postado por Matheus em 29 dezembro 2015

Resenha | Joyland



          


Sempre que se fala Stephen King uma coisa nos vem à cabeça: terror. Por mais que alguns trabalhos consagrados do escritor fujam completamente do terror – caso de Conte Comigo e Um Sonho de Liberdade – todos ligam seu nome a seus clássicos de terror, como O Iluminado e Carrie, A Estranha. Essa sua fama dentro desse gênero literário é ótima, mas pode atrapalhar em alguns momentos, como em Joyland.
Só posso dizer o que você já sabe: alguns dias são preciosos. Não muitos, mas acho que em quase toda vida há alguns.
Pág. 185



Devin Jones faz o completo arquétipo de jovem universitário estadunidense. Mesmo jovem, ele já sofre profundamente por um amor não correspondido, já que Wendy Keegan via-o apenas como um bom amigo e nada mais. Durante as férias, Wendy resolve se mudar, e isso é demais para Devin, que a princípio não suporta a ideia de vê-la distante. Mas, para amenizar isso, ele também decide se mudar para Carolina do Norte, onde conseguiu um emprego temporário de verão no parque de diversões Joyland.
O que parecia ser um lugar para Devin se “desligar” do mundo acaba ganhando um espaço maior em sua vida à medida que ele vai conhecendo a história de Linda Gray. A jovem moça foi morta numa das atrações do parque, e reza a lenda que seu fantasma ainda persiste em Joyland. Ao mesmo tempo em que vai se adentrando à lenda de Linda, Devin Jones também conhece Annie Ross e seu filho, Mike. Devin nem desconfia, mas Annie e o menino, doente em sua cadeira de rodas, irão mudar sua vida; o que era pra ser um simples trabalho de verão acaba ganhando proporções épicas na vida de Devin Jones.

A premissa de Joyland está longe de ser algo ruim; nela, King poderia ter a base perfeita para construir uma ótima história cheia de mistério como só ele sabe fazer. Mas não é bem isso que encontramos à medida que a história vai decorrendo...
Talvez o maior problema de Joyland é o fato de que ele foi vendido como algo que não é. Para aqueles que não pararam para ler nenhuma resenha ou algo do tipo, o livro é, como a grande maioria dos trabalhos de King, um livro de terror. Demora a percebermos que não é bem isso que temos aqui; isso faz com que leiamos o livro na espera do momento onde o terror aparecerá, mas ele não aparece.
(Para excluir de vez as dúvidas, o próprio Stephen King disse que Joyland não se trata de um livro de terror).
De forma alguma esse é um fator decisivo para criticar Joyland; afinal, isso só aconteceu por conta da fama de King. Mas o problema é que a história transcorre da forma mais morna e previsível possível, o que é de certa forma decepcionante vindo de King.
Primeiramente, é necessário dizer o porquê de o livro ser escrito de forma morna. A história é narrada do ponto de vista de Devin Jones, e é visível que o personagem é um dos mais melancólicos já criados por King. Seu sofrimento pelo amor não correspondido de Wendy é descrito em vários e vários capítulos, tornando essas passagens cada vez mais entediantes. Além disso, diversas ótimas passagens se tornam mornas quando contadas por Jones. E também tem o problema da previsibilidade; muito do que vemos no clímax do livro já é esperado, pois durante toda a história recebemos grandes pistas do que acontecerá. Em resumo, nem o talento de escrita de King conseguiu salvar o livro por completo.
- Filhos são um risco muito grande, Dev. Já pensou nisso?
Pág. 31

A capa muito bem ilustrada do livro é um grande (porém enganoso) atrativo para qualquer um lê-lo. Interiormente, a Suma de Letras também fez um bom trabalho na edição. Com isso, a leitura não transcorre de forma tão maçante; mas é claro que isso não exclui todos os problemas já descritos que o livro possui. Joyland é um livro com grande potencial, mas que infelizmente anda, anda e não chega a lugar nenhum.
Mesmo quando as lembranças machucam, é difícil esquecer. Talvez seja ainda mais difícil quando machuca.
Pág. 111

Avaliação:





Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


16 comentários:

  1. Oi, Matheus! Ainda não li nada do Stephen King, mas isso não significa que não estou curioso. Não imaginava que um começo de história tão simples, com um garoto qualquer que estava relembrando o seu relacionamento passado e adorara crianças, poderia se transformar em uma história um tanto misteriosa como esta. Me interessei bastante para a leitura do livro e, também, para conhecer a história de vida presente nele. Como possuo o mesmo que ganhei aqui do Blog, vou lê-lo em Janeiro mesmo.

