postado por Matheus em 25 maio 2015

Resenha | It - A Coisa

Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 1104
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Sinopse
Nesse romance o mestre do terror nos leva de volta ao tempo em que acreditávamos mais em nossa imaginação, em nossos sonhos e também em nossos pesadelos...

Junho de 1958. Derry, pacata cidadezinha do Maine. Início das férias de verão. Para Bill, Richie, Eddie, Stan, Beverly, Mike e Ben, sete adolescentes que, pouco a pouco, se tornam amigos inseparáveis, este será um verão inesquecível. Um tempo em que vão descobrir o doce sabor da amizade, do amor, da união. Uma época em que vão provar o gosto amargo da perda, do medo, da dor. Este será um ano inesquecível. Terrivelmente inesquecível. O ano em que vão conhecer a Coisa, a força estranha e maligna que vem deixando um rastro de sangue na calma Derry. O ser sobrenatural que apresenta um apetite especial por inocentes crianças.
Maio de 1985. O tempo passou deixando suas marcas em cada um deles. Já não são mais crianças. Mike Hanlon, o único que permanece em Derry, dá o sinal. Precisam unir novamente suas forças. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry. Apenas eles podem vencer o poder maléfico da Coisa. 


Resenha

Palhaços já fazem parte do imaginário popular quando se diz respeito ao universo de horror. A figura da pessoa fantasiada em roupas coloridas deixou de ser algo divertido para se tornar algo assustador para muitos; e dia após dia vemos mais um personagem do tipo por aí, sendo que o último a se destacar foi Twisty, o palhaço macabro da série American Horror Story: Freak Show. Mas quando se toca no assunto é bem provável que venha à mente a imagem de Pennywise, personagem icônico criado por Stephen King e “eternizado” na mente de muitos através da adaptação televisiva It - Uma Obra Prima do Medo, um filme quase cult, conhecido por poucos hoje em dia. De qualquer forma, em It – A Coisa, Stephen King faz o que sabe fazer de melhor: criar personagens icônicos pra ficar na memória de todos.
Há uma lâmina de guilhotina pendurada acima das vidas deles, afiadíssimas, mas quanto mais eu penso, mais acho que eles não sabem que a lâmina está lá.
Pág. 152

Derry é uma pequena cidade do interior do Maine, estado norte-americano. Por ser uma cidade pequena, dificilmente crimes acontecem por lá; assassinatos menos ainda! Mas tudo começa a mudar em meados de 1957...
Durante um dia de chuva, George Denbrough, de apenas 6 anos, é brutalmente morto, tendo um dos braços arrancado. A causa da morte é uma dúvida a todos: logo após o primeiro grito, uma pessoa na rua foi até o bueiro e retirou o corpo de George de lá, já sem vida e sem um de seus braços. O acontecimento chocou a cidade, mas isto era apenas o começo.
William Denbrough era irmão de George. A morte do seu irmão mais novo trouxe grandes consequências à sua vida; seus pais já não eram os mesmos, sempre se mostrando distantes e se “esquecendo” de William em alguns momentos. Desta forma, ele consegue encontrar amparo na presença de seus amigos Richard Tozier, Eddie Kaspbrak, Stanley Uris, Beverly Marsh Rogan, Ben Hanscom e Michael Hanlon. Os acontecimentos que lhes apresentaram foram extremamente inusitados, na maioria das vezes, mas aos poucos os laços de amizade entre eles vão se apertando, demonstrando o quanto podem confiar uns nos outros. Mas há um fator que os aproximou ainda mais: a Coisa.
William e sua turma vão se dando conta da força que ronda Derry. Crianças desaparecidas e assassinatos antigos os levam a crer que existe algo de maligno na cidade. Mas eles não têm a mínima ideia do que se trata, e tem menos ideia ainda de como acabar com isto; porém, aos poucos eles vão se deparando pessoalmente com a Coisa, em suas mais diversas formas, o que os leva a planejar uma forma de acabar com isto. A tarefa não é fácil, mas a forte amizade que possuem pode lutar do lado deles no combate à esta força maligna.
Paralelamente, 30 anos após a batalha entre estes jovens adolescentes e a Coisa, é contada a volta de Pennywise à Derry. Pennywise, o palhaço macabro que provavelmente tirou a vida de George, é apenas uma das formas que a Coisa pode assumir. Quem tem a percepção dessa volta da maligna força à Derry é Michael Hanlon, único do grupo que continuou vivendo em Derry. Ao perceber isso, ele se sente na obrigação de entrar em contato com seus antigos amigos, já que, quando adolescentes, eles juraram se unir novamente caso a Coisa reaparecesse. Mas a vida deixou grandes marcas na vida de todos, e obviamente eles não são mais os mesmos. Mas a necessidade de acabar de uma vez por todas com a Coisa fala mais alto, e é por isso que eles se juntam novamente para ao menos acabarem com a força macabra que insiste em rondar Derry.
[...] para cada cidadão antigo que morre, há um novo cidadão antigo que toma seu lugar.
Pág. 156

