postado por Matheus em 13 outubro 2014

Resenha | A Família Corleone

Autor: Ed Falco
Editora: Record
Páginas: 420
Skoob
Compre


Sinopse
Nova York, 1933. Enquanto os Estados Unidos afundam na Grande Depressão, as associações criminosas prosperam com a venda de álcool e outros negócios escusos. Porém, percebendo a proximidade do fim da Lei Seca, uma guerra entre as famílias ligadas à máfia é inevitável, iniciada pela poderosa família de Guiseppe Mariposa, o que irá determinar qual organização ascenderá e qual será eliminada. Nesse cenário, Vito Corleone busca o melhor para sua família, distanciando-a de suas atividades, mas seu filho mais velho Sonny não está inclinado a se afastar e seu filho adotivo Tom Hagen parece estar cada vez mais envolvido. Então resta ao justo e implacável Don garantir que o legado dos Corleones seja mantido.



Spin-offs e prequels são termos bem comuns no meio cinematográfico. O primeiro termo designa obras que contam a história de personagens secundários de filmes de sucesso anteriores (caso recente de Annabelle, spin-off de Invocação do Mal). Já um prequel conta o que aconteceu antes da história já contada em outro filme anterior, caso de Universidade Monstros (prequel de Monstros S.A.) e Prometheus (prequel da famosa franquia cinematográfica Alien). Ainda assim, não é muito comum encontrarmos isso no meio literário, sendo pouquíssimos os livros do tipo que são encontrados por aí. Pensando dessa forma, é curioso ver a coragem de Ed Falco em “ressuscitar” uma das mais impactantes e reverenciadas sagas literárias do século passado: O Poderoso Chefão. Ele tinha uma grande e perigosa missão nas mãos: escrever um prequel que chegasse ao menos aos pés do próprio O Poderoso Chefão, desenvolvendo este trabalho sob um roteiro inacabado do próprio Mario Puzo (escritor da saga, que morreru em 1999). Mas felizmente isso é realizado, e A Família Corleone se mostra como uma leitura indispensável tanto para os fãs da violenta saga como para aqueles que não têm a menor ideia de como são os livros anteriores.


A história de A Família Corleone se passa 12 anos antes da retratada no próprio O Poderoso Chefão, mais precisamente em 1933, época onde a Grande Depressão reinava nos Estados Unidos. Para se estabilizarem com suas riquezas em Nova Iorque, muitas das associações criminosas (também chamadas de famílias) tinham que encontrar seus meios para se manterem fortes.
Liderada pelo Don Vito Corleone, a propriamente dita família Corleone tem  negócios que vão além da fachada de exportação de azeite provindo da Itália. Conhecido por sua lábia, Don Corleone comanda com destreza e cautela os negócios ilegais de sua máfia, pois é preciso ter cautela no cenário atual, onde o grupo criminoso dominado por Giuseppe Mariposa é o mais poderoso. Don Corleone, por mais que sustente sua família com o dinheiro predominantemente ilegal, não quer vê-la participando de seus negócios. Mas Sonny não quer seguir os desejos do pai, e decide entrar por si mesmo no mundo do crime.
A princípio, tudo o que faz é roubar algumas garrafas de bebida junto com sua gangue de delinquentes juvenis. O grande problema não é o roubo em si, mas sim de quem estão roubando, sendo ninguém mais ninguém menos que Giuseppe Mariposa. Obviamente, Mariposa não gosta nada disso, o que o leva a punir os responsáveis pelos roubos. Aos poucos, desentendimentos surgem entre ele e as outras famílias relacionadas à ele, e não demora à faísca da guerra entre as famílias aparecer. Esse é o momento certo para que Don Corleone cresça ainda mais entre as famílias; mas isso é extremamente arriscado, principalmente visando o grande poder de ação de Mariposa e seu grupo. E além do mais, quais seriam as consequências trazidas à sua família durante todo esse jogo de poder?
-É uma vergonha, não é, Luca? [...] As coisas horríveis que esse mundo nos obriga a fazer.
Pág. 202

