postado por Matheus em 10 março 2015

Resenha | Anjos e Demônios

Autor: Dan Brown
Editora: Sextante
Páginas: 480
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Sinopse
Antes de decifrar ´O Código Da Vinci´, Robert Langdon, o famoso professor de simbologia de Harvard, vive sua primeira aventura em Anjos e Demônios, quando tenta impedir que uma antiga sociedade secreta destrua a Cidade do Vaticano. Às vésperas do conclave que vai eleger o novo Papa, Langdon é chamado às pressas para analisar um misterioso símbolo marcado a fogo no peito de um físico assassinado em um grande centro de pesquisas na Suíça. Ele descobre indícios de algo inimaginável: a assinatura macabra no corpo da vítima - um ambigrama que pode ser lido tanto de cabeça para cima quanto de cabeça para baixo - é dos Illuminati, uma poderosa fraternidade considerada extinta há quatrocentos anos. A antiga sociedade ressurgiu disposta a levar a cabo a lendária vingança contra a Igreja Católica, seu inimigo mais odiado. De posse de uma nova arma devastadora, roubada do centro de pesquisas, ela ameaça explodir a Cidade do Vaticano e matar os quatro cardeais mais cotados para a sucessão papal. Correndo contra o tempo, Langdon voa para Roma junto com Vittoria Vetra, uma bela cientista italiana. Numa caçada frenética por criptas, igrejas e catedrais, os dois desvendam enigmas e seguem uma trilha que pode levar ao covil dos Illuminati - um refúgio secreto onde está a única esperança de salvação da Igreja nesta guerra entre ciência e religião. Em Anjos e Demônios, Dan Brown demonstra novamente sua extraordinária habilidade de entremear suspense com fascinantes informações sobre ciência, religião e história da arte, despertando a curiosidade dos leitores para os significados ocultos deixados em monumentos e documentos históricos.


Resenha

Escrever um livro de conspiração que envolva alguma religião é algo difícil. O escritor pode pegar pesado no sentido religioso, o que faria com que o livro ficasse com sua imagem manchada frente aos seguidores de tal religião, implicando num alcance menor do livro. Tudo fica ainda mais complicado quando a religião tratada é a católica, uma das religiões com maior número de fiéis ao redor do mundo. Mas Dan Brown consegue trabalhar com maestria na aventura de Robert Langdon em Anjos e Demônios, fazendo com que todas as polêmicas a respeito da Igreja Católica sejam mostradas de forma sensacional, mas não humilhante aos católicos. Mas num panorama geral, esta é apenas mais uma de tantas qualidades da escrita incrível de Dan Brown.
Nossas mentes às vezes veem o que nossos corações gostariam que fosse verdade.
Pág. 452


Robert Langdon é um conceituado professor de Simbologia em Harvard. Numa madrugada comum, Langdon recebeu uma ligação um tanto estranha de Maximilian Kohler, diretor-geral do CERN, um “laboratório” europeu que abriga mentes geniais no ramo da física, com amplo estudo na área nuclear. O motivo para ele ter ligado para Robert é simples: um dos cientistas do CERN foi assassinado por Illuminatis. Por mais que para Robert - grande conhecedor da sociedade secreta Illuminati - esta fraternidade esteja morta, a marca deixada a fogo no corpo do homem morto não deixa mentir: o ambigrama dos Illuminati, que muitos pensavam ser inexistente, agora foi revelado, e de forma extremamente cruel.
O tal ambigrama Illuminati
Robert então viaja de sua casa nos EUA para o CERN, na Suíça. Lá ele descobre os detalhes do misterioso assassinato. O homem assassinado é Leonardo Vetra, um brilhante cientista com uma pesquisa ainda mais genial: o descobrimento da antimatéria. Junto com sua filha Vittoria Vetra, ele conseguiu desenvolver a antimatéria, ou seja, o completo oposto da matéria em si; com isto eles podiam provar como foi iniciada a vida no universo, além de que a antimatéria possui um poder energético gigantesco – algumas gramas podem abastecer grandes cidades com energia elétrica ou então destruir grandes áreas. O pior de tudo é que, após ser assassinado, Vetra foi roubado, sendo que o assassino e ladrão levou um tubo contendo antimatéria, tubo este que tem uma contagem regressiva para explodir quando não está inserido em seu lugar adequado: um laboratório subterrâneo do CERN.
Isto é um grande motivo de medo, já que esta tecnologia em mãos erradas pode resultar num grande desastre. Tudo se complica quando o CERN recebe a notícia de que o tubo de antimatéria está no Vaticano, perdido em algum lugar desconhecido. Com isso, Robert Langdon e Vittoria Vetra se veem numa corrida frenética para encontrar a antimatéria antes que ela exploda e destrua o Vaticano. Mas esta não será uma tarefa nada fácil: novos assassinatos podem acontecer e segredos obscuros da Igreja Católica e de obras artísticas de Roma terão que ser descobertos para que então se possa encontrar o verdadeiro inimigo.
[...] a dor é parte do crescimento. É como aprendemos.
Pág. 302