É fácil notar a surrealidade da história de It – A Coisa. Mesmo sendo famoso pela figura do palhaço assassino, o “vilão” na verdade é uma força maior, a Coisa, que pode assumir diversas formas, entre elas Pennywise, sempre com a mesma força demoníaca. Porém, Stephen já possui certa experiência com livros de horror sobrenaturais; experiência bastante vasta, diga-se de passagem. Ou seja, por mais que soe sem sentido, a ideia central de It se torna magnífica nas mãos do mestre Stephen, que consegue criar uma história extremamente bem amarrada.
A história escrita por King merece, em todos os seus aspectos, elogios entusiasmados! Primeiramente, é válido dizer o quão incrível é o desenvolvimento dos personagens do livro. Todos eles são desenvolvidos minuciosamente, com um apreço aos detalhes e ao psicológico de cada um deles; quando nos deparamos com os personagens já adultos é incrível notar que tudo faz sentido, a posição que eles ocupam atualmente era de se esperar, visto tudo o que se sabia deles quando adolescentes. Mais incrível ainda é perceber que, mesmo passando por diversas mudanças, a essência de cada um deles continuou; mesmo nos deparando com os personagens em duas fases completamente diferentes da vida (adolescência e adulta), é fácil termos a percepção de que são as mesmas pessoas, mesmo com as mudanças que o tempo trouxe.

E como elogiar a escrita de King sem se referir à facilidade que ele teve em segurar a história num livro de 1104 páginas? Diferente do que se imagina, é difícil se sentir entediado durante a leitura de It – A Coisa. Isto porque King nunca deixa a peteca cair! Quando você pensa que já viu as passagens mais emocionantes então você se depara com capítulos ainda mais surreais e arrepiantes. Do começo ao fim, Stephen King nunca perde o fim da meada; algo extremamente admirável pra um livro de tal tamanho.
Neste sentido, também é válido ressaltar o quão boa é a divisão dos capítulos. Divididos em 5 partes, os capítulos se passam em diferentes épocas. Mas graças a esta divisão em partes isto não se torna confuso; podemos até pensar que temos diante de nós duas histórias distintas, mas que se completam, formando assim a maravilha que é It.
Ah, e como se esquecer de mencionar nesta resenha os sustos? Afinal de contas, estamos falando de Stephen King. Aqui, King utiliza de jogos psicológicos extremamente inteligentes para poder assustar o leitor; ele brinca com medos e fobias das mais diversas formas para então conseguir assustar a todos. Além de todo o terror transpassado em suas páginas, It também possui um nível emocional extremamente elevado; são diversas as passagens com mais carga dramática capazes de arrancar as mais profundas emoções do leitor.

