postado por Matheus em 13 maio 2015

Resenha | Noturno

Autores: Guilhermo del Toro; Chuck Hogan
Editora: Rocco
Páginas: 464
Skoob
Compre
Sinopse
Nova York , aeroporto JFK. O Boeing 777 da Regis Airlines, vindo de Berlim, aterrisa na hora prevista. Subitamente, na pista de pouso, seu motor para. As luzes se apagam. Os canais de comunicação silenciam. A equipe de terra se perde numa espera aflitiva por algum sinal dos passageiros. 

Considerando a possibilidade de um ataque biológico, o Centro de Controle de Doenças é acionado e o Dr. Eph Goodweather, responsável pelo projeto Canário, responde ao chamado. Ao subir a bordo, seu sangue gela com o que vê. 

Harlem Espanhol, rua 188. Numa loja de penhores, um sobrevivente do Holocausto, Abraham Setrakian, cujos estudos de folclore da Europa Oriental levaram-no para os mais obscuros cantos do mundo, intui que algo grave está prestes a acontecer. Sabe que a hora chegou e que a guerra está apenas começando. 
Uma pandemia vampírica se espalha por toda a cidade de nova York e irrompe numa batalha sem proporções. Eph se une a Setrakian e a um grupo inusitado de combatentes para neutralizar a ação do vírus e salvar a sua cidade - a mesma que abriga sua mulher e seu filho - antes que seja tarde demais. 
Guillermo Del Toro, criador visinário de O labirinto do fauno, e Chuck Hogan, autor consagrado pelo prêmio Hammett, trazem sua imaginação para este épico de coragem e audácia, sobre uma batalha entre homens e vampiros que ameaça toda a humanidade. Noturno é o primeiro livro da Trilogia da Escuridão, um fenômeno que promete conquistar o mundo.




Guillermo del Toro é conhecido por sua excentricidade no mundo do cinema. Os filmes que dirige são, em sua maioria, repletos de efeitos especiais e sempre com histórias extremamente fantasiosas. O magnífico O Labirinto do Fauno está aí para comprovar isso. Ainda assim, seus filmes conseguem transpassar um sentimento humano que nem sempre se encontra em filmes de fantasia. Ao se aventurar no mundo literário com Noturno, a situação de del Toro não foi totalmente diferente; em parceria com o escritor Chuck Hogan, ele apostou num terror sobre vampiros extremamente humano e repleto de sentimentos. De certa forma, é impossível negar que os dois escritores alcançaram seu objetivo.


Eph Goodweather é um respeitado epidemiologista nova-iorquino. Sua vida familiar não é das melhores, visto que se divorciou de sua esposa Kelly e perdeu a guarda de seu filho Zack para ela. Por isso, os poucos fins de semana que tem ao lado de seu filho lhe são fins de semanas preciosos, onde ele deixa seu trabalho no Centro de Controle de Doenças de lado para então se dedicar somente à Zack. Mas em um desses finais de semana as coisas não saem como planejado, e devido a uma grave emergência ele se vê na necessidade de se separar de seu filho para então ir investigar um Boeing 777 da Regir Airlines, que pousou no Aeroporto JFK, Nova Iorque, morto.
Porém, o avião estava morto em todos os sentidos da palavra. Desde que pousara o avião não mostrou nenhuma luz, nenhum sinal da cabine, nada! E isto não era o pior; nenhum dos tripulantes entrou em contato com alguém de fora para comunicar o ocorrido, o que levou muitos a pensarem que uma ameaça biológica ou viral atingiu a todos, e é aí que entra Eph. Seu posto como epidemiologista é alto, e por isso ele se torna o responsável a investigar o caso primeiramente. Juntamente com Nora, ele adentra ao avião morto na pista de aterrissagem, e o que veem não é nem um pouco animador.
Todos os passageiros estavam mortos, mas sem nenhum indício de infecção, violência ou reação àquilo que os aniquilou. O caso era medonho, mas definitivamente tinha alguma explicação, pensavam Eph e Nora. Mal sabiam o mau que estava a vir! Naquele avião, vindo de Berlim, também veio uma entidade maligna, popularmente conhecida como “vampiro”. E o poder desses vampiros é grandioso. E seus propósitos são ainda maiores. Mas Eph, Nora e também Abraham Setrakian, um ex-professor universitário de folclore, juntarão suas forças para tentarem interromper esta diabólica e sanguinária epidemia, que em breve se tornará mundial.

