postado por Paulo Cezar em 21 fevereiro 2015

Era Uma Vez... Talismãs [Eleonor Hertzog]


Uma Geração. Todas as Decisões. é uma série que conquista os leitores logo no início, quando conhecemos a família Melbourne, que vivem a bordo de um veleiro solar,o Cisne.
Apesar de serem livros com mais de 500 páginas, não se assustem nem se intimidem com isso, a história encanta, vicia e te faz querer sempre mais. Principalmente com a forma que eles acabam... Deixam qualquer leitor louco pelo próximo livro.
Eleonor divulgou hoje que a Talismãs já está em sua última revisão, já foi até impresso para que isso aconteça. O que nos deixa mais ansiosos ainda para o seu lançamento!


Um detalhe interessante dos livros é que a autora sempre começa a história com um "Era uma vez". É um "capítulo independente" que não revela nada da história, mas nos deixa cheio de expectativas e aumenta ainda mais nossa ansiedade pela história.
Como não poderia ser diferente, o "Era uma vez" de Talismãs (3º livro da série) me deixou curioso, ansioso e repleto de ideias do que pode acontecer. Claro que pedi autorização e estou aqui, dividindo esse trecho que me deixou louco pelo livro...

Você também pode baixar o arquivo com o Era uma vez de Talismãs no DROPBOX da autora.





ERA UMA VEZ...
  
