postado por Matheus em 24 julho 2015

Resenha | O Planeta dos Macacos

Autor: Pierre Boulle
Editora: Aleph
Páginas: 216
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Sinopse
Em pouco tempo, os desbravadores do espaço descobrem a terrível verdade: nesse mundo, seus pares humanos não passam de bestas selvagens a serviço da espécie dominante... os macacos. Desde as primeiras páginas até o surpreendente final – ainda mais impactante que a famosa cena final do filme de 1968 –, O Planeta dos Macacos é um romance de tirar o fôlego, temperado com boa dose de sátira. Nele, Boulle revisita algumas das questões mais antigas da humanidade: O que define o homem? O que nos diferencia dos animais? Quem são os verdadeiros inimigos de nossa espécie? Publicado pela primeira vez em 1963, O planeta dos Macacos, de Pierre Boulle, inspirou uma das mais bem-sucedidas franquias da história do cinema, tendo início no clássico de 1968, estrelado por Charlton Heston, passando por diversas sequências e chegando às adaptações cinematográficas mais recentes. Com milhões de exemplares vendidos ao redor do mundo, O planeta dos Macacos é um dos maiores clássicos da ficção científica, imprescindível aos fãs de cultura pop.


Resenha

O Planeta dos Macacos é uma daquelas obras que se ofuscaram com o tempo. Lançado pela primeira vez em 1963, antes mesmo de ser lançado o livro já teve os direitos vendidos, visando uma adaptação cinematográfica. O início de sua carreira no cinema foi em 1968, com o clássico primeiro filme. O sucesso foi tão grande que houve quatro continuações; um risco, levando em conta que o livro onde tudo começou nunca ganhou uma continuação do autor. Nos últimos anos, também nos deparamos com os (ótimos) reboots: Planeta dos Macacos: A Origem e Planeta dos Macacos: O Confronto. Mas e o romance original, onde fica nisso tudo?


Num futuro não datado, Jinn e Phyllis são um casal normal e feliz numa época em que viagens espaciais são normais a todos, podendo cada um ter sua espaçonave, bastando apenas ter dinheiro. Enquanto voavam vagarosamente pelo espaço em um dia qualquer, encontram uma garrafa. Curiosos, coletam a garrafa e abrindo-a descobrem um amontoado de folhas, que narram as aventuras de um viajante espacial. Embarcando nesta leitura, o casal nos apresenta a verdadeira aventura!
Ulysse Mérou embarcou em uma viagem ambiciosa e perigosa. Junto com o cientista Antelle e seu discípulo Arthur Levain, Ulysse embarcou em uma grande nave com destino à estrela Betelgeuse e seu grandioso sistema. Sua viagem intersideral, ocorrida no ano de 2500, os levou à Soror, um planeta que incrivelmente se assemelha muito a Terra; lá encontram atmosfera favorável à vida, vasta vegetação, água e tudo mais. Mas o estranho é que não encontram vida animal à primeira vista; leva um bom tempo até que encontrem um humano. Mas não justamente da forma que esperavam... Nomeada de Nova, a humana encontrada por eles possui uma beleza grandiosa, mas o que os chocara era a completa falta de intelecto no ser: não falava, não se vestia e se assustava com facilidade; ou seja, um comportamento completamente animalesco. Porém, surpresa maior foi quando descobriram que todos os “humanos” de Soror se comportavam daquele jeito. E pior, eram macacos que dominavam o planeta! Toda a sociedade sororiana era formada por macacos, sendo eles chimpanzés, gorilas e orangotangos.
Após isso, a viagem dos três sai completamente fora dos planos iniciais, o que os leva a uma cruel viagem a um mundo novo, fazendo-os questionar sobre a condição do homem frente à sua civilização.


Uma das coisas que mais chamam a atenção em O Planeta dos Macacos é sua extrema criatividade. Pierre Boulle agracia nossa imaginação com um retrato extremamente imaginativo de um mundo alternativo e completamente diferente da Terra. Devido à isso, é perdoável os “erros” científicos encontrados no livro, principalmente no que se refere às mirabolantes viagens espaciais.
Contudo, a escrita de Pierre vai além da mera imaginação. Tendo como base a ideia de um mundo onde humanos são meros animais selvagens, Boulle encontra o ambiente perfeito para questionar o aspecto da civilização humana. Será mesmo possível que, devido a alguma mudança drástica no panorama mundial, os humanos realmente se entregariam a bestialidade? Será mesmo que a covardia humana chegaria a ponto de deixar que macacos os dominassem? Esses questionamentos instigam a mente do leitor que vai adentrando a sociedade símia aos poucos.
De certa forma, um dos maiores problemas do livro é justamente a forma como vamos adentrando a sociedade símia. O livro é narrado por Ulysse Mérou, que nos mostra o planeta de Soror através de seus olhos; devido a isso, são incontáveis às vezes onde nos deparamos com capítulos meramente descritivos, sem acrescentar nada ao aspecto emocional do livro. É nestes capítulos que conhecemos Soror melhor, mas é também nestes capítulos que a leitura flui lentamente, sem nenhuma emoção.
De toda forma, a emoção não é algo muito pertinente em O Planeta dos Macacos, pelo menos não da forma habitual. As passagens repletas de ação e aventura são raríssimas, e por isso a emoção não se torna tão constante. Mas a forma em que os personagens se relacionam também dá ao livro certa emoção; extremamente contida, mas ainda assim capaz de emocionar minimamente o leitor.