Numa simples sinopse já é possível notar que esta não é uma história de vampiros convencional. Tratar estes seres tão populares, culturalmente falando, como os responsáveis por uma epidemia que planeja exterminar a humanidade é algo jamais visto. E por ser algo tão diferente referente à seres tão comuns na literatura, esta história poderia cair em grandes erros. Noturno escapou de muitos deles, mas nem todos.
Antes de tudo, é de suma importância dizer que, durante todo o livro, a escrita de Guillermo del Toro e Chuck Hogan é ótima! Eles conseguiram desenvolver com competência e extrema credibilidade sua história surreal, desenvolvendo-a com um detalhismo dificilmente encontrado em livros de terror. Mas mesmo com essa escrita exímia eles não conseguiram escapar de passagens isentas de emoção, o que realmente faz com que o livro decaia.
De certa forma, a “introdução” do livro demora dezenas e dezenas de páginas para acabar, o que priva o leitor de grandes emoções. E com introdução quero dizer às longas passagens que se passam antes de termos pleno conhecimento das ações maléficas dos vampiros. Isto porque a história demora a mostrar-nos o verdadeiro poder destas criaturas, mostrando capítulos e mais capítulos que detalham todas as investigações realizadas em torno do grande Boeing 777; é impossível não se sentir entediado em boa parte destes capítulos que não conseguem cativar o leitor, mesmo que sejam escritos com maestria. Mas para sorte de todos esta situação se reverte quando então o espetáculo macabro acontece!
Quando apostam na ação, del Toro e Hogan não economizam no sangue, seja ele vermelho ou branco, que é a coloração do sangue dos vampiros. Boa parte destas passagens tem um nível de emoção muito grande, sendo capazes de pregar a atenção do leitor, ávido à saber em como toda aquela luta demoníaca acabará. Mas, mesmo sendo emocionantes, as passagens do tipo não deixam de lado a descrição detalhada e onipresente contida no restante da narração, o que dá ao leitor um panorama ainda mais assustador e realístico daquilo que ele está lendo.

Noturno é um daqueles casos em que é fácil julgar um livro pela capa. Isto porque, mesmo contendo uma história extremamente fantasiosa e repleta de horror, a capa aposta num minimalismo irritante. A ideia de ter ilustrado na capa apenas o nome dos escritores e o título do livro é algo decepcionante. Em seu interior, o livro também não chama tanta atenção, já que conta com uma fonte bem pequena, o que se torna um empecilho nos capítulos mais monótonos do livro.

Pelo visto, esta investida de Guillermo del Toro na literatura deu extremamente certo, visto que o livro deu origem à uma trilogia e também à série de TV homônima, The Strain. Mas é bem provável que ele não teria se saído tão bem sem a ajuda do escritor bem sucedido Chuck Hogan. De toda forma, é impossível imaginar Noturno sem qualquer um dos dois, já que foram as características próprias de ambos que deram a ele este seu aspecto medonho e instigante.
- A vida nunca é como a gente acha que vai ser.
Pág. 352

Avaliação:






Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


8 comentários:

  1. Que bom que os autores conseguiram dar um ar de novidade a esses seres tão batidos na literatura. Achei a premissa bastante interessante. A pena é que essa introdução foi longa demais. Mas o bom é que quando a ação começa, ela não decepciona. E em relação a capa, também achei fraquinha demais.


    @_Dom_Dom

    ResponderExcluir
  2. Assim, eu gostei da história, sobre o que ela trata. É como você disse: "É algo NOVO", e o novo é bom. Quando bem trabalhado. Mesmo com tudo isso: A história original, uma escrita fácil... ainda não me senti completamente atraída. Não sei se é a capa, que também não me atraiu, ou se é o fato da introdução não ser "PÁ", não acredito que esse seja o meu tipo de livro. Mas não o ignoraria caso ele parasse aqui em casa. Só não daria prioridade aos vampiros. kkkk

    ResponderExcluir
  3. RUDYNALVA SOARES25 de maio de 2015 00:30

    Matheus!
    Então, enquanto lia sua resenha, ficava me lembrando de The Strain que acompanho... E no final, você revelou o mistério...kkk Muito bom!
    É para ver que o tema vampiro não está tão enterrado como muitos pensam e acredito que nunca estará, porque muitos como eu, amam!
    Não li nada do Guilherme del Toro e seu parceiro, porém pelo visto o livro é bom, embora um tanto enfadonho em seu início.
    Já sabe que sou fã de suas resenhas detalhadas, adoro!

    Desejo uma ótima
    semana!!

    “O começo é a metade
    do todo.”(Platão)

    Cheirinhos

    Rudy

    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  4. Antes do último parágrafo da sinopse jurava ser um livro sobre guerra, política, ataques aéreos... mas depois da pandemia vampírica é que cai na real. Não li nem vi o Labirinto de Fauno, mas é bem famoso pelo lado fantasioso. Esse livro, pode me surpreender, mas também acho que o assunto vampiros, já era. A capa também acho que poderia ser mais reveladora e caprichada.
    Beijo

    ResponderExcluir
  5. Nossa curto muito os filmes de Guilhermo del Toro, fiquei bastante curiosa em ler esse livro, ainda mais que gosto muito de histórias com vampiros, o livro foi pra lista de desejados.

    ResponderExcluir
  6. Acho que o ponto positivo do livro, e também a demonstração da maestria dos autores, é conseguir trazer alguma novidade a esse mundo de vampiros, já quase saturado. Mesmo assim, não fui muito atraída a ler o livro, esses pontos de monotonia e a letra pequena acho que me dariam sono...

    ResponderExcluir
  7. Eu também achava que os vampiros já deram o que tinham que dar na literatura, mas Noturno comprovou que com uma boa dose de criatividade eles podem ser apavorantes mesmo nos dias atuais.
    E sobre a capa, realmente faltou muuuuito capricho.

    ResponderExcluir
  8. Eita, sério que revelei spoiler da série? Se sim, me desculpa hahaha


    Eu não sou grande fã de vampiros, mas os vampiros de Noturno até que conseguiram me "cativar" hehehe


    E fico feliz em saber que gosta das minhas resenhas. :D

    ResponderExcluir