postado por Matheus em 24 outubro 2015

[Clássicos do Terror] Review | O Mensageiro do Diabo (1955)

Direção: Charles Laughton
Duração: 1h 33min
Lançamento: 1955
Gênero: Suspense, Terror
Sinopse
Durante a Depressão, no início dos anos 30, Ben Harper (Peter Graves) roubou o banco de West Virginia, matou duas pessoas e fugiu para sua casa com 10 mil dólares, que escondeu na boneca de sua filha. Antes de ser preso Ben fez que John (Billy Chapin) e Pearl (Sally Jane Bruce), seu casal de filhos, jurassem que nunca iriam dizer onde o dinheiro estava escondido. Harry Powell (Robert Mitchum), um assassino que se faz passar por pregador, é preso em uma casa de espetáculos por ter roubado um carro e mandado para a mesma cela de Ben, que foi condenado a morrer na forca. Enquanto esperava a execução Ben tinha sonhos que revelavam algo sobre o dinheiro, mas não tudo. Ben é executado e Harry, após cumprir uma pena de 30 dias, é libertado e então ruma para a casa de Ben. Harry chega ao lugarejo onde a família de Ben vivia e se insinua com os vizinhos Icey (Evelyn Varden) e Walt Spoon (Don Beddoe), que têm uma loja de doces, e impressiona o casal com seus dons como pregador. Willa Harper (Shelley Winters), a viúva de Ben, fica deslumbrada por Harry e logo os dois estão casados. Quando Henry constata que ela será um obstáculo para o dinheiro, corta sua garganta e joga seu corpo dentro do rio. Ele tenta fazer com que as crianças digam onde está o dinheiro, mas se Pearl mostra sinais de fraqueza John vigia sua irmã para que nada revele. Quando a situação fica insustentável as crianças fogem, descendo o rio em um pequeno barco. Mas Powell está determinado em conseguir o dinheiro e vai no encalço de John e Pearl.


O Mensageiro do Diabo é um clássico ofuscado no tempo. Lançado no meio da década de 50, o filme foi recebido de forma morna em seu lançamento, tanto por parte do público como por parte da crítica; mas o tempo lhe fez bem, sendo que aos poucos o filme foi ganhando o reconhecimento merecido, sendo inclusive citado como um dos melhores filmes de todos os tempos em importantes revistas de cinema. Mesmo assim, o tempo passou, levando com ele a fama que o filme tanto demorou a conquistar. Uma pena, levando em consideração a magnífica qualidade deste filme incrível!

“Amor” e “ódio” são duas palavras que percorrem o enredo do começo ao fim. Afinal, estas são as palavras tatuadas nos nós dos dedos de Harry Powell. Mas a história em si não começa em torno dele...
Ben Harper é um “ladrão do povo”, que realiza um roubo na intenção de ajudar crianças
que estão sofrendo durante a Grande Depressão. Durante o assalto, ele acaba matando dois homens, sendo então condenado à forca; com isso, ele deixa Willa Harper viúva e sozinha com seus dois filhos, John e Pearl. Mas antes de ser preso Ben conseguiu ir até sua casa e entregar uma grande quantia em dinheiro a seus filhos, mandando-os esconder essa quantia e não dizer a ninguém a respeito. Eles conseguem manter essa promessa feita a seu pai, até chegar Harry Powell.
O “reverendo” Harry conheceu Ben e sua história na prisão; a ideia da grande quantia em dinheiro despertou o interesse de Harry, que decide ir atrás disso. Chegando à cidade de Ben, aos poucos ele vai conquistando a ingênua Willa, não demorando a se casarem. Extremamente próximo de John e Pearl, Harry faz de tudo para arrancar informações sobre o dinheiro. Sua ganância é grande, o que pode levá-lo a fazer coisas terríveis, mas certas aos olhos de Deus, segundo ele.

A qualidade de The Night of the Hunter (no original) é facilmente vista em diversos aspectos. O primeiro, e talvez o que mais chame a atenção do grande público, é justamente sua história fantástica! Com um enredo simples, mas muito bem conduzido, o roteiro encontra amplo espaço pra levantar questões pertinentes, como as consequências da Depressão, a ganância pelo bem material e a questão familiar. Além disso, é claro, ele também retrata fortemente a religião, mostrando os dois lados da moeda, doa a quem doer. Ah, o roteiro também acerta em cheio no quesito tensão. E que tensão!
Diversos são as formas que o filme tem de amedrontar o espectador. Por vezes ficamos tensos com as cenas cantadas (Robert Mitchum cantando é amedrontador); já em outros momentos ficamos na ponta da poltrona devido ao perigo iminente; isso sem contar na tensão causada com a fotografia deslumbrante. Este filme é um dos poucos exemplares de suspenses da época que permaneceram com sua tensão até hoje!
Robert Mitchum está simplesmente genial na pele do vilão fanático religioso Harry Powell! Seu fanatismo religioso nos amedronta de forma incrível em certas cenas, onde sentimos um frio na espinha ouvindo ele, com toda a sua maldade, se referir a Deus de uma forma tão forte. Contudo, ele não é o único nome de peso no elenco; Billy Chapin está ótimo na pele do destemido John, nos mostrando uma atuação mirim extremamente marcante. Lillian Gish também desperta a atenção do público com sua personagem extremamente carismática, mas forte na medida certa.

