postado por Funs Hunter em 16 outubro 2015

[Mês do Terror] Entrevista: Peter V. Brett



Como vocês viram o Paulo adorou o primeiro livro da série Ciclo das Trevas e eu já garanti o meu para conhecer a história também. \o/
Confiram a entrevista que fizemos com o autor, Peter V. Brett, para o nosso especial Mês do Terror!



Qual foi sua inspiração para escrever a série “Ciclo das Trevas”?

Comecei a trabalhar em “Ciclo das Trevas” em 1999 como um exercício de escrita em uma aula de redação/fantasia que eu estava tendo na Universidade de Nova Iorque. Eu escrevi uma história sobre um jovem rapaz chamado Arlen que nunca tinha permissão para ir mais do que algumas horas de casa, porque ele tinha que estar em casa antes de escurecer, quando os demônios saíam. A história nunca deixou meus pensamentos até mesmo quando eu estava trabalhando em outros romances, e ao longo dos próximos sete anos, expandiu ao que viria a ser O Protegido.
Muitas das histórias de fantasia que eu costumava ler quando era mais jovem compartilhou um dialeto comum que os fez menos acessível para aos não iniciados. Eles estavam cheios de grandes aventuras, maiores magos poderosos do que heróis da vida. Eu queria contar uma história mais fundamentada do que sobre a vida cotidiana das pessoas normais.
Meu objetivo ao escrever a história era para tentar evitar todos os grandes clichês da fantasia, enquanto ainda mantém o mundo familiar para o leitor de fantasia tradicional. Eu queria contar uma história sobre personagens definidos tanto por suas falhas como suas qualidades, e criar um mundo onde a vontade humana tinha sido quebrada até o ponto onde a coragem era um conceito estranho.




Vi que seus livros já foram publicados em mais de quinze países. O que você está achando da repercussão de seus livros ao redor do mundo?

O livro tem se saído bem na maioria dos mercados, entrando nas listas dos mais vendidos nos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Alemanha, Polônia, China, e outros. Leitores de todo o mundo escrevem para mim, e eu já fui convidado para falar em vários países diferentes. Graças à internet e aos programas de tradução, eu tenho sido capaz de interagir com os leitores que vivem a milhares de milhas de distância de uma maneira que eu nunca teria sonhado possível há dez anos. Eu sou incrivelmente sortudo a esse respeito.
Eu acho que o “Ciclo das Trevas” funciona bem em diferentes países porque a história foca em coisas que todas as culturas compartilham: Medo do escuro e as coisas que ela esconde, símbolos para afastar o mal, a luta para encontrar a si mesmo, e como olhamos para o nosso vizinho - e os estrangeiros - em tempos de angústia. Mesmo que seja uma série de fantasia, eu tento escrever histórias que podem se relacionar com as experiências de todos.



Depois de quatro livros do “Ciclo das Trevas” publicados (aqui no Brasil apenas dois [segundo volume chega em novembro]), o que está fazendo: Escrevendo mais sobre a série, escrevendo outro livro independente ou colhendo os frutos de “Ciclo das Trevas”?

Há um quinto livro, intitulado “The Core” que vai terminar a série principal. Esse livro ainda está sendo escrito, mas espero que ele vá estar à venda em 2017. Depois disso eu tenho pelo menos mais um livro autônomo de “Ciclo das Trevas” planejado. Tenho escrito “Tibbet’s Brook” ao mesmo tempo em que “The Core”, mas é um conto de auto-suficiente. Eu também tenho planos para uma nova série que se passa 15-20 anos após o fim de “The Core”.




No meio desse mundo de livros “dark fantasy”, você é fã de algum autor? Ele lhe inspirou a escrever “Ciclo das Trevas”?

São muitos para nomeá-los todos corretamente. Eu amo a trilogia “Coldfire” do CS Friedman, e “As Crônicas de Gelo e fogo” do George RR Martin. A “Trilogia Shannara” de Terry Brooks é um livro surpreendente, assim como a série “A Roda do Tempo” do Robert Jordan . Mais recentemente, há alguns grandes novos autores, incluindo Naomi Novik, Patrick Rothfuss, Saaba Tahir, Mark Lawrence, Brian McClellan , Scott Lynch, Joe Abercrombie, Gail Carriger, e Weeks Brent.



Vi que você aborda muitos problemas durante a obra, pelo menos foi isso que eu me deparei em “O Protegido”, como: O problema da acomodação coletiva, as hierarquias sociais e suas desigualdades maquiadas de benevolência, os perigos da fé cega e as imposições sociais e religiosas que limitam o potencial das pessoas. O seu intuito era apenas colocar uma problemática no livro ou era uma indireta para a sociedade de hoje?

Ambos. Como eu disse acima, eu acredito que as histórias devem ligar aqueles que estão lendo com suas próprias experiências. A fim de se sentir real, um mundo de fantasia deve compartilhar traços suficientes com nosso próprio mundo para que os leitores possam confortavelmente imaginar-se uma parte dela. Além disso, através da inclusão de muitas das falhas de nossas próprias sociedades, posso dar aos leitores oportunidades para refletir sobre eles no contexto das histórias.



Outra questão de interesse para todos os brasileiros: Você está interessado em vir ao Brasil? Alguma ideia de quando você pode vir para o país?

Eu amo o Brasil. Minha editora brasileira, Darkside Books, tem sido surpreendente em seu apoio e divulgação. Espero ser capaz de visitar em breve.



