postado por Matheus em 29 dezembro 2014

Resenha | Brigitte Bardot

Autora: Marie-Dominique Lelièvre
Editora: Record
Páginas: 322
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Sinopse

Nesta deliciosa biografia, conhecemos a verdadeira Brigitte Bardot: mimada, complexada, voluntariosa e, ao mesmo tempo, talentosa, sensível, encantadora. É essa ambiguidade o verdadeiro atrativo da atriz, que conquistou o público, amantes e famosos diretores de cinema, antes de se recolher ao ostracismo auto imposto para cuidar dos animais. De femme fatale à figura polêmica na França, Lelièvre descortina a vida de uma das mulheres mais famosas do mundo, que ainda permanecia misteriosa para muitos.



Resenha

Nos dias atuais, Brigitte Bardot pode não figurar entre as lendas do cinema mais reconhecidas mundialmente. Aos poucos, todos puderam ver que ela foi perdendo sua fama, tão grande nos anos 1960. Conhecendo sobre sua carreira e vida ou não, ler esta biografia é como ler seu diário, podendo descobrir seus segredos, seus sofrimentos e sentimentos. Tudo isso devido a um trabalho magnífico de pesquisa da biógrafa Marie-Dominique Lelièvre.
O que, em Bardot, pode encantar uma menina? Tudo. Tudo nela é sedutor, a lourice, a atitude. A feminilidade afirmativa, um toque ruivo, os dentes separados, o sex-appeal sadio, a audácia andrógina. [...] Tudo que faz parece natural e sem esforço: só o prazer a move.
Pág. 10


De infância difícil, Brigitte Bardot cresceu para se tornar um marco na cultura francesa! Quando criança, começou a estudar música e dança, sendo esta última seu grande amor. Se antes se achava uma menina feia, com seus dentes separados e seu aspecto magricelo, foi na dança que começou a ver sua beleza. Não demorou a, aos cuidados da mãe, entrar no mundo da moda, fazendo pequenas sessões de fotos, nunca sendo o centro das atenções. Mal sabia ela que após a moda sua vida nunca mais seria a mesma...
Mesmo que jovem, sua beleza chamava a atenção dos homens, inclusive de Roger Vadim. Aspirante à cineasta, Vadim ficou tão encantado com BB que queria que ela estivesse no seu primeiro filme. Mas antes que o filme fosse realizado veio a relação amorosa entre os dois, o que resultou num casamento em 1952. Quatro anos depois, estreou E Deus Criou a Mulher, dirigido por Vadim e estrelado por Bardot. O grande marco da vida de Bardot. De desconhecida, BB se tornou um sex symbol. Seus cabelos loiros e longos, seus dentes belamente separados, seu jeito de atuar natural: tudo ficou no imaginário popular, o que se reflete até hoje, onde podemos encontrar diversas celebridades influenciadas por seu estilo único (entre elas Pamela Anderson, Gisele Bündchen e Kylie Minogue).
Mas sua vida foi repleta de polêmicas e maus momentos. Uma gravidez inesperada, a constante perseguição de paparazzis, seu verdadeiro rodízio de namorados e maridos, sua aposentadoria precoce dos cinemas para se dedicar aos animais: essas são apenas algumas das polêmicas e “sofrimentos” vividos por Brigitte. Todos os outros podem ser conferidos neste livro, magistralmente escrito.
-Você não usa nada no rosto? [...] 
-Só o sol – responde Brigitte.
Pág. 183

Já acostumada com biografias, Marie-Dominique Lelièvre já escreveu biografias de Serge Gainsbourg e Yves Saint Laurent (ambos também franceses). Seu trabalho de pesquisa para construir uma biografia muito bem embasada é incrível! Autobiografias, depoimentos de amigos e ex-namorados, antigas entrevistas televisivas, Lelièvre vai até onde é preciso para conseguir dados necessários para mostrar a vida de BB como realmente foi.
E isso é de extrema importância para que o livro se torne interessante até para aqueles não tão “íntimos” de Bardot. Por mais que o leitor nunca tenha assistido a um filme seu, aos poucos ele vai se aproximando da vida dela, fazendo com que um vínculo imaginário seja formado entre os dois. Sentimos suas dores, vemos sua sensualidade nata e se sentimentos afeiçoados por essa mulher repleta de mistério e sedução, tudo isso enquanto se lê este livro.
Felizmente, a leitura flui de forma rápida. Por vezes, é comum notar alguns capítulos mais arrastados, mas isso não se deve a uma escrita morna, mas sim ao excesso de informações. Claramente esse não é um defeito do livro, pois é com essa grande quantidade de informações que podemos ver o retrato mais verdadeiro da vida de Brigitte. Ainda assim, como já foi dito, em certos momentos esse excesso de dados deixa a leitura mais estagnada; porém, não demora a aparecer outro momento marcante da vida da atriz, o que anima a leitura. E quantos momentos marcantes!
No decorrer da leitura, assistimos todos os grandes momentos da vida de BB com vista privilegiada. Vemos sua presença estonteante no Festival de Cannes. Vemos como era sua vida nos bastidores de seus filmes de maior sucesso. Vemos como foi seu desastroso casamento com o playboy Gunter Sachs. Ou seja, vemos sua vida como ela realmente foi. Mas ainda mais impactantes que essas passagens são seus segredos pouco conhecidos que são mostrados no livro, caso de seus abortos e da ambliopia, doença onde um olho perde um pouco da visão, porém mantendo o outro intacto. Brigitte sempre teve essa doença, contudo quase nunca fala sobre. E é assim, entre meio a segredos e momentos de fama, que se desenvolve o livro.
Outro ponto positivo do livro é que Marie-Dominique, em pouquíssimos momentos, julga BB. Por mais que esteja escrevendo sobre os momentos mais polêmicos da vida da musa francesa, Marie-Dominique abstem-se de excessivos comentários pessoais. Quando os faz, é apenas como uma anotação, nada que tire o destaque da própria Brigitte Bardot.
Brigitte é Monroe sem o puritanismo.
Pág. 82

É fácil se sentir atraído pelo livro por sua capa. Ela é inteiramente dourada, mostrando um brilho chamativo, mas elegante. Juntando a isso a bela fotografia de Bardot temos uma capa perfeita! Com uma ótima divisão de capítulos, a leitura em momento algum se torna cansativa devido à formatação do texto, que tem um ótimo tamanho de fonte e ótima margem.
“E daí?! É isso mesmo! Não precisa complicar! É preciso dizer as coisas como são. A gente ama e depois deixa de amar.” (Brigitte Bardot)
Pág. 223

No final das contas, a leitura de Brigitte Bardot se mostra revigorante. Ela não passa nenhum ensinamento de vida ao leitor, e em momento algum tem a intenção de fazer isso. É uma leitura contida, sem grandes emoções, onde a única coisa que se pode encontrar é um relato extremamente verdadeiro da vida de uma grande pessoa. Mas o que mais poderíamos querer, levando em consideração que a tal “grande pessoa” é alguém tão interessante e magnífica quanto Brigitte Bardot?
Suas fraquezas saltam aos olhos. Vez por outra, mostra-se altiva e desdenhosa. Seu jeito é rude: se exalta, se impaciente, intimida, provoca. Ela não sabe agir de outra maneira. E não o esconde. Ela é humana.
Pág. 300


Avaliação:






Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


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