postado por Matheus em 19 fevereiro 2015

Review | O Jogo da Imitação

Direção: Morten Tyldum
Duração: 1h 54min
Lançamento: 2015
Gênero: Biografia, Drama
Sinopse
Durante a Segunda Guerra Mundial, o governo britânico monta uma equipe que tem por objetivo quebrar o Enigma, o famoso código que os alemães usam para enviar mensagens aos submarinos. Um de seus integrantes é Alan Turing (Benedict Cumberbatch), um matemático de 27 anos estritamente lógico e focado no trabalho, que tem problemas de relacionamento com praticamente todos à sua volta. Não demora muito para que Turing, apesar de sua intransigência, lidere a equipe. Seu grande projeto é construir uma máquina que permita analisar todas as possibilidades de codificação do Enigma em apenas 18 horas, de forma que os ingleses conheçam as ordens enviadas antes que elas sejam executadas. Entretanto, para que o projeto dê certo, Turing terá que aprender a trabalhar em equipe e tem Joan Clarke (Keira Knightley) sua grande incentivadora.

Crítica

A história mundial está repleta de nomes esquecidos. Algo extremamente natural, obviamente. Com o passar do tempo, pessoas que fizeram coisas incríveis são esquecidas, chegando num momento em que pouquíssimas pessoas se lembrarão de seus feitos; é preciso fazer algo realmente revolucionário para ter seu nome marcado até a eternidade. Ainda assim, há pessoas que, mesmo tendo um papel fundamental na história do mundo, acabam sendo ofuscadas por outras que se destacaram ainda mais em sua mesma época. Caso de Alan Turing.


Durante a Segunda Guerra Mundial, a Grã-Bretanha declara guerra contra a Alemanha em 1939. Além de toda a força armada comandada a combater na guerra, a Grã-Bretanha também investe em um grupo destinado a decodificar o Enigma nazista. Descobrindo este Enigma eles poderiam decifrar as mensagens nazistas enviadas para seus submarinos, sabendo assim estratégias de guerra, lugares que serão atacados e outras preciosas informações. O grupo de criptografia já conta com Hugh Alexander (Matthew Goode), John Cairncross (Allen Leech), Peter Hilton (Matthew Beard), Keith Furman e Charles Richards quando então Alan Turing (Benedict Cumberbatch) se junta a ele.
Cumberbatch ao se deparar com o resultado final
de sua máquina. Uma das cenas mais tocantes do filme
A princípio, o trabalho do grupo anda de mal a pior. Alan se vê como alguém superior ao restante de seu grupo, o que faz com que trabalhe sozinho tentando construir uma máquina que possa decifrar o Enigma. Mas esta não foi a tarefa dada ao grupo, eles foram designados a decifrar o Enigma utilizando da lógica humana, e não de máquinas, o que só distancia ainda mais Alan de seus companheiros de trabalho. Pensando em integrar mais uma mente genial ao seu time, Alan Turing tem a ideia de colocar um desafio nos jornais, onde aquele que o fizesse mais rapidamente entraria no grupo. Qual não foi a surpresa de todos quando quem conseguiu responder o desafio mais rapidamente foi uma mulher, Joan Clarke (Keira Knightley), sendo que mulheres ainda não ocupavam cargos importantes em seus empregos na época. Lutando contra a incredulidade dos oficiais, Alan Turing continua construindo sua máquina, chamada de Christopher, enquanto aos poucos consegue a amizade de seus companheiros de trabalho, principalmente de Joan, que começam a ajuda-lo em sua máquina, sem desconfiar de que esta mente tão genial é um homem homossexual, algo proibido na época.

Num geral, O Jogo da Imitação é um daqueles filmes que são ótimos em todos os seus quesitos, mas que em nenhum aspecto se mostra exemplar.
A começar pelo roteiro, que só se mostra realmente incrível por um único motivo: ele mostra o trabalho de um homem importantíssimo na história, mas que foi praticamente esquecido. Segundo estudiosos, a máquina desenvolvida por Alan Turing diminuiu a duração da Segunda Guerra em aproximadamente dois anos; além disso, ele praticamente inventou o que hoje chamamos de computador. Mesmo assim, quem é que já viu seu nome em livros didáticos de história? Exceto para estudiosos e aficionados pela Segunda Guerra, Turing é praticamente um desconhecido para o mundo. Desta forma, o roteiro se mostra ótimo por apresentar esta mente genial ao amplo público de uma boa maneira. Mesmo que toda a questão do Enigma torne o filme um tanto confuso, o roteiro se sai bem em sua empreitada de mostrar o exímio trabalho de Turing e sua importância à história.
 A direção tipicamente britânica de Morten Tyldum segue pelo mesmo caminho do roteiro de Grahan Moore. Tyldum conduz o filme de uma boa maneira, conseguindo ministrar muito bem o drama pessoal de Alan Turing com o suspense presente nos bastidores da guerra. Desta forma, o filme consegue emocionar o espectador e deixa-lo tenso ao mesmo tempo. Ou seja, sua direção foi extremamente eficiente em fazer com que Turing fosse visto por todos que assistiram ao filme como a mente genial que é.
Benedict e Keira demonstrando seus grandes
talentos
Talvez aquilo que mais se destaque em O Jogo da Imitação seja seu elenco fantástico. Repleto de ótimos coadjuvantes, onde se enquadram Matthew Goode e Mark Strong, o elenco do filme se engrandece com dois de seus integrantes: Benedict Cumberbatch e Keira Knightley, obviamente. Mais uma vez, Keira mostra que consegue se sair muito bem quando está situada num ambiente de época, interpretando Joan de forma extremamente satisfatória, mesmo não possuindo nenhuma cena grandiosa. Já Benedict não desmerece em nada seu ótimo currículo. Ele conseguiu mostrar em cena tudo aquilo que possivelmente Alan Turing sentia; os temores acerca de sua sexualidade, seu empenho em mudar os rumos da guerra, sua estranha relação com Joan: tudo nos é mostrado de maneira magnífica.

