postado por Matheus em 08 julho 2014

Resenha | Orange Is The New Black

Autor: Piper Kerman
Editora:  Intrínseca
Páginas: 304
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Sinopse
Quando era jovem, tudo o que Piper Kerman queria era viver novas experiências, conhecer pessoas diferentes e descobrir o que fazer com o diploma recém-adquirido da prestigiosa Smith College. Anos depois, com um bom emprego e prestes a se casar, ela recebe uma visita inesperada - a polícia. Piper estava sendo intimada para responder por envolvimento com o tráfico internacional de drogas. A acusação era verdadeira - recém-formada, Piper teve um caso com uma traficante glamorosa que a convenceu a levar uma maleta de dinheiro para a Europa. Sua aventura pelo submundo do crime voltou à tona no dia em que a polícia bateu à porta dela. Depois de uma dolorosa odisseia pelo sistema judiciário americano, Piper acabou condenada a quinze meses de detenção numa penitenciária feminina no meio do nada - longe dos amigos, da família e de tudo o que ela conhecia. Em 'Orange Is the New Black', Piper apresenta casos curiosos, perturbadores, comoventes e divertidos do dia a dia no presídio. Cercada de criminosas, logo percebe que aquelas mulheres são muito mais complexas do que ela imaginava. Ao mesmo tempo que aprende a conviver com regras arbitrárias e um rigoroso código de conduta, Piper revela as alegrias e angústias das presidiárias e analisa a crueldade com que o sistema carcerário as desumaniza e faz com que sejam invisíveis ao mundo exterior.



Resenha

Aquela velha lógica de que não se pode ter certeza de algo até vê-la pessoalmente pode muito bem ser aplicada à visão de cada um sobre um presídio. Até que o indivíduo vá a uma prisão propriamente dita é impossível ter plena certeza de como elas são. Principalmente porque obtemos uma visão turva de como são através da TV, onde diversas reportagens (por vezes sensacionalistas) mostram a realidade cruel dos presídios enquanto outras reportagens (por vezes enganosas) mostram a grande qualidade que certas prisões têm. Mas na maioria das vezes elas se abstêm de falar dos detentos que lá estão e do que eles pensam sobre o lugar em que estão trancafiados, se esquecendo de que quem “faz” a prisão são os detentos. Olhando por esse ponto de vista, o livro Orange Is The New Black cumpre perfeitamente seu papel de mostrar-nos a verdadeira realidade de um centro de detenção. Somente por isso o livro já teria um grande valor, mas devido a diversos outros quesitos ele se engrandece infinitamente, se tornando uma obra única e memorável.


A história é narrada pela própria Piper Kerman, que conta sua experiência como detenta na prisão feminina de Danbury, nos Estados Unidos. Tudo começou quando, após acabar a faculdade, Piper teve um caso com Nora Jansen, uma bela e bem sucedida traficante. Esse caso durou pouco, mas foi o suficiente para que Piper adentrasse ao submundo do crime, tendo ajudado sua amante ao levar uma mala cheia de dinheiro para a Europa, dinheiro esse ilegalmente adquirido pela venda de drogas. Mesmo ficando extremamente nervosa, tudo deu certo ao final e Piper não foi pega pela polícia; após esse acontecimento ela decidiu que deveria colocar sua vida nos eixos, então sua vida criminosa parou por aí, juntamente com seu caso amoroso.
Após conseguir um trabalho normal e voltar os antigos laços com seus amigos, enfim Piper conseguiu tornar sua vida algo bom a ela mesma. Um de seus amigos era Larry; ele, assim como todos os outros amigos, sabia que Piper era lésbica, mas com o tempo a relação de amizade entre os dois foi se tornando algo mais sério, até que eles começaram a namorar, se tornando então um duradouro casal. Tudo parecia ótimo para Piper: tinha um ótimo namorado, não demoraria a se casar e tinha uma vida de todo agradável. Mas as coisas começaram a mudar quando a polícia de Nova Iorque bate em sua porta dizendo-lhe que ela fora indiciada por lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. Depois de uma longa “viagem” pelo sistema judiciário americano, Piper enfim é indiciada a quinze meses de prisão. Depois de uma longa e angustiante espera Piper é presa, mas esse seria apenas o começo de uma jornada que mudaria sua vida para sempre.
À princípio, Piper não tentava se socializar com ninguém por lá; para ela, se manter sozinha era a melhor saída. Mas seus planos não deram muito certo, e logo ela percebeu que se manter “na sua” não era a melhor escolha num lugar repleto de mulheres dos mais variados estilos e etnias e com os mais diferentes modos de viver. Aos poucos Piper vai se introduzindo naquela “sociedade”, descobrindo suas regras e seu jeito de levar a vida. Não demora a ela se ver vinculada emocionalmente com grande parte das prisioneiras com que convive, percebendo que cada uma delas possui grandes lições de vida a passar, mostrando que elas são muito mais do que o sistema carcerário quer que elas aparentem ser.
Prometi a mim mesma jamais voltar a abrir mão de quem eu era, por nada nem ninguém.
Pág. 25