... Um mundo muito, muito complicado. Esse mundo se chamava Terra e ficava lá no cantinho da galáxia.
A Terra não era complicada devido ao seu estranho nome – chão, solo, pedra, areia – nem devido à sua distante localização; afinal, a Terra era Terra desde sempre, e sempre tinha vivido no seu cantinho longínquo e sossegado. Não. A Terra era complicada porque era o refúgio de povos, raças e Linhagens que tinham seus mundos destruídos. Sem distinção, a Terra acolhia a todos e, graças a essa incrível variedade, o ecossistema mental do planeta era vasto, complexo e maravilhoso. Seu ecossistema físico era igualmente único, reunindo e miscigenando raças vindas dos mais diversos pontos da galáxia.
Mas tudo tem verso e reverso; tudo, no Universo, tem seu preço. E o preço que a Terra precisava pagar é que a tornava um mundo tão complicado.
Em todo o Universo conhecido, a regra era um mundo, uma raça, uma Casa, uma Linhagem, um Talismã, um conjunto de leis e tradições... Um de cada. Apenas um!
Na Terra, UM não fazia sentido. Não havia UM. Havia vários.
Eles chegavam com seus sobreviventes, suas lágrimas, sua revolta e desespero; a Terra os recebia e consolava. Encontrava lugar para todos em seu território e em seu ecossistema mental, ajustando-os aos que haviam chegado antes e deixando-os aptos a se ajustarem aos que viriam depois. As leis eram também ajustadas, porque não era possível haver uma lei soberana. Havia, isso sim, um enorme conjunto de leis, que se modificava conforme raças chegavam ou partiam.
A função do ecossistema mental era permitir a convivência entre mentes por vezes muito diferentes. A função das leis era impedir que prioridades, rancores ou ódios trazidos na bagagem causassem mais destruição.
Em seus mundos originais, do tipo um-de-cada, as leis eram garantidas por Casa, Linhagem e Talismã, sem desordem nem questionamentos. Na Terra, as leis eram garantidas por Casas desesperadas lutando para se reestruturar, Linhagens semidestruídas esforçando-se para a reativação e Talismãs totalmente obcecados em reerguer o poder de sua raça para assumir a primazia entre os demais. E era então que a diferença entre VÁRIOS e UM mostrava sua importância porque, por mais poderosa que fosse a raça recém-chegada, era sempre pequena diante do somatório do poder daqueles que tinham chegado antes. Suas prioridades e anseios eram acrescentados ao conjunto pré-existente, normas e limites eram estipulados, e, sabendo que não poderiam enfrentar o poder reunido de todos os outros, os novatos sossegavam. Seus Talismãs e Linhagens não tentavam dominar o mundo, porque isso despertaria a ira dos demais. Todos supervisionavam todos, normas e acordos eram respeitados e a Terra seguia girando em relativa paz.
A chegada das mil raças de Atlantis – a maioria delas destruídas, e as restantes guerreiras ferozes – abalou esse equilíbrio como nada, nunca, havia feito antes. O ecossistema mental foi obrigado a se distender abruptamente para absorver os recém-chegados e, pela primeira vez, chegou ao seu limite. Qualquer movimento a mais o destruiria... Qualquer esbarrão faria a Terra inteira escorregar para o caos e a destruição.
Os processos naturais de ajuste haviam sido insuficientes.
O guardião foi mais uma vez convocado.
Integrante de uma Linhagem antiga, sábia e poderosa, o guardião zelava silenciosamente pela Terra, interferindo apenas quando imprescindível. Fora convocado para, em nome de toda a Terra, intermediar a vinda de Atlantis. Afastou-se em seguida, deixando o processo de ajuste seguir seu curso. Viu o perigo crescendo na paralisação progressiva do ecossistema mental e, quando a convocação veio, ele já estava há muito tempo trabalhando para garantir a segurança do planeta. Qual a diferença de agir com ou sem a convocação? A convocação lhe dava autoridade ilimitada. Convocado, o guardião se tornava o legítimo Senhor de toda a Terra. E, como Senhor, ele tomou as decisões necessárias.
Com a Terra a um passo do abismo, o guardião procurou alternativas que devolvessem a tão essencial estabilidade ao seu mundo. Encontrou uma apenas... E a executou. O ecossistema mental manteve-se paralisado e rígido, mas ganhou alguma estabilidade. O guardião perdeu a vida.
Seu filho continuou seu trabalho e aceitou assumir, em nome da Linhagem Guardiã, uma parte do peso que repousava sobre o ecossistema mental. Os filhos dos filhos se sucederam, cada um aceitando mais peso nos ombros da Linhagem para que a Terra permanecesse em segurança.
Era cada vez mais difícil.
Como uma praga, Atlantis infestou o ecossistema mental inteiro. Os atlantes lutavam, matavam, exterminavam, destruíam. Não mais recordavam seus lares perdidos; houve épocas em que se duvidou que sequer soubessem o que significava lar. Foram tempos cruéis, bárbaros, sangrentos. E, como os atlantes eram muitos, toda a Terra parou de sonhar com as estrelas. Algumas raças feridas chegaram, mas nenhuma partiu. Lenta e gradualmente, o ecossistema mental chegava mais uma vez perto do seu limite.
Por vezes sem conta, o ecossistema mental tentou se restaurar, mas, a cada tentativa, o resultado era parcial. Por mais vezes ainda, o guardião esforçou-se para interferir... Mas, a cada geração, sua Linhagem se tornava mais limitada. O peso que seus antepassados haviam aceitado carregar cobrava seu preço, e este preço era muito alto.
Mesmo assim, os guardiões não desistiam. Podiam fazer pouco, mas este pouco era melhor do que nada. Século depois de século, milênio depois de milênio, eles observavam e tentavam corrigir os acontecimentos antes que se tornassem catastróficos. Evitaram muitos desastres. Falharam em muitos outros.
Os guardiões foram os primeiros a ver a esperança renascendo quando, depois da Grande Guerra, o Império Atlante e a superfície foram separados por um potente bloqueio, que fechou dentro dos mares toda a desesperança trazida por Atlantis. Devagar, muito devagar, a superfície começou a se libertar... E a sonhar com as estrelas. Se as raças da superfície partissem, a Terra teria forças para lidar com o Império Atlante...
Se.
Os guardiões também foram os primeiros a compreender que a esperança havia retornado tarde demais. Não haveria tempo para as raças da superfície percorrerem o longo caminho que só terminava quando raça, Linhagem e Talismã estavam reunidos e prontos para a partida. O ecossistema mental da Terra desestabilizaria antes e, ao desestabilizar, arrastaria todo o planeta consigo.
Mas os guardiões sabiam que, como eles, a Terra não desistiria. Havia um último recurso, raramente usado através das eras... E, quando este tudo-ou-nada fosse ativado, o tempo da Terra passaria a correr muito rápido.
Apesar das deficiências crescentes de sua Linhagem, os guardiões eram fortes e determinados. Sabiam que a hora fatalmente chegaria. Mas também eram humanos, e cada um desejava não ser aquele que enfrentaria a maior crise da Terra. E, em vislumbres fugidios de futuro, ouviam palavras ainda não ditas...
... Uma Era agonizando, uma Era por nascer, decisão, dissolução ou desabrochar, abismos negros ou estrelas de luz...
... Antigos poderes vão sacudir este mundo até os alicerces... Nunca mais será o mesmo mundo! Toda a certeza deve ser posta em dúvida. Todo aprendido deve ser desaprendido. Em seus corações está a única verdade capaz de decidir entre a sombra e a luz...
Um dia, um deles ouviria aquelas palavras. E, quando este dia chegasse, o tempo da Terra estaria acabando.


