postado por Matheus em 21 janeiro 2015

Review | O Grande Hotel Budapeste

Direção: Wes Anderson
Duração: 1h 40min
Lançamento: 2014 (Relançamento em 2015)
Gênero: Comédia dramática

Sinopse

No período entre as duas guerras mundiais, o famoso gerente de um hotel europeu conhece um jovem empregado e os dois tornam-se melhores amigos. Entre as aventuras vividas pelos dois, constam o roubo de um famoso quadro do Renascimento, a batalha pela grande fortuna de uma família e as transformações históricas durante a primeira metade do século XX.




Crítica

Wes Anderson é dono de um cinema único. O detalhismo com que ele desenvolve todos os aspectos visuais de seus filmes é algo que beira o obsessivo; seus figurinos, os detalhes de seus cenários, tudo é muito bem pensado e posto na tela, mostrando cenas que são um deleite aos olhos. Em alguns casos, toda essa magnificência visual se sobressai à história em si, caso de A Vida Marinha com Steve Zissou. Porém, esse está longe de ser o caso da belíssima obra O Grande Hotel Budapeste.


Fiennes, Ronan e Revolori esbanjando carisma
A história central gira em torno do mensageiro do Hotel Budapeste, Zero Moustafa (Tony Revolori). Em 1968, O Autor (Jude Law) visita o Hotel Budapeste, já não tão prestigiado quanto antes. Lá, começa uma amizade com Zero Moustafa (F. Murray Abraham), agora dono do hotel. Durante um jantar, Zero começa a contar ao Autor a imponente história do hotel, e é então que a aventura começa!
Voltando até o ano de 1932, nos deparamos com o M. Gustave (Ralph Fiennes), concierge do badalado Hotel Budapeste. Garanhão convicto, M. Gustave tem certa preferência por senhoras, o que explica o fato de que boa parte da clientela do hotel é composta por senhoras de idade avançada. Uma delas é Madame D. (interpretada pela irreconhecível Tilda Swinton), uma rica senhora a beira da morte. Não demora a pobre senhora morrer, e, consequentemente, lerem seu testamento. Entre os nomes de seus desunidos filhos, também se encontra o nome de M. Gustave no testamento, que recebeu como herança um quadro valioso. Porém, Dmitri (Adrien Brody), um dos filhos de Madame D., acha que Gustave é o responsável pela morte de sua mãe, e por isso se recusa a entregar o quadro à ele. Sendo assim, M. Gustave e Zero Moustafa, na época mensageiro do hotel, decidem roubar o dito quadro. Eles conseguem, mas logo Dmitri se põe a persegui-los, o que os levará às mais diversas aventuras enquanto a República de Zubrowka (república fictícia onde a história se situa) passa por uma guerra.

Como de costume, Wes Anderson aposta num roteiro leve, melancólico, porém divertidíssimo. Mas aqui há um quê de seriedade que seus outros roteiros não tiveram, o que se deve principalmente ao plano de fundo da guerra. Ela nunca se torna o centro da história, mas quando aparece em cena ela causa certas reflexões. E quando se começa a pensar pode-se ver que, por mais que seja um filme divertidíssimo, O Grande Hotel Budapeste não deixa de ser um filme sobre a guerra e suas consequências.
Nas mãos hábeis de Anderson o filme se conduz com uma facilidade espantosa. Aos poucos a história vai se desenvolvendo, nunca perdendo a força que contém desde o princípio. Durante todo esse desenvolvimento, não falta espaço para diversão; risinhos bobos aparecem em diversos momentos e há cenas que a risada toma conta, fazendo o público dar altas gargalhadas. Porém, quando tudo está quase chegando ao fim, qualquer vestígio de riso sai de cena para dar espaço a melancolia. O final do filme é algo agridoce, sem nada de engraçado, porém simpático e extremamente satisfatório, acabando da forma como deveria acabar: sem nenhum felizes-para-sempre, mas também sem nenhum melodrama.
Nesse sentido, a obra pode não agradar a todos, principalmente àqueles que estão em busca de uma comédia propriamente dita. Não é comum encontrar finais tão tristonhos como esse em filmes de comédia (mesmo que em comédias dramáticas), o que causa certo descontentamento à primeira vista. Mas o filme acaba e os pensamentos não, e é quando se começa a pensar sobre ele que então se pode notar que o filme não poderia acabar de forma melhor e mais agradável. Afinal de contas, a guerra não trás finais felizes a todos. Além do roteiro certeiramente emocional de Wes Anderson, as atuações também ajudam a tornar este final tão agridoce. Ralph Fiennes, por mais que não demonstre nada de surpreendente, consegue nos cativar facilmente com seu M. Gustave politicamente errado, mas ainda assim com um enorme coração. O jovem Zero Tony Revolori também se destaca em sua atuação singela, mas agradabilíssima. Com um time de coadjuvantes de dar inveja, o que inclui Tilda Swinton, Bill Murray, Edward Norton, Jude Law, Willem Dafoe, Léa Seidoux e Saoirse Ronan, o restante do elenco não se mostra menos magnífico.
Tilda Swinton irreconhecível na pele de Madame D.
O roteiro pode estar magnífico; a direção pode estar certeira; as atuações podem estar magníficas; contudo, em momento algum há algo que chame mais atenção do público que toda a questão visual do filme. É espantoso o esmero com que Wes Anderson compõe O Grande Hotel Budapeste no sentido visual, se destacando ainda mais que seus filmes anteriores. A direção de arte colorida e vibrante dá vida própria aos cenários belíssimos e ao figurino exemplar. O trabalho com a maquiagem também não fica muito atrás, se mostrando incrível em seus menores detalhes; destaque pra maquiagem impecável utilizada em Tilda Swinton. Toda essa magnificência visual é captada com destreza por uma fotografia espetacular, quase simétrica, que torna essa experiência visual-cinematográfica ainda mais extasiante.

