postado por Matheus em 18 outubro 2014

Resenha | Invisível

Autor: David Levithan e Andrea Cremer
Editora: Galera Record
Páginas: 322
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Sinopse: Stephen passou a vida do lado de fora, olhando para dentro. Amaldiçoado desde o nascimento, ele é invisível. Não apenas para si mesmo, mas para todos. Não sabe como é seu próprio rosto. Ele vaga por Nova York, em um esforço contínuo para não desaparecer completamente. Mas um milagre acontece, e ele se chama Elizabeth.
Recém-chegada à cidade, a garota procura exatamente o que Stephen mais odeia. A possibilidade de passar despercebida, depois de sofrer com a rejeição dos amigos à opção sexual do irmão. Perdida em pensamentos, Elizabeth não entende por que seu vizinho de apartamento não mexe um dedo quando ela derruba uma sacola de compras no chão. E Stephen não acredita no que está acontecendo... Ela o vê!
Stephen tem sido invisível por praticamente toda sua vida - por causa de uma maldição que seu avô, um poderoso conjurador de maldições, lançou sobre a mãe de Stephen antes de ele nascer. Então, quando Elizabeth se muda para o prédio de Stephen em Nova York vinda do Minnesota, ninguém está mais surpreso do que ele próprio com o fato de que ela pode vê-lo. Um amor começa a surgir e quando Stephen confia em Elizebth o seu segredo, os dois decidem mergulhar de cabeça do mundo secreto dos conjuradores de maldições e dos caçadores de feitiços para descobrir uma maneira de quebrar a maldição. Mas as coisas não saem como planejado, especialmente quando o avô de Stephen chega à cidade, descontando sua raiva em todo mundo que cruza seu caminho. No final, Elizabeth e Stephen devem decidir o quão grande é o sacríficio que estão dispostos a fazer para que Stephen se torne visível - porque a resposta pode significar a diferença entre a vida e a morte. Pelo menos para Elizabeth...



Resenha

Nem sempre misturar dois gêneros diferentes em uma única história pode resultar em algo bom. É preciso ser um grande escritor para poder ministrar os “estilos” de cada um dos gêneros, criando ao fim uma história homogênea. Tudo se torna ainda mais complicado quando a tarefa cabe a dois escritores e não somente a um. Para o bem dos leitores, David Levithan (famoso por seus livros juvenis com temática gay) e Andrea Cremer (escritora da série literária Nightshade) se dão muito bem como a dupla escritora de Invisível, um romance adolescente paranormal de tirar o fôlego.
O tempo parece sem sentido; um indicador arbitrário em um mundo cheio de possibilidades e problemas com os quais jamais havia sonhado até hoje.
Pág. 140


Stephen é um adolescente que vive sozinho em Nova Iorque. Sua mãe morreu há pouco tempo e seu pai mora em outra cidade desde anos antes. Mas esses não são os maiores empecilhos na sua vida, sua invisibilidade é sua grande maldição (literalmente!). Não se enganem pensando que se trata de uma invisibilidade metafórica, usada apenas para ilustrar Stephen como alguém antissocial, um “invisível” para a sociedade, pois não é bem assim, ele é realmente invisível! Até o momento, ele não tem ideia do porquê de essa maldição persegui-lo, mas tudo muda quando ele conhece sua nova vizinha de apartamento, Elizabeth, a única pessoa que consegue vê-lo.
Elizabeth ainda está tentando se adaptar em Nova Iorque, sendo que se mudou há pouco tempo com sua família, que consiste em sua mãe e em Laurie, seu irmão. O motivo para eles terem se mudado ainda causa certa raiva em Elizabeth; depois que seu irmão assumiu sua homossexualidade na cidade onde moravam, um bando de garotos o pegou e o espancou. O pai deles agiu com indiferença, como se Laurie tivesse irritado os garotos. Para o bem de seus filhos, sua mãe decidiu se separar e começar uma nova vida na Big Apple.
Para Stephen, aquilo é estranho, já que ele nunca passou por isso. Nunca ninguém o viu, nem mesmo sua mãe! Uma confusa conversa se forma entre os dois, e em pouco tempo isso evolui para um relacionamento. Um relacionamento difícil devido à invisibilidade de Stephen para o resto do mundo, mas ainda assim um relacionamento. Após descobrirem que a maldição de Stephen foi lançada por seu próprio avô, Maxwell Arbus, um poderoso conjurador (feiticeiros que conseguem pregar as mais diversas maldições em qualquer um), Elizabeth se sente obrigada a procurar uma forma de acabar com a maldição de seu amado. E é assim que ela, Stephen e Laurie se juntam numa busca arriscada por uma solução em uma Nova Iorque rodeada pelo perigo iminente de conjuradores e maldições.
A chave para se conviver com um problema é não pensar nele o tempo todo.
Pág. 28

