postado por Matheus em 23 janeiro 2016

[Maratona Pré-Oscar] Review | Brooklyn

Direção: John Crowley
Duração: 1h 52min
Lançamento: 2016
Gênero: Drama, Romance

Sinopse

A jovem irlandesa Eilis Lacey (Saoirse Ronan) se muda de sua terra natal e vai morar em Brooklyn para tentar realizar seus sonhos. No ínicio de sua jornada nos Estados Unidos, ela sente falta de sua casa, mas ela vai tentando se ajustar aos poucos até que conhece e se apaixona por Tony (Emory Cohen), um bombeiro italiano. Logo, ela se encontra dividida entre dois países, entre o amor e o dever.





Saoirse Ronan surgiu para o grande público em 2007, com o marcante Desejo e Reparação. Mesmo jovem - com 12 anos de idade -, Ronan despontou como uma novidade brilhante, tendo sua atuação aclamada, dando a ela indicações a grandes prêmios, entre eles o Oscar. Depois disso, ela fez papeis importantes em filmes de menos sucesso, como Hanna, Um Olhar do Paraíso e o fracasso A Hospedeira. Era difícil saber qual seria o futuro da carreira da jovem atriz; talvez ela estivesse fadada a papéis coadjuvantes, como em O Grande Hotel Budapeste. Mas Ronan deu a volta por cima com Brooklyn, que a trouxe de volta ao estrelato e às premiações da melhor forma possível.

Situado na década de 50, Brooklyn narra a história da jovem Eilis Lacey (Saoirse Ronan), que vive numa pequena cidade da Irlanda e decide tentar a vida imigrando junto com outras jovens mulheres para os EUA, deixando para trás a mãe e uma irmã mais velha. Já nos EUA, Eilis consegue um bom emprego e uma pensão para morar, mas isso não significa que a vida longe da família será fácil. À medida que vai se adaptando à vida em Brooklyn, Eilis acaba conhecendo Tony Fiorello (Emory Cohen), um jovem de família italiana que logo mostra interesse por ela. Não demora a surgir um romance entre os dois.
Contudo, uma fatalidade faz com que Eilis tenha que voltar à sua cidade natal na Irlanda, deixando Tony nos EUA. Agora de passagem pela Irlanda, Eilis conhece Jim Farrell (Domhnall Gleeson), e um pequeno romance surge entre os dois, o que faz com que ela fique indecisa sobre onde realmente deseja estabelecer sua vida.

O enredo direto de Brooklyn é algo simples, mas extremamente bem amarrado. Ao questionar o sentido de lar, o roteiro acerta em escapar do patriotismo americano, mostrando que a escolha de Eilis, seja ela qual for, independe de questões patrióticas. O roteiro também se sai bem ao mostrar a saudade de Eilis de forma sútil, mas extremamente convincente.
Então não esperem reviravoltas ou cenas extremamente emocionantes, pois isso é algo que o filme não possui em demasia. Há sim ambas as coisas, mas elas aparecem em poucos momentos - aparecem apenas quando necessário, por assim dizer. Porém, o final é extremamente marcante, daqueles que grudam na mente do público e dificilmente saem devido a seu sentimentalismo ímpar.
Mas todo esse sentimentalismo contido e profundo não se deve apenas ao roteiro, pois as atuações também cumprem com seu papel de emocionar sem exagerar. As tiradas cômicas do filme conseguem suporte em Julie Walters - que atua extremamente bem como a dona da pensão onde Eilis mora - e Emory Cohen, que desempenha com desenvoltura seu papel repleto de cenas de humor. Mas é praticamente impossível tirar os olhos de Saoirse Ronan. Seu papel é de longe o mais complexo do filme, mas isso não se mostra um problema à Ronan, que consegue demonstrar segurança mesmo quando seu papel exige sentimentos simples, mas expressivos; ela consegue se expressar sem precisar exagerar em nada, sua atuação é contida mesmo quando sua personagem chora.
Porém, Brooklyn precisou de algo para erguê-lo acima do nível de filme extremamente bem desenvolvido. Mesmo com ótimas atuações e um bom roteiro, o filme não consegue criar um vínculo com o público, sendo ele um daqueles filmes que assistimos e admiramos todas as suas qualidades artísticas, mas que não deixa nenhum questionamento pertinente, o que pode ser um problema para alguns.

