postado por Matheus em 13 abril 2015

Resenha | Misery - Louca Obsessão

Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 326
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Sinopse
Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho. 
A simpática senhora é também uma leitora voraz que se autointitula a fã número um do autor. No entanto, o desfecho do último livro com a personagem Misery desperta na enfermeira seu lado mais sádico e psicótico. Profundamente abalada, Annie o isola em um quarto e inicia uma série de torturas e ameaças, que só chegarão ao fim quando ele reescrever a narrativa com o final que ela considera apropriado. Ferido e debilitado, em Misery – Louca Obsessão, Paul Sheldon terá que usar toda a criatividade para salvar a própria vida e, talvez, escapar deste pesadelo. 



Resenha

Ler um livro pode ser considerado uma tarefa relativamente fácil. Em grande maioria das vezes, não é exigido muito do leitor; atenção e compreensão são o mínimo que o leitor precisa ter. E para escrever um livro, o quê é exigido de um escritor para ele desenvolver uma obra adorada pelo público e pela crítica? Essa pergunta pode até ser levantada por alguns leitores, mas responde-la é algo que somente um escritor pode fazer. Mas responder a esta pergunta em um livro literário pode ser considerado um tanto maçante, principalmente se o foco for justamente o ato de escrever. Porém, estamos falando de um livro de Stephen King, então a situação se reverte completamente.
A verdade não é mais estranha que a ficção, não importam o que digam. Na maioria das vezes a gente sabe exatamente como as coisas vão terminar.
Pág. 271

Paul Sheldon é um grande escritor de sua geração. A crítica especializada pode não vê-lo como o escritor sério que ele se esforça a ser, mas ainda assim sua carreira é consolidada, o que se deve principalmente a Misery. Misery é uma personagem criada por ele, protagonista de diversos livros de uma série repleta de aventura e romance, o que deu a Sheldon o status de “escritor popular”. Mas ele não quer isso, e por isso resolve colocar um fim à personagem que lhe rendeu tanta fama e dinheiro, matando Misery no último livro da série. Simples assim! Com isso, ele encontra mais liberdade para escrever seus livros de forma que a crítica comece a dar o reconhecimento que ele acredita merecer. E é com isso em mente que ele escreve Carros Velozes, o livro que ele acredita que mudará a visão que todos têm de seus títulos. Mas nada ocorre como ele espera.
Logo após terminar de escrever Carros Velozes, num hotel acompanhado de um bom champanhe, Paul Sheldon decide sair e viajar com seu carro. O que não era uma boa ideia visto a forte nevasca que ele encontrou no caminho. Devido a isso, ele acabou sofrendo um grave acidente, o que resultou em suas duas pernas fraturadas. Por seu azar, o lugar onde ele sofreu o acidente é praticamente deserto, onde transitam poucos carros e pessoas. Mas azar maior ainda é o fato de que foi Annie Wilkes a primeira pessoa a encontra-lo.
Annie é uma grande fã de Paul Sheldon (ou seria uma grande fã de Misery?). Isso lhe impulsiona a ajuda-lo ainda mais! Para isso, Annie acha que a melhor alternativa é levá-lo pra sua casa; uma casa bem distante da cidade, diga-se de passagem. Aos poucos, Paul vai percebendo que as coisas não andam nada bem. Annie está dopando-o com uma forte droga, e suas pernas podem não estar recebendo os melhores cuidados. Mas Annie é uma enfermeira aposentada, então é de se esperar que ela cuide bem dele. Mas seu tratamento médico é o menor dos problemas a Paul, que começa a notar a personalidade psicótica de Annie Wilkes. Tudo piora quando ela termina de ler o último volume da saga de Misery e então descobre que sua amada personagem morreu. Não aceitando este final, Annie Wilkes decide obrigar Paul à escrever um novo livro de Misery; um livro só pra ela, uma obra-prima! E é a partir disso que a vida de Paul Sheldon se transforma num verdadeiro inferno, onde ele descobrirá seus verdadeiros limites, tanto em sua função como escritor quanto em sua dor.
- Você me deve a vida, Paul. Eu espero que você se lembre disso, espero que você mantenha isso em mente.
Pág. 25