Primeiramente, o que chama mais atenção em Anjos e Demônios é o ritmo da narrativa. Mesmo com muitas páginas e com uma fonte pequena, é impossível se sentir cansado com a escrita rápida e extasiante de Dan Brown. O mais incrível de tudo é que isso está presente desde o primeiro até o último capítulo; não importa se a ação esteja acontecendo freneticamente ou não, a ansiedade para ler rapidamente e então descobrir o que virá logo depois sempre estará presente. Somente por este motivo o livro seria um destaque entre tantos thrillers cansativos lançados por aí, mas Anjos e Demônios é muito mais que apenas diversão.
A partir do momento que os personagens de Robert e Vittoria se encontram no Vaticano é que o maior trunfo do livro começa: as informações desconhecidas a respeito da arte italiana, da Igreja Católica e de outros temas igualmente interessantes. Dan Brown não vai apenas tecendo sua história e revelando segredos de forma aleatória, ele fez todo um estudo sobre as obras de arte e as localidades descritas na história. Isso dá ao leitor um embasamento melhor enquanto se lê o livro. Mas nisso também se encontra um possível perigo.
Anjos e Demônios é um livro de ficção sim, e não nega isso. Porém, com tantos aspectos reais sendo citados é fácil se esquecer disso, e então pensar que o livro na verdade é um livro didático de história disfarçado de ficção. Dan Brown pode muito bem ter pesquisado sobre tudo o que escreveu – todas as obras de arte e as igrejas citadas realmente existem, com seus detalhes corretamente descritos – porém, quem pode impedi-lo de acrescentar alguns segredos ficcionais na história para torna-la mais emocionante e impactante? E além do mais, Dan Brown é um escritor, e não historiador. Desta forma, cabe somente ao leitor decidir o que ele vai considerar como verídico ou não, sempre se lembrando de que o enredo do livro em si é meramente ficcional.
Contudo, mesmo pecando nesse quesito factual-ficcional, o livro se compensa nos debates que ele levanta no decorrer da história. Este é outro fator de grande destaque na escrita de Brown: a facilidade dele de questionar o leitor sobre o que está sendo lido. Através do tubo de antimatéria ele consegue levantar o grande debate da atualidade: até onde a ciência pode ir para descobrir o mistério da vida? Será mesmo que estamos prontos para sabermos como a vida no universo se iniciou? Mesmo que não questionados diretamente, os leitores se veem facilmente com perguntas como essa, assim como tantas outras questões morais sobre os grandes avanços da ciência. Engana-se quem acha que apenas a ciência é a “vítima” de debates morais, a igreja e a religião também criam diversos devaneios ao leitor. O poder da fé que todos têm é fortemente posto em cheque em diversas passagens do livro; a força que a palavra de uma igreja mantém sobre seus fiéis também é magistralmente mostrada, principalmente no clímax grandioso. Com tudo isso à frente, só resta ao leitor refletir um pouco e se emocionar, e muito!
A escrita veloz de Dan Brown pode se tornar um empecilho para alguns leitores devido à grande quantidade de palavras cultas empregados nela. São várias as palavras “desconhecidas” que o livro nos mostra, o que faz com que a companhia de um dicionário durante a leitura seja de grande utilidade.
A mídia é o braço direito da anarquia.
Pág. 177

De toda forma, Dan Brown já está consagrado no cenário literário atual. Não importa quantas críticas negativas apareçam referentes ao seu teor histórico “fajuto”, seus livros sempre estarão entre os best sellers. E sendo assim só temos que aproveitar seus livros viciantes, entre eles Anjos e Demônios, que se mostra um livro inteligente e vibrante mesmo contendo seus exageros típicos do gênero. Porém, o livro seria assim tão emocionante se não contasse com todos esses exageros? Dificilmente.
Até a tecnologia que promete nos unir, ao contrário, só nos divide. Cada um de nós está hoje eletronicamente conectado ao globo inteiro e, entretanto, todos nos sentimos sós.
Pág. 315

Avaliação:







Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


16 comentários:

  1. O autor realmente é divino em criar essas histórias.Cada vez mais encantada com com eventos que ele cria nas histórias. São perfeitas. Este romance pra mim é o melhor de todos.
    Beijos.

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  2. Oi Matheus, não li o livro, acabei vendo apenas o filme, que aliás gostei. Quando for ler, lembrarei de ter um dicionário à mão.
    Bjs, Rose

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  3. Ainda não li nada do Dan Brown, nem na época que ele era uma febre me animei. Mas acabei comprando um box dos livros e pretendo ler, acho muito interessante ele ter misturado mistério e religião. Acho que as criticas que o autor recebeu é mais pelo sucesso estrondoso que ele fez.

