postado por Matheus em 28 janeiro 2015

Review | Boyhood - Da Infância à Juventude

Diretor: Richard Linklater
Duração: 2h 45min
Lançamento: 2014
Gênero: Drama


Sinopse

O filme conta a história de um casal de pais divorciados (Ethan Hawke e Patricia Arquette) que tenta criar seu filho Mason (Ellar Coltrane). A narrativa percorre a vida do menino durante um período de doze anos, da infância à juventude, e analisa sua relação com os pais conforme ele vai amadurecendo.









Crítica


Mason Evans Jr. (Ellar Coltrane) é um garoto americano comum de seis anos. Sua mãe, Olivia Evans (Patricia Arquette), é da classe trabalhadora; mãe solteira, ela cuida sozinha de Mason e Samantha (Lorelei Linklater), sua filha. Querendo uma vida melhor para seus filhos, ela decide mudar de cidade para então terminar sua faculdade. Na nova cidade, Olivia começa a namorar Bill Welbrock (Marco Perella), seu professor da universidade; além disso, lá seus filhos ficam mais próximos de sua avó materna. Logo que se mudam, Mason (Ethan Hawke), o pai dos dois, começa a manter um contato maior com eles, visitando-os com certa frequência. A partir daí, Mason Jr. começa a crescer, passa por todos os dilemas da puberdade e então da adolescência, observando com precisão a vida a seu redor.
E é assim, sem apetrechos à vida costumeira, que se desenvolve Boyhood – Da Infância à Juventude.

Jessi Mechlern e Ellar Coltrane numa das 
sequências mais melancólicas de Boyhood
Gravado no decorrer de doze anos, Boyhood – Da Infância à Juventude chamou a atenção de todos justamente por isso. A ideia de Richard Linklater de filmar um drama familiar durante doze anos, mostrando com realismo e precisão todas as mudanças físicas e psicológicas de seus personagens, é praticamente genial! E agora essa sua genialidade está lhe rendendo grandes frutos. Aclamado pela crítica, Boyhood está presente em praticamente todas as listas de melhores de 2014, além de ser presença certa em todas as premiações, como no Oscar, onde recebeu seis indicações e é um dos favoritos. Para aqueles que ainda não o assistiram fica a pergunta: merece mesmo tudo isso? Depois de passadas 2 horas e 45 minutos de exibição a resposta é óbvia. Sim!
A grande mágica do filme é justamente a forma como foi gravado. Dramas familiares minimalistas nunca se saem bem com o grande público, porém com Boyhood foi diferente. Mesmo que não tenha tido uma bilheteria grandiosa, a grande maioria do público que o conferiu aprovou o resultado. Boyhood conseguiu emocionar muitos espectadores de forma como poucos filmes conseguem. O principal motivo para isso é bem visível: o filme retrata a vida real de inúmeras pessoas ao redor do mundo.
É impossível que alguém que assista ao filme não se sinta na pele do próprio Mason. Você pode até já ser adulto, porém em inúmeras cenas é como se voltasse à adolescência e então se visse dentro do filme. O primeiro amor, a descoberta das bebidas alcoólicas, o medo e a empolgação da nova vida na faculdade: boa parte de todos nós passamos (ou passaremos) por tudo isso. E ver tudo isso retratado com naturalidade num filme causa certa nostalgia difícil de explicar.
A direção competente de Linklater conduz o filme com uma naturalidade difícil de ser encontrada. A princípio, quando Mason ainda é criança, o filme causa certa sensação de tédio. É tudo muito estagnado, sem nada de contagiante acontecendo; mas a infância não é uma fase cheia de emoções, não é mesmo? De qualquer forma, à medida que Mason vai crescendo o filme começa a prender mais a atenção do espectador, fazendo com que não queiramos perder nenhum momento da vida dele.
Ellar Coltrane dá um brilho a mais ao filme. Retratar a vida de uma pessoa comum pode parecer fácil, mas para um ator talvez seja mais fácil gritar em frente às câmeras do que atuar como um ser humano normal. Dessa forma, Coltrane se sai muito bem, captando a simpatia do público aos poucos com seu Mason melancólico e reflexivo. A filha do diretor Richard Linklater, Lorelei Linklater, soa um tanto fora de sintonia durante sua infância, entregando-nos uma atuação exagerada. Mas no decorrer do longa ela vai entrando mais na pele da personagem, e por fim o resultado soa satisfatório. Mas ninguém consegue tirar
Arquette dando um banho de emoção no papel
da emocionante Olivia
o brilho de Patricia Arquette. Mason pode até ser o personagem mais complexo, mas a Olivia é o papel mais difícil do filme. Sua vida de mãe solteira e os casamentos desastrosos fazem com que a personagem vá aos poucos se tornando mais tristonha e nostálgica. É na pele de Olivia que Arquette dá tudo de si, nos emocionando com naturalidade como nenhum outro integrante do elenco conseguiu. A última cena em que aparece é de longe a cena mais emocionante e tocante do filme.
O roteiro encontra sua magnificência não no fato de mostrar a vida em si, mas sim em todas as questões que levanta ao decorrer de Boyhood. Mason sempre se questiona sobre o sentido da vida virtual, alegando que na internet é como se você estivesse em algum lugar intermediário, sem realmente vivenciar a vida. Esses seus devaneios sobre a vida virtual levantam grandes debates na mente do público. O questionamento de Olivia sobre o sentido da vida também causa certo impacto. Porém, o maior trunfo do roteiro é mostrar com mestria a vida de um adolescente que está caminhando a fase adulta, ministrando muito bem toda a empolgação que a vida na faculdade traz junto com os medos e as responsabilidades de um adulto.



