postado por Matheus em 18 fevereiro 2015

Review | Whiplash - Em Busca da Perfeição

Direção: Damien Chazelle
Duração: 1h 46min
Lançamento: 2015
Gênero: Drama

Sinopse

O solitário Andrew (Miles Teller) é um jovem baterista que sonha em ser o melhor de sua geração e marcar seu nome na música americana como fez Buddy Rich, seu maior ídolo na bateria. Após chamar a atenção do reverenciado e impiedoso mestre do jazz Terence Fletcher (JK Simmons), Andrew entra para a orquestra principal do conservatório de Shaffer, a melhor escola de música dos Estados Unidos. Entretanto, a convivência com o abusivo maestro fará Andrew transformar seu sonho em obsessão, fazendo de tudo para chegar a um novo nível como músico, mesmo que isso coloque em risco seus relacionamentos com sua namorada e sua saúde física e mental.

Crítica

Seja na dança (Cisne Negro), nas artes visuais (Mr. Turner), na música (Mesmo se Nada Der Certo) ou no teatro (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)), o cinema volta e meia busca inspiração em outras áreas da arte. Certas vezes, isso serve apenas para retratar os bastidores de determinada área da arte, mas na grande maioria das vezes a arte exposta serve apenas como base para reflexões que transcendem o campo artístico. Caso certeiro de Whiplash - Em Busca da Perfeição, que busca na música a resposta para quais são os limites na busca da perfeição.


No Conservatório Shaffer, Andrew Neiman (Miles Teller) é um dos alunos calouros. Desde criança ele sonha em ser um grande baterista; mas não apenas um ótimo baterista, mas sim um dos melhores. Sua exaustiva jornada de ensaios ilustra isso muito bem. Dentro do conservatório, ele começa tocando numa banda de jazz pequena, mas seu maior objetivo é entrar na banda de Terence Fletcher (J. K. Simmons), o mais conceituado professor do conservatório. Depois de ver Andrew tocando bateria num ensaio sozinho, Terence decide chama-lo pra sua banda, colocando-o no lugar do baterista Carl Tanner (Nate Long), amigo de Andrew.
Teller e sua bateria, em uma das inúmeras cenas
marcantes de Whiplash
Porém, Andrew acaba descobrindo que entrar na banda é o menor dos problemas. Fletcher é um professor abusivo e ignorante, que não economiza nos xingamentos e humilhações para treinar sua banda, buscando torna-la a melhor. Com isso, Andrew aumenta ainda mais suas horas de ensaio, tudo para satisfazer Terence e assim permanecer na banda. Contudo, essa sua completa entrega à música pode lhe custar caro.

Uma das muitas qualidades de Whiplash está presente numa sinopse qualquer: a sua simplicidade. Ele não aposta numa história complexa, repleta de personagens repletos de dilemas psicológicos; seu roteiro apenas se preocupa em mostrar pessoas normais no mundo do jazz e suas relações com a busca da perfeição.
O fato de Andrew ser um adolescente comum foi de extrema importância para que o roteiro realmente transmitisse isso. Por mais que sua entrega à música seja em diversos momentos obsessiva, ele não passa de um adolescente normal, vendo a sua vida amorosa e social desmoronar ao mesmo tempo em que não mede esforços para alcançar a perfeição. E essa sua busca pela perfeição é algo pessoal, mas é inegável que ela foi impulsionada por Terence Fletcher, de longe o personagem mais complexo do longa.
Desde a primeira cena em que é mostrado Terence ensaiando seu grupo, o espectador só consegue sentir uma coisa por ele: repugnância. A forma ofensiva com a qual ele se dirige a seus alunos é repleta de preconceito, e a sua busca pela perfeição faz com que ele humilhe qualquer aluno apenas pelo fato de ele ter errado tocado certa nota com o mínimo desafinamento. Mas, antes do filme acabar, nós nos deparamos com sua explicação sobre o tratamento praticamente desumano que ele dá a seus alunos. E então vemos toda sua metodologia de ensino de outro modo, principalmente quando começamos a refletir sobre ele dizer que “bom trabalho” são as duas palavras mais perigosas para qualquer um. Para sustentar um personagem tão cruel, mas ao mesmo tempo tão inteligente, é necessário um ator de alto nível, e é impossível pensar em alguém que pudesse sair melhor no papel que o próprio J. K. Simmons.
Simmons demonstrando a
loucura de seu personagem da melhor forma possível
O ator pouco conhecido ganhou reconhecimento mundial depois de sua atuação ser aclamada por todos desde o lançamento do filme no Festival de Sundance. Algo extremamente merecido. As cenas em que ele grita, humilha e xinga sua banda são arrepiantes, o que se deve não somente ao choque que elas causam em quem as vê, mas também devido às suas expressões loucas e amedrontadoras. Poucas vezes vimos um personagem louco interpretado com tanta maestria. A ascensão adolescente Miles Teller também se sai espantosamente bem. Fugindo completamente dos filmes adolescentes que costumeiramente participa, em Whiplash ele tem uma entrega emocionante ao personagem. Por seu personagem ser um adolescente contido, nós só conseguimos notar sua grande atuação quando está em sua bateria, onde então ele nos entrega diversas performances memoráveis e extasiantes.
Tanto é que o ponto alto do filme realmente são as apresentações musicais. Somente quando vemos os ensaios de Andrew e as apresentações de sua banda é que podemos nos emocionar enormemente, nos deixando pregados no filme mesmo que o jazz não seja um dos nossos gêneros musicais favoritos. Neste sentido, o mérito fica para o diretor Damien Chazelle - que conduz o filme de uma forma rápida e emocional à medida certa - e ao editor Tom Cross, que consegue misturar com maestria e rapidez diversos ângulos das apresentações. O destaque fica, é claro, para a apresentação final de deixar qualquer um com a nuca arrepiada.