Com o grande sucesso da primeira temporada da série homônima (criada pela Netflix) é difícil saber o porquê de uma editora lançar o livro que a inspirou somente agora, durante o lançamento da segunda temporada. De uma forma ou de outra a Intrínseca viu o potencial do livro e o lançou aqui no Brasil no mês passado. Sorte de nós leitores, que agora temos como conferir esse ótimo livro!
Não é desnecessário advertir o leitor de Orange Is The New Black para não esperar nenhuma história com um clímax eletrizante e cheia de reviravoltas. Afinal de contas, estamos falando de um livro de “memórias”. Mas se enganam aqueles que pensarem que, por esse motivo, o livro é extinto de qualquer emoção. Muito pelo contrário, esse livro possui uma carga emocional como poucos o possuem.
A escrita extremamente sincera de Piper Kerman consegue segurar o livro do início ao fim. Por mais que realmente existam passagens sem muitas emoções, a forma com que ela escreve é cativante de qualquer modo. Ela consegue ser extremamente divertida, sem perder todo o humanismo e os ares críticos que o livro abriga. E isso não falta no livro: diversão. A todo o momento Piper consegue achar algo para debochar e nos fazer rir (às vezes descontroladamente), por exemplo, quando compara a prisioneira transexual Vanessa com uma diva, necessariamente Mariah Carey. Mas não é somente através de outras pessoas que ela consegue fazer-nos cair no riso; a impressão que temos é de que ela, em qualquer situação, consegue achar uma vertente cômica da coisa, sempre transmitindo isso ao leitor de uma ótima maneira.
Logo vi Vanessa de relance, pela primeira vez – com seu 1,80 metro, seus cabelos louros, pele cor de café, seios que pareciam dois balões, uma quase mulher da cabeça aos pés. [...]Não era uma “trans” modesta, presa por uma infelicidade qualquer e que tentava se entrosar. Vanessa era uma autêntica diva. Era como se Mariah Carey tivesse se materializado bem ali entre nós.
Pág. 183
Com este ótimo senso de humor, Piper poderia facilmente criar um ótimo livro de comédia, mas a maneira como ela descreve toda a sociedade ao seu redor faz com que Orange Is The New Black se torne um livro muito mais inteligente e verdadeiro. Ler os relatos de Kerman é como se estivéssemos ouvindo uma psicóloga em sua passagem por uma prisão: ela destrincha cada detalhe de suas colegas prisionaeiras, mostrando-nos um magnífico panorama de como todas elas são. E tem mais, além de dar ótimos (e por vezes emocionantes) relatos sobre a vida das outras prisioneiras ela também não perde a chance de escrachar todos os problemas no sistema penitenciário americano. Ela não tem medo de mostrar em seu livro toda a degradação e as pequenas corrupções que observou: nada passa em branco para ela. Por mais insignificante que pareça cada detalhe, ela nos fala sobre ele, e não demora a percebemos que todos esses minuciosos detalhes são extremamente necessários para deixar o livro com esse nível de magnificência.

Com uma capa “ok” o interior do livro se mostra adequado. As letras são de bom tamanho, as margens também são boas e o espaçamento não atrapalha em nada. Talvez a única coisa que pode atrapalhar a leitura é o tamanho dos capítulos, todos bem extensos. Mas felizmente a leitura flui facilmente, sem que nada nos canse.

Por mais que as incontáveis passagens cômicas de Orange Is The New Black nos façam gargalhar incontrolavelmente, Piper Kerman nunca nos deixa esquecer que esse não é o foco do livro. Sempre suas críticas sociais e ao sistema penitenciário estão lá, e não é preciso muito esforço do leitor para encontra-las. O único esforço que resta ao leitor é refletir sobre tudo o que se lê, pois uma escrita tão sincera e magnífica como essa não foi feita para ser lida e rapidamente esquecida.
Qual o sentido, qual a razão para prender as pessoas durante anos, quando isso parece significar tão pouco, até mesmo para os carcereiros que seguram a chave em suas mãos? Como um preso pode achar que sua punição teve algum sentido para alguém, quando ela é aplicada de maneira tão impensada e indiferente? 
Pág. 293


Avaliação:








Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


19 comentários:

  1. *-* tem livro da série? Não sabia! Partiu livraria kkk
    http://okaymari.blogspot.com.br/

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  2. Oie!
    Adorei o post. Não tenho muita curiosidade neste, mas até que você me fez ver um lado que talvez valha a pena.
    Resenha ótima!
    Beijos,
    Marcela.

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  3. Não conhecia a série ainda, Mais fiquei bastante curiosa depois de ler a resenha. vou tentar ler e ver a série de TV. Quem sabe eu vicie e acompanhe. Beijos.

