postado por Matheus em 04 março 2015

Resenha | Clube da Luta

Autor: Chuck Palahniuk
Editora: LeYa
Páginas: 272
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Sinopse
Clube da Luta - Considerado um clássico moderno desde sua publicação em 1996, o livro Clube da Luta consagrou Chuck Palahniuk como um dos mais importantes e criativos autores contemporâneos, além do próprio livro como um cânone da cultura pop. O livro que estava esgotado há anos volta às livrarias nessa caprichada edição.

O clube da luta é idealizado por Tyler Durden, que acha que encontrou uma maneira de viver fora dos limites da sociedade e das regras sem sentido. Mas o que está por vir de sua mente pode piorar muito daqui para frente.
O livro foi filmado em 1999, Por David Fincher (Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, A Rede Social), que possui duas nomeações ao Oscar, que conseguiu adaptar toda atmosfera do livro, o mundo caótico do personagem e o humor negro de Palahniuk em uma trama recebida com inúmeros elogios pela crítica e pelo público que conta com os atores Brad Pitt, Edward Norton e Helena Bonham Carter.

Resenha

A proposta de Chuck Palahniuk ao escrever Clube da Luta é algo extremamente ousado. Não porque ele utiliza de uma escrita própria, repleta de flashbacks, poesias embutidas e devaneios complicados. Não porque ele utiliza de uma fortíssima violência gráfica. Não porque ele aposta numa das reviravoltas mais inesquecíveis da literatura. É ousado apenas porque ele retrata homens normais fazendo o que sempre tiveram o desejo, mas nunca fizeram devido à lei e ao que é socialmente aceitável. Nós não estamos acostumados ao anormal, não é mesmo? Mas o que é “normal” para nossa sociedade atual?
- Nossa cultura nos fez sermos todos iguais. Ninguém mais é verdadeiramente branco, preto ou rico. Todos queremos a mesma coisa. Individualmente não somos nada.
Pág. 167


O Narrador é um homem americano trabalhador e consumista, assim como todos os outros homens normais. De certa forma insatisfeito com a vida, ele vê em grupos de apoio à pessoas enfermas a única maneira de ter a percepção de que sua vida poderia estar pior, e é por isso que ele frequenta tantos desses grupos, sendo que é em um deles que ele conhece Marla Singer. Seu trabalho como coordenador de campanhas de recall ­em uma companhia automobilística faz com que ele seja obrigado a viajar constantemente pelos EUA, sempre mudando de fuso horário, o que o deixa com insônia. Num desses voos ele conhece Tyler Durden, e é então que sua vida se transforma.
Quando desembarca de seu voo e vai a seu apartamento, O Narrador descobre que seu apartamento esta destruído. Um incêndio explodiu tudo que tinha nele, toda a mobília cara, todos os objetos de decoração desejados por um consumista, todos os condimentos que se encontravam na geladeira, realmente tudo. Desolado por perceber que sua vida praticamente havia acabado, ele só tem uma pessoa a quem recorrer: Tyler Durden. Após ligar para ele, eles marcam de se encontrar num pequeno bar. Depois de alguns drinks, do lado de fora do bar, O Narrador e Tyler começam uma briga, sem nenhum motivo aparente, apenas por diversão. Isso chama a atenção de alguns homens que estavam por perto, e não demora àquelas lutas sem razão deles e de outras pessoas se transformarem em algo corriqueiro no bar. Devido a essa popularidade das lutas, O Narrador e Tyler decidem formar o clube da luta, onde homens comuns poderiam descontar sua raiva do mundo capitalista e das vidas medíocres que levavam. Mas O Narrador nunca imaginou que tudo aquilo tomaria proporções tão grandes.
- A primeira regra do clube da luta é que você não fala sobre o clube da luta.- A segunda regra do clube da luta é que você não fala sobre o clube da luta - Tyler grita.
Pág. 58

