postado por Jorge Henrique Vieira Santos em 27 janeiro 2016

Resenha | O Espadachim de Carvão


          

"É fácil tomar boas decisões quando não há mais opções"



O carioca Affonso Solano nos apresenta o mundo fantástico de Kurgala, que é cheio de criaturas mitológicas e é movido por uma crença de que há 4 divindades, os Dingirï. Filho de um dos quatro, Adapak é um jovem com a pele negra, da cor de carvão, tem os olhos brancos, e é um espadachim muito habilidoso, ele teve que se isolar do mundo exterior e viver em uma ilha sagrada junto com o seu pai, mas ao chegar a 19 ciclos de idade, o lugar acaba sendo atacado, e o jovem tem que fugir das criaturas que querem os 4 deuses e ele mortos. Já no começo da trama, Adapak nos mostra toda a sua habilidade com as espadas, derrotando algumas criaturas que o atacam, mas isso ocorre em quase todo o decorrer do livro, deixando-o mais emocionante e uma história de pura adrenalina.


Temos dois tempos de narrativa em O Espadachim de Carvão, o primeiro é o passado de Adapak, onde vamos ver a sua vivência com seu pai, as lições que seu amigo Telalec o passa para ele aprender a ser um espadachim, e saber de toda a história e técnica do Círculo de Tibaul. Também conheceremos um pouquinho do seu interesse amoroso, T’arish, mas que não tem um grande foco no enredo. No presente, Adapak está fugindo, e encontrará figuras importantes do seu passado em sua jornada, e muitas vezes o autor utiliza do recurso de dois tempos narrativos para explicar algumas pontas soltas sobre a vida do espadachim ou do mundo de Kurgala.


Por ter se isolado do mundo, não teve muito contato com as malícias e maldades das pessoas e das criaturas racionais e, no decorrer do livro, vemos o quanto Adapak é ingênuo, citando um exemplo, ele pergunta para algumas prostitutas a razão de elas venderem o seu corpo. Mas fica claro para o leitor que isso é só mais uma forma do autor criticar as ações das pessoas do mundo em que vivemos.


Sem querer ser machista, acredito que o livro seja voltado mais para o público masculino, pelo fato de que, há mais cenas de ação e lutas do que romance, que é algo que é mais característico do público feminino, o único par romântico que existe na trama, é deixado de lado e é pouco comentado. Nada que impede de algumas mulheres gostarem da história, pelo contrário, a obra tem potencial de agradar diferentes grupos de pessoas.

"Quando somos crianças, nos é dito que o mundo é... ruim, sim. Mas conforme crescemos e o vivenciamos, aos poucos entendemos que o ruim não é puramente 'ruim' e o bom não é puramente 'bom'. O bom e o ruim andam juntos, você tem que aceitar um para entender o outro"

A linguagem da história é bem estilo medieval, com muitas descrições e muitos personagens mitológicos, o que dá um tom mais clássico ao livro, sem o deixar com uma linguagem densa e arrastada, pois achei a leitura bem fluída e rápida, também por se tratar de um livro curto, mas com uma história que valeria mais de 700 páginas, que leria sem problemas.

Sobre os próximos livros da série, por enquanto temos lançado o segundo volume chamado O Espadachim de Carvão e As Pontes de Puzur, e uma graphic novel chamada As Aventuras de Tamtul e Magano, que é baseado em um livro que Adapak leu em sua infância, que é continuamente citado nos começos de alguns capítulos.

O autor conseguiu produzir uma fantasia, que arrisco dizer como o melhor mundo fantástico criado por um autor nacional, incrível, bem detalhada sem ser cansativa, com ótimas cenas de ações e lutas de espadas, criticando o racismo sem deixar isso transparecer muito, então se você ainda não leu, está perdendo a chance de apoiar nossos autores nacionais, e de ler um fantástico livro.






Sobre o Autor:
Jorge
Jorge é Colaborador do blog, ama o Universo dos livros, das séries de TV, dos filmes e da Matemática, seus autores preferidos são Cassandra Clare, J.K. Rowling e David Levithan, seu maior sonho é ter uma enorme biblioteca em seu próprio quarto, mas por enquanto se contenta com o que tem. 
 


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