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  4. Gosto bastante da série, e o livro parece seguir o mesmo caminho. Só que não se enquadra nem no tipo de livro que gosto, muito menos nas séries que gosto. Acho bom pra passar o tempo, e só. Mas uma coisa que me deixa feliz é que tem tiragens cômicas no livro. Amo rir, e os livros que me proporcionam isso têm um lugar guardado no meu coração. Enfim, adorei.

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  5. Ana Carolina Ribeiro10 de julho de 2014 20:56

    Caramba adorei sua resenha,não sabia que o livro era baseado em memórias .Não conhecia essa série e ainda não vi.Ganhei o livro num blog estava sem muita vontade de ler.Mais depois da sua resenha vou correndo ler e depois assistir, vlw :D

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  6. Rafaela Saturnino11 de julho de 2014 17:04

    Estou doida pra ler esse livro. Comecei a ver a série e em menos de uma semana terminei a primeira temporada, e já quero começar a segunda. Eu amei demais a série, e acho que o livro deve ser ainda melhor, espero gostar também :)

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  7. olha Matheus, de uns tempos pra cá eu ando me decepcionando com adaptações... acho que os roteiristas esquecem justamente de ler o livro que o filme/série é baseado. sendo assim, ainda ñ vi OITNB. qdo soube do lançamento do livro, aí é que vou esperar um pouco mais, pela sua resenha, dá pra perceber que a autora e personagem da história é humana, inteligente e que levou no humor, as situações que viveu sem deixar de ver o lado emoção. a capa eu acho que merecia uma capa sem ter nada a ver com a série. algo mais bem feito cairia melhor para o livro. é isso, espero poder ler o livro em breve =)

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  8. To aproveitando esse hiatus de fim de temporada pra assistir todas aquelas séries que queria muito, mas tinha preguiça pois tinha outras trocentas pra baixar. To curtindo muito, rindo feito louca, mas o livro não chama a minha atenção.

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  9. Gostei bastante da trama. Não conhecia o livro e ele não é parecido com nenhuma outra leitura que eu já tenha feito.
    Pretendo procurá-lo para ler.

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  10. Oi, o livro parece ser super bacana, eu adorei a resenha, mas confesso que mesmo assim não me senti muito empolgada em ler o livro, vi o trailer da série e ela parece ser muito bacana, quem sabe mais para frente eu mude de ideia né.
    Beijos!!!!

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  11. Todo mundo fala maravilhas sobre a série da Netflix assim como do livro. Mas sei lá, não consegue me chamar a atenção a ponto de eu não ver/ler outras coisas e prestar atenção nessa. Eu tenho um certo "nojinho" de modinha e acho que Orange is the New Black se encaixa nessa categoria.

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  12. Gostei bastante da trama. Não conhecia o livro e ele não é parecido com nenhuma outra leitura que eu já tenha feito.

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  13. Gosto muito da série, o livro parece ser ótimo, fiquei bastante interessada em ler, tenho o livro e já foi pra minha lista de leitura que só aumenta.

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  14. Não sabia que tinha livro, mas já ouvido falar da série da Netflix. A série é bem comentada, mas com cenas bem fortes e pesadas, não sei se baseadas no livro. Devido aos comentários que já ouvi sobre a série, não sei se tenho interesse em ler o livro e nem na série.

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  15. Não tenho intenção de ler o livro ou mesmo ver o seriado. A capa não me chama a atenção e a sinopse muito menos. E isso de serem memorias me desanima ainda mais, as vezes as historias são enfeitadas demais.
    Mesmo assim, achei a resenha bem interessante, não a ponto de me fazer ler o livro, mas mesmo assim excelente.

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  16. Letícia Rodrigues24 de agosto de 2014 18:27

    Sabia da série mas nunca tive curiosidade de assistir, mas o livro parece bem interessante.

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  17. Já tinha ouvido falar da série, mas sua resenha me deu uma nova dimensão da narrativa. Achei muito original (nunca tinha visto antes alguém narrar uma história que tratasse da vida na cadeia. Não do modo que esse livro trata.) e profundo, daqueles livros que a gente fecha com um novo olhar sobre a vida. E o fato de ter um toque (não tão sutil) de comédia dá um up bem legal no conjunto da obra.

    Abraços, Mallú Ferreira
    semclichesporfavor.blogspot.com

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  18. Matheus!
    Li várias resenhas do livro e desde a primeira achei um enredo engraçado, embora se passe em um presídio.
    Bom um livro que nos faz rir, ao tempo que nos mostra a realidade de um local deprimente, a visão governamental sobre os presos e toda uma sociedade carregada de preconceito.
    Bem próximo ao que vivemos, concorda?
    Muito boa sua resenha.
    cheirinhos
    Rudy

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  19. Apesar de amar assistir o seriado o livro não chama minha atenção, essa mistura de drama com comedia comigo so funciona na telinha e em livros não da certo.
    E saber que o livro é baseado em memórias...não da uma vontade louca pra ler, mad quem sabe ele fique baratinho em uma promo dai eu acabe comprando,
    beijos.

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