Clube da Luta funciona perfeitamente de diversas formas.
Primeiramente, é impossível negar que este é um livro crítico, e neste aspecto ele se sai esplendidamente bem. Muitas obras já se deram ao trabalho de criticar nossa cultura consumista e capitalista, mas poucas conseguiram um impacto tão grande como Clube da Luta. Isto porque aqui a crítica vem de uma forma ácida e quase anarquista, mas vem de pessoas normais; pessoas como nós, que poderíamos abrir o olho de toda uma sociedade aos exageros do consumismo, mas que preferimos nos acostumar com nossas vidas normais. Desta forma, a crítica realmente consegue fazer o leitor refletir, percebendo que ele próprio poderia abalar as estruturas da sociedade. Chuck certamente precisou de coragem para escrever uma história que inflamaria os desejos de algumas pessoas em revolucionar o mundo. (Depois do lançamento do livro e do sucesso cult do filme, alguns clubes da luta realmente foram criados!).
Mesmo sendo extremamente crítico, Clube da Luta não encontra problemas em ser também uma grande fonte de emoção. Chuck Palahniuk possui uma escrita frenética facilmente viciante, o que faz com que o leitor leia cada capítulo na ansiedade de descobrir o que acontecerá logo depois. Cenas de ação não faltam, e todas elas, sem exceções, provocam um êxtase único no leitor. Boa parte das ações se desenrolam durante as lutas em si, mas o detalhamento de Palahniuk referente à toda a violência que permeia estas lutas faz com que essas passagens se tornem tão emocionantes quanto tiroteios e perseguições de thriller policiais. A grande e inesperada surpresa da história presente perto do final é a cereja do bolo referente a emoção que o livro transmite.
É extremamente gratificante ao leitor perceber que, mesmo repleto de violência e ação, o livro também funciona quando trabalha com o humor. Um humor negro constrangedor em certos momentos, mas sempre hilário. Risadas podem aparecer a qualquer momento.
É ainda mais gratificante ao leitor perceber que, mesmo sendo uma crítica, uma fonte de emoção e uma obra repleta de humor, Clube da Luta nunca se esquece de ser eximiamente escrito, num sentido mais artístico. Chuck Palahniuk poderia muito bem escrever a história de forma convencional que o livro não seria menos fantástico, mas ele ousa ao utilizar de uma escrita completamente estilizada, repleta de comparações inoportunas, poesias realmente líricas e momentos fora da ordem cronológica. Isso poderia render em algo confuso, mas tudo o que vemos é uma história vibrante e confusa na medida certa.
Tem um monte de coisas que não queremos saber sobre as pessoas que amamos.
Pág. 130

A capa do livro só aumenta a grandiosidade do mesmo. A ideia de escrever o título num sabonete (uma peça-chave na história) é praticamente genial; o relevo brilhante dado ao sabonete, ao sangue e a espuma torna a capa ainda mais despojada e digna de atenção.
Às vezes você faz algo e se ferra. E às vezes as coisas que não faz é que ferram você.
Pág. 70

Mesmo com esta resenha descrevendo o que é Clube da Luta, é de extrema importância dizer que nem mesmo a melhor resenha pode dizer àqueles que ainda não o leram tudo o que o livro transmite e representa. Este trata-se de uma obra atemporal, inteligente e perigosa, capaz de pregar a atenção até mesmo do leitor mais exigente.
A propaganda faz essas pessoas irem atrás de carros e roupas de que elas não precisam. Gerações têm trabalhado em empregos que odeiam para poder comprar coisas de que realmente não precisam. - Não temos uma grande guerra em nossa geração ou uma grande depressão, mas na verdade temos, sim, é uma grande guerra de espírito. Temos uma grande revolução contra a cultura. A grande depressão é a nossa vida. Temos uma depressão espiritual.
Pág. 186

Avaliação:







Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


17 comentários:

  1. Você acredita Matheus que eu tenho essa obra em casa desde o ano passado e ainda não peguei por medo de ser ruim. Mas depois da sua resenha, vou dar uma chance a essa obra em breve :D


    Gostei de saber que tem toda uma crítica embutida na obra, gosto de livros que fazem você parar e analisar mais a vida. kkk