Cite o nome Stephen King em uma conversa sobre leitura e os sinônimos dado à ele são bem parecidos. Horripilante, medonho e aterrorizante são alguns dos termos mais dados a seus livros. Isso não deixa de ser verdade, o que é bom, levando em conta que é esta sua intenção em escrever livros de terror. Mas sua escrita vai muito além disso. E é extremamente fácil perceber isso em Misery - Louca Obsessão, um - de muitos - dos seus livros mais reverenciados.
Diferente de boa parte de seus outros livros, este não tem como tema central algo sobrenatural. Não há poderes paranormais, muito menos criaturas malignas, tudo o que encontramos em Misery é a maldade do ser humano em sua forma mais crua e cruel. E isso é o que faz de Misery um livro tão aterrorizante!
A personalidade psicótica de Annie Wilkes causa calafrios facilmente no leitor graças às descrições fantásticas de King acerca de seus personagens. Mas estes calafrios causados pela personalidade de Annie nem se comparam ao verdadeiro terror sentido pelo leitor em determinadas passagens. Em uma delas, a crueldade e a sanguinolência com que Stephen King descreve toda a cena causa uma agonia extrema, levando-o ao ápice de seu terror subconsciente. Isso sem falar no clímax, que consegue ser macabro e humano ao mesmo tempo, mostrando ao leitor capítulos repletos de extrema tensão e horror. É melhor se prepararem para os arrepios na espinha e com os sustos inesperados!
Stephen King vai ainda mais longe ao não focar somente no âmbito aterrorizante da história. Citar o ato de escrever no começo desta resenha foi algo proposital, feito para simbolizar que Misery também trata disso, e de uma ótima forma, diga-se de passagem. Afinal de contas, um dos personagens principais é um escritor; nada mais digno do que relatar seu próprio trabalho. E o trabalho de Stephen King também, obviamente.
Em seu “confinamento”, Paul Sheldon, enquanto escreve seu retorno ao universo de Misery, vai nos mostrando a mente de um escritor. Aos poucos vamos tomando conhecimento sobre o ato de criar uma história, a forma como lhe surgem ideias, o processo para publicação de um livro... Enfim, temos um completo panorama do trabalho de um escritor. Tudo pontuado com uma boa dose de terror, só para não ficarmos desacostumados.
É interessante citar a inclusão de certos capítulos de O Retorno de Misery, novo livro de Paul Sheldon com Misery como personagem principal, dentro do próprio Misery - Louca Obsessão. Com isso, além de termos uma boa ideia do estilo de escrita do próprio Sheldon, também conseguimos nos adentrar ainda mais em seu trabalho como escritor.
- E às vezes, Colter, quando alguém muito bom falece - alguém muito querido de todos -, nós achamos difícil dizer adeus.
Pág. 129

Misery - Louca Obsessão é um daqueles livros que, quando você acaba de ler, a única coisa que você consegue fazer é deixa-lo ao seu lado, ficar parado e refletir sobre tudo o que você leu. É impossível não terminar de lê-lo e sentir aquele medo contínuo de Annie Wilkes e suas perversidades. Stephen King realmente se saiu magistralmente bem ao detalhar perfeitamente o trabalho de um escritor, mesmo detalhando isso sob um panorama repleto de terror, medo e dor. Uma obra memorável da literatura de horror!
Em um livro, tudo teria saído de acordo com o plano... mas a vida é muito bagunçada.
Pág. 312

Avaliação:




O livro foi cedido pela editora para resenha no blog.





Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


9 comentários:

  1. Matheus!
    Já sabe que sou sua fã, né?
    Li Misery acredito que em fevereiro ou março...e adoro King, claro; embora em Misery, em alguns momentos, achei um tanto cansativo o início, depois sim, percebi a verdadeira escrita do King e tudo foi se encaixando. Mas, vou explicar o motivo do cansativo... É que já tinha assistido o filme e daí fiquei na expectativa da verdadeira ação e das atitudes horripilantes da enfermeira.
    Sim não é um dos livros de terror sobrenatural, mas é melhor, porque o terror é real, quase palpável, através de uma pessoa 'comum'.
    Adorei a leitura também e claro sua análise sempre bem feita.

    “A felicidade não depende do que nos falta,
    mas do bom uso do que temos.”(Thomas Hardy)

    Cheirinhos

    Rudy

    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  2. Olá Matheus querido.


    Eu sei bem o quanto você gosta de Stephen King, porém ainda não tive nenhum contato com o autor, algumas vezes por não simpatizar muito com os temas que ele aborda, outras vezes por preguiças mesmo de ler aquilo (Você recebeu já o Escuridão Total Sem Estrelas?! AQUILO É GIGANTE. Mas se bem que você tá lendo It, a Coisa, o que me deixa mais assustada ainda). Mas adorei sua resenha, a forma como você explica deixa tudo be legal. E por não se tratar de um livro sobrenatural, e sim um terror natural causado pelo ser humano, o que o torna mais sinistro ainda. Quem sabe um dia eu leio e venho discutir melhor com você?

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  3. Matheus, compartilhamos o mesmo gosto pelas histórias do mestre Stephen King... aprecio bastante. Já li Christine, a maldição do cigano... fora os filmes. E Misery já conhecia por ter assistido o filme. Então ao ler sua resenha, lembrei bastante de cenas já esquecidas. Mas acredito que o livro seja bem melhor que o filme, se tratando do King com sua descrição detalhada dos personagens e dos horrores que acontecem nos seus livros. Quero ler sim. Essa história é bem das antigas, não é? Quais outras obras do King você leu?
    Um beijo

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  4. matheus_spereira21 de maio de 2015 01:13

    Muito obrigado, Rudynalva!
    Enfim, realmente achei esse terror "real" melhor do que o sobrenatural. A escrita de King é tão boa que é fácil termos medo de tudo aquilo, mesmo vindo de uma pessoa "normal", como você mesma disse.

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  5. matheus_spereira21 de maio de 2015 01:14

    hahahaha agora já terminei It. Em breve resenha :3


    Leia sim, não se arrependerá! hahaha

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  6. matheus_spereira21 de maio de 2015 01:16

    Olha, eu também amo o filme Louca Obsessão. Num geral, ele é bem fiel ao livro, mas tem uma passagens do livro que foram amenizadas no filme, e são justamente essas passagens as melhores do livro! HAHAHA


    Sim, sim, bem antigona mesmo. Já li Carrie e It. Morro de vontade de ler O Iluminado. Quem sabe em breve...

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  7. Só em ter o nome do Stephen King estampada na capa, já me anima. Sou fã do autor e acho suas tramas e escrita incríveis. O que acho legal nesse (apesar de não ter lido ainda), é que todo o horror/terror não está em criaturas sobrenaturais, mas sim em uma mente humane extremamente doentia. Enfim, quero muito ler, e assistir também.

    @_Dom_Dom

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  8. Tenho esse livro porem ainda não li, a fila de leitura está enorme, mas sendo Stephen King com certeza em algum momento irei ler.

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  9. Gente, conhecendo o autor começo a ler a resenha prendendo a respiração, de medo do que está por vir. O autor é iluminado, como consegue escrever tantas narrativas e tantos personagens bem sucedidos? Acho que ele achou a fórmula do sucesso, hehe. E o livro justamente mostra como funciona a mente de um escritor, só que de uma forma bem assustadora e dramática.

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