (Ansel Elgort), um jovem que já sofreu de osteosarcoma e agora vive com uma perna mecânica.
Hazel, Augustus e seu amigo Isaac numa das
sequências mais divertidas do longa
À começo de tudo, Hazel não se sente atraída em momento algum por Augustus, muito menos depois de saber de sua obsessão em ser lembrado por todos após sua morte. Mas aos poucos eles vão se tornando grandes amigos, compartilhando suas leituras favoritas, suas experiências de vida e também seus medos. Mal se dão conta de que aquela grande amizade se transforma em amor, e é assim que eles começam a compartilhar seus pensamentos sobre a importância de ser lembrado, o significado da dor e também da morte.

Por mais que a história em si se pareça extremamente “draminha de sessão da tarde” a grandiosidade do roteiro se esconde em todas as questões existenciais levantadas pelo jovem casal ao decorrer de todo o longa. São inúmeras as frases memoráveis referentes à morte, ao amor e à vida que, mesmo aparentando ser melosas, são muito bem escritas e introduzidas no filme, conseguindo levantar questões bem filosóficas àqueles mais atentos aos diálogos.
O drama é algo constante no filme, do começo ao fim, por isso não se assuste quando olhar à sua volta no cinema e perceber que boa parte das pessoas estará chorando. Mesmo aqueles que não se deixaram levar pelo livro (ou até mesmo aqueles que nunca o leram) se emocionam com o filme, pois é complemente impossível não sentir uma pitada de compaixão pelos personagens de Hazel e Augustus. Para o bem do filme como um todo, toda essa emoção é transpassada na tela não de forma extremamente melodramática; pelo contrário, tudo transcorre naturalmente e poucas são as cenas que apelam para emocionar. Ou seja, o filme emociona muito mais por sua história central, naturalmente dramática, do que pela apelação emocional.
Nesse ponto, pode-se parabenizar o diretor Josh Boone por seu trabalho bem realizado. Além de sua naturalidade em conduzir um filme com um tema espinhoso há outros pontos positivos em sua direção, como, por exemplo, os balões que por vezes aparecem na tela para simbolizar a troca de SMS do casal. Isso foi uma escolha certeira, pois além de dar um ar mais “descontraído” ao filme esses balões também são melhores que narrações em off dos personagens, o que sempre acontece nos filmes. Mas não é só de pontos positivos que é construída a direção de Boone, e os diversos (e por vezes desnecessários) closes faciais nos personagens mostram seu maior erro. Quando esses closes mostram a face da Shailene Woodley isso dá certo devido ao seu grande talento, mas dificilmente os closes caem bem nos outros personagens. A fotografia do longa também não se mostra excepcional quando opta por mostrar certas cenas de forma trêmula, mas acerta em cheio quando mostra os personagens de Shailene e Ansel juntos. Todas as ótimas sequências na Holanda demonstram isso **SPOILER (inclusive a cena de sexo, que foi filmada com um sentimentalismo ímpar) **SPOILER.
Não é demais ressaltar a qualidade do elenco. Todos estão de parabéns, desde os renomados Willem Dafoe (que dá um show de atuação na pele do odiável escritor Peter Van Houten) e Laura Dern (que consegue mostrar muito bem os medos e receios de ser mãe de uma filha com câncer) até as estrelas em ascensão Shailene Woodley e Ansel Elgort. Em algumas cenas o excesso de sorrisos do personagem de Ansel pode atrapalhar sua atuação, mas nada consegue impedir que a Shailene roube a cena. A forma como ela consegue mostrar na tela todos os seus sofrimentos é ótima; para ela nada é forçado, por mais que as cenas exijam o máximo de sua personagem (que é muito facilmente a mais complexa do longa) ela se sai muito bem, emocionando o espectador sem precisar esbravejar ou se derramar em lágrimas em todas as cenas. Desnecessário dizer que a química dos dois em cena é ótima, formando assim um casal extremamente convincente.
Woodley e Elgort na emocionante
cena na Casa de Anne Frank
Para aqueles que leram o livro, assistir ao filme não se mostrará uma experiência decepcionante, como o são a maioria das adaptações literária. A fidelidade do longa com o livro é facilmente notada desde todas as passagens que são retratadas na tela assim como estão no livro até os diversos diálogos memoráveis do livro, que são ditos identicamente no filme.
Também é interessante a trilha-sonora do filme. Além da trilha instrumental (que cumpre muito bem seu papel de emocionar, mas por vezes exageradamente) há também diversas músicas compostas exclusivamente para o filme que aparecem no decorrer do mesmo. Destaque para “Not About Angels” gravada pela Birdy, que cai como uma luva para a dramática cena em que aparece.