Contudo, Boyhood – Da Infância à Juventude não deixa de ser um filme para poucos. Suas longas 2 horas e 45 minutos podem ser uma eternidade para alguns, e ver a vida como ela é pode não ser muito empolgante para todos. Mas esses não são empecilhos àqueles que estão dispostos a ver um dos filmes mais geniais lançados nos últimos anos.

Avaliação:







Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


10 comentários:

  1. Uoooow esse filme tem uma longa duração hein! As vezes isso cansa um pouco a pessoa que está assistindo, ainda mais se não tem muita história ou fica concentrado em apenas uma coisa. Porém, esse filme me parece ser bom, e acho que vou assistir nesse final de tarde... bjs

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  2. Que filme longo... 2h 45min é demais pra mim, principalmente porque não sou muito ligado à filmes. Prefiro séries, e esse filme não é do gênero que eu curta. Drama não é muito a minha praia, prefiro ficção, ação, etc. Provavelmente nunca irei assistir esse filme, nem conhecia até ler esse review. Mas parece ser legal pra quem curte esse gênero.

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  3. Eu não conseguiria descrever o filme melhor do que você fez. Esse filme é muito bom, conseguiu me prender do início ao fim, e eu nem tinha percebido que passei 2h 45min o assistindo. Ainda não posso dizer se Boyhood é o melhor dos que foram indicados, quero assistir os outros assim que eu puder, mas ele realmente deu motivos para ser um dos favoritos.
    Ah, só eu achei a Patricia Arquette um pouco parecida com a Vera Farmiga?

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  4. O filme parece ser ótimo, curto muito um drama, fiquei bastante interessada em assistir.

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  5. Que lindo,Matheus, só pelo fato de gravar por 12 anos, já é digno de uau... coitado do montador do filme, 2h45 de 12 anos...imagina o que foi cortado. Tô mega ansiosa pra ver, só perde pra Birdman e Sniper Americano, dois filmes que estão na minha watchlist. hahaha

    beijos,

    Amy - Macchiato

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  6. Oi, Matheus.
    Eu nunca tinha ouvido falar nesse livro, mate-me se puder hahaha.
    Mas fiquei ansiosa para assistir pela forma que ele se desenvolve. Parece muito emocionante, realmente.

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  7. Desbravadores de Livros1 de fevereiro de 2015 00:26

    O filme parece ser mega emocionante, Matheus. Sem contar que uma direção bem feita muda tudo numa longa.

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  8. Matheus!
    Ouvi bons comentários sobre o filme e realmente, acredito que o público se identifica por ser sobre a vida cotidiana.
    Adoro a Patricia Arquette, fantástica!
    Na torcida para que o filme leve ao menos uma estatueta.
    cheirinhos
    Rudy

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  9. Eu assisti o filme e adorei.
    Confesso que não foi fácil assistir quase 3 horas de filme, mas, ao fim, eu senti uma satisfação enorme e o filme é fantástico.
    Com certeza, o Linklater irá ganhar o Oscar de melhor diretor. Afinal, 12 anos gravando não é pra qualquer um não. =)
    De fato, o filme possui uma naturalidade rara.
    Beijos!!

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  10. Fabio Maurer Nonnemacher1 de fevereiro de 2015 00:51

    Ainda não assisti, mas, pelo o que já sei, pelo o que você escrever e, claro, pelo fato de ter sido gravado ao longo de 12 anos, já ganhou meu respeito. Assim que eu tiver um tempinho, vou assisti. Tenho certeza que deve ser mesmo muito bom.

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