Eu como blogueira tenho a obrigação de perguntar: O que você acha de blogs literários e sua função no mundo?

Blogs foram o início da mídia social de muitas maneiras, e continuam a ser parte integrante de como leitores e escritores se conectam. Antes os livros de gênero (fantasia, ficção científica, romance, etc.) costumavam não obter muita atenção nos comentários impressos, mas a mídia social mudou para sempre. Devo muito da minha carreira para o apoio de blogueiros e leitores que tomam o tempo para compartilhar seus pensamentos sobre o meu trabalho, ajudando a guiar aqueles que procuram um novo material para o meu trabalho. Estou imensamente grato por isso.




Nós do “Fun’s Hunter” e do “Pausa Para um Livro” queremos agradecer a sua presença aqui na entrevista. Além disso, tem uma mensagem para seus fãs brasileiros?

Eu gostaria de agradecer a todos os meus leitores brasileiros por darem uma chance a minha escrita. Estou muito emocionado e honrado que as pessoas estão gostando tanto dos livros.









Sobre a Autora: 
Tamiris
Tamiris é blogueira do Pausa Para Um Livro e depois de fã do Fun's Hunter, veio acrescentar um toque feminino no blog favorito. Lê tudo que o Paulo indica, mas também tem uma séria paixão por romances. Quando não está lendo, está cozinhando. Então não se assuste se ver um pouco de comida nas fotos.


12 comentários:

  1. Tamiris, sem dúvidas o inicio da série Ciclo das Trevas foi muito bom, julgando pela resenha. Pretendo comprar o livro em breve para finalizar sua leitura. A entrevista com o Peter V. Brett foi sensacional, gostei bastante de saber sobre suas inspirações autorais e o tempo que deu-se para a finalização do livro.

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  2. Que entrevista incrível! Depois de acompanhar um pouco sobre essa série aqui no blog, eu já me vi bastante interessado por ela. Adorei saber como o autor começou a escrever a série. Legal saber que seu livro está fazendo muito sucesso em diversos países, e ver que a DarkSide está fazendo um ótimo trabalho de divulgação da série só me faz ter mais vontade querer ler os livros (o primeiro e o segundo,quando for lançado). Adorei a entrevista!

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  3. Alessandra Fernandes16 de outubro de 2015 20:49

    Tamiris, não tem como não ficar interessada nessa entrevista com Peter V. Brett, pois ele tem conquistado muitos leitores por este mundo. Não li ainda a sua obra, mas sei que assim que lê-lo me tornarei mais uma fã. Gostei de conhecer mais de sua obra e de suas inspirações.
    Bjs!

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  4. Eu estou mais do que disposta a dar uma chance a esta série, e acredito que o autor tem razão no seu ponto de vista, pois estes elementos que ele levantou da série, são simples e realmente qualquer país tem estes temores.
    Bjs, Rose.

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  5. Bacana demais a entrevista com o autor, acho muito interessante saber mais sobre os autores, saber a inspiração de escrever tal livro ou como é esse caso a série

    Ciclo das trevas, saber tbm se está com algum projeto novo né *-*

    Essa série Ciclo das trevas espero ler em breve, parece ser ótima.

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  6. Li "O Protegido" no início de 2015 e gostei bastante, mal posso esperar pelo lançamento de "A Lança do Deserto", 2º livro da série. Gostei da entrevista, o Peter é um cara super gente fina, sempre dá atenção aos seus leitores!

    http://desbravandolivros.blogspot.com.br/2015/04/resenha-o-protegido-peter-v-brett.html

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  7. E muito bom saber um pouco mais sobre nossos queridos autores, e ver os próprios falando sobre suas obras, as dificuldades, inspirações é impagável;
    Bjocas

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  8. eu não conhecia o autor e pretendo ler o livro "ciclo das trevas" pq é um livro q chamou muito a minha atenção, tem um universo novo e pode me ajudar a desenvolver mais a minha imaginação.
    o autor pareceu muito simpático e um homem incrível! fiquei com mais vontade ainda de ler a obra.


    beijo

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  9. Mto legal a entrevista, acho que é se o livro continuar a receber tantas resenhas positivas a editora possa trazer o autor para bienal do ano que vem, o que tenho certeza vai levar mtos fãs ao delírio rsrsrs

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  10. Tamires!
    Na verdade nada sabia sobre o autor e sua obra e fico bem contente com as entrevistas porque podemos conhecer um pouco mais sobre todo universo que permeia a origem de um livro de cada autor.

    “Tudo é precioso para aquele que foi, por muito tempo, privado de tudo.”(Friedrich
    Nietzsche)

    cheirinhos

    Rudy

    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  11. Entrevistas com os autores deve ser um tópico fixo, pois realmente é bem legal, conhecer um pouco mais da vida do autor, sua inspiração, qual o objetivo do livro. Adorei saber sobre o Peter, autor desconhecido pra mim, mas agora quero muito ler. E que ele venha para o Brasil que será muito bem recebido.
    Um beijo

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  12. Acho bem interessante essas entrevistas com autores estrangeiros, acredito que elas dão ao leitor a possibilidade de conhecê-los melhor e compreender suas histórias de maneira mais homogênea. Quanto a Ciclo das Trevas, achei super legal o modo como a ideia surgiu. E estou extremamente curiosa para conhecer o enredo do livro, agora ainda mais!

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