postado por Matheus em 24 março 2016

Review | A Bruxa

Direção: Robert Eggers
Duração: 1h 30min
Lançamento: 2006
Gênero: Terror, Drama

Sinopse

Nova Inglaterra, década de 1630. O casal William e Katherine leva uma vida cristã com suas cinco crianças em uma comunidade extremamente religiosa, até serem expulsos do local por sua fé diferente daquela permitida pelas autoridades. A família passa a morar num local isolado, à beira do bosque, sofrendo com a escassez de comida. Um dia, o bebê recém-nascido desaparece. Teria sido devorado por um lobo? Sequestrado por uma bruxa? Enquanto buscam respostas à pergunta, cada membro da família seus piores medos e seu lado mais condenável.



O cinema de terror parece estar passando por uma transformação nos últimos anos. Nos anos 2000, a esmagadora maioria das obras do gênero apostava no sobrenatural para dar medo ao espectador e consequentemente atingir sucesso. Mas desde 2010 vimos um grande aumento, tanto em quantidade como em qualidade, dos filmes de terror independentes, que possuem um terror único: psicológico, mais profundo e extremamente reflexivo. A Bruxa é o mais novo, e apavorante, exemplar do gênero.

Na Nova Inglaterra de 1630 vive William (Ralph Ineson) e Katherine (Kate Dickie) juntamente com seus cinco filhos. Após serem expulsos na comunidade em que vivem devido a motivos religiosos, eles decidem se estabelecer num local distante de qualquer tipo de civilização, morando à beira de um bosque. Num dia normal, o filho mais novo do casal, ainda bebê, acaba desaparecendo misteriosamente enquanto estava aos cuidados de Thomasin (Anya Taylor Joy), filha mais velha. A partir desse acontecimento, a família inteira entra numa espécie de paranóia pós-trauma, o que pode levá-los a ultrapassar os limites da sanidade, mesmo sem saberem o que realmente está afetando a todos.

Se você teve o prazer de ver o filme nos cinemas, ou se ainda pretende ir, é bem provável que se depare com vaias, risos e outros atos incomodáveis. De certa forma, não podemos criticar diretamente o público, já que o filme foi vendido como algo que não é. Todos os trailers divulgados durante a forte divulgação do filme mostravam um terror eloquente e visualmente amedrontador. Mas na verdade todo o terror do filme é transpassado nas entrelinhas das cenas; poucas são as cenas que passam medo visualmente. Mas despida-se de todas as suas expectativas de um filme de terror-padrão e então você poderá aproveitar o filme como sua obra completa. E que obra!
O estreante diretor Robert Eggers fez barulho com seu primeiro lançamento no cinema. E não é pra menos. Sua concepção da época é algo incrível, com pequenos detalhes que realmente te transportam pra época. Ainda mais incrível é ver como ele utilizou dessa época como um dos elementos causadores de medo do filme, nos fazendo estremecer com os pensamentos de quão cruel era a vida na época. Contudo, há n outros pontos do filme capazes de fazer o público gelar; todos eles têm algo em comum: a subjetividade. Eggers tem uma habilidade incrível em fazer o público se apavorar com sua própria imaginação enquanto vê cenas tensas e reflete sobre tudo o que aquilo representa.
Por mais que o roteiro tenha alguns problemas com o excesso de subjetivação e a falta de explicações mais claras, num geral ele se mantém bom do começo ao fim, principalmente devido ao seu gancho religioso, capaz de levantar questionamentos pertinentes. Por outro lado, o elenco inteiro se mostra espetacular em simplesmente todas as cenas! O elenco, composto praticamente por seis nomes, possui uma sincronia em cena incrível, com todos dando o máximo de si até mesmo nas cenas mais complexas e pesadas. Mas é quase impossível tirar os olhos da brilhante revelação Anya Taylor-Joy e de sua atuação forte e repleta de nuances. À medida que ficamos em dúvida sobre sua personagem, conseguimos ver todos os sentimentos conflitantes da mesma expressa de forma forte em Anya. Agora é torcer para que ela tenha uma carreira promissora pela frente.

The VVitch, título original estilizado, se mostra mais um grande exemplo de que o cinema de terror independente ainda tem muito à mostrar. Por mais que o estúdio tenha feito uma divulgação questionável, isso não diminui todas as grandes qualidades do longa, que além de nos apresentar novos talentos ainda de quebra nos trouxe uma história de terror para se assustar e refletir.

Avaliação:




Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


10 comentários:

  1. Nossa, quando vejo anúncios e reviews de filmes assim me dá vontade de assistir... aí, me lembro que sou muito medrosa e provavelmente não vou conseguir dormir a noite, rsrs. Mas parece muito bom para que gosta de filmes de terror e suspense. ^^

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  2. o fato de ter coisas não muito bem explicadas não me incomoda, afinal é um filme de terror. mas fiquei animada em saber q ele assusta ultimamente os filmes de terror fazem de tudo menos isso.... o cinema independente salvando os filmes de terror!
    assim q eu assistir eu volto para dizer o q eu achei

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  3. Oi!
    Vi as pessoas falarem muito bem desse filme e pelo trailer parece uma historia bem assustador por isso esse não é um filme que irei assistir pois são bem medrosa mas para quem gosta parece ser um ótimo filme !!

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  4. Daniel Olhos Água28 de março de 2016 17:09

    Wow, acho que enfim um filme de terror de verdade, com um enredo fantástico foi lançado! Muita gente está falando bem, mas acho que pessoas acostumadas com filmes como os de bonecos assassinos não se adaptaram muito bem :p Fiquei bem interessado.

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  5. cristiane dornelas29 de março de 2016 11:00

    Não sou muito de ver filmes assim, não são meus preferidos. Até gostei da história e parece valer a pena assistir, que foi bem feito e tem tudo pra ser um bom filme. Mas é para aqueles que gostam do gênero :S

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  6. Acho estranho quando falam que é um filme que assusta, já que ele definitivamente não é assustador e sim um filme intrigante ou ate chocante que abre muito espaço para imaginação e teorias. É um bom filme e me lembrou muito A vila, que tem uma pegada muito parecida, mesmo quem morre de medo de filmes de terror pode assistir, porem deve saber que terá cenas fortes e não assustadoras.

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  7. No meu caso ele assustou sim, e muito hahaha

    Mas ele mais mete medo do que sustos.

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  8. HAHAHAHA bem lembrado! :p

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  9. De certa forma, achei o filme assustador sim. Não por conta de cenas de susto há cada 5 minutos, coisa que o filme não tem, mas por conta de tudo aquilo que se passa em nossa cabeça à medida que refletimos sobre a história. Pelo menos no meu caso foi assim.

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  10. Fernanda Rodrigues Mendonça31 de março de 2016 00:02

    Eu achei bem legal a premissa do filme, pq sinceramente esses terrores de susto já deram o que tinham q dar, né? Eu só não tive coragem e/ou companhia pra assistir ainda. Principalmente falta coragem ahahahah Eu gosto de terrores, mas depois fico morrendo de medo

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