postado por Matheus em 30 janeiro 2017

Resenha | Tropas Estelares



                         


Tratar de temas políticos em histórias de ficção sempre é algo que merece atenção por parte do escritor. É difícil fazer com que suas reflexões não sobressaiam à história central, criando assim uma história que pode não prender a atenção de muitos. Infelizmente, é isso que acontece com Robert A. Heinlein em Tropas Estelares.
A gente dormia e comia em barracas; vivíamos ao ar livre. Isto é, se você chamar aquilo de “viver” [...]Pág.63

Se você já assistiu ao filme dos anos 90 baseado no livro, esqueça-se de tudo o que viu antes de começar a leitura, que difere muito de sua adaptação cinematográfica.
Aqui, Juan Rico é um jovem que logo após sair da adolescência decide se alistar (por impulso) no Exército. Isso porque, segundo a legislação atual, somente após se alistar ele se tornará um cidadão, com direito ao voto. Após entrar no rigoroso treinamento militar, Rico vai nos narrando o seu dia-a-dia, os regulamentos seguidos e tudo mais. Ao mesmo tempo, ele também narra os combates que presenciou; combates esses contra os seres insectóides alienígenas que são uma ameaça à vida na Terra.  

Mas não se empolguem, as passagens de ação são realmente poucas.
O primeiro capítulo do livro nos leva logo de cara pra uma “queda” em combate de Juan Rico e outros soldados. Neste capítulo, a ação realmente ocorre freneticamente, com uma minuciosa descrição do cenário em que a batalha ocorre, mas ainda assim criando tensão no leitor. Porém, logo que esse capítulo acaba nos deparamos com Juan Rico narrando toda a sua inclusão no sistema militar, começando na sua adolescência e no que o levou a essa decisão.
É aí que o livro se perde, digamos assim. Heinlein em momento algum se cansa de escrever todo o cotidiano exaustivo de Rico, não importa o quão desinteressante isso pareça. Por isso lemos parágrafos e mais parágrafos sobre a hierarquia militar (desinteressante), parágrafos e mais parágrafos sobre os trajes extremamente tecnológicos que eles usam (interessante) e também parágrafos e mais parágrafos da desumanização existente no exército (em partes interessante).
Heinlein realmente tem um foco bem grande neste último tópico dito acima. Suas críticas subentendidas a “alienação” militar ganham espaço no livro do começo ao fim. Por mais que sempre bem postas e bem escritas, em determinado momento essas passagens críticas caem na mesmice e não causam mais o mesmo impacto no leitor que causavam à princípio.
Leva, no mínimo, um ano pra treinar um soldado para o combate e para casar o seu combate com o de seus companheiros; um guerreiro inseto já nasce pronto pra isso. Pág. 205

Tropas Estelares ganhou o Prêmio Hugo de melhor romance lá em 1960. Desde então é óbvio que o gênero ficção científica evoluiu muito em termos de narrativa, e é justamente por isso que o livro não causa o mesmo impacto que provavelmente causou na época de seu lançamento.

Mais uma entre tantas ficções científicas que ficaram presas à seu tempo.



Sobre o Autor:
Matheus
Matheus é Colaborador do blog, cinéfilo de carteirinha, leitor compulsivo e aficionado por música. Quando não está lendo, pode-se vê-lo re-assistindo Kill Bill ou então ouvindo música com os seus fones inseparáveis.


1 comentários:

  1. Matheus!
    Gosto muito de ficção e até gosto de livros descritivos, mas em excesso também não, né? Torna a leitura bem enfadonha...
    Assisti o filme há muitos anos e não pretendo ler o livro.
    Desejo uma semana alegre e feliz!
    “Um saber múltiplo não ensina a sabedoria.” (Heráclito)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de FEVEREIRO, livros + KIT DE MATERIAL ESCOLAR e 3 ganhadores, participem!

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