postado por Matheus em 17 dezembro 2014

Resenha | Tequila Vermelha

Autor: Rick Riordan
Editora: Record
Páginas: 432
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Sinopse

Jackson 'Tres' Navarre retorna para sua cidade natal dez anos após o assassinato de seu pai. Porém, o caminho para as respostas em San Antonio, Texas, é bem mais difícil do que se pensava. Encontros com a máfia, jogos políticos, corrupção e dramas familiares tentarão desviar Tres da verdade ou matá-lo, o que acontecer primeiro. Tres pronunciasse “trace”.






Resenha

Para um autor reconhecido por uma determinada saga literária famosa, é sempre um desafio lançar outros títulos fora da saga. Caso claro de J. K. Rowling, que após ser reconhecida mundialmente por ser escritora de Harry Potter, se aventurou na literatura adulta com Morte Súbita. De forma inversa se encontra Rick Riordan. Famoso mundialmente pela série Percy Jackson & os Olimpianos, poucos sabem sobre seus livros situados fora do Acampamento Meio-Sangue. Só para citar, ele até possui outra série escrita antes de Percy Jackson: Tres Navarre. Contando com 7 livros, Tequila Vermelha é o primeiro deles, e também o primeiro do autor. Mas enfim, porque a série Tres Navarre não fez sucesso algum? A resposta é bem visível quando se termina de lê-lo: ele não tem potencial para best-seller.


Detetive particular sem licença, mestre em tai chi e um encrenqueiro dos bons: esse é Tres Navarre. Passados longos dez anos do cruel assassinato de seu pai, Tres volta a cidade de San Antonio, Texas, cidade essa que ele havia decidido deixar para se esquivar de toda a dor que a morte de seu pai lhe causava. O motivo para a volta? Lillian Cambridge. Ela era sua ex-namorada, sendo que Tres sumiu da cidade sem dar satisfações à ela. Mas, por um motivo ou outro, Lillian havia entrado em contato com ele, dizendo que queria que ele voltasse para San Antonio. Tres Navarre voltou, mas esse não foi o único motivo para sua volta. Ainda sem explicações para a morte de seu pai, Navarre achava que podia solucionar esse grande mistério. Porém, nem ele mesmo sabia se gostaria de descobrir o porquê daquilo acontecer...
Mas não havia mais o que fazer. Logo que pôs os pés na cidade e começara a re-investigar o assassinato de seu pai os problemas apareceram. Lillian sumiu, e com isso o seu foco de investigação mudou. Mas o que teria acontecido à Lillian, ela fugiu ou então foi sequestrada? Nenhuma resposta estava à espera de Navarre e por isso ele teve que ir à fundo em suas investigações. Foi então que descobriu uma terrível história repleta de crimes, chantagens, corrupção, fraudes e muito, muito dinheiro; história essa que envolvia empresários renomados da cidade, políticos e outras autoridades. Mas o que teria Lillian a ver com aquilo? E pior, será que a morte de seu pai, que também era policial, teria algo a ver com aquela misteriosa história?

Realmente, a história central de Tequila Vermelha é ótima. Ele possui tudo o que um bom livro policial precisa: um detetive azarado e com senso de humor, um crime muito bem construído e repleto de mistérios e um par romântico. Mas não é na história em si que se encontra o problema do livro.
Por mais que contenha todos os elementos necessários e que seja bem escrito, não é só disso que se constrói um bom livro. É necessário colocar emoções no decorrer da história, é preciso fazer com que o leitor se sinta cativado com os personagens, é preciso fazer com que o leitor sinta algo. E é justamente aí que Tequila Vermelha falha. Enquanto lemos uma mirabolante história repleta de assassinatos e dinheiro, tudo fica muito claro em nossa mente. Cada detalhe está em seu devido lugar, fazendo com que o grande quebra-cabeça se monte aos poucos. Mas de nada adianta ter um quebra-cabeça de mistérios montado em sua cabeça se você não sentiu nada enquanto ele era montado.
É incrível a habilidade de Rick Riordan em escrever passagens cheias de ação de forma morna e sem emoção. Tiroteios podem estar acontecendo, pessoas podem estar morrendo, segredos obscuros podem estar sendo revelados, mas em qualquer caso a escrita é sempre fria e sem sal. Realmente uma pena, vendo o grande potencial que a história central possui.
Ainda mais desanimador é perceber que é impossível sentir carisma pelos personagens. A mocinha indefesa e confusa (Lillian) não convence e o detetive azarado, mesmo com suas inúmeras piadinhas, não consegue cativar. Pior ainda é o desfecho amoroso do livro, completamente equivocado.
Mas nem tudo em Tequila Vermelha é desanimador. Como já foi dito, a história central é muito boa, e Rick Riordan sabe muito bem como desenvolvê-la. Aos poucos, o grande mistério vai se revelando, mas não de maneira explicita, é necessário que o leitor pense. Nada é meramente descrito de forma gritante, tudo é muito sutil e contido, o leitor tem que decifrar nas entrelinhas do livro o porquê daquilo estar acontecendo. E esse é um grande ponto positivo do livro. Entre tantos romances policiais com histórias mirabolantes, mas inconsistentes, Tequila Vermelha é muito bem desenvolvido, nunca se esquecendo de deixar um espaço para o leitor refletir consigo mesmo.

A capa do livro dispensa comentários. Por mais que tenha uma ilustração interessante, ela não consegue passar animação a quem a vê; ou seja, ela não consegue chamar atenção. O interior do livro também não é dos mais animadores. O tamanho da fonte não é das maiores e as margens também não são tão boas, o que acaba resultando numa leitura que se mostra um tanto mais cansativa.

Assim como boa parte dos romances policiais, Tequila Vermelha é um livro de opiniões particulares. Onde uma pessoa pode encontrar uma ótima história repleta de emoções, outro indivíduo pode encontrar apenas tédio. Então não há muito o que temer até começar a lê-lo e então ver o que você realmente achou sobre o livro.
-Os erros do passado não mudam nada.
Pág. 342

Avaliação:







Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


1 comentários:

  1. Eu adoro os livros da sério Percy Jackson, As Crônicas dos Kane e já estou ansioso para ler a nova serie do Rick, Magnus Chase, sobre deuses nórdicos, talvez seja porque essa é a primeira aventura literária dele e talvez o próximo livro possa ser melhor, mas acho que ele se sai melhor com literatura infantojuvenil, não me interessei pelo livro, já sei que não lerei essa série!

    Xo
    Re.View

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