Aqueles que leram a sinopse do livro com certeza o lerão esperando a coisa certa: um romance regado de uma boa dose de magia. Mas aqueles que o leram sem ter nem ao menos pesquisado sua sinopse (eu!) terão um grande espanto quando mudarem os rumos da história. No início, temos um romance adolescente escrito da melhor forma possível: agridoce e extremamente carismático. Mas, depois de umas cem páginas, percebemos que esse não é o verdadeiro centro da história. E é nesse “entrelinhas de gênero” que se esconde o grande lado negativo de Invisível.
Se o começo agridoce cativa os fãs por sua simplicidade e excentricidade romântica o “centro da história”, por assim dizer, nos emociona com uma aventura extremamente bem desenvolvida. Mas a transição entre esses dois polos ocorre de forma morna e, realmente, sem graça. Quase ao fim da parte romântica do livro, é fácil notar que o livro perde muito de sua graça. Os risos bobos do começo desaparecem, e a alegria melancólica também. O pior de tudo é que demora em toda a aventura ter início, e enquanto isso lemos páginas que, mesmo que bem escritas, não passam emoções nenhumas.
Mas toda a aventura que o livro abriga é o suficiente para saciar todos os leitores que estão à espera de emoção. O que chama a atenção durante as longas páginas onde transcorre a aventura é que, mesmo sendo escrito sob uma história absolutamente fantasiosa, é extremamente fácil se identificar com os personagens e então pensar que tudo aquilo é a realidade. É como se, durante a leitura, vivêssemos num mundo onde maldições e feiticeiros fossem coisas comuns. De certa forma, talvez tenha sido essa a intenção de David e Andrea.
Em certos momentos da leitura, é fácil identificar toda a história de maldições e feiticeiros como uma grande metáfora para a vida real. Tudo bem que isso não é lá grande novidade para os livros juvenis do tipo, mas ainda assim é interessante perceber que, mesmo com uma história aparentemente bobinha, Invisível consegue passar algo para o leitor.
Outro ponto positivo que vale ressaltar no livro é a forma como são divididos os capítulos. Há capítulos narrados por Stephen, e outros por Elizabeth, e eles se intercalam, sempre criando um divertido jogo de pontos de vista. Não sei se cada escritor se encarregou de escrever os capítulos sobre o ponto de vista de um personagem, mas se for assim mais uma vez parabéns ao David e a Andrea, que conseguiram juntar suas escritas formando uma história extremamente coesa.
-É impressionante o que as pessoas podem fazer umas com as outras mesmo sem o auxílio de conjuradores. É impressionante e terrível.
Pág. 168

Referente a capa, seu design é realmente incrível. Além do grande contraste das cores, aquele “ponto” verde na parte inferior da capa só é visível quando visto de certo ângulo, o que dá uma ótima ideia de invisibilidade. Mas a capa passa uma ideia oposta ao que o livro é. Vendo-a, é fácil esperar um romance adolescente com tons paranormais, mas ela não dá espaço para mostrar toda a aventura que abriga. Exceto por essa questão, todo o livro físico, por dizer assim, é ótimo. As fontes são de ótimo tamanho, as margens e os espaçamentos também. Ou seja, não há nenhum empecilho na leitura.


Concluindo, Invisível recebe grande destaque devido à sua originalidade. E também pela ótima escrita de David Levithan e Andrea Cremer, é claro. Mas, por mais que o começo agridoce seja agradabilíssimo e que a aventura em si seja extasiante, há um grande vale de monotonia entre os dois. Páginas e mais páginas que servem apenas para descrever o que acontece, sem passar nenhuma emoção. Felizmente, isso não faz com que o leitor não se sinta recompensado quando o livro se acaba.
[...] a solidão vem da ideia de que você pode estar envolvido no mundo, mas não está. Ser invisível é ser solitário sem o potencial de ser outra coisa além de solitário. Por isso, depois de um tempo, você se retira do mundo. É como se estivesse num teatro, sozinho na plateia, e tudo o mais estivesse acontecendo no palco.
Pág. 106


Avaliação:







Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


16 comentários:

  1. Quando eu vi o titulo "Invisível" pensei logo em uma pessoa excluida da sociedade, tímida, nada popular, e com poucos amigos, ou nenhum. Ainda bem que eu estava errado. Acho meio clichê essa história de "invisível pra sociedade". A capa é meio "não atraente", mas não se deve julgar um livro pela capa, principalmente depois de ler uma resenha dessa *0* Amo livros com esse lance de magia, maldição, paranormalidade. Fiquei com vontade de ler, muita mesmo.