Não é necessário ser mais um fã eufórico do livro para ceder a toda a emoção contida no filme A Culpa é das Estrelas. Engraçado, cruel, pensativo e naturalmente emocional, esta obra é feita para arrebatar o coração de qualquer um que o assista. Você pode até não chorar (algo impossível para todos os fãs enlouquecidos do livro), mas as magníficas sequências da Casa de Anne Frank e do ensaio do funeral conseguem estraçalhar até mesmo o coração mais impermeável a emoções.


Avaliação:







Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


7 comentários:

  1. Eu achei uma das adaptações cinematográficas mais fieis de todos os tempos. Fiquei impressionado com tudo o que vi. E tudo isso acho que deve-se ao fato de que o John Green acompanhou de perto todo o projeto. Até uma cena ele apareceu, pena que ela foi cortada do filme. Em relação ao elenco, achei as interpretações incríveis. A química entre Shailene, Ansel e Nat Wolff não tem explicação. Enfim, adorei o filme e dou nota máxima pra ele.

    @_Dom_Dom

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  2. por favor não me odeiem, mas assim como o livro, eu não consigo enxergar esse algo mais que a Culpa é das Estrelas tem. juro que tentei. é uma história bonita e emocionante sem dúvida, mas pra mim é só isso. =( fui assistir o filme pra ver se eu mudava de opinião mas nada. pra mim continua sendo um livro legal e uma adaptação a altura. enfim, fico contente que os fãs do livro não se decepcionaram com o filme. isso já é muito válido =)

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  3. Eu achei a adaptação incrível. Muito fiel ao livro, e os atores foram incríveis, conseguiram viver os personagens de um jeito incrível. Acho que a grandiosidade da obra entrou nos detalhes, como quando a gente sentia os sentimentos dos personagens, ou como - nós, que lemos o livro - sentimos que aquela obra estava contida no livro.
    Não tem o que dizer de ruim sobre essa obra, tudo estava perfeito. Igual ao livro.

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  4. Eu gosto muito de ACEDE e ainda nao assisti o filme, mesmo você falando que foi muito bem montado e permanece fiel ao livro, não sou amante das adaptações literárias, quem sabe eu me anime a assistir né?
    Beijocas ^^

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  5. A adaptação de A Culpa é das Estrelas foi uma das mais fieis ao livro que eu já vi. Adorei quando colocaram os diálogos inteiros no filme e olha... só suspiros
    Confesso que quando eu vi que selecionaram os dois para fazer o papel de Hazel e Gus, me deu um desânimo danado. Detestei. Até assistir ao filme. Os dois têm uma química perfeita, super me convenceram (:
    E é impossível não chorar, até eu, que não costumo chorar em filmes... saí da sala de cinema com os olhos inchados. rs

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  6. Não tive vontade de ler o livro, nem assistir o filme, mas a crítica foi ótima e gostei de saber que a adaptação agradou os fãs. A estória tem mesmo muito drama, mas deve conquistar quem gosta deste tipo de estória!

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  7. Eu confesso que fui assistir sem muitas espectativas, não li o livro pois fujo de um drama...
    E até gostei, mas concordo quando vocÊ diz que parece filme de sessão da tarde rs.
    Bom saber que o filme foi bem fiel ao livro, assim ja sei oque esperar dele. Não vou le lo, mesmo tendo aqui, eu sofro muito com historias assim, então prefiro evitar. Mas o filme estava bom, os atores estavam bons...um filme bom..mas triste.
    beijos.

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