postado por Matheus em 22 outubro 2015

[Clássicos do Terror] Review | Sangue de Pantera (1942)

Direção: Jacques Tourneur
Duração: 1h11min
Lançamento: 1942
Gênero: Suspense, Terror


Sinopse

Irena Dubrovna (Simone Simon) é uma bela e misteriosa jovem sérvia, que vai trabalhar em Nova York como designer de modas e se casa com Oliver Reed (Ken Smith). Irene vive obcecada pela idéia de ser vítima de uma maldição, pois descenderia de uma raça de mulheres-felinas que, quando estão emocionalmente excitadas, se transformam em panteras assassinas. Seu temor mostra ter fundamento ao sentir ciúmes de Alice Moore (Jane Randolph), que está íntima de Oliver. Ela tenta convencer o marido que se transformará em uma pantera, sendo que ele a manda para Louis Judd (Tom Conway), um psiquiatra para avaliar o problema da sua mulher, sem imaginar realmente o que está acontecendo.


Hoje em dia é bastante comum encontrar filmes de terror/suspense que envolvam, de uma forma ou de outra, a sensualidade. O ápice desse subgênero ocorreu nos anos 1980/90, com uma enxurrada de ótimos filmes do tipo, como os maravilhosos Atração Fatal (com a inesquecível Glenn Close) e Instinto Selvagem (ah, a cruzada de pernas de Sharon Stone...). Mas lá atrás, nos anos 1940, já era possível encontrar filmes que, muito sutilmente, envolvessem a sensualidade feminina. Caso do simplório Sangue de Pantera.


Irena Dubrovna é uma ingênua mulher sérvia que há pouco tempo se mudou para Nova Iorque para trabalhar como designer de moda. Um dia, enquanto desenhava uma pantera que estava no zoológico, Irena conhece Ollie Reed, um homem que aos poucos vai cativando-a. Pouco tempo depois, os dois começam um relacionamento e se casam. Mas as coisas não continuam tão fáceis para o romântico casal.
Aos poucos Ollie vai percebendo o temor que persegue sua amada; Irena acha que é perseguida por uma maldição de sua terra natal, maldição essa que a transforma em uma pantera em momentos de muita tensão, como ciúmes e raiva extremos. Ollie desacredita do fato, tentando fazer Irena acreditar que tudo isso é fruto de sua imaginação. Mas as coisas pioram quando Ollie começa uma forte amizade com Alice, sua colega de trabalho, o que desperta o ciúme de Irena. A partir daí, ninguém tem plena convicção dos riscos que seguem os três.

Provavelmente o que mais chama a atenção neste simples filme é a forma como ele mostra em cena a tensão do roteiro. Nas cenas de maior tensão o filme é conduzido com maestria, não deixando nada a desejar levando em consideração filmes de suspense mais recentes; nada é escancarado na tela, a tensão surge aos poucos, sendo ela criada com cautela para pegar o público de jeito. Provavelmente isso funcionou muito bem na época, mas obviamente com o passar do tempo Sangue de Pantera se tornou um tanto datado.
Curiosamente, o grande ponto negativo do filme também se refere às cenas de tensão. Ou melhor, à falta delas. Mesmo com apenas 1h e 11min de duração, o filme se torna cansativo em inúmeros momentos devido à descrição minuciosa (e por vezes desnecessária) que é dada a condição da personagem de Irena. O roteiro se preocupa demais em explicar sua “maldição”, se esquecendo então de mostrar um pouco mais de emoção ao público. Afinal de contas, é difícil esperar até os últimos 20 minutos do filme para então se deparar com os primeiros indícios de tensão.
O elenco, excluso de qualquer nome clássico que se sustentou até os dias atuais, se mantém bom do começo ao fim, mas é Simone Simon que desperta maior apreço do público com sua personagem ingênua, mas perigosa. Aos poucos ela vai desenvolvendo a personagem Irena de uma ótima maneira, ministrando muito bem seu lado amoroso e bondoso com seu lado instintivamente fatal.

Assim como em Drácula (também resenhado nesta coluna), Sangue de Pantera conta com uma ótima direção de arte, com destaque para a fotografia incrível. As cenas da piscina são filmadas com tanta maestria que se tornam as melhores do filme, mesmo sem mostrar absolutamente nada! Essa é apenas mais uma prova de como a questão do medo evolui no cinema; o medo sentido pelo público pode não ser o mesmo, mas a faísca de inovação que Sangue de Pantera trouxe se mostrou de extrema importância para o futuro do gênero de suspense.

AVALIAÇÃO






Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


12 comentários:

  1. Eu acho esses filmes de terror e que tem um clima mais de suspense antigos bem legais, tem flmes de antigamente que viraram clássicos e que são muito melhores que os de hoje em dia ne...rsrs
    Já vou procurar pra ver esse Sangue de pantera , parece ter um suspense muito bom,do jeito que eu gosto..rsrs

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  2. Matheus, temos aqui mais uma prova da tensão e terror reais que eram criados nas décadas passadas, o que deixa muito a desejar hoje em dia com seus efeitos sonoros. Enfim, Sangue de Pantera é um clássico que não conhecia, embora sua história tenha me agradado muito, o temor de transformar-se em pantera e o frágil relacionamento me encantou. Gostei!

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  3. Os filmes de terror que foram produzidos há bastante tempo me chama bastante atenção. Além de ser o começo da era do terror, os filmes, e os bastidores dos filmes, são recheados de mistérios. É a primeira vez que vejo Sangue de Pantera, e o filme me pareceu bem atraente. Espero assisti-lo em breve!

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  4. Oi Matheus, este você foi longe! não cheguei a ver o filme, e vou te confessar acho difícil vim a assistir, pois nos últimos tempos é um gênero que não tenho visto muito.
    Bjs, Rose.

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  5. Esse Clássico eu não conhecia, nunca ouvi falar , mais achei muito legal, apesar de que não vou correr e assistir imediatamente e nem pretendo fazer isso um dia, mais achei bacana essa retomada de filmes de terror/suspense antigos.

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  6. Matheus!
    Fico bem feliz em ver que está trazendo os clássicos do gênero da primeira metade do século passado.
    Eram muito bons!

    “Tudo é precioso para aquele que foi, por muito tempo, privado de tudo.”(Friedrich
    Nietzsche)

    cheirinhos

    Rudy

    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  7. Outro filme que não vi ainda, mas interessei bastante, a história bem diferente, e é em preto e branco né, eu adoro filmes assim!

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  8. Não assisti a esse filme ainda, então não tenho muito o que comentar sobre ele. Posso dizer que as descrições e explicações em demasia seriam uma coisa que me deixaria bem chateada, incluindo aqui a falta de ação inerente ao enredo. Achei a história central um pouco inverossímil também, não sei se conseguiria me envolver com a trama.

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  9. Sangue de pantera é diferente, nunca tinha ouvido falar nele; mas parece ser uma boa pedida. E não é surpresa para ninguém que as mulheres viram feras nas questões emocionais.
    Um beijo

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  10. Realmente, esperar até o fina ldo filme para sentir um pouco de tensão/medo com a história pode ser muito desgastante. Não senti vontade em ver o filme, a história não me fez gostar, mas a ideia é bem bolada.


    beijo

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  11. Realmente, são inúmeros os clássicos do gênero melhores que os filmes recentes.

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  12. O fato de a história ser inverossímil foi o menor dos problemas para mim. Você até consegue acreditar na história, o problema é a forma como ela é desenvolvida mesmo. HAHAHA

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