Nesta nova edição do livro, mais uma vez a Aleph prova porque é uma das editoras com mais esmero em suas publicações. A capa, impressa num papel diferenciado, dá um tom diferente ao livro todo, fazendo-o se destacar ainda mais com os cantos arredondados. Internamente, a formatação do livro também foi bem feita. Porém, o que mais engrandece esta edição da Aleph são os extras presentes ao final do livro, que conta com uma ótima entrevista do Pierre Boulle à revista Cinefantastique, em 1972, um posfácio do escritor Bráulio Tavares e uma matéria do BBC News sobre Boulle e seu trabalho. Imperdível!

Mesmo agora em 2015, mais de 50 anos após o lançamento do livro, toda a temática de O Planeta dos Macacos continua pertinente ao imaginário popular e a cultura pop. Uma ótima prova da magnificência do livro! Porém, isto não faz com que aqueles que adoram os novos filmes da saga automaticamente gostem do livro. São abordagens diferentes feitas em épocas diferentes partindo da mesma premissa. De toda forma, Pierre Boulle deixou sua marca no mundo, tornando O Planeta dos Macacos um livro atemporal que não será esquecido por nós humanos pelo menos até o tempo em que os macacos dominem o mundo.
[...] - O macaco é, naturalmente, a única criatura racional, a única que possui alma e corpo ao mesmo tempo. Os mais materialistas de nossos cientistas reconhecem a essência sobrenatural da alma simiesca.
Pág. 88

Avaliação:





Cortesia da Editora





Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


12 comentários:

  1. Assistir o filme quando era pequena, só que até agora não sabia que o filme era adaptaçao de um filme, gostei muito do filme e agora quero ler o livro e espero gostar também.

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  2. Acredita que nunca assisti aos filmes? Vou tentar assistir.
    Quanto ao livro, essa é a primeira resenha que leio e se pudesse leria hoje mesmo. Gostei muito dessa construção de uma sociedade que perdeu a sua qualidade de ser humano. E essa edição da editora está impecável mesmo.

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  3. DarkSide é uma das editoras mais caprichosas. A cada lançamento, parece que fica ainda melhor.
    Essa história é um clássico! Eu só assisti aos filmes, mas sinto vontade de ler o livro. Achei bem legal colocarem o extra com entrevistas.

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  4. Oi Matheus!
    A editora realmente fez um trabalho incrível com este livro. Ele está entre os que eu preciso ler com urgência.
    Beijos!

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  5. Gostei muito do filme, o livro parece ser ótimo, essa resenha me deixou bastante interessada em conferi isso tudo.

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  6. Ei Matheus!
    Somos descendente deles, não é?
    Quero muito ler esse livro já que assisti todas as versões do Planeta dos macacos.

    “Há três coisas na
    vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a
    oportunidade perdida.”(Desconhecido)

    cheirinhos

    Rudy

    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  7. eu ja tinha assistido os filmes mais nao sabia que tinha livro, gostei muito da resenha, o livro me pareceu bem interessante e espero ler em breve

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  8. Eu assisti aos filme e gostei muito. Quero ler o livro e acho que irei gostar tanto quanto gostei dos filmes, eu não tinha colocado ele na minha lista de desejados mas coloquei agora

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  9. Eu ainda não assisti o filme clássico, mas sou super fã desse reboot que estão fazendo. Planeta dos Macacos: O Confronto é simplesmente genial! Assista e não vai se arrepender. ;)

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  10. Uau! Todas??? HAHAHA
    Leia mesmo, o quanto antes! Provavelmente gostará! :D

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  11. Já assisti os filmes sobre a história, mas o livro mesmo, ainda não tive a oportunidade de ler. Espero conseguir logo. Pois pelo que vi na resenha, tem tudo pra me agradar.
    Beijos.

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  12. Thaís Dória de Góes4 de setembro de 2015 23:54

    Eu assistir aos filmes antigos e os amo, adoro a historia. Acredito que por isso vou amar ler esse livro.
    O que eu mais curtia na historia eram as criticas sociais. Espero poder ler logo esse livro.
    E sem falar que a edição esta ótima, gostei bastante de sua resenha.
    Beijos

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