Por mais detalhada que fosse, nenhuma sinopse de A Família Corleone conseguiria preparar o leitor para toda a violência contida nele. Mesmo que os primeiros capítulos se mostrem bem amenos chega um ponto onde cada capítulo contém um verdadeiro banho de sangue. Mesmo sendo viscerais e extremamente sanguinolentas, todas essas passagens tem o grande ponto positivo de não soarem artificiais, como o são a maioria de passagens desse tipo em outros livros. Mas também é necessário dizer que existem uma ou outra parte extremamente desagradável de se ler, principalmente para aqueles não tão acostumados com violência. Se a intenção do Ed Falco era chocar os leitores, com certeza ele conseguiu.
Ainda melhor do que se arrepiar com todas as descrições violentas de Falco é perceber que nenhuma delas está lá por acaso. Cada uma delas aumenta nossa percepção da verdadeira crueldade que permeava o cenário criminoso da época em Nova Iorque. A riqueza das famílias era visível, mas havia muito sangue envolvido por trás de todo aquele luxo.
É curioso perceber que muitos dos fãs de O Poderoso Chefão desaprovaram este livro por sua enorme violência e falta de originalidade. Mas convenhamos, O Poderoso Chefão também não é nenhum conto de fadas. E além do mais, muitos anos se passaram desde a publicação do primeiro livro da saga; a extrema violência de tempos remotos não são nem um terço do banho de sangue que estamos acostumados a ver em filmes, livros e séries atuais.
De qualquer forma, é inegável que Ed Falco construiu um trabalho primoroso em A Família Corleone, principalmente levando em consideração a dificuldade que ele certamente teve em escrever um livro sob um roteiro inacabado de Mario Puzo. Além de toda a violência “não gratuita”, podemos ver que toda a tensão do livro aumenta gradativamente, em alguns momentos alcançando patamares altíssimos, mas guardando o seu máximo para o clímax, simplesmente eletrizante! Os diálogos mais “cabeças” também são extremamente bem escritos. Para quem já leu O Poderoso Chefão, com certeza ainda está na memória as grandes falas de Don Corleone. Aqui, Ed Falco trás de volta toda a lábia de Don Corleone, não diminuindo em nada o impacto que a figura enigmática do Vito Corleone passava ao leitor nos outros livros da saga.  
-Chefe, [...] você não pode matar todo mundo.-Claro que posso – Retrucou Luca [...].
Pág. 173

Mais uma vez, a Record entrega-nos um livro num acabamento impecável. Adentrando à ele, vemos uma ótima fonte num bom tamanho, com boas margens. Isso sem falar na capa, extremamente elegante e com um estilo à la O Poderoso Chefão, com uma ótima referência às rosas cultivadas pelo Don Corleone.


O impacto que O Poderoso Chefão causou em toda uma geração na época de sua publicação continua sendo gigantesco. Obviamente, A Família Corleone não causou tamanho estardalhaço, mas certamente agradou àqueles que já sentiam saudades de toda a voracidade da máfia italiana descrita anteriormente por Mario Puzo. Ainda de quebra, A Família Corleone com certeza mostrou toda a história da família Corleone para novos leitores, o que de certa forma aumentará a popularidade de uma das mais icônicas sagas literárias lançadas no século passado.


Avaliação:






Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


8 comentários:

  1. Foi um prazer ler esta resenha e ver que a história me agrada. Não são todos assuntos relacionados com a máfia que me chamam a atenção, mais este foi muito bom. Fiquei curiosa com seus comentários e vou ver se consigo ler. Beijos.

    ResponderExcluir
  2. quando se é bem feito, acho legal um prequel ou um spin off. se eu fosse fã do gênero eu ia endoidar! rs no mínimo irônico que alguns tenham achado violento demais ou falta de "originalidade". ué, é sobre a máfia ñ é? sobre um clássico violento e charmoso ao seu modo. enfim, acredito mesmo que seja um livro que valha a pena ter =)

    ResponderExcluir
  3. Não curto história muito violenta, não gostei nem do filme, sendo assim não fiquei interessada em ler esse livro, definitivamente não sou fã desse gênero.

    ResponderExcluir
  4. Matheus!
    Qualquer versão, spin-off ouu prequels de o Poderoso Chefão é sempre bem vinda.
    Gosto demais de tudo relacionado a máfia... é que minha família é de descendência italiana, da Sicília e o assunto me atrai muito.
    Adorei a resenha.
    cheirinhos
    Rudy

    ResponderExcluir
  5. Nunca li ou assisti algo de O Poderoso Chefão, mas é justamente esse banho de sangue que me desanima a ler... Não sou fã de coisas tão violentas assim, então não sei se conseguiria ler... Mas pra quem estava com saudade da série com certeza essa obra já ajuda, ainda que não seja completamente escrita pelo autor original...
    Kisses =*

    ResponderExcluir
  6. Oiee.
    Humm não gostei não, acho que ficaria entediada se fosse ler esse livro, ele foge totalmente dos tipos de livros que costumo ler e não estou a fim (ao menos por enquanto) de sair da minha zona de conforto. Então não o lerei, mas amei a capa *-*

    ResponderExcluir
  7. Oie Paulo!!

    O Poderoso Chefão é uma obra super conceituada, tanto o livro como filme, e entendo o que você quer dizer que é difícil fazer uma prequel de uma obra desse nível de qualidade, fico feliz que tenha gostado, sua resenha transmite isso adorei ela. Mas dificilmente vou ler esse tipo de livro, eu sofro com as mortes em livros fantásticos, imagina com esse que tem um toque de realalidade!!

    Xo
    Re.View

    ResponderExcluir
  8. Conheço gente que é fã dos filmes, mas sinceramente não sou chegada a essas de máfia, subornos, violência, crimes ... Sua resenha é um prato cheio para quem ama a série. Gostei da sua explicação de spin off e prequels não conhecia esses termos. E concordo que é bem difícil para o Ed satisfazer os fãs com um livro com o nome O poderoso chefão. Na capa só senti a falta de um revolver.
    Um beijo

    ResponderExcluir