postado por Matheus em 10 setembro 2014

Resenha | Se Eu Ficar

Autor: Gayle Forman
Editora: Novo Conceito
Páginas: 224
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Sinopse

Depois do acidente, ela ainda consegue ouvir a música. Ela vê o seu corpo sendo tirado dos destroços do carro de seus pais – mas não sente nada. Tudo o que ela pode fazer é assistir ao esforço dos médicos para salvar sua vida, enquanto seus amigos e parentes aguardam na sala de espera... e o seu amor luta para ficar perto dela. Pelas próximas 24 horas, Mia precisa compreender o que aconteceu antes do acidente – e também o que aconteceu depois. Ela sabe que precisa fazer a escolha mais difícil de todas. 


Resenha

Comparar o romance adolescente Se Eu Ficar com outro romance adolescente tragicômico, chamado A Culpa É das Estrelas, é algo bem questionável. O motivo para tantas comparações são suas adaptações cinematográficas, lançadas com poucos meses de diferença, mas ambas tentando atingir (e arrancar lágrimas) do mesmo público-alvo. Nesse caso, as comparações são aceitáveis, mas em relação aos livros dizer que Se Eu Ficar embarcou na fama de ACEDE é inadmissível. Se Eu Ficar foi lançado nos EUA (e no Brasil, pela editora Rocco) em 2009; já ACEDE foi lançado nos EUA e no Brasil em 2012. Ou seja, como um livro pode se aproveitar da fama de outro livro lançado posteriormente? As diferenças entre os dois não param por aí. Enquanto ACEDE apostava certeiramente numa história romântica melosa (mas ainda assim altamente emocional), Se Eu Ficar tenta ao máximo tornar sua leitura lacrimejante, mas é preciso dizer que ele não possui a mesma naturalidade emocional que o outro livro citado, precisando exagerar para emocionar o leitor. Algo que para muitos pode não dar muito certo...

Mia Hall é uma adolescente que parece não se encaixar onde se encontra. Seus pais são típicos roqueiros adultos: usam roupas diferentes, têm instrumentos musicais em casa e sempre estão ouvindo o bom e velho rock ‘n’ roll. Ela também tem um irmão mais novo, Teddy, o qual ama muito. O motivo pelo qual ela pensa não se encaixar na sua família é a música: enquanto todos em sua casa gostam de rock ela é a única que se interessa em música clássica. Ela tem o talento nato para tocar violoncelo, e, mesmo que sua família não se sinta tão atraída pelo instrumento e pelo estilo musical, eles nunca deixam de motivá-la a fazer o que gosta.
Com o seu namorado, Adam, as coisas também não se parecem muito “combináveis”. Ele toca em uma banda de rock da cidade, que está começando a ampliar seus horizontes e ganhar mais fama. Mia não consegue lidar muito bem com isso, principalmente pelo fato de que ela não se sente muito bem indo aos shows da banda dele. Isso não resulta em brigas, pois Mia sempre guarda para si seus sentimentos, que acha ser bem egoístas. Já Adam lida naturalmente com ela nesse sentido: ele sabe que ela não é uma grande fã de rock, e por isso não a pressiona a gostar de suas músicas. Além disso, ele acompanha Mia em alguns consertos de música clássica, e sempre gosta quando ela começa a tocar seu violoncelo.
Levando isso em consideração, o momento em que Mia se encontra em mais harmonia é quando está com sua melhor amiga, Kim.
Mas tudo muda quando, em um dia frio e nevado, Mia e sua família sofrem um acidente automobilístico. A situação é grave, não se sabe ao certo quem sobreviveu, mas Mia está vendo tudo, desde o momento em que se “levanta” da autoestrada até o momento em que é levada ao hospital. O motivo para ela conseguir ver tudo isso é confuso, ela consegue se ver deitada e inconsciente na maca do hospital, mas não consegue fazer nada para reverter a situação; ela consegue ver seus familiares, amigos e namorado, mas não consegue se comunicar com eles, e nem ao menos tocá-los. A situação é difícil, ela não sabe como retornar a vida, e também não sabe se é isso o que deseja. Por isso, ela começa a recordar alguns dos momentos de sua vida, e, depois de relembrar tudo o que já passou, ela pode decidir se ficará.
Percebo agora que morrer é fácil. Viver é que é difícil.
Pág. 145