Talvez seja essa realmente a intenção de Brooklyn: ser um filme sensível e otimista, sem nenhuma grande pretensão. Porque é justamente isso que o final transmite; um final coeso e simplório, mas repleto de um sentimentalismo capaz de agradar a todos.

Avaliação:




Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


13 comentários:

  1. Esse eu fiquei muito a fim de assistir. Me parece uma história tocante, que deixa uma boa sensação no final. Pretendo conferir já que adoro a Saoirse Ronan e o Domhnall Gleeson.

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  2. Alessandra Fernandes24 de janeiro de 2016 11:46

    Matheus, eu estou muito animada! Irei fazer também uma maratona dos filmes que foram indicados para o oscar ;) Preciso começar logo!
    Foi ótimo ver seu comentário sobre mais um dos filmes. Esse terei o maior prazer em assistir, pois além de passar em uma época diferente, o drama presente e o final satisfatório muito me animou e sei que irei gostar. Gostei!

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  3. Oi, Matheus. A união de um bom roteiro e uma boa escolha de elenco é o essencial para um atraente filme. Eu estou bem curioso sobre a história de Brooklyn por mostrar uma mulher imigrante, decida a mudar de vida e unir tudo isso à um sentimentalismo incomum em outros filmes.

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  4. Até agora não sabia qual era a história de Brooklyn e o
    porquê do mesmo ter sido indicado ao Oscar. Mas, fica claro que esse filme é
    merecedor de tantas indicações, com um enredo maravilhoso ele consegue passar
    muitos sentimentos sutilmente e demonstrar toda a história da garota e as suas
    emoções. Curti!

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  5. Saoirse Ronan decepcionou muito em A Hospedeira e é bom
    vê-la estrelando um filme indicado ao Oscar. Eillis é uma personagem muito bem
    representada e sua personalidade é inigualável, como imigrante ela consegue
    transmitir o seu poder de decisões e o seu controle sentimental, uma reflexão
    muito boa.

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  6. Só soube da existência desse filme depois de sua indicação ao Oscar. A história parece ser boa, o filme parece ser um drama daqueles parados, mas gostei muito da indicação. Não gosto muito de assistir filmes só porque eles foram indicados ao Oscar, mas alguns valem a pena ser assistidos. Espero que Brooklyn faça jus a resenha :)

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  7. cristiane dornelas27 de janeiro de 2016 13:00

    Fiquei muito afim de ver esse filme quando comecei a ver coisas dele. A parte do antigo, década de 50, foi o que mais me interessou. Mas os atores também, gostaria de ver como atuaram nesse longa. A trama parece ser boa e valer a pena assistir, cheio de sentimentos.....gostei e queria muito ver.

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  8. marlene conceiçao28 de janeiro de 2016 10:04

    Adorei a resenha.
    Confesso que só soube desse filme pela indicação ao Oscar, apesar de fazer bem meu gênero, e se passar na década de 50, não me atraiu muito não, gostei do cenário, logico é lindo, a trama é boa, o roteiro também, mas enquanto assistia sentia que estava faltando algo, não sei bem o que é, mas espero assistir-lo novamente, vai que eu mude de opinião assistindo uma segunda vez.

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  9. Daniel Olhos Água28 de janeiro de 2016 16:57

    O filme parece simples, mas com uma missão cumprida, apesar de não ter me interessado em ler, parece uma boa pedida p/ quem gosta de cinema. Amando o trabalho de vcs c/ o Oscar. Abraços, ótima postagem. ^-^

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  10. Conheço a atriz, o primeiro filme que assisti dela foi justamente Desejo e Reparação, não conhecia esse filme mas cho que vou gostar, filmes de época sempre cativam.

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  11. Oi!
    Sabia que esse filme estava concorrendo ao Oscar mais ainda não conhecia a historia e parece uma historia simples mas bem contada e com bons atores e adorei que se passa na década de 50 com aquele visual todo da década de 50 !!

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  12. Nem se aventurei em assistir A Hospedeira rs
    Ainda bem que ela deu a volta por cima!

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  13. Muito obrigado! :D

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