    Ótima resenha Matheus

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  2. não sabia que era um livro. assisti ao filme um tanto de vezes, mas nunca acompanhei muito bem a loucura que a história é, mas sim é uma verdadeira crítica ao consumismo e a dependência das pessoas a isso. o livro então deve ser muito interessante. quem sabe eu leia esse ano =)

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  3. Vinicius Teodosio4 de março de 2015 22:04

    Sempre vejo o filme do livro, que vive em promoção nas lojas virtuais, mas não to podendo comprar livros novos. Creio que gostaria muito da leitura do livro, assim como gosto muito do filme. Adorei a sua resenha.

    Abraços.

    http://marcasliterarias.blogspot.com.br

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  4. Fernanda Menegazo Dos Santos5 de março de 2015 09:54

    Não assisti ao filme nem uma vez, e pela capa também não compraria o livro... mas pela sinopse e resenha fiquei um pouco curiosa... talvez agora eu dê uma chance ao filme também...

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  5. Vi o filme com esse título uma vez e achei meio louco. Da pá virada. Rsrsrs Agora o livro nunca li. Pelo que entendi na resenha parece ser mais interessante do que o filme. A trama me deixou mais curiosa. Vou ver se leio depois. Pra ver como é realmente.
    Beijos.

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  6. Oi, Matheus! Infelizmente ainda não li o livro nem assisti ao filme, apesar de já terem sido recomendados a mim umas mil vezes. rs Sei que é uma grande obra que vale a pena tanto ser lida como vista. Gosto de livros assim, com crítica, mas que ao mesmo tempo é feita de uma forma leve (sem perder a ideia daquilo que quer passar); esse inclusive dá até pra dar risada, né? haha

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  7. Nunca assisti ao filme, acreditem, nem sabia que a Helena participava dele. Já vi várias vezes esse livro no submarino, que é onde eu geralmente compro meus livros, por menos de 10 reais, mas nunca dei muita atenção à ele. Talvez se eu tivesse lido uma resenha como essa antes, isso poderia ter sido diferente. Gostei bastante da história e do enredo do livro, e gostei muito da sua resenha também.

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  8. Muito obrigado :D

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  9. Oi Matheus, não é um livro que eu esteja interessada em ler. Nem o filme chegou a me interessar quando foi lançado.
    Bjs, Rose

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  10. vi o filme e li o livro, gostei muito, tinha ate pensado que nao valeria a pena , mas nao me arrependi, nunca tinha lido um livro tao critico!

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  11. Clube da luta ta na minha meta de leitura para esse ano e pela sua resenha vou gostar da leitura. O meu interesse no livro é justamente da critica que ele faz ao consumismo, imagino que quando foi lançado o filme o barulho que ele causou.

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  12. Sim, muita risada! hahaha

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  13. Obrigado!
    Aliás, comprei meu exemplar no Submarino também, por R$5,00! Até agora não acredito ♥ hahaha

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  14. Só em ver que a narrativa segue um ritmo frenético e tenso do começo ao fim, já me deixa bastante curioso pra ler. E, quando atrelado a isso vem uma carga enorme de criticidade e humor negro, não tem pra onde correr. Quer dizer, tem sim, é correr pra livraria e comprar um exemplar.


    @_Dom_Dom

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  15. Eu já vi esse livro várias vezes na promoção, mas não criei expectativas nem tive vontade de comprá-lo, pois não faz parte dos tipos de livros que costumo ler. Acho que até que estou com medo de sair da minha zona de conforto, rs. Mas, só ouço elogios em relação a ele, que sabe um dia...

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  16. Tenho bastante curiosidade para ler o livro, ele sempre está em promoção mas ainda não arrisquei a compra. Essa resenha nem preciso dizer que atiçou ainda mais minha curiosidade, parece ser um livro bem denso e cheio de críticas sociais.

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  17. Confesso que soube recentemente que existia um livro e que terá continuação! Pretendo seguir o caminho inverso e ver o filme primeiro e caso eu gostar ler o livro.

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