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  2. Estou doida pra ler esse livro, a história é muito interessante e original, cada resenha que leio dele me deixa ainda mais ansiosa pra conferi essa história que parece ser ótima.

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  3. acredita que eu nunca li um livro do Levithan. esse com certeza é diferente, como assim o protagonista é invisível literalmente! claro que tbm há o sentido metafórico das situações, mas achei mesmo bem original ser assim no livro. os autores pelo visto souberam bem misturar seus pontos d evista e fazerem uma história que emociona e que pode suspreender o leitor por sua originalidade. capa simples mas bacana. quem sabe eu conheça a escrita de Levithan por esse livro =)

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  4. Estou lendo e ainda não acabei, por isso não li toda sua resenha, concordo que ambos escrevem bem. Mas eu estou arrastando a leitura... no meio o livro se torna muito infanto juvenil, fantasioso... a capa achei ótima, chamativa e condizente com o tema. Acredito ser muito difícil escrever um livro com outros autores.
    Um beijo

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  5. Oiee.
    Só o fato desse livro ter sido escrito pelo David Levithan já me interessou, li Todo Dia e me apaixonei por seu modo de escrever.
    Amei sua resenha e fiquei ainda mais interessada, fiquei curiosa para saber o por que do Stephen ser invisível e por que afinal só Elizabeth (não entendi se Laurie também), pode vê-lo.
    Fiquei intrigada com essa história de maldição e essas coisas.
    Concordo com você sobre a capa, a original é muito mais bonita.
    Já está na minha lista faz tempo, mas agora ele acabou de passar na frente de outros.
    Bjokas!

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  6. A história é agradável e até um certo ponto envolvente. Mais achei juvenil demais e um tanto quanto arrastado. Não gostei e nem desgostei. Foi razoável minha leitura. Beijos.

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  7. Ainda não li nada dos dois autores, mas não acho que seja por esse que vou começar... Esse livro desde o início não me despertou curiosidade... A capa não achei tão boa assim, e a sinopse me mostrou um enredo que não acho que eu vá gostar... Como ainda tem um período de monotonia, acho que eu não conseguiria terminar... Para quem se identificou imagino que deve ser legal mesmo, mas no meu caso não funcionou... Pode ser que no futuro eu leia, mas por enquanto eu passo...
    Kisses =*

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  8. Se você curte livros com essa temática, leia que não se decepcionará ;)

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  9. Referente ao Levithan, essa ainda é meu primeiro contato com ele. Mas tenhao interesse em ler Will & Will, que ouço ser ótimo!
    Se a sua escrita for tão original quanto a de Invisível com certeza será um grande livro! :D

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  10. Sério que você está achando o livro muito infanto juvenil?
    Talvez seja apenas a parte que está lendo, quem sabe o final de surpreenda... haha

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  11. Ah, Laurie não consegue ver Stephen também hahaha
    Vi a capa original e achei bem "maisomenos" kkkk
    Por mais que não tenho achado essa capa ótima, prefiro essa mesma <3

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  12. Minha opinião estava igual a sua, até que o final (não sei porque) mudou meu ponto de vista hahaha

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  13. Cara como eu adorei ler esse livro! Simplesmente fui pego de surpresa assim como você falou na resenha esperava um romance adolescente paranormal e putas recebi bem mais do que isso! O livro tem um universo tão profundo fiquei pasmo como as coisas se encaminham e mudam durante o livro!! E tenho que dizer todos os livros do David (ou que ele faça parte) que eu li são magníficos e muito bem escritos!! Não tenho do que reclamar só elogiar! Eu adorei a capa brasileira, ao meu ver a frente faz referência a Stephen e a capa traseira faz referência a Elizabeth!!
    Adorei sua resenha Matheus!!!

    Xo
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  14. O final é até meio violento. Concordo com sua resenha, o começo é super cativante, o meio chessus só enrola, e o final é interessante gostei do resumão que tem nas últimas páginas. Vi alguns erros na escrita dos nomes, mas nem maiores problemas. Spoiler Por que Arbus não matou Millie? Porque ele só queria o mal?
    Um beijo

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  15. Matheus!
    Primeira resenha desse livro que vejo a sinceridade nua e crua. Fala realmente o que podemos esperar do livro, da escrita e de tudo o mais...
    Realmente a premissa da invisibilidade é sui generis e interessantíssima de se ler e quando misturada a magia, bruxaria e coisas do gênero, aos meus olhos fiam ainda mais aprazíveis de leitura.
    Obrigada pela resenha.

    Tenha uma semana de sucesso!

    Cheirinhos

    Rudy

    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  16. Agora fiquei curiosa para saber o final, já estava quase desistindo de terminar o livro. Ahh Matheus.. depois conto o que achei do final

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