postado por Matheus em 06 abril 2015

Resenha | Homens, Mulheres & Filhos

Autor: Chad Kultgen
Editora: Record
Páginas: 351
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Sinopse

Homens, Mulheres & Filhos é a melhor obra de ficção já escrita sobre a sexualidade de adolescentes e adultos em tempos de Internet. O autor cria uma rede de personagens que levam vidas comuns e aparentemente normais, mas, no fundo, repletas de neuroses, fraquezas, pudores, perversões, inseguranças, ingenuidades, e cujo comportamento é influenciado diretamente pela mídia e pelo mundo virtual.





Resenha

Vivemos num mundo “internetizado”, disso ninguém pode negar. Amigos virtuais, a diversão na tela de um aparato eletrônico, namoros à distância, o rápido acesso à informação: tudo isso faz parte da vida de grande parcela da população mundial, direta ou indiretamente. A globalização está andando a passos largos, principalmente se notarmos o constante avanço da internet nos últimos anos. A pergunta que sempre nos cerca é a mesma: toda essa conectividade nos faz bem? A resposta pode ser diferente de pessoa pra pessoa, mas o consenso é visível: a internet está distanciando a maioria de nós. E cada vez mais o cinema, a TV e escritores estão tomando essa questão como base para suas obras e programas; entre essas obras se encontra Homens, Mulheres & Filhos, um livro pesado e cruel, mas inteligente ao mostrar ao leitor a delicada situação em que a humanidade se encontra. Pelo menos é isso que o livro pretendia.

Don e Rachel Truby estão em uma fase ruim do casamento, tendo grandes problemas sexuais. Isso leva Don a buscar consolo na masturbação, utilizando da internet para isso. Eles têm um filho, Chris Truby, um adolescente viciado em pornografia, mas com problemas sexuais.
Tim Mooney é um dos melhores jogadores de futebol americano de sua escola, mas que abandonou o esporte - que achava sem sentido - para então passar mais tempo jogando World of Warcraft. Este jogo diminui ainda mais os laços afetuosos de Tim com Kent Mooney, seu pai divorciado.
Brandy Beltmeyer é uma adolescente que tem sua vida virtual limitada devido a sua mãe, Patrícia. Patrícia controla cada rede social da filha e cada SMS; tudo passa por sua inspeção com o propósito de ter certeza que sua filha está segura.
Dawn Clint já desistiu do sonho de atriz, mas agora se vê ajudando sua filha, Hannah Clint, a alcançar este mesmo sonho. Para isso, ela abre um site para a filha, com fotos normais de divulgação, e também algumas outras com grande teor sexual.
Brooke Benton é uma adolescente líder de torcida com mania de ser a melhor, tentando assim ser a melhor em tudo, o que pode leva-la a fazer coisas que realmente não quer. Ela namora Danny Vance, um dos melhores jogadores do time de futebol americano da escola, que sempre busca a vitória.
Allison Doss é outra adolescente na mesma faixa etária de Chris, Tim, Brandy, Hannah, Brooke e Danny. Pensando em ter o corpo perfeito, ela utiliza dos métodos mais drásticos pra conseguir o corpo que sempre quis.
Aos poucos, todos eles vão se conectando, mostrando-nos a insanidade que a vida pode se tornar devido à internet.
Em algum momento ela ia morrer, seu pai ia morrer, Greg Cherry ia morrer, até ele ia morrer, e, além da morte deles todos, além de qualquer coisa que tivessem feito na vida [...] todas essas coisas feitas ou não feitas por todo mundo que ele conhecia ou viria a conhecer seriam esquecidas com o tempo.
Pág. 156-157

