postado por Matheus em 27 janeiro 2015

Resenha | As Vantagens de Ser Invisível

Autor: Stephen Chbosky
Editora: Rocco
Páginas: 224
Skoob
Compre
Sinopse
Ao mesmo tempo engraçado e atordoante, As vantagens de ser invisível reúne as cartas de Charlie, um adolescente de quem pouco se sabe - a não ser pelo que ele conta nessas correspondências -, que vive entre a apatia e o entusiasmo, tateando territórios inexplorados, encurralado entre o desejo de viver a própria vida e ao mesmo tempo fugir dela.
As dificuldades do ambiente escolar, muitas vezes ameaçador, as descobertas dos primeiros encontros amorosos, os dramas familiares, as festas alucinantes e a eterna vontade de se sentir “infinito” ao lado dos amigos são temas que enchem de alegria e angústia a cabeça do protagonista em fase de amadurecimento. Stephen Chbosky capta com emoção esse vaivém dos sentidos e dos sentimentos e constrói uma narrativa vigorosa costurada pelas cartas de Charlie endereçadas a um amigo que não se sabe se real ou imaginário.
Íntimas, hilariantes, às vezes devastadoras, as cartas mostram um jovem em confronto com a sua própria história presente e futura, ora como um personagem invisível à espreita por trás das cortinas, ora como o protagonista que tem que assumir seu papel no palco da vida. Um jovem que não se sabe quem é ou onde mora. Mas que poderia ser qualquer um, em qualquer lugar do mundo.



Resenha


Há livros que conseguem captar com maestria todos os sentimentos de uma geração. Há livros que conseguem nos fazer pensar sobre o significado da vida sem precisar de histórias melodramáticas. Há livros que nos dão um novo ponto de vista do mundo à nossa volta. E há As Vantagens de Ser Invisível, que consegue realizar esses três fatos citados anteriormente e ainda possui outros tantos méritos, tornando-o único e memorável.
Depois que a música terminou, eu disse uma coisa:

“Eu me sinto infinito.”
Pág. 43

Charlie é um adolescente que está passando por todas as situações normais a qualquer adolescente: a incerteza em relação ao futuro, as primeiras paixões e a descoberta da amizade verdadeira. Porém, ele não é um adolescente normal. Seu único grande amigo se suicidou, o que o levou a passar um bom tempo no hospital, se restabelecendo do choque da notícia. Desde que saiu do hospital, sua vida na escola não é das melhores. Ele não possui mais amigos, e agora todos o olham como se houvesse algo de errado com ele. Para amenizar a pressão psicológica que estava sofrendo, Charlie decide escrever cartas sobre seu dia-a-dia, todas destinadas a uma pessoa desconhecida.
Desde que ingressou no ensino médio, a única pessoa com quem Charlie possui um contato maior é com Bill, seu professor de inglês. Porém, isso muda quando ele conhece Patrick e Sam, veteranos do último ano do ensino médio. Aos poucos uma amizade vai nascendo, e Charlie tenta “participar” da vida, conselho que Bill lhe deu. Na companhia de Patrick e Sam, Charlie vai descobrindo a vida como é; as noites de festas, os sentimentos confusos, as apresentações de The Rocky Horror Picture Show, os momentos onde eles se sentem infinitos, tudo ajuda para que Charlie se sinta melhor e então descubra o sentido de sua existência no mundo.
- Charlie, a gente aceita o amor que acha que merece.
Pág. 35