Talvez esse não seja o filme mais memorável de Wes Anderson, que possui outros títulos inesquecíveis em seu currículo, porém, algo fez com que esse fosse o que mais se destacasse no cenário das premiações. De uma forma ou de outra, Wes Anderson fez por merecer, entregando-nos um filme divertido e emocionante, eximiamente bem escrito e visualmente impecável.

Avaliação:







Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


12 comentários:

  1. Comecei a assistir o filme mas não conseguir ir até o fim porque fiquei um pouco entediada, mas pretendo assistir a ele todo.
    Beijos.

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  2. Estou louca para assistir esse filme. Quando um filme é indicado ao Oscar, fico logo interessada, querendo saber o que ele tem de tão extraordinário. A história parece ser muito boa, mas saber que eles capricharam em cada detalhe é muito bom. Maquiagem, roteiro, direção, atuação, um filme para ser bom, tem que ter o pacote completo, o que, pelo que parece, esse filme tem.
    Vou tentar assistir esse filme próxima semana e matar minha curiosidade!
    Beijos!!

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  3. Não sou muito ligado à filmes. Prefiro séries e animes, mas do pouco que assisto, esse filme não se encaixa nos tipos de filmes que eu gosto de assistir. Gosto de filmes de ficção, com guerras, apocalipse, mortes, suspense, aliens, esse tipo de coisa. Eu tava lendo o review do filme e vi o nome do Ralph Fiennes, que interpretou Voldemort nos filmes da saga Harry Potter. É bom saber que eles estão se dando bem com novos filmes depois do épico final da saga.

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  4. Matheus!
    O filme parece bem interessante e o elenco é memorável.
    E com indicação ao Oscar, deve ser muito bom mesmo.
    Fiquei bem interessada em assistir.
    cheirinhos
    Rudy

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  5. Estou bem ansiosa para assistí-lo pois só tive boas críticas sobre o mesmo. Além dele ser indicado (costumo assistir a todos os indicados para poder participar dos bolões :P). Acredito que esse filme chegue a ganhar em alguma categoria. Ele e Birdman estão na minha lista de prioridades. :D


    beijos,


    Amy - Macchiato

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  6. Já assisti o começo do filme, mas não acabei de vê-lo , sei lá.. fiquei entediada '-'

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  7. Parece ser um bom tema para um filme. Não tinha escutado sobre ele, mas me interessei sim..

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  8. Tentei assistir esse filme e não consegui. o_O
    Pois é, eu não gostei.
    Mas, obviamente, reconheço a grandeza do filme.
    Vou tentar assistir de novo. kk'
    Beijos!

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  9. Fabio Maurer Nonnemacher29 de janeiro de 2015 17:04

    Não gostei muito do filme, mas pretendo assistir novamente, tentar mais uma vez.

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  10. O filme parece ser ótimo, com certeza deve ganhar algum Oscar, estou bastante interessada em assistir.

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  11. Vou assistir só por causa do Ralph Fiennes kkkk amoooo mtooooo ele! Tio Voldy eterno <3 o roteiro é realmente bom, mas não tenho paciência NENHUMA para assistir. Só assisto mesmo, quando tem atores/atrizes que gosto! Veja bem, até de livros que amei, como A culpa é das estrelas, Percy Jackson, entres outros, não consegui assistir, sei lá prefiro ler, então só assisto mesmo, quando ter meus amorzinhos kkkk *-*

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  12. Desbravadores de Livros26 de agosto de 2015 14:48

    Oi, Matheus. Bom saber que o roteiro é leve, melancólico, porém, que nos diverte muito.
    Quero muito conferir esse filme, fiquei ansiosa para assistir.

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