Olhando sua sinopse, é fácil pensar que o livro é bem inovador e diferenciado. Além de emocional, é claro. O problema é que, mesmo contendo essa história extremamente inspiradora, o livro não se sai bem ao passar as suas emoções ao leitor. O fato de o enredo sempre estar indo do presente aos flashbacks torna a leitura um pouco desconexa, podendo tirar o foco do leitor, tornando assim o livro menos emocionante do que poderia ser com uma melhor estrutura.
Por esse motivo, a autora Gayle Forman pode ter seu trabalho criticado ou então aclamado, dependendo do ponto de vista de quem o critica. Sua escrita pode ser considerada primorosa ao observarmos a grande criatividade em relação à história central. Afinal, quantos romances adolescentes juntam à fórmula básica a questão sobrenatural de alma e afins? Por outro lado, a monotonia com que ela vai desenvolvendo essa fórmula pode gerar certas críticas negativas à sua escrita. Juntando isso ao fato de que a situação em que Mia se encontra nunca é explicada, Gayle já pode juntar para si outras críticas mais negativas.
Sendo assim, Se Eu Ficar conseguiu gerar opiniões completamente divergentes a seu respeito (algo que, obviamente, se deve aos pós e contras da escrita de Forman). Se alguns tendem a achar a história morna e sem tantas emoções, outros podem ficar aos prantos em certas passagens. Ou seja, este livro não é o livro que se pode lê-lo confiando em resenhas. Os leitores podem ter opiniões bem distintas sobre ele, e por isso alguém só pode dar sua opinião concreta em relação ao livro após a leitura.
Outro ponto que chama a atenção no livro é o nível de humor que ele abriga. Desde o princípio, ele nunca demonstra ter sido escrito para fazer o leitor gargalhar, mas em diversas passagens ele até consegue arrancar uns risinhos, algo que cai muito bem para amenizar todo o sofrimento que a história carrega.
Mesmo que “aos trancos e barrancos”, o livro chega a um clímax que, independente da opinião geral do leitor, se mostra emocionante! A narração de Mia traz um quê à mais ao grandioso clímax, que prende a atenção e consegue arrancar alguns arrepios do leitor. Mas há um grande revés na história. Se toda essa emoção acompanha o clímax de poucas páginas, os dois últimos parágrafos do livro tiram de cena toda a emoção, dando espaço à incredibilidade do leitor.
Para outros livros, o tipo de final “em aberto” pode cair bem, mas isso não acontece com Se Eu Ficar, que se torna ainda mais sem graça após o término da leitura. Não há um final concreto para a história, tudo fica vagando nos pensamentos do leitor, que se sente perdido e tem a impressão de que perdeu alguma parte da história. Isso pode ter sido uma grande jogada de marketing, visando melhores vendas de sua continuação (Para Onde Ela Foi, que será lançado no Brasil ainda esse ano pela Novo Conceito), ou então isso faz parte de como a própria Forman viu a finalização de seu livro.
Às vezes você faz escolhas na vida e outras, as escolhas vêm até você.
Pág. 159

Embarcando em todo o marketing feito sobre o filme, a Novo Conceito aproveitou para lançar Se Eu Ficar um pouco antes de sua adaptação cinematográfica. Por isso, ela mais uma vez investe em uma capa baseada no pôster do filme. Tudo bem que a capa ficou bem bonitinha e que a face da Chöe Grace Moretz ajudou para embelezá-la, mas essas capas “cinematográficas” já não estão cansando? De uma forma ou de outra, a estruturação do texto está bem agradável: há bons espaçamentos, um bom tamanho de fonte e boas margens. Os desenhos de notas musicais no canto de todas as páginas dão um ar mais “descolado” ao livro, mas isso se mostra bem desnecessário.

Divisor de opiniões, Se Eu Ficar é um típico romance adolescente lacrimejante. Ele procura todas as brechas emocionais do leitor para poder arrancar algumas lágrimas dele. Para alguns isso pode funcionar, para outros nem tanto. De uma forma ou de outra, o livro consegue nos fazer pensar sobre as questões que discute (amor na adolescência, família e vida após a morte), e esse é mais um motivo para lê-lo e então descobrir o que você, leitor, achará dele. 
As pessoas acreditam no que querem acreditar.
Pág. 64

Avaliação:






Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


7 comentários:

  1. Este romance tem uma história linda e comovente. não vejo a hora de poder ler e conferir tudo que falam sobre ele. Sua resenha me deixou bastante feliz, pois amo romances que nos emocionam. Beijos.

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  2. Uma trama com essas experiências extracorporais não é de todo o original, mas considerando que é uma publicação voltada ao público mais teen, podemos dizer que é.
    Não sabia que estavam fazendo essa comparação esdrúxula desse livro com ACEDE. Mas enfim, existe louco pra tudo. kkkkkkk
    Em relação a trama, achei bem interessante, justamente por abordar esses temas que você citou no último parágrafo dessa resenha.

    @_Dom_Dom

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  3. Ahhh, que lindo eu ganhei este livro num sorteio e ainda nem pude ler pois não chegou, mas eu também estou ansiosa para ver o filme:)))
    Beijos ;*

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  4. Oie...
    Realmente esse livro é um divisor de opiniões!! Alguns gostam, outros não!
    Eu estou super curiosa para ler e então assistir o filme, pois ele tem um enredo bem interessante e envolvente!

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  5. Oi Maheus, eu li este livro tem uns 2 anos e gostei dele, lembro que me emocionei muito na época e que logo depois soube de uma continuação que na verdade não acho que seja necessária. Pretendo ver o filme e espero gostar.
    Bjs, Rose

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  6. Assim, eu já notei que esse livro está sendo bem divisor de opiniões mesmo. O que eu vejo? Bem, com a junção do lançamento do filme junto com o SUPER marketing feito pela editora, ele acabou tendenciando o que iríamos sentir. Eu juro que pensei que A-M-A-R-I-A o livro, que eu morreria de chorar, e tudo mais. Só que não senti nada. Então eu concordo bastante com a sua resenha, creio que realmente esse livro não pode ser baseado em resenhas, e que a pessoa deve ler a obra pra decidir. :D

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  7. Matheus!
    Tenho de concordar com você em vários aspectos de sua análise, principalmente em relação ao final... a meu ver, totalmente decepcionante. Até gosto de finais abertos, mas como falou, nesse livro não cabia.
    É como digo, esse é um daqueles livros que vai depender das experiências pessoais de cada um para sentir as emoções e dilemas do livro.

    Boa semana!

    Cheirinhos

    Rudy

    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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