postado por Matheus em 31 janeiro 2017

Resenha | Forrest Gump



                              


Forrest Gump é uma história que se tornou um verdadeiro ícone pop.
Desde o lançamento do filme oscarizado em 1994, a história do simpático e idiota Forrest ganhou o coração de cada vez mais fãs com suas histórias sonhadoras e emocionantes. Isso rendeu ao filme uma bilheteria grandiosa, seis Oscars e o título de “clássico” para muitos. Mas o que poucos sabem é que o filme é baseado num livro de pouco sucesso, datado de 1986, livro esse que difere, e muito, de sua famosa adaptação.

Forrest Gump esteve acostumado em ser chamado de “idiota” desde criança. E ele tem consciência disso. Seu QI realmente é baixo, suas atitudes nem sempre são as mais coerentes e ele nunca sabe como se relacionar muito bem com as pessoas. Sua mãe sempre sofreu com isso, mas em momento algum desistiu de seu filho, apoiando-o em todos os momentos até que ele cresceu e começou a viver sua vida. E que vida!
Ao decorrer do livro Forrest nos leva junto com ele em todas suas aventuras pelo mundo, desde geniais jogadas de futebol americano feitas por ele até sua participação gloriosa na guerra do Vietnã, indo também até uma tribo aborígene e também participando de um prestigiado campeonato de xadrez. Assim nos jogamos de cabeça na vida desse personagem tão icônico que é Forrest Gump.
Todo mundo tava gritano e bateno palma, mas eu senti que tinha um peso injusto nas minhas costas. Mas pro diabo com isso... É assim que as coisas são às vezes.
Pág. 60

Antes de mais nada, é preciso ressaltar a beleza que é esta edição em capa dura da Aleph. Com uma jacket dupla face com ilustrações lindas (de autoria de Pedro Inoue), o livro todo é lindo, com ilustrações belíssimas do ilustrador Rafael Coutinho e uma diagramação perfeita, que tornam a leitura extremamente fluída e prazerosa.
Mas vamos ao que mais importa, a história em si.
Desde o princípio sabemos da condição de Forrest Gump como um deficiente mental. Tornar um personagem principal como ele como narrador da história era uma empreitada perigosa para Winston Groom. A narração da história poderia cair muito facilmente no estereótipo de "debiloide", criando assim uma história boba e ridícula. Mas o livro passa longe disso devido ao sentimentalismo encontrado no personagem título. Logo de cara nos simpatizamos com ele, seguindo-o por todas as suas grandes aventuras.
Mas o número de aventuras vividas por Forrest é grande, e infelizmente em determinado momento a história começa a se tornar um amontoado de reviravoltas mirabolantes sem nenhuma grande emoção. Winston Groom continua escrevendo bem essas aventuras, mas a impressão que temos é que algo foi perdido, e por isso o livro não possui a mesma beleza que aparentemente possuía a principio.
Groom também é o responsável pelas críticas sociais vistas aqui. Mas é válido ressaltar que toda a crítica social aos EUA encontradas por muitos no livro podem não possuir o mesmo impacto para todos. Talvez devido à história fantasiosa as críticas sejam ofuscadas àqueles que leem o livro esperando diversão.
Mas talvez a maior jogada de Groom neste livro é a forma como ele escreve a história, utilizando palavras erradas gramaticamente, mas que sonoramente estão certas (andano, fazeno, etc). Isto traz ao livro uma veracidade maior, sendo Forrest o narrador da história.


Num todo, Forrest Gump é um livro carismático, bem diferente de sua adaptação e com seu brilho próprio. Devido a isso, pode não funcionar aos fãs do filme, mas é uma ótima pedida àqueles que estão à procura de um livro despretensioso e agradável.  
(Essa edição traz como extra um ensaio feito por uma professora francesa onde ela disseca as diferenças entre o livro e o filme. Extremamente interessante).
Eu era só um pobre idiota, e agora tinha a raça humana inteira pra cuidar.Pág. 128




Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


2 comentários:

  1. Matheus!
    Já tinha lido que o livro em algumas partes parecem bem mirabolantes, ainda assim, tornou-se um clássico devido ao filme, creio eu, porque nem sabia da existência dele antes de assistir o filme.
    Desejo uma semana alegre e feliz!
    “Um saber múltiplo não ensina a sabedoria.” (Heráclito)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de FEVEREIRO, livros + KIT DE MATERIAL ESCOLAR e 3 ganhadores, participem!

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  2. Parece um livro que conquista, mas cansa em alguns momentos.
    Gostei da edição dele e confesso que foi isso que me deu mais vontade de ler. Além de bater uma curiosidade por conhecer direitinho como é essa história. Mas parece que é bom não ir com muitas expectativas. Ao menos achei isso. Se em certo momento as coisas ficarem demais...hum...sei lá, só lendo pra ver o que sinto mesmo. No geral parece bom e fácil de gostar do personagem, então conferir as aventuras dele deve ser interessante.

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