Logo que se começa a leitura uma coisa chama a atenção: a forma como o livro é escrito. Charlie, que é o narrador do livro, conta sua história através de cartas, direcionadas a um desconhecido; para ele, cartas são mais íntimas que um diário, e, além disso, elas o ouvem e entendem. E é aí que começa toda a magnificência de As Vantagens de Ser Invisível.
Chbosky utiliza desse parâmetro para construir seu livro de forma primorosa. Realmente, as cartas de Charlie são extremamente pessoais, e isso faz com que o leitor se introduza em seu dia-a-dia com extrema facilidade. A cada carta que escreve, conhecemos mais e mais sobre ele e seu psicológico, além, é claro, de nos sentirmos extremamente próximos de seus grandes amigos. Esse jogo de intimidade que o livro cria é algo magnífico; conseguimos entender os temores e as emoções de Charlie facilmente, sem precisarmos nos esforçar para entender tudo o que ele está sentindo.
Porém, o livro vai mais longe do que somente estudar seus personagens no contexto psicológico. Ele também dá um retrato completo da sociedade da época (anos 1990). A pressão do Ensino Médio nos EUA é mostrada com precisão no dia-a-dia de Charlie e seus amigos; o preconceito referente a homossexualidade é fortemente notado no personagem de Patrick; a questão familiar também tem amplo espaço para a discussão durante a leitura. Ou seja, este não se trata de um livro juvenil vazio de conteúdo, muito pelo contrário, ele é extremamente inteligente, como poucos do gênero conseguem ser.
Stephen Chbosky não tem medo de cutucar as feridas de toda uma sociedade hipócrita! Temas fortes pipocam no decorrer da leitura. Alguns são pertinentemente ao universo juvenil, como o uso de drogas, a promiscuidade e a homossexualidade. Porém, Stephen vai mais além, tratando também da pedofilia. Se nas mãos de qualquer escritor todos esses temas poderiam render uma história polêmica sem sentido, não é isso que acontece com Chbosky. É com todos esses temas que ele encontra uma base sólida para escrever seu livro de forma inteligente, questionando o leitor sobre esses temas mesmo sem fazer nenhuma pergunta direta. O fato de ele nunca criar um julgamento de certo e errado acerca de tudo isso também é outro trunfo de sua escrita, não nos entregando assim uma história mastigada e fútil. Por mais que a história seja de fácil compreensão, é necessário que o leitor reflita sobre tudo o que lê.
É óbvio que o livro não constrói um clima tenso sobre toda a história. Pelo contrário, ele possui um humor simplório muito engraçado; em algumas passagens é impossível não ficar com um sorriso no rosto. Além do humor, todas as citações musicais, literárias e cinematográficas que aparecem durante a leitura tornam o livro ainda mais descontraído. A música, aliás, possui um papel de destaque na história, já que um dos momentos mais marcantes dela se deve à música que está tocando. Da mesma forma são as citações literárias, pois é através dos livros dados de Bill para Charlie que eles vão desenvolvendo sua diferente amizade.
Porque não há problema em sentir as coisas. E ser quem você é.
Pág. 221

Como está dito desnecessariamente na capa do livro, As Vantagens de Ser Invisível é o livro que inspirou o filme homônimo. Para aqueles que lerem este livro é extremamente interessante irem atrás de sua adaptação cinematográfica. Isso porque o filme é dirigido e roteirizado por Stephen Chbosky; isso mesmo, o autor! Sendo assim, assistir o filme após ler o livro é como um complemento à leitura, já que toda a emoção transposta pelo livro também está presente no filme, mesmo que o último tenha cortado diversas passagens marcantes do livro. O ótimo elenco, que conta com Ezra Miller, Logan Lerman e Emma Watson (numa atuação impressionante), só ajuda para tornar o filme uma obra emocionante e fiel ao livro em que se baseia.
E eu acho que todo mundo é especial à sua própria maneira.
Pág. 192

Intimista, cru, humorado e melancólico, porém sempre emocionante, As Vantagens de Ser Invisível capta com perfeição o sentimento de milhares de jovens ao redor do mundo. Sua história inteligente sem piegas também pode cativar outros leitores além dos jovens; afinal de contas, não há idade certa para se sentir infinito!
Mas mesmo que não tenhamos o poder de escolher quem vamos ser, ainda podemos escolher aonde iremos a partir daqui. Ainda podemos fazer coisas. E podemos tentar ficar bem com elas.
Pág. 221

Avaliação:









Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


13 comentários:

  1. Hey, tudo bem?


    Tenho uma relação de amor e ódio com essa obra. Achei a maneira como o livro foi narrado meio sem sal, entende? Não foi aquela coisa que me prendeu do começo ao fim. Contudo, o filme foi sensacional, e ainda serviu para tirar aquela imagem infantil de Percy Jackson que tinha do Logan.