COMO SEUS ANTEPASSADOS, o atual guardião era um homem de impressionante vigor físico e incrível capacidade intelectual. Em alguns dias de sua vida, era gênio. Em outros, era louco. Mas não reclamava. Fora agraciado com a ausência das temíveis visões de futuro, que haviam arrancado muito precocemente a razão de outros de sua Linhagem. Podia cultivar a esperança de morrer com alguma sanidade mental. Seria bom.
O guardião olhou em torno.
Estava em um aposento escavado na rocha clara, com paredes polidas e lisas, onde o único enfeite eram os inúmeros e delicados veios que coloriam a rocha. Olhos físicos teriam entretenimento para uma vida inteira, analisando a maravilhosa obra de arte desenhada pela Natureza. Olhos mentais veriam a energia que pulsava em cada um daqueles veios, formando uma teia fabulosamente complexa. Veios de múltiplas cores e filigranas de energia de múltiplas origens convergiam para um só ponto do aposento e se uniam, formando um retângulo que olhos enxergavam como um magnífico mosaico de cores e mente registrava como um entremeado pulsante de energia e poder. Gravado em negro no centro do retângulo, o brasão da Linhagem proprietária do Talismã.
Ele era visitante ali. Sua própria Linhagem não tinha Talismã nem brasão. Tinha, no entanto, aliados, e o Talismã – o bloco de rocha com o brasão negro – era um dos mais antigos e confiáveis. E ele, agora, precisava de certezas.
O santuário reconheceu a presença do guardião e seu poder despertou, matizando ainda mais os fios de cor e energia. O retângulo de pedra refulgiu poderosamente, ativando-se e saudando o visitante. O Livro das Origens estava agora aberto para o contato.
Não havia conta de quantos olhos de sua Linhagem haviam visto aquele Talismã, e todos esses olhos se sobrepuseram aos seus, evocando em sua lembrança a mensagem tantas vezes repetida:
A CADA GERAÇÃO, TODAS AS DECISÕES.
Porque cada geração devia decidir por si e arcar com suas decisões, deixando para a geração vindoura a liberdade do futuro a ser escolhido.
A parede acima do Livro das Origens tremulou levemente, como se estivesse encoberta por fumaça muito quente, e a mensagem ancestral surgiu, escrita em letras negras na parede repleta de cores:
A CADA GERAÇÃO, TODAS AS DECISÕES.
Por um instante, o guardião sentiu-se aliviado.
Então, percebeu que a mensagem não se fixava. Oscilava, cada vez mais trêmula, até suas letras se embaralharem e reordenarem, ratificando o aviso que recebera pouco antes:
A ESTA GERAÇÃO, TODAS AS DECISÕES.
Silencioso, o guardião fechou os olhos muito negros.
O tempo estava esgotado.
Como aquele mundo sobreviveria, quanto sobreviveria, se sobreviveria... Todas as decisões caberiam a uma única geração!