Todas as questões visualmente artísticas do filme são simplesmente deslumbrantes. O designer de produção conseguiu criar a época da Grande Depressão de forma simples, mas convincente, com figurinos e cenários condizentes à época. Tudo isso é captado por uma fotografia genial, capaz de chamar a atenção até daqueles não acostumados a prestar atenção neste quesito. Filmado em preto e branco, o filme consegue um contraste incrível em inúmeras cenas, transformando simples horizontes em cenas monocromáticas deslumbrantes. O ótimo uso da neblina e da iluminação também merece destaque.

O diretor Charles Laughton, decepcionado com a fraca recepção do filme, prometeu nunca mais dirigir um filme. Promessa cumprida por ele... De toda forma, mesmo sendo esta sua estréia e sua despedida da direção, O Mensageiro do Diabo se tornou um filme icônico, tanto por sua qualidade como por sua tensão genuinamente transmitida ao público. Uma obra poética e extremamente deslumbrante visualmente, esquecida pelo tempo, mas de forma alguma datada e ultrapassada.

Avaliação 








Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


12 comentários:

  1. Matheus, O Mensageiro do Diabo me surpreendeu de uma forma extremamente positiva. Enquanto eu pensara que Ben Harper era o protagonista da história, o que rouba para ajudar o próximo, me deparo com Harry Powell, confesso que senti um imenso ódio apenas com a leitura da ganância e crueldade do personagem. Fiquei bem curioso para acompanhar este clássico.

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  2. Uma pena saber que esse filme é tão bom, mas não teve o sucesso que deveria ter. Ainda não assisti esse filme, mas, pelas suas palavras, pude perceber isso! Li tanto elogio sobre o filme que fiquei super curioso em assisti-lo hahaha Vi que o filme é repleto de ótimos personagens, uma das coisas que mais me chamou atenção!

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  3. Esse eu quero assistir conseguiu me despertar uma grande curiosidade, você falou tão bem do filme, que me convenceu que vale a pena 1 hora e 33 minutos pra assistir..
    Bjocas

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  4. Estou adorando esses clássicos dos filmes que estão sendo postados no blog *-*
    Já quero ver todos e com esse não é diferente, adoro ficar tendo vendo filme hahahaha
    Vou ter que fazer uma sessão filmes antigos aqui, mas vai valer a pena ♥

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  5. Matheus está de parabéns com as resenhas sobre clássicos! Estão ótimas! Cada resenha que leio já quero assistir. E também por achar que os filmes antigos tem um quê especial, parece as histórias são mais interessantes. Nunca tinha ouvido falar nesse filme O mensageiro do diabo, prefiro o título em inglês. A história é cheia de acontecimentos, pela resenha esse filme teria mais que 1 hora e meia. Escreva mais sobre clássicos. Um beijo

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  6. Matheus!
    Por incrível que possa parecer, não assisti esse filme ainda e fiquei muito interessada.
    Vou a procura para assistir, valeu a indicação.

    “Tudo é precioso para aquele que foi, por muito tempo, privado de tudo.”(Friedrich
    Nietzsche)

    cheirinhos

    Rudy

    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  7. Nunca ouvi falar desse filme, o que é raro pois gosto muito de clássicos, a história não me parece assustadora mas as cenas que vc colocou no post me provam o contrário, que cara mais mórbida do ator! Enfim, mais um filme para minha lista de quero ler!

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  8. Sou uma apaixonada por filmes antigos, me rendo a seus encantos sem medo. Algo que eu com certeza destacaria deste filme é a fotografia: todas as cenas são emolduradas de forma impecável, e isso auxilia muito na impressão final do espectador sobre o filme. A história, apesar de não tão espetacular assim, nos brinda com o que há de melhor no quesito reflexão, já que nos permite pensar sobre assuntos atuais até hoje.

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  9. Fiquei triste pela desistência do diretor. O filme parece ser adorável. Acredito eu que eu nunca tenha assistido nenhum filme de terror clássico... Mas, lendo alguns aqui no blog eu estou me interessando aos pouquinhos.


    beijo

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  10. Se você assisti-lo esperando bons personagens não se decepcionará!

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  11. Fico extremamente feliz em saber que você gostou das resenhas de clássicos aqui! Pode deixar que sempre que possível postarei a resenha de algum clássico por aqui.

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  12. A atuação do protagonista é uma das coisas que mais dá medo no filme!!!

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