postado por Matheus em 14 junho 2014

Review | X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

Direção: Bryan Singer
Duração: 2h 12min
Lançamento: 2014
Gênero: Ação, Ficção científica
Sinopse
No futuro, os mutantes são caçados impiedosamente pelos Sentinelas, gigantescos robôs criados por Bolívar Trask (Peter Dinklage). Os poucos sobreviventes precisam viver escondidos, caso contrário serão também mortos. Entre eles estão o professor Charles Xavier (Patrick Stewart), Magneto (Ian McKellen), Tempestade (Halle Berry), Kitty Pryde (Ellen Page) e Wolverine (Hugh Jackman), que buscam um meio de evitar que os mutantes sejam aniquilados. O meio encontrado é enviar a consciência de Wolverine em uma viagem no tempo, rumo aos anos 1970. Lá ela ocupa o corpo do Wolverine da época, que procura os ainda jovens Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender) para que, juntos, impeçam que este futuro trágico para os mutantes se torne realidade.




Crítica

O mercado cinematográfico atual é, no mínimo, 80% formado por filmes meramente comerciais, filmes feitos para atrair multidões para os cinemas, os chamados blockbusters. Nesse grupo de filmes são poucos os realmente bons, que contam com alguma qualidade mais “artística”. Os outros 20% é formado por filmes que estão preocupados inteiramente com sua qualidade artística, não se importando se forem fracassos de bilheteria. Isso explica a enorme quantidade de continuações desnecessárias e de baixa qualidade que pipocam no cinema a todo o momento. Somando a isso os filmes de super-heróis então é óbvio que a grande maioria das continuações é fraca e sem sentido. Mas às vezes é possível aparecer bons (ou até mesmo ótimos) filmes do tipo. Caso óbvio de Homem Aranha 2, Batman: O Cavaleiro das Trevas e mais recentemente X-Men: Dias de um Futuro Esquecido.


Num futuro indefinido os mutantes de todo o mundo estão sendo exterminados pelos Sentinelas, grandes robôs criados para caçar e exterminar qualquer mutante que encontrarem. Poucos são os mutantes que continuam vivos, e entre eles está o pequeno grupo de Kitty Pride (Ellen Page), que conta com novos (e interessantes) mutantes, entre eles a fantástica Blink (Fan Bingbing) e seu poder de teletransportar coisas. Kitty tem o poder de enviar a consciência de pessoas para o passado, modificando o presente e então salvando diversos mutantes da morte que tiveram. Sim, isso é realmente confuso!
A mutante Blink em uma das sequências do futuro
Não demora a esse grupo de mutantes se depararem com o grupo do Professor Xavier (Patrick Stewart), que engloba alguns dos mutantes dos três primeiros filmes dos X-Men, entre eles Tempestade (Hale Berry), Magneto (Ian McKellen) e Wolverine (Hugh Jackman). Logo eles percebem que é impossível continuarem vivos por muito tempo e a única forma que encontram de safá-los de tudo aquilo é enviando alguém para o passado, impedindo a construção dos Sentinelas. Para isso, Wolverine é enviado para a década de 70, onde então tentará convencer os jovens Professor Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender) a unirem força e então impedir a Mística (Jennifer Lawrence) de matar Bolívar Trask (Peter Dinklage), o criador dos grandes robôs. Isso porque após matar Bolívar a Mística é capturada e então descobrem no seu DNA como ela modifica seu corpo, e após isso incrementam isso aos Sentinelas, tornando-os mutáveis de acordo com a necessidade, transformando-os em máquinas exterminadoras de mutantes sem nenhum erro ou exceção.