Alguns quotes estão sendo divulgados no grupo da série no facebook. Eleonor também está postando eles em seu site. Pra ficarem com um gostinho da história, um dos quotes está logo abaixo. Os outros vocês conferem no site da Eleonor. (Quotes 1 a 5, Quotes 6 a 10 e Quotes 11 a 15)

– Então agora eu tenho que dizer aos Senhores de Merine o que Merine faz?! – explodiu Peggy. – Tenho que explicar ao Senhor de Krilin o que sua Casa faz?! Que é que está acontecendo aqui?!
– Calma, menina – o doutor Don segurou-a de leve pelos ombros. – Eles apenas levam muito mais tempo para compreender isso que você percebe tão espontaneamente. É o seu dom. Muitas vezes, vai dizer a eles o que está se passando com forças que eles deveriam comp
reender, não você.

– Mas não devia ser assim!

– Você está além das coisas que deveriam ser.

Capítulo 1




E que venha Talismãs! Já tenho um lugar pra ele reservado na estante =D







Sobre o Autor:
Paulo Cezar
Paulo Cezar é Administrador e Cofundador do blog, descobriu o fantástico mundo dos livros quando leu, pela primeira vez, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Além dos livros, também é apaixonado por filmes e séries.


13 comentários:

  1. Que legal! Vou aguardar ansiosa pra ler este também. Tenho os dois primeiros livros da autora e amo de paixão. Adorei ler os trechos e de conhecer um pouco da história que você conta aqui. Vou ver se consigo um pra mim depois.
    Beijos.

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  2. Oi Paulo, não conheço ainda a escrita da autora, mas tenho uma amiga que é fã dela.
    Bjs,Rose.

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  3. acho muito legal uma série nacional, com livros tão grandes continuar. a autora soube bem trabalhar a história. ainda não tive oportunidade de ler, mas sei que vc é fã! curiosa pra ver a capa.

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  4. Oi, Paulo Cezar!
    Adorei o post e fiquei encantada com tua foto da coleção completa da "família" Uma geração. Todas as decisões.! É o tipo de coisa capaz de comover qualquer escritora! <3 <3 <3
    Abraços e muito obrigada por tudo, principalmente pela amizade!
    Eleonor

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  5. Sempre quis ler Cisne. A capa é muito bonita e a história parece ser maravilhosa! Os fãs estar super ansiosos por Talismãs! Eu estou curiosa para ver como ficará a capa! haha

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  6. Estou até participando da promoção do seu site para concorrer á Cisne. Amei a sinopse desde a primeira vez que li! Você parece ser muito fã mesmo! :) Lerei com certeza!
    Beijo

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  7. Até que os volumes da série estão sendo lançados bem próximos uns dos outros. Confesso que sempre me assusto com o tamanho deles, mas tenho que deixar essa sensação de lado e partir pra cima.

    @_Dom_Dom

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  8. Eu sempre quis ler a obra, e me encantei com a sua coleção. Tão linda, tão cheia de riqueza. Até a Eleonor gostou kkkk


    Assim que eu puder um dia eu enfrento este livro. Tenho certeza que vou gostar. Nunca li uma obra que você indicou que eu não gostei.


    Enfim, bjs bs

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  9. Paulo!
    Estou com os dois primeiros livros dela aqui para leitura. Espero que Talismã seja tão bom quanto dizem ser os outros dois.
    Vou ver se consigo baixar depois que ler os outros, assim já pego os três de uma só vez.
    cheirinhos
    Rudy

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  10. QUE DEMAIS! NÃO CONHECIA OS OUTROS LIVROS
    ADOREI OS QUOTES

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  11. Não conhecia ainda as obras.
    Morri com esses mimos <3 sou apaixonada por várias coisas relacionadas aos livros!

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  12. Tenho os dois primeiros volumes da série (autografados u-u), mas ainda não tive a oportunidade de ler, tenho muitos outros livros na frente ainda, mas pretendo lê-los em breve, a história parece ser bem legal. mal posso esperar.

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  13. Desbravadores de Livros28 de fevereiro de 2015 23:41

    Cisne é o melhor livro que eu já li nessa área e feita por uma autora brasileira. O segundo livro é perfeito, mas depois dele ainda não li. Claro que já estou torcendo pelo meu. Adorei

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