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  4. Matheus, você não sabe como fiquei feliz com a sua resenha. sou fã de Dan Brown, muita fã, e pra mim significa muito ler uma resenha assim. meus livros já estão tão "velhinhos" hahahaha ainda eram pela Sextante quando os comprei. nunca entendi pq tanto "ódio" com a obra do autor, é fantasia, é um livro poxa! ele nunca disse que era verdade hahahahaha! mas enfim, Anjos e Demônios é um dos livros mais legais que li, todos os detalhes, a história muito bem equilibrada, e quem tiver oportunidade, a edição ilustrada enriquece ainda mais a leitura. Robert Langdon é o personagem! um cara comum mas muito carismático. deu pra perceber que se deixar vou falar muuuuuito sobre Dan Brown! amei a resenha!

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  5. Se você gostou do filme, tenho prazer em lhe informar que irá amar o livro! haha
    O filme é interessante, mas o suspense e a história foram extremamente mal desenvolvidos em relação ao livro. No livro o desenrolar da trama é bem mais complexo e empolgante, isso sem contar no final, inúmeras vezes melhor que o final do filme! ♥♥♥

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  6. Também vejo muita gente criticando-o por essa fama grandiosa dele. Enfim, vai entender né! haha

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  7. Muito abrigado Ana! Não sabe o quanto fico feliz em saber que uma fã de Dan Brown adorou minha resenha! ♥ haha
    Enfim, o livro é realmente fantástico! Tive que me segurar pra não prolongar essa resenha, que já ficou enorme. kkkk

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  8. Oi, Matheus! Só li dois livros do Dan Brown, o Anjos e demônios e O código da vinci. O primeiro foi o meu preferido. Apesar de ter lido poucos livros, já sou fã do autor. Concordo que ele escreve com maestria. O primeiro e o último trechos que você escolheu são os meus preferidos! ^^

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  9. Bem, o que posso dizer.
    A sua resenha ficou impecável, direta e detalhada. Você falou com precisão da obra e tudo mais. SÓ QUE: Não gosto muito das obras do Dan Brown, então não fiquei atiçada a ler. Sabe, eu vou lhe contar um segredo: eu passei UM ANO pra ler Ponto de Impacto, de tanto que enrolei. E passei mais OITO MESES pra ler O Código Da Vinci. Então eu meio que tenho problema com a escrita dele. Tudo bem que isso foi a seis anos atrás, mas ainda tenho um pé atrás de conhecer a escrita dele. Mas de qualquer forma, você cumpriu com maestria seu objetivo que era atiçar o leitor.

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  10. Fernanda Menegazo Dos Santos19 de março de 2015 10:00

    Esse foi o segundo livro de Dan Brown que li. Gostei muito, A escrita dele é realmente viciante. Já os filmes baseados nos livros não gostei de nenhum. Apesar de terem o Tom Hanks como Robert Langdon, as histórias são muito modificadas, especialmente no Anjos e Demônios...

    Abraços

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  11. Nunca li nada do Dan Brown, mas assisti ao filme "O Código da Vinci" e gostei bastante. Então, se gostei de uma adaptação cinematográfica, é certeza que vou amar o livro também. Pelo que percebi ao ler essa resenha é que ele tem total controle de sua trama. Tudo é muito bem pensado e intrincado. É uma engrenagem bastante engenhosa e, o melhor de tudo, é que ele insere informações sobre os lugares, a arquitetura, as obras de arte, ou seja, um trabalho de pesquisa impressionante. Enfim, vou correndo atrás dos livros dele.


    @_Dom_Dom

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  12. Eu adoro essas coisas de conspirações, nova ordem e etc. Mas, sinto em dizer, que mesmo com essa sua resenha maravilhosa, não consigo sentir vontade de ler algo do Dan Brown, não me parece ser o tipo de leitura que me agradaria

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  13. Acredita 'abandonei' esse livro, não diria abandono porque li cerca de 10 páginas, mas o pouco que li o livro não me prendeu. Pretendo dar uma chance de novo.

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  14. Li esse livro depois de ter assistido o filme e lembro de ter gostado e de ter achado muito melhor que o filme. Como faz algum tempo e já não lembro mais de quase nada confesso que sua resenha me deu vontade de reler, mesmo que só algumas partes.

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  15. Apesar de todo o sucesso e criticas, nunca li nenhum livro do Dan Brown, nem assisti nenhuma adaptação cinematográfica dos livros dele. Nunca me interessei pelas obras do autor,
    mas talvez eu dê uma chance ao autor. Sempre encontro os livros na loja Americanas por 9,90. Minha amiga até comprou dois livros dele nessa semana, to pensando em pedir emprestado. Ótima resenha!

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  16. ainda nao li nada de Dan Brown mas pelo jeito o cara É O CARA, só oucço elogios a respeito de seus livros.

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