O Jogo da Imitação possui tudo o que é necessário para um filme histórico conquistar o público e a crítica. É bem desenvolvido, conta com ótimas atuações, possui o típico visual de época (tanto em maquiagens, figurino e cenários) e também conta com uma digna trilha-sonora clássica, de autoria de Alexandre Desplat. De toda a forma, é difícil dizer se ele teria o mesmo impacto se tratasse de outra personalidade senão Alan Turing.

Avaliação:







Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


13 comentários:

  1. Vi o filme e gostei bastante da história. O cara era um gênio. Ele batalhou e enfrentou muitos obstáculos pra realizar o que sonhou. A trama é perfeita e os atores estavam perfeitos na história.
    Beijos.

    ResponderExcluir
  2. vou procurar assistir esses dias, é o tipo de filme que assisto sem ninguém me perturbando hahahaha! é um pouquinho complicado mas é aí que prende minha atenção. uma história bem elaborada. tá anotado a dica!

    ResponderExcluir
  3. Oi Matheus, me interessei por este filme, principalmente pela época em que ele passa.
    Bjs,Rose.

    ResponderExcluir
  4. Realmente eu nunca tinha ouvido falar de Alan Turing. Com certeza o seu reconhecimento é um ponto importante, mostrar para as pessoas o que ele fez, a sua contribuição. Gostei do filme.

    ResponderExcluir
  5. Infelizmente, o cinema adapta as grandes obras literárias da forma que eles bem entenderem e quiserem. O que é uma pena, porque na maioria das vezes eles acabam fugindo da história central, como no caso do filme da Biografia do Alan Turing , "O Jogo da Imitação". Não adianta possuir um conjunto de atores bons, diretores consagrados, se não sabem levar a história do livro para as telonas da forma que ela é. Meu professor de Filosofia citou este filme na sala de aula e fiquei realmente curiosa para vê-lo. Mas sabendo que há muita distorção da verdade no que vai ser apresentado. Principalmente por o Alan ser gay e eles colocarem uma noiva no filme para ele (OIIII?????!!).
    Estou ansiosa para assistir. Beijo.

    ResponderExcluir
  6. Ainda não assisti a nenhum dos filmes que foram indicados ao Oscar desse ano. Acho massa quando trazem nomes que tiveram uma certa importância à humanidade, mas não são lembradas de seus feitos. Como não o assisti, não tem como debate-lo, mas posso elogiar o elenco. Acho-os incríveis e, tenho certeza que eles devem ter arrasado nesse também.


    @_Dom_Dom

    ResponderExcluir
  7. SÓ DE TER O BENNEDICT EU JÁ QUERO ASSISTIR ! Não assisti nenhum filme indicado, e sinto vergonha disso. MAS PRECISO ASSISTIR ESSE PORQUE TEM O MEUY SHERLOCK. ♥


    Enfim, bjs bjs

    ResponderExcluir
  8. Matheus!
    Comprei hoje o filme e devo assistir em breve.
    Realmente a história de Tuning não é divulgada e só quem tem interesse pela guerra e acaba fazendo pequenos estudos paralelos é que descobre o grnad ebenefício que ele fez, apesar de sua arrogância.
    Amei a análise bem completa que fez do filme.
    cheirinhos
    Rudy

    ResponderExcluir
  9. Eu sinceramente gostei bastante do filme, não consegui odiá-lo nem por razões reais nem por razões como "isca de oscar" como dizem por ai

    ResponderExcluir
  10. Li e ouvi várias críticas sobre esse filme. Todas são boas.
    Vou aproveitar que o filme ainda está no cinema e dar uma passadinha lá, bjs!

    ResponderExcluir
  11. Não assisti nenhum filme indicado ao Oscar desse ano, e provavelmente não vou assistir. Não sei o porquê, mas não tenho paciência pra assistir filme. Quando assisto, é pela internet, só vou ao cinema quando é uma adaptação de um livro que eu já lí, ou um filme que eu quero muito assistir. De resto... Mas quando o assunto é séries, a situação muda :v

    ResponderExcluir
  12. Desbravadores de Livros28 de fevereiro de 2015 23:43

    Oi, Matheus.
    Livros que trabalham como tema a 2ª Guerra Mundial já é algo que me chama a atenção logo de cara. Fiquei super com vontade de assistir e adorei suas críticas. Preciso \o

    ResponderExcluir
  13. No filme, o noivado dele com Joan serviu apenas como pretexto para que ela continuasse trabalhando com eles, já que na época era meio que um sacrilégio uma mulher trabalhar sozinha longe da família.
    Mas mesmo assim muitos familiares do Turing disseram que "adoçaram" o "amor" dos dois, já que na realidade foi bem mais complicado do que se mostrou na tela.

    ResponderExcluir