No final das contas, as 1104 páginas estão longe de ser empecilhos durante a leitura, o que se deve ao talento extremo de Stephen King, que conseguiu segurar sua história no mais alto nível do começo ao fim. Além desta escrita de alto nível, incontáveis sustos e doses generosas da mais verdadeira emoção tornam It – A Coisa ainda mais completo e sensacional. Um livro que certamente requer paciência, mas que no final de sua jornada deixará o leitor extremamente gratificado.  
É instinto, querida... e acho que acredito que o instinto é o esqueleto de ferro sob todas as nossas ideias e livre-arbítrio. A não ser que você esteja disposto a tirar a própria vida, acabar com seu futuro, comprar bilhete só de ida pro inferno, tem coisas pras quais não dá pra dizer não.
Pág. 145

Avaliação:







Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


10 comentários:

  1. Quero começar essa resenha com um "obrigado". Eu sempre me impedi de ler It - A Coisa porque ele era ENORME !! Eu não li nem A Guerra dos Tronos quanto mais It. Mas sua resenha me deu uma nova perspectiva, algo porque ler Stephen King. Acredito que eu consegui tomar fôlego para conhecer o porquê de todo mundo glorificar esse cara, porque uma história de terror, com uma escrita de mestre e tudo mais. É só o que eu preciso. Uma pergunta: O livro é melhor que o filme?! kkkkk

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  2. 1104 páginas? Uau, essa é uma das obras do King que não tinha me interessado em ler até agora, depois da sua resenha fiquei motivada a descobrir porque It é tão aclamada. Sempre tive um certo receio, medo, não curto palhaços ainda mais esses que são apavorantes. Lembro que comecei a ver o filme, mas depois que vi o dito cujo não quis mais. Um dia lerei e com mais coragem verei o filme até o fim.
    Um beijo

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  3. RUDYNALVA SOARES30 de maio de 2015 00:25

    Bem Matheus!
    Tenho de concordar uma vez mais com você, porque páginas se tornam poucas diante da genialidade de escrita do King.
    Tive oportunidade de assistir o filme anos atrás (e bota anos nisso...) que quase nem chego a me lembrar de toda história.
    Muitos tem medo do palhaço, mas o terror está em IT que pode se transformar em várias coisas... uiiiiiiii!
    Maravilha de análise!

    “Os homens não desejam
    aquilo que fazem, mas os objetivos que os levam a fazer aquilo que fazem.”(Platão)

    Cheirinhos

    Rudy

    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  4. Terror está bem longe de ser meu gênero favorito, mas sendo Stephen King fiquei bem curiosa em ler.

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  5. Ontem mesmo estava pensando em como palhaços são assustadores, haha. Stephem King realmente é o rei do terror, esse livro tem recebido comentários bem positivos. Que medo dessa coisa que pode assumir diversas formas, não da para saber do que correr! Já li a resenha cheia de receios imagina o livro!! Ainda mais você dizendo que têm muitos sustos!! Desse autor tenho Cristine, que já assisti o filme também.

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  6. O Stephen King é incrível. Depois de ver a imagem desse palhaço, nunca mais olhei para um com os mesmo olhos. kkkkkk
    Quando se trata desse autor, acho que as 1104 páginas tornam-se poucas para sua criatividade e talento. Me pergunto de onde saem tantas coisas surreais, mas muito boas. Enfim, apesar de sempre fugir de livros grandes, esse eu encararia, com certeza! Afinal, estamos falando do mestre do terror/horror.


    @_Dom_Dom

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  7. Após ler Misery e It agora tenho certeza que Stephen King é realmente o mestre do terror!


    Olha, admito que ainda não assisti o filme, mas vou baixar logo, logo hahaha

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  8. Tenho que admitir que é necessária certa coragem para ler o livro, mas como sou um grande admirador de livros de terror pra mim foi um grande prazer ler It! <3 hahaha

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  9. Realmente sustos é o que não falta no livro! HAHAHA


    Cristine já assisti o filme, mas faz tanto tempo que nem lembro mais :P

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  10. Também sempre me pergunto isso. Tenho curiosidade de ler Sobre a Escrita só pra ver o que o próprio King tem a falar sobre isso hahaha

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