    Abraços,
    Matheus Braga
    Vida de Leitor - http://vidadeleitor.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. MATHEUS!

    Gosto de livros que abordam assuntos polêmicos e aspectos psicológicos de seus protagonistas.

    Confesso que não esperava que o livro abordasse o tema homossexualidade e pedofilia e fiquei muito interessada em ver a abordagem do autor de forma imparcial e sem preconceito.

    A resenha está magnífica, parabéns!

    Não assisti o filme ainda, mas o farei assim que ler o livro.

    Desejo uma maravilhosa semana!!

    Cheirinhos

    Rudy

    ResponderExcluir
  3. Esse livro é muito amor, li a um tempo atrás, e pretendo reler ainda esse ano. Charlie é um personagem muito cativante, dá vontade de ser amiga dele o tempo todo, hahaha. Adorei a forma como o livro abordou certos assuntos sem toda essa tensão, mas de forma leve, como você disse, o livro não constrói um clima tenso.
    O filme é muito bom, gostei bastante, acho que eles se complementam, e os atores são incríveis, adoro Logan, Ezra e Emma de todo o meu coração <3
    Beijos!

    ResponderExcluir
  4. Eu já deveria ter lido esse livro à muito tempo, vejo muitas pessoas falando muito bem sobre esse livro na net. Eu já assisti o filme e gostei muito, principalmente do Elenco, Emma e Logan ♥ Ótima resenha! Não sei porque ainda não lí esse livro, ele nem é caro, pelo contrário, sempre vejo com um preço bom nos sites de compras online.

    ResponderExcluir
  5. Nunca vi o filme e nem li o livro, porém sempre me interessei, mais ainda pra ver o filme para falar a verdade por causa do elenco haha' ótima resenha, bjão

    ResponderExcluir
  6. Fabio Maurer Nonnemacher29 de janeiro de 2015 17:09

    Já assisti o filme e gostei. Mas nunca tive a chance de ler o livro. Gostei da resenha e o livro parece ser muito bom.

    ResponderExcluir
  7. Adoroooooooo o filme.
    Porém, ainda não li o livro. Com certeza, deve ser bom!
    Não sabia que o filme foi dirigido e roteirizado pelo autor. \o/ Que legal!!!
    Espero poder ler em breve.
    Beijos!!

    ResponderExcluir
  8. Gostei muito do filme, quero muito ler o livro, curto muito histórias com temas polêmicos.

    ResponderExcluir
  9. Sou apaixonadíssima pela capa desse livroooo!
    To namorando ele faz tempo, mas ainda não o li. Deesse ano não passa!
    Conheci ele quando lançou o filme, mas preferi deixar para assistir depois de ler, então né... kkkkk vou ver se o leio logo, tbm to curiosa para ver a Emma <3

    ResponderExcluir
  10. Esse livro... tem história... tem muitos quotes. Diferentemente do usual, li esse livro logo após de ver o filme. Fui em uma cabine e teve sorteio desse livro e por muita sorte, ganhei... cheguei em casa e comecei a devorá-lo. Uma surpresa muito grande, o fato do autor conseguir trabalhar em duas formas (filme+livro) mostra como adaptações podem ser tão fiéis... ♥

    beijos,

    Amy - Macchiato

    ResponderExcluir
  11. Oi, Matheus.
    Confesso que é bem difícil achar um livro que seja a junção desses três quesitos que você citou.
    E, olha, eu ainda não li esse livro, mas a emoção que você conseguiu transmitir com essa resenha me fez ansiar para comprá-lo o quanto antes

    ResponderExcluir
  12. Desbravadores de Livros31 de janeiro de 2015 23:56

    Oi, Matheus.
    Bom saber que mesmo nos passando uma lição, o livro ainda consegue nos passar humor e deixarmos afoitos a cada detalhe.
    Eu ainda não li, mas sem dúvidas lerei em breve

    ResponderExcluir
  13. Gostei muito da sua resenha e comecei a ver o livro com outros olhos, mas mesmo assim não gostei muito do livro, confesso que gostei bem mais do filme haha

    Beijos!

    http://palavrasdeumlivro.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir