postado por Matheus em 19 fevereiro 2015

Resenha | O Código do Apocalipse

Autor: Adam Blake
Editora: Novo  Conceito
Páginas: 464
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Sinopse
Depois das investigações de Manuscritos do Mar Morto, a ex-detetive Heather Kennedy recebe um telefonema com uma proposta de trabalho. Um suposto roubo no Museu Britânico precisa ser investigado. Kennedy rapidamente deduz que alguém teve acesso a livros sobre Johann Toller, um profeta europeu louco do século 17. Acreditando que o fim dos dias estava em suas mãos, Toller fez uma série de previsões relacionadas ao Apocalipse e aos eventos que o precederiam. Mas nenhuma delas havia se tornado realidade até então. Agora, pouco a pouco, os sinais se confirmam. Com a ajuda do mercenário e antigo parceiro Leo Tillman e de uma jovem que pertence a uma tribo secreta, Kennedy deve lutar para impedir que a próxima profecia se concretize: a destruição de uma cidade sem nome...


Resenha

Manuscritos do Mar Morto é, resumidamente falando, um livro incrível! A forma como ele desenvolve sua história repleta de reviravoltas, porém nunca confusa, é vibrante e incansável. Tendo isso em mente, ler O Código do Apocalipse, outra aventura com os mesmos personagens e do mesmo autor, causa grandes expectativas. Infelizmente, poucas delas são cumpridas.


O fim de Manuscritos do Mar Morto não nos mostra o melhor final possível à Heather Kennedy. Agora desempregada, a detetive tenta ao máximo melhorar sua relação com a namorada Izzy; porém, o amor não é um ponto forte de Kennedy. Dessa forma, ela se sente agradecida ao receber um novo caso para investigar: o roubo de um livro extremamente antigo do Museu Britânico.
Até aí, nada de mais, poderia ser mais um roubo entre tantos outros. Mas Heather se mostra mais apreensiva após ter acesso à outro exemplar do livro. Isso porque seu escritor, Johann Toller, foi tido como um louco de sua época por escrever sobre previsões catastróficas; isso seria um mero detalhe na investigação caso essas previsões não estivessem realmente se concretizando. Heather sabia que isso não era mera coincidência, com certeza algum lunático religioso estava fazendo tudo isso; dessa forma, cabe a ela impedir que a última previsão, que pode acabar com a vida de milhares de pessoas, se concretize. Para isso, ela novamente conta com a ajuda de Leo Tillman, com quem já “trabalhou” em Manuscritos..., e Ben Rush, um funcionário do Museu que realmente não possui experiência alguma e mal ajuda Heather.
Seguindo as pistas, logo Kennedy e Tillman percebem que estão, mais uma vez, diante do Povo de Judas, entidade religiosa com a qual já de depararam em sua aventura anterior. Não demora a se depararem também com Diema, uma integrante do Povo de Judas, mas que não representa ser realmente uma vilã. Será que Heather e seu “grupo” podem confiar em Diema? Enquanto se perguntam isso, eles lutam para fazer com que a última previsão não aconteça, o que poderia abalar as estruturas religiosas do mundo atual.
O único jeito de evitar todos os riscos é estar morto.
Pág. 165

Em O Código do Apocalipse a grande marca da escrita de Adam Blake continua: a facilidade com que ele desenvolve a história. Assim como no outro livro já citado, aqui ele pega uma história complexa e vai desenrolando-a aos poucos, criando uma teia muito bem tecida com sua história de conspiração. Detalhes vão aparecendo aos poucos, tornando a história inteligente e muito bem desenvolvida.
Nesse sentido, não há do que reclamar do livro. Mas seu grande problema é outro. Num thriller repleto de detalhes e reviravoltas como esse há uma coisa que é de extrema importância, emoção. Sem emoção a história, por mais que seja bem contada, se torna chata e cansativa, não transmitindo nada ao leitor. No seu princípio, O Código do Apocalipse cai nesse grande erro. São páginas e mais páginas de detalhes minuciosos, todos contados com uma precisão calculada. Mas a princípio é só isso, não há nada com que o leitor possa se emocionar, nada com o que ele possa sentir algo. Infelizmente, essa situação se estende por boa parte do livro, sendo que se passam incontáveis capítulos até que passagens de ação mostrem as caras. E é então que o livro começa a se mostrar como algo que mereça atenção.
Adam Blake sabe muito bem como desenvolver passagens de ação! Lá em Manuscritos... já nos deparamos com capítulos eloquentes e vibrantes, com um grande poder de manter o leitor vidrado no que está lendo. Aqui não é diferente! Quando enfim começa a apostar na ação, Blake mais uma vez se mostra incrível, escrevendo passagens viciantes e repletas de emoção. Tiroteios e bombardeios aparecem em diversas passagens, muitas vezes como plano de fundo para revelações inimagináveis, o que aumenta a emoção que sentimos ao ler esses determinados capítulos. E é por essas partes da história que o livro vale a pena ser lido, pois a emoção que elas transmitem é genuína e arrepiante.
Outro ponto que aumenta o nível do livro é o desenvolvimento interno dos personagens. Todos são minuciosamente construídos, tendo sua psique modelada para que consigam se encaixar no contexto da história onde estão inseridos. Além dos já conhecidos Leo Tillman e Heather Kennedy, ambos com suas personalidades fortes e marcantes, nos deparamos com novos personagens não menos dignos de atenção. O grande destaque fica com a firme e durona Diema, que durante um bom tempo não é definida como mocinha ou vilã, mas que mesmo assim vai se desenvolvendo perfeitamente até que possamos ver quem realmente é: uma jovem extremamente inteligente e mortífera, porém ainda assim humana.
O romance lésbico de Heather Kennedy, que fora mostrado com certa sutileza em Manuscritos..., está aqui mostrado sem medo algum. Dessa forma, é extremamente interessante notar que os suspenses policiais não são dominados apenas por policiais e detetives homens, também há espaço para mulheres, lésbicas ou não. Tanto é que o fato de Kennedy ser homossexual em momento algum vira o centro da atenção da história; esse é apenas outro mero detalhe, sem nenhuma grande importância para a história, retratando assim um romance normal com extrema naturalidade. Mais um ponto positivo para Adam Blake.

"Grosso" e com fonte pequena, O Código do Apocalipse não é um livro capaz de despertar o interesse do leitor por seu aspecto físico. Pelo contrário, essas suas características, juntamente com a capa sem graça, são ótimos motivos para que o leitor não se interesse por ele. Talvez com uma capa melhor tudo tivesse mudado...

Cansativo a princípio e extremamente emocionante em algumas passagens, O Código do Apocalipse é um livro que quase encontrou sua ruína entre esses dois polos. Contudo, Adam Blake é ágil o bastante para que isso não ocorra, desenvolvendo seu livro de forma concisa e emocionante, em alguns capítulos, é claro. Sendo assim, o resultado final é satisfatório, deixando o leitor pronto para uma nova aventura de Tillman e Kennedy.
Às vezes estar tão perto da perfeição pode ser uma coisa perigosa. Perigosa para a alma.
Pág. 132

Avaliação:







Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


13 comentários:

  1. ganhei esse livro a pouco tempo Matheus, queria demais lê-lo! como sei que não é uma "continuação" , ele tá na minha lista das próximas leituras =) achei os personagens interessantes, com um pé no clichê mas com originalidade. a capa é OK. amei a resenha ;)

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  2. Oi Matheus,
    Ganhei esse livro e me encantei com a capa (não sei explicar o motivo O.o), por isso ele "furou" a fila haha. Por não ter criado nenhuma expectativa, foi uma leitura sensacional.

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  3. Nossa. Não vejo a hora de ler este livro. Li o primeiro e amei a escrita e a história. agora, vem esse pra me deixar mais afoita ainda pela personagem. Estou encantada com ela. É forte e decidida. Espero conseguir este. Assim poderei embarcar nessa investigação com ela.
    Beijos.

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  4. Oi Matheus, senti isso quando li Manuscritos do Mar Morto, cansativo e instigante. Tenho este volume, mas ainda não o li, apesar de já separá-lo para estes dias.
    Bjs, Rose.

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  5. Nunca me senti atraída em ler Manuscritos do mar morto e O código do apocalipse também não me chamou a atenção. Sabendo então que é uma leitura cansativa, não sei se lerei algum dia. Ainda que o autor tenha escrito com maestria e tenha conseguido criar um final que supera as expectativas, os livros não me atraem. :/

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  6. Não gosto de livros assim, mas achei a sinopse tão eletrizante, que sua resenha me deu vontade de ler ele! Vou procurar ele para comprar! Obrigada pela ótima resenha! Beijo!

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  7. Pior que gostei dessa capa. kkkkkk O que não gostei foi do tamanho dele. Você tem toda razão, ele assusta pelo seu aspecto físico mesmo. Em relação a trama, também concordo, livros desse gênero precisar ter muita ação e emoção. Ainda bem que, mesmo com esse início meia-boca, a autor acordou e agitou a trama.

    @_Dom_Dom

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  8. Não estou com nenhuma vontade de ler essa obra por motivos de: Não gostei da capa muito menos da premissa. Não tenho interesse em ler Manuscrito do Mar Morto, e normalmente é muito difícil eu me agradar de cara com algum título desse gênero e esse entrou pra lista dos que não me senti atraída. Ainda mais sabendo que é cansativo.

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  9. Bem Matheus!
    Vou ter de discordar um tantinho de você porque para mim é um dos melhores livros que já li até hoje.
    Entendo que para quem não gosta de detalhes, gosta mais de ação, pode mesmo ter a impressão que teve, o que não é de forma alguma a minha posição, porque acho que a descoberta de tudo está nos detalhes, gosto de tudo bem esmiuçado e me senti confortável com a leitura.
    cheirinhos
    Rudy

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  10. Ainda não conhecia esse livro e achei bem interessante
    A estória parece ser mesmo cheia de ação e surpresas! Espero poder ler e me impressionar com o livro também! :)

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  11. Cara que capa linda! Um tamanho bom pra mim, eu acho :v adhusda'
    Gostei!

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  12. Livro cansativo não é pra mim, quero distância. A única coisa nesse livro que me interessou, por incrível que pareça, foi a capa. Não sei o porquê, mas eu gostei :v Já a história não me interessou muito...

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  13. Desbravadores de Livros28 de fevereiro de 2015 23:44

    Embora emocionante e impactante, não fiquei muito desejando ler o livro não, ainda mais por ser cansativo, mas adorei a resenha.

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