Sempre que um filme tem como plano de fundo viagens no tempo é comum ter certa preocupação com a coerência do roteiro. X-Men Dias de um Futuro Esquecido se saiu muito bem nesse quesito.
Tendo-o como um filme isolado ao restante da confusa saga seu roteiro é muito bem desenvolvido. São visíveis alguns furos aqui e ali, mas num todo ele trata com coerência todas as questões envolvendo viagens no tempo, se engrandecendo ainda mais ao por momentos de ação quando eles realmente deviam aparecer. Algumas falas de efeito também aparecem no decorrer do filme, muito bem escritas e posicionadas, mas que perdem espaço para toda a ação. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito do roteiro se levarmos em consideração o restante da saga. Isso porque tudo o que acontece neste filme não condiz com o que aconteceu nos outros filmes da série. E se for levado em consideração as cenas finais do filme tudo fica ainda mais confuso. Com isso, a impressão que fica é que lançaram este filme sem se levar em consideração o restante da série...
Mas os pontos negativos param por aí, pois tirando de lado o roteiro o restante do filme é magnificamente bem desenvolvido.
A direção novamente foi dada ao Bryan Singer, diretor de X-Men: O Filme e X-Men 2. Mesmo que o Matthew Vaughn tenha feito um ótimo trabalho em Primeira Classe é visível que o Singer consegue ser ainda melhor, principalmente quando o assunto é ação! Ele não poupa o filme de momentos grandiosos, quase épicos, onde seus mutantes mostram seus poderes de forma incrível e bem utilizada; a sequência inicial, que mostra os poderes dos novos mutantes é simplesmente fantástica! Só isso poderia fazer com que o filme se tornasse um blockbuster incrível, mas devido a diversos outros fatores o filme vai além disso.
A começar pelo designer de produção de todo o filme. Se no futuro tons sombrios são a regra, no passado cores mais amenas são a escolha certeira para criar um ótimo clima de anos 70, algo que é impulsionado com a ótima caracterização dos personagens, que nos faz se introduzir de vez na realidade da época. Visualmente, o filme se alavanca ainda mais com os efeitos especiais de ponta, que são simplesmente perfeitos! Além de toda a qualidade em que é mostrado os poderes dos super-heróis (destaque para o poder da Blink) os efeitos especiais também conseguem criar cenas inteiras de deixar qualquer um de queixo caído. É impossível não se impressionar com a levitação do campo de futebol, uma das cenas mais magníficas do filme.
Cena no Pentágono, onde o Mercúrio (ao fundo)
recebe todo destaque
Mas não é só de efeitos especiais que são feitas as passagens eletrizantes do longa. Por exemplo, a divertidíssima sequencia que conta com o Mercúrio (interpretado divertidamente pelo Evan Peters) no Pentágono conta com efeitos especiais “básicos”, mas ainda assim consegue extasiar o espectador numa sensação incrível. Falando em Evan Peters, ele não é o único ator que rouba a cena.
A mesmice do Hugh Jackman não atrapalha em nada o desenrolar do filme; aliás, quem nota sua atuação quando temos em cena Michael Fassbender, Jennifer Lawrence e Ian McKellen? O primeiro está, como sempre, incrível! Seu personagem é um dos mais complexos do longa, e ele consegue transpassar boa parte dessa complexidade em sua grande atuação, mostrando assim que ele pode se sair tão bem em filmes do circuito artístico (afinal, ele é o Sr. Epps de 12 Anos de Escravidão!) como do circuito comercial. A Jennifer Lawrence também entrega uma atuação convincente em cena, sendo que, assim como o Magneto do Fassbender, sua Mística é uma das personagens mais complexas. A cena de sua luta com o Magneto em Paris é a mais bem atuada do filme. E bem, o Ian McKellen merece reconhecimento apenas por estar lá. Um ótimo ator que merecia um pouco mais de reconhecimento.


No fim das contas, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido se mostra tão bem desenvolvido como vários outros filmes não comerciais. Sua preocupação em criar um visual bem feito mostrou ótimos resultados, facilmente visíveis no figurino, na maquiagem, nos efeitos especiais e em tudo mais. Infelizmente, não se pode dizer que o roteiro seguiu este mesmo nível de excelência. Porém, nada consegue impedir que X-Men: Dias de um Futuro Esquecido seja uma aventura eletrizante e extremamente bem feita.

Avaliação:






Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


8 comentários:

  1. estava muito ansiosa esperando por esse filme! e olha superou minhas expectativas. é um filme bem pipoca, dá pra ir e se divertir. quem é fã dos mutantes, não se decepcionou com os efeitos e a aparição de vários personagens novos e os de sempre que estão bem mais melhorados digamos assim. eu gostei e muito. =)

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  2. X-men é o que há. Nunca me decepciono com nenhum filme da vertente. Ainda não assisti X-Men: Dias de um futuro esquecido, mas com certeza, vou assisti-lo. Se não for no cinema, vai ser em casa mesmo :/ rs

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  3. Ainda não vi o filme, o que me deixa mais nervosa ainda, porque sempre amo os filmes dele. Sempre são muito bem trabalhados, com um elenco legal, além de quê gosto da história do filme. *-*

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  4. Eu assisti o filme e gostei, mas achei que ficou com varias coisas erradas, mas nada que atrapalhasse o filme ao todo.
    Eu gostei da mistura dos personagens do presente e do passado, ficou muito bom deste jeito, quero so ver como vão fazer com o Wolverine nos proximos filmes rs, pois o ator envelhece rsrs,
    beijos.

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  5. Não assisti o filme ainda por causa da falta de tempo, mas preciso conferir essa excelência, mesmo que não esteja presente em todos os detalhes, principalmente porque recria os anos 70 <3 <3
    Beijocas ^^

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  6. Gostei muito da crítica. É enorme a quantidade de produções onde se está mais preocupado em lucrar do que ter qualidade e gostei de saber que este filme não decepcionou mesmo por isso. Pretendo assisti-lo também, fiquei curiosa!

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  7. Ainda não assisti o filme (e confesso que não estava animado para) porque nenhum filme da franquia dos X-Men me agradaram. Insisti em ver o "Primeira Classe" para ver se seria um bom recomeço, se cobriria os vários outros furos na estrada que os anteriores causaram. Mas o filme trouxe uma nova rodovia, e essa estava pior. Gosto da ideia de mostrar os personagens no passado e no futuro, mas como disse na ótima crítica do Matheus, viagens no tempo são complicadas. Uma das que mais gosto é a feita em HP3.

    Com as palavras do Matheus, digamos que me interessei pelo filme. Darei mais uma chance aos mutantes. É claro que ter Hugh Jackman, Fassbender e McKellen no elenco me anima de sair de casa e procurar o cinema...


    E me permito ser repetitivo para dizer novamente: Ótima crítica!

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  8. Apesar de ser fã da franquia, não assisti alguns dos filmes. São tantas partes, que acabei me perdendo na sequência que tenho que assistir. Pretendo colocar tudo em dias em breve. Muito bom saber que ação e ótimas interpretações não faltam.

    @_Dom_Dom

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