A premissa de Chad Kultgen é no mínimo fantástica. Mostrar a vida de americanos através do aspecto da internet é algo que necessita de coragem e perspicácia. A cultura americana em si não se sente agraciada quando se depara com obras que pendem a mostrar seu lado mais obscuro e ridículo; todos adoram o patriotismo, o que às vezes faz com que a verdade não seja bem recebida. Levando isso em consideração, Chad Kultgen coloca o dedo na ferida americana ao mostrar as mazelas de uma pequena parcela da população, levantando temas pouquíssimos discutidos.
Para fazer isso, Kultgen não economiza em passagens desconcertantes. A internet, que é o principal assunto discutido pelo livro, resulta em diversos problemas sexuais para determinados personagens. Para retratar esses problemas de forma convincente, Chad se viu na necessidade de descrever atos sexuais de forma crua e comum; mas o problema é que, ao escrever sobre comportamentos sexuais um tanto estranhos, é impossível não tornar certas passagens repulsivas ao leitor. Esta é a dura realidade que ele quis ilustrar, mas isso não torna certos capítulos menos repulsivos.
Os problemas sexuais não são os únicos assuntos que Chad retrata através do aspecto virtual. Há muito espaço para discussões acerca da depressão, da anorexia e do constante sentimento de competição da sociedade americana; num resumo, o principal assunto discutido no livro é a ignorância de seus personagens, afinal de contas eles são pessoas vazias, necessitadas de algo que dê sentido à suas vidas, e que só pensam em si mesmas.
Ainda assim, dizer que Homens, Mulheres & Filhos “discute” esses temas é algo questionável. O livro levanta todos esses temas sim, mas de forma morna, de maneira que o leitor não se sinta na necessidade de refletir sobre o que está lendo; o leitor pode estar lendo passagens grandiosas que poderiam despertar os mais complexos pensamentos, porém tudo o que ele consegue fazer é  continuar lendo capítulo por capítulo sem encontrar nada que mexa com seu psicológico. E lendo capítulo por capítulo não demora a ele chegar ao final grandiosamente ridículo; Chad Kultgen nos entrega um final sem nenhuma conclusão, cortando a história onde ela estava prestes a dar sinal de magnificência. Desta forma, é fácil pensar que o livro poderia ter acabado capítulos antes que não faria a menor diferença.

Quando o leitor faz seu logout de Homens, Mulheres & Filhos é fácil perceber que nem a escrita ágil de Chad Kultgen nem os temas polêmicos que ele levanta conseguem tirar o livro de seu completo vazio emocional e reflexivo. No final das contas, isso não torna a leitura deste livro algo ruim; talvez você possa encontrar algo que consiga te deixar pensativo, mas também há grandes chances de você lê-lo e não sentir absolutamente nada de diferente. Algo que se compara muito com um acesso a uma rede social, não é mesmo?

- [...] Você precisa de ajuda.
- Todos precisamos.
Pág. 66

 Avaliação:





Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


8 comentários:

  1. olha não deixa de ser um tem interessante e que com certeza traz um certo incomodo, mas acho que o autor aborda de forma inteligente e nada gratuita. achei a história parecida com uma boa de neve com linha. só vai aumentando e sempre está ligada a alguém. também achei legal o título do livro. "Homens, Mulheres Filhos" e não "Pais, Mães e Filhos" uma singularidade bem sacada do autor. claro, que se aparecer a oportunidade eu leio com certeza ;)

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  2. achei o livro interessante pois é bem diferente do que eu costumo ler por isso vale a pena tentar e ve se eu gosto.

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  3. Matheus!
    Incrível como uma premissa tão boa pode ser 'avacalhada' pelo autor, sim porque o mote do livro dava abrangência para uma abordagem psicológica mais arraigada, levando o leitor a uma análise mais pessoal sobre a interatividade com a internet.
    Digno de pena!

    Adorei sua análise, sempre concisa.

    Boa Semana!

    “Ser feliz sem motivo
    é a mais autêntica forma de felicidade.” (Carlos Drummond de Andrade)

    Cheirinhos

    Rudy

    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  4. Olha Matheus, faz algum tempo que estou querendo ler essa obra. Por se tratar de problemas tão comuns gerados ou ligados a internet, ele se torna legal. O autor não quis ser diferente, quis ser normal, porém singular. Super.


    Quero ler em breve,.

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  5. Bem, como você disse, os temas abordado pelo autor são muito interessantes, e dariam sim, para fazer um livro com debates e reflexões incríveis. É uma pena que isso não foi aprofundado. Ficar com essa sensação de incompletude e superficialidade não é nada legal. Mesmo assim, eu até que me arriscaria na leitura.


    @_Dom_Dom

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  6. A sinopse é bem interessante, eu leria por ser tratar de um tema realista e atual, polêmico para os americanos como você disse que é um povo super patriota, isso é perceptível nos filmes, mas que na realidade é esse assunto global. Sim, fiquei meio desanimada em saber do final e todo modo visceral de chocar os leitores, acredito que tenha outras maneiras de despertar e fazer refletir. Mas enfim, leria.
    Um beijo

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  7. Gostei muito do filme e essa resenha me deixou bastante interessada em conferi o livro, sexualidade é um tema que sempre rende muita discussão.

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  8. Quando comecei a ler a resenha tinha em mente que seria um livro muito reflexivo, mas você aponta justamente o contrário. Uma pena, o livro aborda temas muito complexos e presentes na sociedade atual mas os aborda de forma superficial de modo que não provoca reflexões e discussões. Não vejo razão para ler esse livro, não me parece ser uma leitura divertida ou instigante, nem se presta ao fim que eu achei que se propunha, que era geral discussão. Não curti.

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