Assim como o que aconteceu em outras edições do Oscar, neste ano mais um filme independente está presente em grandes categorias. O que é extremamente merecido para um filme da magnificência de Whiplash - Em Busca da Perfeição.

Avaliação:






Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


19 comentários:

  1. Esse filme é muito boooom!
    Fiquei toda arrepiada com a cena final, e perturbada quando via o Andrew sofrendo nos ensaios dele. J.K. Simmons merece demais esse Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, ele é a minha aposta para esse ano, espero que consiga. Miles Teller me surpreendeu, já tinha assistido outros filmes com ele, mas eu nunca tinha me conectado tanto com ele como aconteceu com agora, com ele na pele desse personagem.
    Gostei demais do filme, me lembrei diversas vezes de Cisne Negro quando estava assistindo-o.

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  2. Parece ser bom. Gostei do que você diz aqui. Gosto bastante desse gênero de filme e fiquei curiosa a respeito. Vou tentar assistir. Valeu pela dica.
    Beijos.

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  3. é um filme interessante sem dúvida, tem uma história marcante, gosto de histórias que são mais um aprendizado que ficam martelando na cabeça da gente mesmo depois do filme ter terminado. vou procurar assistir com certeza.

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  4. Esse despertou bem mais meu interesse em vê-lo do que o Birdman.

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  5. Este filme foi a grande surpresa do Oscar, ganhou 3 prêmios. Quem diria né? E não estavam dando nada por ele. Super merecido, o filme é fantástico.
    Beijo

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  6. Esse filme pode ser um exemplo de que, para ser bom, não é necessário que seja grandioso. Ele é ótimo pela sua simplicidade. O J.K. Simmons já o conhecia desde a série "Oz", e desde lá, já o odiava. kkkkkk

    @_Dom_Dom

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  7. Ainda não assisti esse filme, mas me despertou mais a atenção que Birdman, ainda fiquei revoltada com o resultado do oscar com esse filme. Adorei a premissa da história. E conheço o J.K. Simmons do Law & Order, mas também acho ele não tão conhecido, mas fora isso... *-*

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  8. Esse ainda não assisti minha amiga Rosana do blog tudoquemotiva.com já me indicou esse filme com uma resenha espetacular.
    adorei a resenha, talvez eu assista no final de semana

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  9. SIIM! Super lembra Cisne Negro!
    Ambos excelentes, mas esse é uma versão mais soft haha

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  10. Esse é bem mais fácil de se assistir que Birdman. Birdman necessita de um certo esforço do público haha

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  11. Se envolve qualquer tipo de arte já me interessa. Esse não podia ser diferente. Quero muito assistir!

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  12. To com esse filme aqui pra ver, mas ainda não tive coragem. Só de ver o trailer já fiquei 'wow' principalmente com a atuação do J.K. Simmons.

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  13. Nossa, já ia falar mal da capa, daí percebi que não era um livro. Por que eu sou tão desatualizado em relação á filmes? ;-; Nunca conheço os filmes indicados ao Oscar... Enfim, parece ser um bom filme, só não sei se é o meu tipo de filme, provavelmente não é, mas talvez eu dê uma chance.

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  14. Desbravadores de Livros28 de fevereiro de 2015 23:46

    Oi, Matheus. Devo confessar que não conheço Simmons, mas valeu a pesquisada no google e realmente eu não conhecia.
    Adorei conhecer sobre o filme, mas vou querer conferir de perto.

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  15. Matheus!
    Vou discordar apenas em uma coisa: J. K Simmons não é pouco conhecido, pelo menos para mim não... Acompanhei a série OZ e Law & Order onde ele tem papeis de relevância e alguns outros filmes onde participou em papéis menores. Gosto dele como ator.
    cheirinhos
    Rudy

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  16. Ah, não sou muito ligado em séries huehue
    Mas no cinema faz tempo que ele não tinha um papel relevante. Mas agora está em alta, assim como a Patricia Arquette, que também tem mais fama na TV que no cinema.

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  17. Realmente tenho que me atualizar em séries. Tô me sentindo um alienado por não conhecer o J. K. Simmons hahaha

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  18. Por não ser ligado em séries, nunca havia ouvido falar do nome J. K. Simmons hahaha

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