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  2. Já li alguns do King com o foco na tensão psicológica,bem longe de algo
    sobrenatural,mas que conseguiram ser envolventes,e outros que não me
    atingiram.
    Então Joyland não é um livro terror?Essa parte da lenda da Linda parecia ser promissora,é uma pena a história ser morna e previsível,é bom ver a resenha e ficar ciente de qual estilo esperar.

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  3. Alessandra Fernandes30 de dezembro de 2015 00:09

    Matheus, senti uma forte decepção quando li sua resenha. Sou fã de carteirinha de Stephen King, e saber que esta obra foi decepcionante, doí o coração. Eu já sabia que era o livro mais 'leve' dele, mas não tinha conhecimento de sua proporção.
    De qualquer forma, gostei de sua sinceridade em descrever, principalmente os pontos negativos de Joyland.
    Bjs!

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  4. Nunca li nada do autor, só assisti o filme Carie, a estranha e estou doida pra comprar o livro ou outros livros do autor, o único problema é que os livros dele são um pouco caro e nunca estão em promoção!! Ai complica :/

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  5. Joyland foi o primeiro livro que li de Stephen King e confesso que esperava (como condiz a fama do autor) um livro de terror, em vez disso me peguei rindo em diversas partes do livro. Pra mim, pelo menos foi uma leitura agradavel e nem um pouco massante, consegui entrar no clima de suspense para saber que matou Linda Grey.

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  6. Oi Matheus, queria muito ler Joyland, pela capa e por ser do King, até ganhei o livro só não li ainda. Tinha visto uma resenha sobre ele que também não deixou boas impressões. Poxa, pela capa parece ser um livro tão legal, de terror envolvendo parque de diversões. Uma pena o King não ter caprichado no gênero que ele é considerado o mestre neste livro. Lerei depois comento com detalhes.
    Um beijo

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  7. Oi!
    Já ouvi muito falar dos livros do Stephen King é sempre tive muita curiosidade para poder conhecer sua escrita, mas gostei de Joyland quando li a sinopse pensei que era um livro de terror também por conhecer o gênero do King e se tivesse lido ele pesando que era um livro de terror teria criado expectativa e me decepcionado com o livro por isso sempre gosto de olhar uma resenha antes de ler o livro para saber se é um leitura legal e se iria gostar !!

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  8. Olá, Matheus! Eu fiquei surpreso por este livro do Stephen King não possuir o gênero terror, e o pior ser vendido de forma errada. Bem, Joyland conseguiu chamar a minha atenção mesmo assim, toda a obsessão de Devin e os fantasmas do parque Joyland me deixou curioso. Quero saber mais já que nunca li nada do King.

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  9. quando vi que tinha resenha de Joyland, ja ia vir aqui comentar que nao leria esse livro pq nao leio terror. Mas nao é terror :O Com essa capa, eu jurava que seria.
    Tenho muita vontade de ler os livros do King que nao tem ligaçao com horror. Mas vou pular esse depois da sua resenha. Tem muito livro a ser lido na vida pra perder tempo com historias mornas né?

    Sério, se nao fosse sua resenha eu ia ter opinioes erradas a respeito desse livro. Valeu!

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  10. Sim! A lenda de Linda me deu a impressão de ser o grande trunfo do livro, mas acabou sendo mal utilizada...

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  11. Calma, amiga! Talvez lendo você tenha uma opinião diferente da minha hahaha

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  12. Também acho os livros dele bem caros... :/

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  13. Que bom que com você a história foi diferente hahaha

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  14. Assim que ler não esqueça de vir aqui no blog nos dizer sua opinião! :D

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  15. HAHAHAHAH imagina!!!

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  16. Matheus, li.. mas como previsto não é um dos melhores livros do King. Concordo Devin é deprimente, então a história começa já arrastada. É previsível em algumas partes, mas não achei tão previsível o final. Achei que a história fosse focada na Linda e não é. Mas, enfim é um bom livro. E soube que se tornará um filme, como acontece as outras obras dele, espero que o filme seja melhor, consigo imaginar a cena final como filme.
    Um beijo

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